END OF GREEN
TWINFITY (duplo)
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional
TWINFITY (duplo)
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional
Confesso que antes de pegar o CD na mão para resenhar, nunca tinha ouvido falar no END OF GREEN, e muito menos sabia de sua sonoridade. No entanto ao pegar a capa e juntar o nome do grupo, não havia escapatória: com certeza, seria uma banda de doom, gothic ou depressive metal (como alguns costumam chamar). E como se diz por essas bandas, "tiro dado, bugio deitado". E o que a Shinigami Records em parceria com a Reaper Entertainment nos traz aqui, é a regravação do álbum de estreia do grupo, chamado "Infinity", mas que que volta ao mercado em formato duplo com o título TWINFINITY, trazendo a versão original (lançada em 1996) e a regravação feita em 2025. O resultado não é um exercício de comparação técnica, mas um retrato claro de como o tempo transforma o clima sombria, a atmosfera densa e, porqu não dizer, a dor que sempre foi o motor da banda.
Formado por Michele Darkness (vocal), Sad Sir (guitarra), Kirk Kerker (guitarra), Hundi (baixo) e Lusiffer (bateria), o grupo procurou manter intacta a espinha dorsal das composições, mas tudo soa mais denso, mais pesado emocionalmente. Os riffs arrastados continuam lá, assim como o cruzamento característico entre doom, gothic e até mesmo o rock alternativo. É como se as músicas tivessem ganhado profundidade ao aceitar o próprio abatimento como estado permanente, num looping denso e sombrio. O vocal de Michelle é peça fundamental nesse processo. Se em 1996 a interpretação era mais crua e desesperada, aqui ela aparece controlada, quase fria, o que paradoxalmente torna a interpretação ainda mais incômoda.
Faixas como "Left My Way" e "Nice Day to Die" se beneficiam diretamente dessa abordagem mais contida e madura, ainda mais se compararmos as versões de cada CD. E este talvez seja o grande acerto do trabalho. Ao apresentar a nova versão ao lado do álbum original, o CD cria um diálogo direto entre passado e presente. O ouvinte não apenas escuta as músicas; ele percebe o tempo agindo sobre elas. Onde antes havia uma atmosfera juvenil e caos emocional, agora existe densidade, experiência e uma dose extra de peso que torna tudo ainda mais honesto, como também podemos conferir em "Seasons of Black", "Sleep" e You", momentos de maior destaque do(s) álbum(s).
De certa forma, TWINFINITY funciona menos como uma celebração e mais como um testemunho do tempo e amadurecimento da banda. O END OF GREEN não tenta reescrever sua história nem modernizar artificialmente seu som. Apenas mostra como aquelas mesmas músicas soam quando interpretadas por uma banda que sobreviveu às agruras do tempo, sabendo como transformar isso em música (ou reinventá-las). Um lançamento honesto, sombrio e fiel ao espírito que sempre definiu o grupo.
Sergiomar Menezes
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário