terça-feira, 26 de outubro de 2021

ENTREVISTA - FABIO LIONE

 


Fabio Lione, sem dúvidas, é um dos maiores vocalistas do Metal mundial. Consagrado e reconhecido pelo seu trabalho no Rhapsody,  Lione está à frente do Angra desde 2013. Muita coisa aconteceu de lá pra cá,  e após o caos vivenciado por todos nós nessa pandemia, o vocalista, em parceria com Marcelo Barbosa, guitarrista do Angra, vai visitar o Brasil com "Rocking Your Life", uma turnê acústica, revisitando clássicos de sua carreira, bem como do rock mundial. Pra falar exclusivamente sobre essa turnê,  Lione respondeu as perguntas do Rebel Rock e o resultado, você lê a seguir.

Sergiomar Menezes 


Rebel Rock - De onde surgiu a ideia para a turnê Rocking Your Life no formato acústico? 

Fabio Lione - Estive conversando com o Paulo (Baron) sobre ideas, músicas etc..e mandei pra ele covers que fiz em estúdio..ele me propôs a idea de fazer uma turnê de clássicos do Rock acústica e músicas das minhas bandas e gostei da idea…

RR - Quais são as expectativas de ambos para a realização dessa turnê pois afinal de contas  estamos há mais de 1 ano e meio sem shows, apesar de Lives que foram feitas, não é a mesma  coisa. Esse contato direto com o público vai voltar acontecer. Quais são as expectativas para  essa situação? 

Lione - Principalmente é importante começar a estar presente no palco e ter contato com o público, tenho certeza que as pessoas vão curtir muito o show, a set list e que essa turnê vai receber muito papo e ser muito comentada..

RR - O formato acústico demanda uma maior concentração de ambos os músicos pois as músicas  são tocadas num formato bem diferente do usual, tanto para o guitarrista quanto para o  vocalista. Existe uma certa atmosfera diferente nesse tipo de apresentação. Como vocês  adaptaram as músicas que serão tocadas nesse formato? 

Lione - A realidade é que teremos um clima e um sentimento diferente, muito mais íntimo com o público a quem proponho interagir e apresentar algumas surpresas. As melodias, riffs e acordes são sempre os mesmos e portanto o público poderá cantar e apreciar as músicas como sempre, além de que algumas caracteristicas dos músicos ficarao mais claras..

RR - A escolha do repertório foi muito complicada? Pois pelo que foi a divulgado serão músicas do  Angra, Rhapsody, Almah, além de clássicos do rock mundial. Como se deu a escolha do  repertório? 

Lione - Não, não foi complicado..Eu propus ao Marcelo e o Paulo um set list bem variado, com classicos de várias bandas e mais músicas do Angra e Rhapsody ( nunca pensei em nenhuma música do Almah para falar a verdade..)Tenho certeza que depois do primeiro show haverá muitos comentários e reações positivas porque o que estamos tentando propor não é um show acustico normal..

RR - Como dito anteriormente, os músicos estiveram muito tempo parados durante essa  pandemia, e o público está sedento por shows. Essa turnê servirá como um pré aquecimento  ou até mesmo um aquecimento para futuros shows que vêm por aí?

Lione - Um aquecimento para futuros shows que vém poi ai.. 


RR - Lione, você é um dos maiores vocalistas do metal mundial. Esse formato para você traz alguma  dificuldade, alguma preparação diferente daquela que você está acostumado? Como você  adaptou a sua voz para as músicas que serão tocadas nesse formato?

Lione - Nada em particular, tenho um estilo vocal muito variado e provavelmente este formato é ainda mais natural para mim..

RR - Depois de tudo que passamos e ainda estamos passando, o que mais vemos são pessoas  loucas para poder assistir a um show. Quais as expectativas de vocês para esses shows, para  essa turnê? E como vocês vêm essa relação do público com todas as questões que vão  envolver as condições sanitárias, como o distanciamento social, uso de máscaras, etc?

Lione - Eu acho que a reaçao a esses shows será muito boa assim como eu acho que após esse período tudo vai ficar gradualmente verso a normalidade e claramente o distanciamento social vai colocar algumas limitações, mas isso nao afetará o sucesso do show.. 

