terça-feira, 13 de janeiro de 2026

BEFORE THE DAWN - COLD FLARE ETERNAL (2025)

 


BEFORE THE DAWN
COLD FLARE ETERNAL
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Para entender o verdadeiro peso deste lançamento, é preciso olhar para o retrovisor. O Before The Dawn foi constante no cenário europeu entre 1999 e 2012, construindo uma trajetória respeitável com sete álbuns de estúdio que serviram de porta de entrada para muitos ouvintes no mundo do metal extremo. No entanto, em janeiro de 2013, o mentor Tuomas Saukkonen decidiu puxar o freio de mão, encerrando as atividades e mergulhando o nome da banda em um silêncio que duraria oito anos.

Quando o retorno foi finalmente concretizado em 2021, houve aquele misto inevitável de euforia e ceticismo. O álbum de 2023, “Stormbringers”, serviu para provar que a banda existia novamente, mas, soou como um motor de certo ponto enferrujado, que ainda engasgava, tentando lembrar como funcionar após quase uma década desligado. Agora, com "Cold Flare Eternal", a conversa mudou. O sentimento de "teste" ficou para trás. O que ouvimos aqui não é mais uma banda tentando se justificar, mas caras que finalmente entenderam quem são nesta nova encarnação.

A grande vitória deste disco é a naturalidade. Se antes o vocalista Paavo Laapotti parecia um convidado tentando calçar sapatos que não eram seus, agora ele é o dono da casa. Uma performance que flui de forma orgânica. Seus vocais limpos trazem aquela melancolia gótica finlandesa (com ecos de Sentenced) sem soarem frágeis, enquanto seus guturais atingem uma profundidade cavernosa. Musicalmente, o álbum é uma aula de como criar atmosfera sem sacrificar a agressividade. A introdução "Initium" funciona como aquele vento gelado sobrando antes da tempestade, preparando o terreno para "Fatal Design". E que abertura! É Melodic Death Metal direto ao ponto, sem “frescuras”, mostrando que a banda manteve sua habilidade de escrever músicas curtas e impactantes (na casa dos 3 a 4 minutos) que são verdadeiros ganchos sonoros.

O disco brilha justamente quando decide não ficar parado no mesmo lugar. Temos momentos como "Stronghold", que é pura brutalidade desenfreada — bumbos duplos castigando e zero vocais limpos, feita sob medida para abrir rodas do mosh nos shows. Em contrapartida, "Stellar Effect" e "As Above, So Below" abraçam o lado mais acessível e melódico. "Mercury Blood", é pura versatilidade, apostando em um peso quase claustrofóbico, com um groove arrastado que te puxa para baixo, criando uma atmosfera única. E, claro, a presença de Tuomas Saukkonen na bateria e Juho Räihä nas guitarras garante que, mesmo nos momentos mais "épicos" ou inspirados no Folk (como em "Flame Eternal"), a execução seja impecável e cirúrgica.

O encerramento com "Ad Infinitum" é a cereja no bolo. Em vez de um final explosivo e esperado, a banda opta por uma despedida elegante, quase instrumental, guiada por melodias brilhantes de guitarra. É como ver a tempestade deixando apenas a paisagem de inverno. “Cold Flare Eternal” não reinventa a roda do death metal melódico, e nem precisa. Sua força reside na honestidade e na coesão. É um álbum frio na atmosfera, mas que queima graças a genialidade e brutalidade.

William Ribas




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