terça-feira, 13 de janeiro de 2026

MOTORJESUS - STREETS OF FIRE (2025)

 


MOTORJESUS
STREETS OF FIRE
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

“High Octane Heavy Rock”. É assim que o grupo alemão Motorjesus auto denomina o seu estilo de som. E o que temos de sobra aqui neste seu mais recente trabalho é “Alta Octanagem” de rock pesado, Nada original, nada de novo, mas cheio de honestidade e crueza, “Streets Of Fire” é um ótimo trabalho.

As influências são claras ao se ouvir as primeiras faixas: Iron Maiden, Motörhead, AC/DC, Judas Priest, dentre outros. Um Hard Rock pesadíssimo que cheira à gasolina. A temática das letras são carros, estradas, motores e por aí vai. A faixa que abre o trabalho, “Somewhere From Beyond” é ótima, com riffs cortantes é tipicamente Heavy Metal oitentista, lembrando e muito a banda de Rob Halford.

“Streets Of Fire”, faixa que dá título ao álbum, mais cadenciada, tem riff e refrão marcantes e facilmente está entre as melhores faixas do tracklist. Uma referência ao Punk Rock se apresenta com “They Don´t Die”. “Holy Overdrive”, “City Heat”, “2.Evil” e “The Confrontation” mantém o nível altíssimo do trabalho.

Streets Of Fire” é o sétimo trabalho do Motorjesus, que completa 20 anos agora em 2026, e é o primeiro trabalho da banda lançado aqui no Brasil, pela Shinigami Records. Se você curte Hard Rock “metalizado”, “Streets Of Fire” é altamente recomendado. Mas não é recomendado para ouvir enquanto dirige, pois é bem possível você exceder os limites de velocidade ouvindo as músicas do grupo...

José Henrique Godoy



CASTLE RAT - THE BESTIARY (2025)

 


CASTLE RAT
THE BESTIARY
King Volume Records - Importado

Todo o fã de Heavy Metal já ouviu falar/assistiu/conhece “Heavy Metal”, o filme/animação de 1981 que contém na sua trilha sonora banda como Black Sabbath, Blue Oyster Cult, Cheap Trick entre outros. Caso você seja um desavisado não conhecedor da obra, a animação trata de vários episódios envolvendo magia e fantasia.

Passados mais de quarenta anos, imagine uma trilha sonora perfeita para “Heavy Metal”, porém composta por uma única banda... Pois lhes apresento Castle Rat: uma banda de Nova Iorque, formado por The Rat Queen (guitarra e vocais), The Count (guitarra), The Plague Doctor (baixo) e The All-Seeing Druid (bateria). Pelos nomes dos integrantes já temos ideia de que o Castle Rat é uma banda bastante teatral.

“The Bestiary” é o segundo trabalho do grupo, e a sonoridade aqui é Doom Metal na sua melhor forma. E a temática de suas letras deixaria o grande Ronnie James Dio orgulhoso: magia, feitiçaria, espadas, reinos e reinados... A produção e mixagem é propositalmente “datada”, dando a impressão que você está ouvindo uma banda inglesa do final dos anos 1970. O vocal de Rat Queen lembra um pouco a voz de Stevie Nicks.

O álbum é composto de 13 faixas, algumas são mais rápidas e outras mais lentas, algumas introduções acústicas, mas confesso que me surpreendi ao final da audição, pois pra mim passou muito rápido e acabei colocando para rodar novamente, o que demonstra que “The Bestiary” passa uma excelente experiência para o ouvinte.

Com certeza, o Castle Rat é uma grata surpresa. Uma banda que assume uma postura e uma temática, ao mesmo tempo que não se leva a sério, está ali pela arte e pela sua música. Que a estrada seja longa para a Rat Queen e seus asseclas.

José Henrique Godoy




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BEFORE THE DAWN - COLD FLARE ETERNAL (2025)

 


BEFORE THE DAWN
COLD FLARE ETERNAL
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Para entender o verdadeiro peso deste lançamento, é preciso olhar para o retrovisor. O Before The Dawn foi constante no cenário europeu entre 1999 e 2012, construindo uma trajetória respeitável com sete álbuns de estúdio que serviram de porta de entrada para muitos ouvintes no mundo do metal extremo. No entanto, em janeiro de 2013, o mentor Tuomas Saukkonen decidiu puxar o freio de mão, encerrando as atividades e mergulhando o nome da banda em um silêncio que duraria oito anos.