RR - Em nome do Rebel Rock, gostaria de agradecer pela entrevista e deixar o espaço aberto para  que vocês possam convidar a os fãs para essa turnê!

Lione - Em breve iremos cantar juntos meu amigo!!!Temos algumas surpresas nos shows e tenho certeza que todos vamos nos divertir muito!!!Um grande abraço a todos vocês!!



terça-feira, 28 de setembro de 2021

HEAVY DUTY - MINHA VIDA NO JUDAS PRIEST (2021) - K.K. DOWNING

 


HEAVY DUTY - MINHA VIDA NO JUDAS PRIEST
K.K. Downing com Mark Eglinton
Tradução:
Marcelo Vieira
Editora: Estética Torta

Quando se fala em Heavy Metal é praticamente impossível não pensar no Judas Priest. É inegável a importância e relevância do quinteto inglês para o estilo musical que tanto amamos. Não apenas musicalmente falando, mas também no que diz respeito ao visual. E, talvez aquele ponto que mais vem à mente quando o assunto é a banda, são as guitarras. K.K Downing e Glenn Tipton, são com a mais absoluta certeza, uma das duplas mais lembradas de todos os tempos. Mas, como na maioria das vezes, nem sempre tudo é como imaginamos. Quem diria que dentro desse pequeno universo habitado pelos dois existia (e existe) uma animosidade tão intensa como a que somos levados a descobrir em HEAVY DUTY - MINHA VIDA NO JUDAS PRIEST? A auto biografia de K.K Downing, escrita em parceria com Mark Eglinton e traduzida por Marcelo Vieira, foi lançada no Brasil pela Estética Torta e, revela muitos detalhes acerca da formação da banda, vida na estrada, atritos pessoais, ascensão e queda nas vendas e demais turbulências as quais o grupo foi submetido ao longo desse tempo. Obviamente que aqui temos a visão de K.K., que relata de forma simples e direta seus 40 anos ao lado de uma das maiores bandas de todos os tempos.

O livro tem uma edição caprichada. Capa dura, com um belo acabamento gráfico, além de um book plate autografado pelo próprio K.K. Outro ponto que também merece destaque é a revisão e tradução realizada por Marcelo, uma vez que a leitura não é nenhum pouco burocrática, tornando-se agradável e fácil de ler. 

Com relação ao conteúdo, o livro traz um apanhado do que foram os 40 anos vividos por K.K. com o Judas Priest (como o próprio título da biografia entrega). Mas também, carrega revelações sobre a vida pessoal do guitarrista, desde sua infância, bastante complicada, seja pelo lado financeiro/econômico, seja pela lado emocional/afetivo. E com o desenrolar da leitura, muitas coisas ficam claras, tendo em vista esse passado. 

Mas falando do Judas, é muito interessante e algumas vezes até mesmo surpreendente como determinadas situações acabaram por moldar aquilo que veio a se tornar uma das marcas registradas do quinteto. É importante salientar que K.K. não esconde nada, relatando seus dissabores com alguns integrantes do grupo de forma simples e direta. Desde o início da banda quando ela era um quarteto e o vocalista era Al Atkins, até sua saída da banda, o guitarrista mostra-se bastante sincero sempre que aborda os mais variados temas aqui presentes.

Alguns pontos acabam ganhando destaque durante a leitura, como a entrada de Rob Halford e Glenn Tipton na banda, os primeiros anos de grupo, quando não havia ainda uma identidade estabelecida, os relacionamentos com empresários, namoradas e a vida na estrada, o constante clima de competitividade entre os guitarristas, o que nem sempre foi algo rum, mas muitas vezes se mostrou algo que deixava K.K. com uma mágoa que não se desfez ao longo dos anos, o sucesso de vendas e estabelecimento da "marca" Judas Priest durante os primeiros dez anos, assim como as tretas com o Iron Maiden, pois não d´pra chamar de amizade o que existe entre as duas bandas, entre tantas outras histórias, como a saída Halford, o disse-me-disse na imprensa após esse fato, a entrada de Ripper Owens (descrito por K.K. como uma das melhores pessoas do mundo), o retorno de Halford ao grupo (que se deu muito mais por motivos financeiros do que por qualquer outra coisa), além, é claro, dos motivos que o levaram a deixar o grupo após uma vida inteira dedicada ao Heavy Metal.

