quarta-feira, 24 de junho de 2026

EPITAPH - DIGITAL SCREAMS (2026)

 



EPITAPH
DIGITAL SCREAMS
Independente - Nacional

Os veteranos gaúchos da Epitaph nos brindam com uma aula de heavy metal em seu segundo trabalho, “Digital Screams”, saindo agora do forno e já forte candidato a um dos melhores do ano. Já catimbados no cenário, os caras estão na batalha desde o ano 2000, com lançamentos aclamados como a demo “Waiting your Death“ (2001), o full lenght “Getting Down to Business” (2009) e participação em importantes coletâneas como Rock Soldiers VI, Roadie Metal vol 11 e Garagem Hermética Metal, além de mais de 150 shows na região sul. Unindo experiência e adotando uma temática atual e crítica, o resultado é um trabalho consistente e muito bem sacado.

“Loser’s Life” apresenta a bolacha de uma maneira interessante, com uma pegada meio Thrash metal eu diria, com um refrão bem marcante e uma crescente entre peso e velocidade.. A segunda faixa, “The Girl Who Loved the Dead” é destaque, com riffs inspirados e uma cozinha ditando um andamento mais sombrio, com aquela aura de clássico permeando os arranjos, com um solo muito bem construído e vocais contundentes. Vale dizer que a faixa contou com um clipe oficial gravado no estúdio Legato, em Porto Alegre, através da produção da Chama Vídeos Independente.

“Epitaph” traz mais peso e baixa um pouco a bola em relação a velocidade, mas se torna mais um destaque, tendo referências a obra de Edgar Allan Poe em sua letra e uma estrutura talvez mais old school, digamos. Uma das minhas favoritas do álbum. A próxima, “Road of Fire”, se aproxima mais do metal tradicional propriamente dito, uma canção bem direta e que agrada em cheio, os vocais de Joe F. Louder mais uma vez se destacam.

A faixa título, “Digital Screams”, sintetiza bem o que a obra busca em seu formato em si, digamos que é o seu ápice, desde o riff central aos solos, trazendo uma certa introspecção ao ouvinte, seja na sua estrutura melódica, seja no andamento quase hipnótico que apresenta. A letra é bastante atual, faz referência a inteligência artificial e fenômenos sociais que a alienação humana é capaz de atingir quando deixa a tecnologia prevalecer em relação a essência e força de vontade do indivíduo, e isso de certa forma gera inúmeros questionamentos. A própria arte da capa de Rômulo Dias, trazendo o mesmo personagem do “Getting Down to Business”, parecendo desfazer sua essência em algo vazio traz esse sentimento, percepção minha ao menos. A faixa conta com a participação mais uma vez de Gustavo Demarchi nos vocais ( ex-Apocalypse).

“National Guard“ pega um gancho da temática central explorando uma abordagem ríspida, ainda refletindo sobre a sociedade atual e suas nuances de opressão de pensamentos, e na ótima “Something Better Than God“ novamente podemos encontrar duelos de guitarra marcantes calçados por uma cozinha poderosa. Encerrando o trampo, “Blue Cave” é um heavy metal com certas nuances de hard rock, melodicamente grudento e mais despojado, mas ainda certeiro e mortal.

Considero o disco um grande momento do Metal nacional, uma excelente produção assinada por Lucas Santorum que tecnicamente evidencia um grande e competente time de músicos, seja nas melodias inspiradas e riffs cortantes com "coçadas" violentas nas composições e arranjos da dupla de guitarras Marlon Steindorff e André Carvalho, passando por uma cozinha esmagadora em questão de peso e versatilidade técnica com César “Five” Louis na bateria e Fábio Figueiredo no baixo, e contando com o vocalista Joe F. Louder que em todo o álbum evidencia que heavy metal se faz com uma performance agressiva e ao mesmo tempo melodiosa.

Achei grandes referências de monstros sagrados como Judas Priest, Exodus, Fight, Accept, mas também encontrei um caminho natural próprio que a banda conseguiu em questões de experiência e resultados, e a colaboração lírica com Denis Winston mais uma vez se mostrou produtiva e criativa. Com toda a certeza, os caras merecem alçar vôos mais altos, não acredito que o Metal nacional vá sempre se resumir em bandas midiáticas em detrimento a um colossal esforço que quem se destaca precisa fazer para penetrar em eixos centrais.

Precisamos fazer a nossa parte, eu já adquiri minha cópia e irei prestigiar ao show de lançamento dia 04 de julho no estúdio Legato, em Porto Alegre, juntos com a Sin Avenue.

Gustavo Jardim




Um comentário: