DESTRUCTION
SPIRITUAL GENOCIDE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
SPIRITUAL GENOCIDE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
Não é qualquer banda que atravessa três décadas de atividade sem perder relevância — ainda mais em um estilo tão físico, extremo e implacável quanto o thrash metal. O Destruction, um dos pilares absolutos da tríade teutônica ao lado de Kreator e Sodom, alcançou esse marco em 2012 carregando uma história marcada por discos fundamentais, crises internas, reformulações e uma retomada sólida a partir dos anos 2000. Após o excelente "Day of Reckoning" (2011), que reafirmou a força criativa e a brutalidade da banda, a expectativa para o álbum comemorativo era altíssima. Spiritual Genocide, porém, entrega um retrato honesto dessa trajetória: poderoso na execução, fiel à identidade, mas irregular na inspiração.
Lançado com um intervalo surpreendentemente curto em relação ao seu antecessor, o álbum carrega evidentes sinais de urgência. A produção, assinada pela própria banda e finalizada por Andy Classen, garante um som limpo, agressivo e bem definido, preservando o impacto característico do Destruction. A abertura com “Cyanide” cumpre bem esse papel: veloz, ríspida e intensa, funciona como um ataque inicial eficaz — ainda que o refrão já revele certa dependência de fórmulas conhecidas.
A formação demonstra entrosamento absoluto. Schmier segue como um frontman ameaçador, com seu vocal áspero e presença dominante; Mike Sifringer mantém sua assinatura nos riffs e solos, mesmo que nem sempre memoráveis; e Vaaver, já mais adaptado após sua estreia no disco anterior, surge como um dos grandes trunfos do álbum. Sua bateria é veloz, criativa e precisa, sustentando o disco mesmo quando as composições escorregam para terrenos mais previsíveis.
Os momentos mais inspirados aparecem justamente quando a banda olha para o próprio passado sem vergonha. A faixa-título “Spiritual Genocide” é um presente aos puristas, resgatando a aura dos anos 80 com riffs que evocam diretamente a fase de Eternal Devastation e Release From Agony. Já “Legacy of the Past” representa o ápice simbólico do álbum: uma celebração explícita do thrash alemão, com Schmier dividindo os vocais com Tom Angelripper (Sodom) e Gerre (Tankard). Simples, direta e carregada de nostalgia, a música funciona mais pelo significado do que pela complexidade — e exatamente por isso conquista.
Entre esses picos, porém, o álbum oscila. Faixas como “Renegade” e “City of Doom” soam excessivamente seguras, presas a estruturas previsíveis que pouco acrescentam à discografia da banda. Em outros momentos, como “Riot Squad” e “Under Violent Sledge”, a agressividade e a técnica tentam compensar a falta de identidade, resultando em músicas eficientes para o impacto imediato, mas rapidamente esquecíveis. Há exceções pontuais: “Carnivore” e “To Dust You Will Decay” conseguem se destacar um pouco mais graças às variações rítmicas e aos solos afiados de Sifringer, reforçados pelas participações de Ol Drake (Evile).
Em suma, Spiritual Genocide sofre do mal de ser "apenas" competente em uma discografia que possui obras-primas. Não é um disco ruim — a execução técnica e a agressividade garantem a diversão —, mas é previsível. É o trabalho menos inspirado da era moderna da banda, onde a falta de tempo para maturar as ideias impediu que as músicas atingissem seu potencial máximo. Ainda assim, o legado do Destruction permanece inabalável. O álbum serve como um registro digno de resistência, provando que, mesmo quando operam no piloto automático, os alemães ainda soam mais pesados do que a maioria.
Mesmo em dias de menor inspiração, o Destruction continua sendo destrutivo — e isso, por si só, já diz muito.
William Ribas


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