HEAVY DUTY - MINHA VIDA NO JUDAS PRIEST é um relato sincero e honesto sobre a vida de uma das figuras mais emblemáticas e, por que não dizer, esquecidas do estilo, algo que também traz uma certa mágoa por parte de K.K. Um livro que nos mostra um lado da história que, na maioria das vezes, não parece. Parabéns a Estética Torta por colocar no mercado algo de extrema valia para os fãs, não apenas do Judas Priest, mas para os fãs do estilo.

Sergiomar Menezes





sexta-feira, 13 de agosto de 2021

SWITCHBACK - BATENDO DE FRENTE (EP) (2021)

 


SWITCHBACK - BATENDO DE FRENTE (EP) (2021)

Independente

Sabe aquele Hardcore, mas Hardcore mesmo? Meio difícil de encontrar hoje em dia né? Se você também corrobora da mesma opinião que este que vos escreve, dê uma sacada em BATENDO DE FRENTE, novo EP da banda carioca SWITCHBACK! Direto, seco e agressivo como um soco na boca do estomago. Pode parecer um tanto quanto primitiva uma descrição desse tipo, mas a sonoridade apresentada pelo quarteto é digna de nota! Muito bem produzido, o grupo flerta em vários momentos com o Thrash, o que dá uma encorpada ainda maior ao HC da banda. Sem muito papo, como reza a cartilha do estilo, vamos ao que interessa.

Vinny Blanc (vocal), Fabio Lannes (guitarra), Luciano Munhoz (baixo) e Mauro Lopes (bateria), despejam toda fúria e agressividade de sua música em 4 faixas gravadas no Tellus Studio no Rio de Janeiro. Produzido pela própria banda, mixado por Felipe Borges e Caio Mendonça e masterizado por este último, BATENDO DE FRENTE peca em um único quesito a duração! Como relatado anteriormente, o Hardcore da banda encontra momentos de rispidez thrash, de sujeira punk, mas acima de tudo, traz consigo personalidade e identidade, o que fica ainda mais evidente nas letras do quarteto.

A primeira faixa, "Corrosão", que teve seu vídeo divulgado no início de 2021, é um singelo convite à compra de novos móveis pra casa, se você correr o risco de ouví-la sem ter cuidado de estar em um local deserto. Os riffs de Fábio guardam uma proximidade com o Thrash, enquanto a cozinha composta por Luciano e Mauro se encarregam de adicionar a veia Hardcore explícita do grupo. Já o vocal de Vinny tem todas a s características necessárias, pois é direto, intenso e sem "melodia". Ou seja, um soco na cara sem nenhum tipo de defesa! Da mesma forma, "Passa Seu Ego Pra Cá", segue mantendo a aproximação com o Thrash, com passagens mais "limpas". Enquanto isso, Mauro imprime à faixa eu momento britadeira, castigando seu kit sem piedade. Outro ponto que merece destaque é o peso que o grupo repassa, algo raro, pois muitas vezes, o Hardcore acaba priorizando a velocidade em detrimento ao peso, o que acaba tirando um pouco da intensidade das faixas.

E por falar em velocidade, "Pelo Povo, Para o Povo", mostra de forma concisa a face mais HC do grupo. Com um clipe muito bem gravado, a letra da composição é uma espécie de protesto contra os ataques à constituição (que ultimamente vem sendo perpetrados por aqueles que deveriam defendê-la) e que acabam por distorcer o conceito de direito e deveres dos cidadãos. Sem dúvidas, o grande destaque do trabalho! Pra encerrar,  "Bota a Cara, Cuzão", com sua levada Thrash (Exodus, Sepultura) mostrando a versatilidade do grupo, tanto na composição quanto na execução.

