quinta-feira, 11 de junho de 2026

VOIVOD - SYMPHONIQUE (2026)


 

VOIVOD
SYMPHONIQUE
Century Media - Importado

Mais do que um mero registro ao vivo, Symphonique funciona como uma celebração da criatividade, da longevidade e da permanente capacidade de reinvenção de uma das bandas mais visionárias que o metal já produziu. Afinal, poucos nomes possuem uma discografia tão naturalmente compatível com uma abordagem sinfônica quanto o Voivod. Desde os anos 80, os canadenses construíram uma identidade única, misturando ficção científica, experimentação progressiva, dissonâncias inquietantes e uma visão futurista que sempre esteve muitos passos à frente de seu tempo.

Agora, esse universo ganha uma nova dimensão.

Registrado ao vivo em junho de 2025 no Grand Théâtre de Québec, com o acompanhamento da Orquestra Sinfônica de Québec, o álbum transforma doze composições clássicas da banda em uma verdadeira viagem. Mais do que simplesmente adicionar cordas e metais sobre estruturas já conhecidas, o projeto amplia o alcance emocional e atmosférico dessas faixas, revelando detalhes que muitas vezes passavam despercebidos em suas versões originais.

Desde os primeiros minutos, fica evidente que essa parceria não foi concebida como um exercício de vaidade. "Experiment" surge monumental, cercada por arranjos densos e imprevisíveis que reforçam toda a estranheza e grandiosidade presentes no clássico Dimension Hatröss. A combinação entre a voz inconfundível de Snake, os riffs angulares de Chewy Mongrain e as intervenções da orquestra cria uma experiência que oscila constantemente entre o caos controlado e a beleza melancólica.

Faixas como "The Unknown Knows" e "Into My Hypercube" parecem ter sido escritas pensando em uma execução desse porte. Os arranjos orquestrais expandem suas estruturas complexas sem comprometer a agressividade característica do grupo. O mesmo acontece com "Holographic Thinking", cuja temática futurista encontra no acompanhamento sinfônico uma camada extra de profundidade e expansão.

Um dos grandes méritos de Symphonique está justamente na escolha do repertório. Em vez de tentar resumir toda a carreira da banda de forma linear, o álbum concentra-se nas composições que melhor representam seu lado mais progressivo e aventureiro. Clássicos das eras "Nothingface", "Dimension Hatröss", "Killing Technology" e "War and Pain" convivem harmoniosamente com material mais recente, demonstrando como a essência criativa do quarteto permanece intacta após mais de quatro décadas.

Momentos como "The End of Dormancy" e "Cosmic Drama" evidenciam a afinidade natural entre o vocabulário musical da banda e a linguagem da música de concerto. As passagens orquestrais não soam artificiais ou forçadas; ao contrário — em diversos momentos, a sensação é de estar diante da trilha sonora de uma épica ficção científica distópica.

Enquanto a sinfônica dita o clima, a banda entrega uma performance impecável. Away e Rocky sustentam a cozinha com precisão e peso absurdos, enquanto Chewy demonstra mais uma vez por que é considerado um dos guitarristas mais criativos do metal moderno. No centro de tudo permanece Snake, cuja interpretação mantém o caráter humano e visceral necessário para equilibrar toda a grandiosidade do espetáculo.

O encerramento com "Tribal Convictions" e a clássica releitura de "Astronomy Domine", do Pink Floyd, fecha a apresentação de forma cirúrgica, reforçando a conexão histórica do Voivod com sonoridades psicodélicas, progressivas e experimentais.

Symphonique parece a realização de uma ideia que acompanhava os canadenses desde o início de sua trajetória. É a prova definitiva de que, mesmo após mais de quarenta anos explorando novos mundos sonoros, o Voivod continua encontrando formas inéditas de expandir os limites de sua própria galáxia musical.

William Ribas




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