CANDLEMASS
DEATH MAGIC DOOM
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
DEATH MAGIC DOOM
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
O Candlemass nunca foi apenas uma banda: é uma entidade que moldou o Doom Metal desde os anos 80, e em Death Magic Doom — lançado em 2009 e agora relançado no Brasil pela Shinigami Records — essa entidade se manifesta em sua forma mais colossal, obscura e devastadora. O disco carrega a alma da banda, mas com um detalhe que o torna ainda mais especial: a timbragem propositalmente mais suja, crua e pesada dos instrumentos, que cria um ambiente quase sufocante, como se cada riff e cada batida ecoassem de dentro de uma sepultura.
Robert Lowe, assumindo o posto deixado por Messiah Marcolin, mostra que não veio para ser sombra de ninguém. Seu vocal, carregado de feeling, transita entre o dramático e o odioso, erguendo interpretações que se entrelaçam com os riffs arrastados de Lars Johansson e Mappe Björkman. Esses riffs, ora densos como uma celebração fúnebre, ora ácidos como lâminas enferrujadas, se apoiam no baixo monstruoso de Leif Edling, que pulsa com uma sujeira grave e cavernosa, enquanto a bateria de Jan Lindh ora marcha como um exército em ruínas, ora explode em ataques devastadores.
Logo na abertura, "If I Ever Die" é uma detonação inesperada: veloz, corrosiva e direta, um soco que desmonta qualquer expectativa de passividade, mas que carrega uma bela mudança em seus momentos finais. "Hammer of Doom" mergulha no movimento arrastado mais sombrio, trazendo uma aura ritualística que se ergue em um refrão hipnótico, enquanto "The Bleeding Baroness" confirma o poder da tríade inicial com mudanças de andamento brutais e um refrão que gruda como um lamento eterno. Já "House of 1000 Voices" é pura devoção “sabbathica”, com riffs que soam como paredes desmoronando, enquanto "Dead Angel" e "My Funeral Dreams" são exemplos cristalinos de como Lowe elevou o Candlemass a novos patamares de intensidade.
Death Magic Doom não soa como um álbum limpo e polido, mas como um monólito corroído, pesado e vivo. A produção buscou a densidade da sujeira — e acertou em cheio: o disco soa impiedoso, orgânico e denso, como se cada instrumento tivesse sido banhado em ferrugem para aumentar a atmosfera lúgubre. Esse detalhe faz toda a diferença, pois reforça o contraste entre melodia e brutalidade, tradição e modernidade, tornando o álbum uma experiência majestosa. Não é apenas mais um capítulo na história do Candlemass: é um verdadeiro testamento do Doom Metal em sua forma mais poderosa e imortal.
William Ribas


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