BATENDO DE FRENTE é um trabalho que coloca em evidência o nome da SWITCHBACK. Uma pena que acabe de forma tão repentina. Fica aqui uma pergunta: não é o momento de um álbum completo????




quinta-feira, 12 de agosto de 2021

AS THE PALACES BURN - FOR THE WEAK (SINGLE) (2021)

 


AS THE PALACES BURN -  FOR THE WEAK (SINGLE) (2021)

Independente 


Uma da bandas mais promissoras do cenário brasileiro decidiu por "repaginar" sua identidade visual antes do lançamento de seu mais novo álbum, previsto para este segundo semestre de 2021, contando com a produção do renomado Adair Daufembach. A AS THE PALACES BURN sempre foi uma banda que soube, e sabe, onde quer chegar, pois nas conversas que tive com Alyson Garcia, vocalista do grupo, isso sempre ficou bem claro. E, mais uma vez, a banda prova que tem seu caminho muito bem delineado com o single "For the Weak", uma vez que apresenta uma sonoridade mais agressiva, mantendo sua identidade.

O grupo, que sempre se mostrou dono de uma versatilidade e técnica acima a média, traz em "For the Weak", uma pegada mais visceral, pesada, agregando tudo isso à sua sonoridade característica, qual seja, a mistura de Heavy, Thrash e Prog Metal, com vocais que soam ora mais intensos e ríspidos, ora mais melódicos e limpos. O single serve como um "aperitivo" para o que vem por aí, e a julgar pela qualidade aqui apresentada, teremos um álbum, mais uma vez, acima da média. Algo já comum à curta, porém consistente, discografia do grupo.

Sergiomar Menezes



quarta-feira, 11 de agosto de 2021

ORPHANED LAND - UNSUNG PROPHETS & DEAD MESSIAHS (2018)

 

ORPHANED LAND - UNSUNG PROPHETS & DEAD MESSIAHS (2018)

Shinigami Records/Nuclear Blast Records

Banda na atividade desde 1991, passou por várias alterações na sua formação desde que iniciou sob o nome de Resurrection (até 1992), mas sempre manteve o foco máximo da inspiração nas criações para os álbuns. Originada em Tel Aviv (Israel), a banda discorre suas melodias inspirada pela cultura religiosa do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Claro que essa inspiração, algumas vezes, também se dá ao direito de criticar atitudes originadas dessas religiões. Mas o que é inegável é a percepção de todo desse clima mediterrâneo na sonoridade da banda. Muito peso, velocidade, pegada, mas com um semblante de oriente médio nas melodias. Certamente esses elementos não estão juntos pela primeira vez em uma banda, mas cabe dizer que Orphaned Land encontrou o caminho de tornar a mescla desses elementos, originais na sonoridade das suas músicas. 

Assim veio a este mundo o Unsung Prophets & Dead Messiahs (2018). Não é somente mais um  Full-length da banda, o disco é um manancial cultural de onde vertem os mais impressionantes versos fraseados sobre vida e morte, amor e ódio, o possível e o impossível, a relação de amor e ódio entre o permitido e o proibido. Unsung Prophets procede o All is One (2014), que em seu lançamento trouxe igual euforia para o cenário metal. All is One trouxe uma música que falava sobre a mundialmente conhecida, trégua entre os inimigos na noite de Natal, durante a primeira guerra mundial em 1914. Tudo isso para introduzir a grandeza da bolachinha que antecedeu ao Unsung Prophets. E qual não foi a certeza em perceber que o disco de 2018 trouxe uma igual (ou superior) qualidade, emoção e entrosamento da banda. Além disso, Unsung Prophets & Dead Messiahs também conta com um line up de convidados impressionante. Um total de 45 convidados entre vocal convidados, Backing vocalistas e coro (para edição dupla). E muito alinhado com o estilo musical da banda, Orphaned Land não deixa passar batida oportunidade de tecer algumas críticas, em suas músicas, sobre alguns costumes ou a ortodoxia das tradições locais, onde a banda surge. Feita essa apresentação, agora é hora de comentar sobre o disco e suas características. 

