Esse é lugar comum entre os fãs. Em um movimento audacioso e controverso, Bruce formou uma banda completa (chamada Skunkworks) com jovens músicos e lançou um álbum homônimo que mergulhou de cabeça no grunge e no rock alternativo. Produzido por Jack Endino (famoso por trabalhar com o Nirvana e Soundgarden), o disco apresenta guitarras secas, composições curtas e diretas, com uma estética visual totalmente desvinculada do universo do heavy metal clássico. Os destaques do álbum (se é que assim podemos chamá-los) incluem "Back from the Edge", "Solar Confinement","Octavia" e "Inertia", essa última famosa por ter sido incluída numa coletânea da falecida revista ShowBizz. Embora tenha sido incompreendido por grande parte dos fãs de metal na época de seu lançamento, SKUNKWORKS pode ser visto e ouvido como um trabalho de grande coragem artística. Ainda que isso não faça dele um grande trabalho. O álbum demonstrou a versatilidade vocal de Dickinson (o que não precisava ser provado) em registros mais contidos e melancólicos, além de ter sido uma etapa fundamental para que o vocalista derrapasse na pista antes de seu triunfal retorno ao metal pesado.
6º - TYRANNY OF SOULS (2005)
Lançado seis anos após o retorno de Bruce ao Iron Maiden, TYRANNY OF SOULS provou que sua carreira solo continuava viva. Gravado nos intervalos das turnês da banda principal e composto em parceria à distância com Roy Z, o álbum mantém a pegada pesada, melódica e teatral dos dois discos anteriores, mas um pouco aquém do que era esperado. Músicas como "Abduction", "Soul Intruders", "Kill Devil Hill" e a faixa-título demonstram o domínio absoluto de Bruce sobre o heavy metal moderno. O disco combina momentos de velocidade e peso com composições de grande sensibilidade melódica, como a balada "Navegate the Seas of Sun". "Tyranny of Souls" foi recebido com entusiasmo caloroso por imprensa e público, reafirmando que o hiato prolongado não havia diminuído em (quase) nada a química perfeita entre Dickinson e Roy Z.
5º - THE MANDRAKE PROJECT
Após quase duas décadas de espera, Bruce presenteou o mundo da música com THE MANDRAKE PROJECT, um trabalho conceitualmente ambicioso, acompanhado por uma série de histórias em quadrinhos. Produzido novamente por Roy Z, o álbum mergulha em temas de ciência, ocultismo, imortalidade e poder, apresentando uma rica variedade sonoras que transita entre o heavy metal moderno, o hard rock setentista, momentos progressivos e até flertes com trilhas sonoras cinematográficas. Destaques como "Afterglow of Ragnarok", "Rain on the Graves", "Many Doors to Hell" e a grandiosa "Eternity Has Failed" (composta por Dickinson originalmente para este projeto, mas que foi reivindicada pelo patrão Harris para o álbum 'The Book of Souls', tendo sido assim, lançado primeiro no trabalho do Maiden), mostram que a voz de Bruce permanece uma força da natureza. "The Mandrake Project" é um testemunho da energia inesgotável e da visão artística de um dos maiores ícones da história do rock/metal, reafirmando seu compromisso em criar arte relevante e impactante no século XXI.
4º - BALLS TO PICASSO (1994)
Lançado enquanto Bruce ainda fazia parte do Iron Maiden, TATTOOED MILLIONAIRE nasceu quase por acaso, após o convite para escrever uma música para a trilha sonora do filme "A Hora do Pesadelo 5" (pra quem não sabe, "Bring Your Daughter to the Slaughter", que entrou em 'No Prayer for the Dying' do Maiden). Em parceria com o guitarrista Janick Gers, o álbum adota uma sonoridade bem distante do metal épico do Maiden, apostando em um hard rock direto, divertido e com forte apelo radiofônico. Faixas como a própria música-título, "Born in '58" e o cover de "All the Young Dudes" (Mott the Hoople) mostram um lado mais descontraído e pessoal do vocalista. Apesar da simplicidade dos arranjos em comparação aos trabalhos de sua banda principal, o disco foi recebido com entusiasmo pelo público e alcançou bom desempenho nas paradas. "Tattooed Millionaire" serviu como a primeira demonstração de independência criativa de Dickinson, provando que sua voz marcante e sua presença podiam brilhar em universos sonoros diferentes e mais acessíveis. E se era pra fazer algo igual a Donzela, pra que carreira solo, não é mesmo?
2º - ACCIDENT OF BIRTH (1997)
Considerado por muitos um dos grandes marcos do heavy metal dos anos 90 (confesso que fiquei muito na dúvida se esse álbum não deveria ter assumido o lugar mais alto do pódio), ACCIDENT OF BIRTH marcou o retorno definitivo de Bruce Dickinson ao som pesado e melódico. Reeditando a parceria perfeita com Roy Z na produção e nas guitarras, o álbum contou ainda com o reforço de luxo do guitarrista Adrian Smith (seu ex-colega de Iron Maiden). O resultado é uma tempestade de riffs poderosos, duelos memoráveis de guitarra e vocais avassaladores em clássicos como "Road to Hell", "Darkside of Aquarius", "The Magician" e a épica faixa-título. E como não citar a "balada" "Man of Sorrows", que ganhou até uma versão em espanhol chamada "Hombre Triste"? Com a icônica arte de capa criada por Derek Riggs (o criador de Eddie), o disco foi aclamado universalmente pela crítica e pelos fãs como um dos melhores trabalhos de metal da década. "Accident of Birth" resgatou a coroa de Bruce como um dos maiores vocalistas do gênero e pavimentou o caminho para o que viria a ser uma das fases mais criativas de sua vida.
1º - THE CHEMICAL WEDDING (1998)
Se o álbum anterior havia sido um triunfo, THE CHEMICAL WEDDING elevou ainda mais o nível e a criatividade de Bruce e consagrou-se como a obra-prima absoluta da carreira solo de Bruce Dickinson. Inspirado pela poesia e pelas gravuras de William Blake, além de temas ligados à alquimia e ao ocultismo, o disco apresenta uma sonoridade sombria, densa e com afinações de guitarra extremamente graves. Faixas esmagadoras como "King in Crimson", "The Tower", "Book of Thel" e a emocionante "Jerusalem", além da fantástica "Trumpets of Jehrico", mostram um nível de composição e ambição artística raros no heavy metal. A performance vocal de Bruce é monumental, combinando agressividade, alcance e interpretações dramáticas impecáveis, sustentadas pela produção impecável e pesada de Roy Z. "The Chemical Wedding" foi tão impactante que é frequentemente comparado aos grandes momentos do próprio Iron Maiden, provando que a carreira solo de Dickinson não era apenas um projeto paralelo, mas uma força criativa gigante e autônoma.
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