EUROPE
COME THIS MADNESS
Shinigami Records/Silver Lining Music - Nacional
COME THIS MADNESS
Shinigami Records/Silver Lining Music - Nacional
O Europe é um raro caso de banda que tem duas vidas distintas na carreira e em ambas seguiu com sucesso e qualidade. A primeira abrange os anos de maior sucesso comercial, durante os anos 1980, com lançamentos álbuns mais que clássicos do Hard Rock, como “Final Countdown” (1986) e “Out Of This World” (1988).
Após um hiato de doze anos, a banda retornou em 2004, com o ótimo “Start From The Dark” e a partir daí, deu sequência ininterrupta na carreira, agora focado num Hard Rock mais maduro e pesado, se aproximando e flertando bastante com o Classic Rock. O último lançamento do Europe havia sido “Walk Of The World”, no já longínquo 2017, mas agora, nove anos depois, a espera por novas músicas terminou, com o lançamento de “Come This Madness”.
"Come This Madness" é um acréscimo sólido ao catálogo do Europe. A banda mantém suas características marcantes intactas, ao mesmo tempo em que continua a fazer sua sonoridade evoluir. O álbum representa mais um capítulo interessante na longa trajetória dos suecos, equilibrando melodias cativantes com peso e intensidade suficientes para evitar que o resultado se torne previsível. Há referências claras às sonoridades das décadas de 1970 e início da de 1980, mas, nesse processo, o Europe jamais perde sua própria identidade.
Os riffs e solos de John Norum seguem um dos maiores destaques. Norum é um guitar hero de mão cheia, e demonstra isso em todas as faixas. Os teclados de Mic Micheli estão mais proeminentes, mais a frente inclusive com mais destaque, inclusive nos momentos de solos. Joey Tempest é irretocável, sua voz inconfundível e cheia de interpretação e emoção está muito em forma. A dupla formada pelo baixista John Léven e o baterista Ian Haugland mantém todo o groove e peso nas composições.
“One On One” é a abertura perfeita para esta audição, cheia de groove. “Come This Madness", a faixa título com um excelente riff de guitarra e com refrão marcante. “This Time Of Year” é a bela balada do álbum. É mais uma prova de que o Europe consegue criar densidade emocional sem precisar elevar o volume ao máximo.
Em “In a Different World”, a banda conecta, mais uma vez, suas letras à realidade que nos cerca, encontrando um equilíbrio sólido entre melodia e atmosfera. Já “Scandinavian Eyes” segue um caminho diferente. Sua abertura cinematográfica introduz uma canção profundamente enraizada na sonoridade dos anos 1970. O Deep Purple e a era clássica do hard rock servem, claramente, como referência, mas o Europe imprime personalidade suficiente ao arranjo para que a faixa se encaixe perfeitamente neste álbum. O resultado é uma composição de hard rock densa e atmosférica, que traz essa aura retrô para o presente sem soar como uma aula de história.
“Takin’ It Back” é uma daquelas faixas que agradam logo na primeira audição, mas que não deixam uma impressão tão marcante quanto outras presentes no disco. “The Angels Must Have Flown” entrega aqui o Deep Purple como principal influência, um Hard Rock com toda aquela pompa setentista. “The Devil's Back” é a mais pesada do álbum, “Nothing Can Follow This” traz mais um momento grandioso, com ares de hino. A faixa encerra o álbum com o tipo de segurança melódica que se tornou uma das marcas registradas do Europe.
Com o lançamento de “Come This Madness”, o Europe acrescenta mais uma peça a sua bela discografia, e a espera valeu muito a pena. Que não levem mais nove anos para o próximo lançamento. Lançado no mercado nacional pela Shinigami Records.
José Henrique Godoy
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