Unsung Prophets & Dead Messiahs (2018) vem ao nosso encontro cheio de informação, cheio de cultura e algumas denúncias, como falado anteriormente. Mas não vem só com esses elementos. Também apresenta uma banda completamente coesa, vibrante e sons construídos com melodias inacreditáveis. Ainda que categorizada como uma banda de Doom/Death por alguns veículos, o disco de 2018 também apresenta algumas canções com uma riqueza Folk impressionante. Falaremos adiante. 
O disco abre com “The Cave”, um compendio complexo cursivo sobre a os questionamentos que rondam o credo religioso. E não só do credo religioso de Abraão, se a mente estiver aberta para interpretação, são questionamentos e anseios que podem ser aplicados em qualquer crença religiosa. Palavras da sabedoria, humanismo e humanidade, orquestrados sob uma linda melodia que te transporta ao oriente médio. Sonoridade que te faz sentir o grão de areia na pele, o cheiro da carne de carneiro ao molho de canela, é quase um bólido que te transporta ao deserto. O disco todo segue esse clima de uma grande experiencia de imersão cultural. E se eu tivesse o poder de indicar algumas obras sonoras, ao prêmio de Nobel da paz, certamente Unsung Prophets & Dead Messiahs estaria no topo dessa lista.

“The Cave” recebe o ouvinte com um pouco mais de 8 minutos que passam rápidos demais. A segunda faixa, bem mais curta e com tempo dentro do normal, mergulha o ouvinte no cerne do que a banda sabe fazer. Rápida e cadenciada, “We Do Not Resist” o vocal de Korbi Farhi deixa clara a razão de a banda estar listada entre os gêneros Doom e Death Metal.  A terceira faixa traz o primeiro ponto alto do disco. Chamada de “In Propaganda”, narra muito o estilo de vida dos que se deixam levar pela palavra. Nem sempre isso é um sinal ruim, mas muitas vezes “a palavra” (seja religiosa, da mídia, da sociedade, dos influentes, etc.) conduz o ouvindo por um caminho de cegueira intuitiva. A letra da música traz esse alerta embalada, mais uma vez, por uma melodia construída com muito requinte cultural. 
Yedidi cantada na língua original dos integrantes da banda, toca mais uma vez no lado espiritual da existência. O que, sem dúvida, é uma das características mais marcantes de Israel: 

“Then, upon an orphaned land have I not chased after you?
("Então, em uma terra órfã, eu não te persegui?)

Seir, and Mount Paran, and Sinai, and Sin - my witnesses “
(Seir, e Mount Paran, e Sinai, e pecado - minhas testemunhas")

“Chains Fall to Gravity” desacelera um pouco o ritmo e quase busca referencias em Opeth para se conduzir na execução. Pontuada com alguns elementos do metal progressivo inclusive, é uma música que enriquece a audição do disco. Aqui aparece o primeiro convidado especial, que talvez explique um pouco da presença do progressivo no som. Ninguém mais, ninguém menos que Steve Hackett (ex-Genesis). Falando em convidados, o próximo som do disco retrata outro grande ponto alto do disco. “Like Orpheus” estonteante conta com a participação de Hansi Kursh (Blind Guardian, Demons & Wizards) como vocal convidado. É impressionante como a atmosfera da música se transforma nos contrapontos do vocal metal do Hansi e em momentos que toda magia da ancestralidade dos mouros se faz presente, através do vocal do Kobi Farhi. Se buscares pelo clipe, aviso que talvez possa te encontrar nessas melodias. Conta um pouco sobre a vida dupla de um headbanger. Pessoal “normal” durante o dia, banger a noite. O pano de fundo do som, é essa duplicidade vivida, porém para metaleiros nascidos sob uma cultura enraizada em tradições muito mais antigas. Outra personalidade que aparece, também, é o Tomas Lindberg (AT THE GATES). Ele faz uma participação no som “Only the Dead Have Seen The End of War”, que é pontual e cirúrgica. 

O fato, senhoras e senhores, é que Unsung Prophets & Dead Messiahs é um grande apanhado cultural regional, de um local que emana toda uma aura de mistério religioso (ou pela busca da legitimidade santa ou pelos conflitos violentos dessa busca) e vale cada segundo da audição. Espero que esse texto de faça pensar em ouvir o disco. Falo sem medo de errar: 
- Esse é daqueles discos que agrada, inclusive, quem não curte metal! 

Uillian Vargas