Quando o retorno foi finalmente concretizado em 2021, houve aquele misto inevitável de euforia e ceticismo. O álbum de 2023, “Stormbringers”, serviu para provar que a banda existia novamente, mas, soou como um motor de certo ponto enferrujado, que ainda engasgava, tentando lembrar como funcionar após quase uma década desligado. Agora, com "Cold Flare Eternal", a conversa mudou. O sentimento de "teste" ficou para trás. O que ouvimos aqui não é mais uma banda tentando se justificar, mas caras que finalmente entenderam quem são nesta nova encarnação.

A grande vitória deste disco é a naturalidade. Se antes o vocalista Paavo Laapotti parecia um convidado tentando calçar sapatos que não eram seus, agora ele é o dono da casa. Uma performance que flui de forma orgânica. Seus vocais limpos trazem aquela melancolia gótica finlandesa (com ecos de Sentenced) sem soarem frágeis, enquanto seus guturais atingem uma profundidade cavernosa. Musicalmente, o álbum é uma aula de como criar atmosfera sem sacrificar a agressividade. A introdução "Initium" funciona como aquele vento gelado sobrando antes da tempestade, preparando o terreno para "Fatal Design". E que abertura! É Melodic Death Metal direto ao ponto, sem “frescuras”, mostrando que a banda manteve sua habilidade de escrever músicas curtas e impactantes (na casa dos 3 a 4 minutos) que são verdadeiros ganchos sonoros.

O disco brilha justamente quando decide não ficar parado no mesmo lugar. Temos momentos como "Stronghold", que é pura brutalidade desenfreada — bumbos duplos castigando e zero vocais limpos, feita sob medida para abrir rodas do mosh nos shows. Em contrapartida, "Stellar Effect" e "As Above, So Below" abraçam o lado mais acessível e melódico. "Mercury Blood", é pura versatilidade, apostando em um peso quase claustrofóbico, com um groove arrastado que te puxa para baixo, criando uma atmosfera única. E, claro, a presença de Tuomas Saukkonen na bateria e Juho Räihä nas guitarras garante que, mesmo nos momentos mais "épicos" ou inspirados no Folk (como em "Flame Eternal"), a execução seja impecável e cirúrgica.

O encerramento com "Ad Infinitum" é a cereja no bolo. Em vez de um final explosivo e esperado, a banda opta por uma despedida elegante, quase instrumental, guiada por melodias brilhantes de guitarra. É como ver a tempestade deixando apenas a paisagem de inverno. “Cold Flare Eternal” não reinventa a roda do death metal melódico, e nem precisa. Sua força reside na honestidade e na coesão. É um álbum frio na atmosfera, mas que queima graças a genialidade e brutalidade.

William Ribas




segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

THE MIST - THE DARK SIDE OF THE SOUL (2025)

 


THE MIST
THE DARK SIDE OF THE SOUL
Alma Mater Records/Almost Famous REC - Nacional

Trinta anos. Desde o lançamento de "Gottverlassen" em 1995, o mundo girou em um ciclo de mediocridade, líderes ascenderam e caíram, e a humanidade marchou anestesiada rumo ao abismo. Em Belo Horizonte, o The Mist não retorna de mansinho. Eles arrombam a porta com "The Dark Side of the Soul (An Anatomy of the Soul)".

O álbum está muito longe de ser um exercício de nostalgia. Isso é um acerto de contas. Vladimir Korg, voz histórica de "Phantasmagoria" (1989) e "The Hangman Tree" (1991), reassume o comando com algo a provar: Não estão aqui para soar como veteranos buscando fôlego, mas como predadores famintos, recém-soltos de uma jaula enferrujada.

