CHILDREN OF BLOOD
HALO OF BLOOD
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
HALO OF BLOOD
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
O oitavo álbum de estúdio do CHILDREN OF BODOM, HALO OF BLOOD, lançado em 2013, marca uma retomada do grupo à sonoridade que o consagrou. Pode soar estranho, mas mesmo sem perder sua essência, os finlandeses buscaram se reconectar com a agressividade e a identidade que o consagraram no início dos anos 2000, depois de alguns trabalhos que dividiram opiniões. Mesmo sem o brilho dos primeiros álbuns, o disco nos mostra uma banda recalculando a rota e pronta pra fazer seu death metal melódico de maneira totalmente pessoal. Esse relançamento é mais uma parceria da Shinigami Records e da Nuclear Blast.
Alexi Laiho (vocal e guitarra), Roope Latvala (guitarra), Henkka Blacksmith (baixo), Janne Wirman (teclados) e Jaska Raatikainen (bateria) gravaram e produziram o trabalho em seu estúdio particular em Helsinque, bem como no Petrax Studio, em Hollola, com a colaboração do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Pain). A sonoridade que se apresenta aqui é direta, afiada e violenta, apostando em riffs rápidos, solos virtuosos e no diálogo constante entre guitarras e teclados (marca registrada do COB) que aqui volta a ter protagonismo real. O teclado de Janne Wirman disputa espaço com as guitarras, criando melodias que reforçam tanto o lado épico quanto o caráter sombrio do álbum. Tudo soa no lugar certo, permitindo que cada elemento tenha seu lugar de destaque, sem exageros. A bateria de Jaska Raatikainen alterna com precisão entre blast beats e passagens mais cadenciadas, enquanto o saudoso Alexi Laiho (um cara que está fazendo muita falta) entrega uma performance vocal agressiva e confiante, sustentando a identidade brutal da banda.
Desde os primeiros segundos, o disco deixa claro seu propósito. Faixas como “Waste of Skin” e “Halo of Blood” estabelecem o tom do álbum com velocidade e violência, flertando inclusive com uma estética mais próxima do black metal (?!) em alguns momentos. Já “Scream for Silence” e “Bodom Blue Moon (The Second Coming)” apostam em melodias mais marcantes, equilibrando peso e acessibilidade sem perder intensidade. O grande fraco e que baixa a intensidade do álbum é “Dead Man’s Hand on You”, que desacelera o ritmo e cria uma atmosfera sombria.
No final das contas, HALO OF BLOOD é um álbum visceral, sólido e honesto e, simbolicamente, ganha ainda mais peso por ser o último álbum com o guitarrista Roope Latvala. Um retorno à essência sem soar datado, que reafirma o legado do CHILDREN OF BODOM e entrega exatamente o que se espera: riffs agressivos, melodias memoráveis e energia intensa.
Sergiomar Menezes


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