segunda-feira, 15 de junho de 2026

WINGS OF STEEL - WINDS OF TIME (2025)

 


WINGS OF STELL
WINDS OF TIME
Shinigami Records - Nacional

É interessante como gosto de heavy/power metal, mas dificilmente bandas mais novas conseguem realmente chamar minha atenção — e não é por falta de talento. Aquela saturação que o estilo viveu em meados dos anos 2000 continua firme e forte. Nomes de bandas, títulos de músicas, capas, conceitos... tudo parece preso a um eterno ciclo de repetição.

Quando você vê um nome como Wings of Steel e um álbum chamado Winds of Time, seu cérebro já monta o quebra-cabeça antes mesmo de apertar o play. É como se você já conhecesse toda a história de cor e salteado, mesmo sendo a primeira vez que escuta a banda.

E esse talvez seja o maior desafio enfrentado pelo power metal moderno. Não é uma questão de qualidade. "Winds of Time" pode muito bem ser um excelente álbum, com músicos talentosos, ótimas composições e uma execução impecável. Mas, às vezes, o problema não está naquilo que a banda faz, e sim na sensação de familiaridade que acompanha a audição.

A faixa-título deixa isso claro desde os primeiros minutos. Com duração épica e uma construção que se desenvolve lentamente, a música funciona quase como uma declaração de intenções. Em vez de apostar apenas na velocidade e nos refrões grandiosos normalmente associados ao power metal, a banda investe em mudanças de dinâmica, passagens atmosféricas e linhas vocais extremamente agudas — talvez até em doses excessivas.

Embora o álbum apresente uma faceta mais robusta e agressiva, a banda cai na armadilha da repetição. "Saints And Sinners" surge como um verdadeiro ataque de heavy metal clássico, impulsionado por energia contagiante e refrãos que pedem a participação do público. Já "To Die In Holy War" combina peso e melodia em proporções quase perfeitas, trazendo uma intensidade emocional que amplia ainda mais seu impacto.

Em contrapartida, faixas como "Crying" revelam um lado mais sensível. Sem mergulhar completamente no território das power ballads, a música oferece um momento de respiro. Mais adiante, "Lights Go Out" introduz elementos sombrios e um groove carregado de influência setentista, sem perder a identidade melódica do grupo.

Os momentos finais representam talvez o ápice da experiência. "We Rise" transforma-se em um hino de superação construído sobre uma progressão gradual e eficiente, enquanto "Flight Of The Eagle" encerra o disco com uma atmosfera grandiosa e emocional. É uma conclusão que recompensa a paciência do ouvinte.

No fim das contas, Winds of Time respeita profundamente a tradição do heavy metal clássico. Ao mesmo tempo, reforça uma percepção que muitos fãs do estilo provavelmente compartilham: depois de décadas ouvindo o gênero, certos refrãos, melodias, temas líricos e estruturas musicais se tornaram tão previsíveis que o ouvido reconhece o caminho da música antes mesmo de ela chegar lá.

Não se trata necessariamente de uma crítica ao álbum ou à banda. É apenas a consequência natural de um estilo que, em muitos aspectos, ainda parece contar a mesma história repetidas vezes.

Ainda assim, para os fanáticos de plantão, Winds of Time certamente tem qualidades suficientes para merecer uma audição atenta.

William Ribas




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