segunda-feira, 15 de junho de 2026

WINGS OF STEEL - GATES OF TWILIGHT (2023)

 


WINGS OF STEEL
GATES OF TWILIGHT
Shinigami Records - Nacional

Acredito que comecei essa descoberta pelo caminho mais difícil. Ao partir diretamente para o álbum mais recente, acabei deixando passar aquilo que, ao menos por enquanto, parece ser o verdadeiro ponto alto da recém iniciada discografia do Wings of Steel. Esse momento atende pelo nome de Gates of Twilight, lançado em 2023.

Não que as influências — e até certas semelhanças bastante evidentes — que mencionei ao falar de "Winds of Time" estejam ausentes aqui. Elas continuam presentes, mas aparecem de forma muito mais natural. Em vez de soar como uma simples coleção de referências, a banda consegue absorver suas inspirações e transformá-las em algo convincente.

Há momentos em que o Wings of Steel remete aos melhores dias do Queensrÿche, especialmente pelas linhas vocais. Em outros, surge aquela energia contagiante dos primeiros trabalhos do Helloween, com refrãos fortes, guitarras inspiradas e uma sensação constante de aventura.

Essa proposta fica clara logo na abertura. "Liar in Love" estabelece o tom do álbum com melodias marcantes, guitarras elegantes e uma performance vocal que imediatamente chama a atenção. Em seguida, "Fall in Line" aparece como uma das grandes candidatas a destaque da obra, trazendo riffs afiados, velocidade, refrãos memoráveis e uma energia que remete aos grandes clássicos do metal.

Já "Cry of the Damned" reforça o lado mais direto da banda e entrega um dos momentos mais fortes de todo o disco. Mas o grande mérito de "Gates of Twilight" está justamente em não permanecer confortável dentro de uma única fórmula. "Garden of Eden" desacelera o ritmo e explora uma atmosfera mais arrastada, enquanto "Lady of the Lost" investe em melodias carregadas de emoção sem abrir mão do peso.

Em "Leather and Lace", a banda mergulha sem medo em influências hard rock, funcionando como um dos momentos mais ousados do álbum. A faixa-título representa, talvez, a síntese perfeita da proposta do grupo. "Gates of Twilight" reúne peso, dramaticidade, senso épico e diversas mudanças de dinâmica em uma composição ambiciosa que evidencia tanto as qualidades quanto algumas limitações da banda. É uma música impressionante, mas que também revela uma característica recorrente ao longo do disco: a dificuldade em resistir à tentação de adicionar mais uma ideia, mais uma mudança ou mais uma camada de complexidade. Às vezes, menos é mais.

E esse é, talvez, o principal ponto de evolução para o futuro. Em diversos momentos, o álbum parece tão determinado a demonstrar suas capacidades que acaba sacrificando um pouco da fluidez. Não existem músicas ruins aqui, longe disso. Porém, algumas composições poderiam causar um impacto ainda maior se fossem ligeiramente mais diretas e objetivas. O Wings of Steel claramente possui talento suficiente para fazer muito; agora resta descobrir quando fazer menos.

No fim das contas, "Gates of Twilight" impressiona mais pela coragem do que pela perfeição. É um álbum que transborda entusiasmo, talento e ambição. Nem todas as ideias funcionam com a mesma eficácia, mas mesmo seus excessos são reflexo de uma banda que pensa grande. Se conseguir encontrar um equilíbrio mais refinado entre complexidade e objetividade nos próximos trabalhos, o Wings of Steel tem potencial para se tornar um dos nomes mais interessantes da nova geração do heavy metal tradicional.

Por enquanto, porém, Gates of Twilight já cumpre uma função importante: provar que seu sucessor, "Winds of Time", foi um deslize — ao menos aos meus ouvidos — e que devo manter o Wings of Steel no radar.

William Ribas




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