Conceitualmente, "The Dark Side of the Soul" é uma obra distópica, claustrofóbica e profundamente incômoda. A banda conduz o ouvinte por uma verdadeira autópsia da condição humana, estruturada em diálogos brutais entre alma, corpo, cérebro e órgãos em colapso. É uma narrativa que rejeita qualquer conforto e cospe na cara de quem vive um "conto de fadas". A realidade crua é a chama matriz da obra: a vaidade, a futilidade, o ódio, o medo e a falência ética dos nossos tempos.

Da abertura devastadora com “The Curse of Life”, que esfrega o mantra “todo mundo morre” como uma sentença inevitável, até o encerramento agonizante de “Death – Return to Sender”, o álbum funciona como a trilha sonora de uma vingança lenta, sangrenta e implacável.
Não há redenção. Há consciência — e dor.

Musicalmente, o disco é um monstro indomável. A sonoridade se conecta visceralmente com as letras, criando uma trilha furiosa, violenta e pronta para sangrar ouvidos sensíveis.
Faixas como “(Liver) – Killing My Imaginary Friends” e “(Face) – Name + Number = Namber” deixam claro que o The Mist não voltou para brincar. A banda expandiu sua arquitetura sonora criando um Thrash Metal em potência máxima, com uma brutalidade moderna e densa.
No instrumental, temos riffs cortantes (Edu Megale) e um baixo cheio de groove com presença absurda (Wesley Ribeiro), alicerçando uma bateria (Lina Linassi) que atua como máquina de guerra.
Alinhado a tudo isso, temos urros desesperados, autoritários e sarcásticos. Gritos que oscilam entre a acusação e o pedido de socorro — humanos demais para serem ignorados.

The Dark Side of the Soul é visceral, doloroso e necessário. Ele mescla passagens sombrias com a realidade atual do ser humano, dissecando o diálogo brutal entre uma alma atormentada e um corpo em colapso biológico e moral. É um verdadeiro "quebra-pescoços". Um lembrete de que a morte pode ser a única certeza e que ela respira dentro de nós. Mas, acima de tudo, é a prova de que o The Mist está mais vivo, mais coeso e mais letal do que nunca. O álbum é uma declaração de guerra forjada por predadores que passaram décadas observando na escuridão e agora atacam com sangue nos dentes.

William Ribas

Foto: Alexandre Biciati



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

STORMSORROW - THE BLOOD RED HORIZON (2025)

 


STORMSORROW
THE BLOOD RED HORIZON
Independente - Nacional

O primeiro álbum lançado por uma banda sempre é um desafio. Seja pelas dificuldades financeiras (ainda mais falando de Brasil), seja pelas dificuldades impostas pelo mercado, ou ainda, pela constante mudanças na formação dos grupos. E quando falamos de Heavy metal, sabemos que isso se torna ainda mais complicado. No entanto, muitas vezes, algumas bandas conseguem atingir um nível de excelência em sua estreia que chegamos a nos perguntar: "como assim, esse é o debut???" E esse é o caso da banda STORMSORROW. THE BLOOD RED HORIZON impressiona em todos os aspectos: qualidade das composições, produção, apresentação e muita, mas muita garra empregada ao trabalho. Lançado de forma independente, o item se torna obrigatório pra todo fã de Heavy Metal, pois ainda que o Thrash, o Death (desde o mais brutal ao melódico), o metal tradicional e até mesmo o metal mais atual se façam presentes, não há melhor definição para a sonoridade do grupo que não seja o nosso bom, velho e querido Heavy Metal.

Formada por Kahlil Sena (vocalista, guitarrista e idealizador do projeto iniciado 2005, que felizmente virou uma banda sólida e competente), Vicente Luiz (guitarrista e produtor do álbum), Yuri Passos (baixista, ex- Mindset) e Arthur Albuquerque (bateria), a banda foi criada por Khalil em 2005 no Piauí e tomou maior intensidade quando o próprio se mudou para Goiânia. Kahlil, tanbém assina todas as composições, letras, gravações de guitarras base e vocais, além de dividir a coprodução do material, que faz parte de uma trilogia idealizada por ele. O álbum ainda conta com participações especiais de grandes nomes do cenário nacional: Lord Vlad (Malefactor), Mário Pastore (Pastore, ex-Acid Storm), Victhor De Victhorian (Victhorian) e Alexandre Grunheidt (Ancesttral), que acrescentam ainda mais brilho ao trabalho. Apresentando influências vão desde Dark Tranquility, Kreator, Kataklysm, Nevermore, Iced Earth, Arch Enemy, mas com uma personalidade totalmente independente, The Blood Red Horizon nos mostra maturidade, técnica e muito peso!

