segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

THE MIST - THE DARK SIDE OF THE SOUL (2025)

 


THE MIST
THE DARK SIDE OF THE SOUL
Alma Mater Records/Almost Famous REC - Nacional

Trinta anos. Desde o lançamento de "Gottverlassen" em 1995, o mundo girou em um ciclo de mediocridade, líderes ascenderam e caíram, e a humanidade marchou anestesiada rumo ao abismo. Em Belo Horizonte, o The Mist não retorna de mansinho. Eles arrombam a porta com "The Dark Side of the Soul (An Anatomy of the Soul)".

O álbum está muito longe de ser um exercício de nostalgia. Isso é um acerto de contas. Vladimir Korg, voz histórica de "Phantasmagoria" (1989) e "The Hangman Tree" (1991), reassume o comando com algo a provar: Não estão aqui para soar como veteranos buscando fôlego, mas como predadores famintos, recém-soltos de uma jaula enferrujada.

Conceitualmente, "The Dark Side of the Soul" é uma obra distópica, claustrofóbica e profundamente incômoda. A banda conduz o ouvinte por uma verdadeira autópsia da condição humana, estruturada em diálogos brutais entre alma, corpo, cérebro e órgãos em colapso. É uma narrativa que rejeita qualquer conforto e cospe na cara de quem vive um "conto de fadas". A realidade crua é a chama matriz da obra: a vaidade, a futilidade, o ódio, o medo e a falência ética dos nossos tempos.

Da abertura devastadora com “The Curse of Life”, que esfrega o mantra “todo mundo morre” como uma sentença inevitável, até o encerramento agonizante de “Death – Return to Sender”, o álbum funciona como a trilha sonora de uma vingança lenta, sangrenta e implacável.
Não há redenção. Há consciência — e dor.

Musicalmente, o disco é um monstro indomável. A sonoridade se conecta visceralmente com as letras, criando uma trilha furiosa, violenta e pronta para sangrar ouvidos sensíveis.
Faixas como “(Liver) – Killing My Imaginary Friends” e “(Face) – Name + Number = Namber” deixam claro que o The Mist não voltou para brincar. A banda expandiu sua arquitetura sonora criando um Thrash Metal em potência máxima, com uma brutalidade moderna e densa.
No instrumental, temos riffs cortantes (Edu Megale) e um baixo cheio de groove com presença absurda (Wesley Ribeiro), alicerçando uma bateria (Lina Linassi) que atua como máquina de guerra.
Alinhado a tudo isso, temos urros desesperados, autoritários e sarcásticos. Gritos que oscilam entre a acusação e o pedido de socorro — humanos demais para serem ignorados.

The Dark Side of the Soul é visceral, doloroso e necessário. Ele mescla passagens sombrias com a realidade atual do ser humano, dissecando o diálogo brutal entre uma alma atormentada e um corpo em colapso biológico e moral. É um verdadeiro "quebra-pescoços". Um lembrete de que a morte pode ser a única certeza e que ela respira dentro de nós. Mas, acima de tudo, é a prova de que o The Mist está mais vivo, mais coeso e mais letal do que nunca. O álbum é uma declaração de guerra forjada por predadores que passaram décadas observando na escuridão e agora atacam com sangue nos dentes.

William Ribas

Foto: Alexandre Biciati



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