Uma pequena iro, densa e climática antecede "Burning Skies", um petardo que logo de cara, mostra que a banda não está para brincadeira. Guitarras m linhas agressivas, navegando com facilidade pelo thrash e pelo death, vocais guturais e densos, e uma cozinha que além de peso, entrega muita técnica e versatilidade. Aliás, versatilidade é um dos pontos fortes da banda, pois essas variações dentro dos mais diversos estilos, criam camadas sonoras que fogem do lugar comum. Os riffs intensos são a tônica do trabalho, ainda que a essência da banda não se resuma apenas a isso. Já a faixa título "The Blood Red Horizon" traz a participação de Alexandre Grunheidt (Ancesttral) o que por si só já é garantia de que teremos um thrash de responsa. Dito e feito. Sem dúvida, uma das faixas com mais influência do estilo, traz o contraste de vozes de Alê e Kahlil, criando um clima death/thrash intenso. Ainda "contaminado" pela veia thrash da faixa anterior, "Face the Obliteration", na opinião deste que vos escreve, é a melhor música álbum! Enérgica, rápida, intensa e agressiva, a faixa carrega toda a fúria do metal pesado, com mudanças de andamentos, ambientações atmosféricas em algumas passagens, o que mostra que o grupo não peca por estagnar-se. Muito pelo contrário, pois cada faixa traz uma gama de criatividade bem consistente. O que fica mais evidente em "Hellgate Assembly", que traz a participação de Lord Vlad (Malefactor). E aqui surge uma surpresa: a incursão de elementos do black metal em alguns momentos, além dos vocais de Lord Vlad que trazem aquela aura de desespero tão cara ao estilo. 

Riffs de metal tradicional, mais próximos do alemão (Grave Digger à frente) iniciam "Rebellion Burns Within", que recebe na sequencia uma dose extra de brutalidade e peso, muito disso por "culpa" da dupla Yuri e Arthur, baixo e bateria respectivamente. Aliás, esse último executa um trabalho primoroso do início ao fim do álbum. Carregada de angústia e desespero, mais ainda assim dona de uma linha melódica bem interessante, "Darkest December" traz a participação de Victhor De Victhorian (Denis Lima), da banda Victhorian — amigo de infância e ex-parceiro de Kahlil Souto, o que entrga à faixa uma dose maior de emoção e envolvimento. Com uma voz mais rasgada, Victhor cria uma atmosfera contrastante no refrão. No entanto, " Scars of my War" (baita título) é uma pedrada com toques mais "modernos", voltados à sonoridade de bandas como In Flames, Dark Tranquility e Nevermore, principalmente nos riffs. Outro ponto a se destacar no trabalho é o esmero da produção que apesar de deixar tudo claro e cristalino, deixou as guitarras num nível de peso absurdo! Já a participação de um dos maiores vocalistas brasileiros, Mario Pastore (Pastore, ex-Acid Storm) dá um brilho extra à faixa. ão é novidade pra ninguém a versatilidade de Pastore, mas aqui ele atinge níveis excelentes ao transitar entre o melódico e o mais rasgado, numa proposta que viaja entre as águas do Soilwork e do metal tradicional. Um clima introspectivo dá início à "Times of Decay", que apesar do peso brutal, traz muito dal tradicional em sua estrutura. O álbum se encerra com "The Storm Will Remember My Name", que traz novamente a participação de Lord Vlad. Um épico agressivo e intenso como a música do StormSorrow. 

Já escrevi demais. Faça um favor a si mesmo e ouça THE BLOOD RED HORIZON. Ou melhor, compre. Tenho certeza que você não se arrependerá. A STORMSORROW e o metal nacional agradecem.

Sergiomar Menezes

Foto: Emerson Souza