sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

STORMSORROW - THE BLOOD RED HORIZON (2025)

 


STORMSORROW
THE BLOOD RED HORIZON
Independente - Nacional

O primeiro álbum lançado por uma banda sempre é um desafio. Seja pelas dificuldades financeiras (ainda mais falando de Brasil), seja pelas dificuldades impostas pelo mercado, ou ainda, pela constante mudanças na formação dos grupos. E quando falamos de Heavy metal, sabemos que isso se torna ainda mais complicado. No entanto, muitas vezes, algumas bandas conseguem atingir um nível de excelência em sua estreia que chegamos a nos perguntar: "como assim, esse é o debut???" E esse é o caso da banda STORMSORROW. THE BLOOD RED HORIZON impressiona em todos os aspectos: qualidade das composições, produção, apresentação e muita, mas muita garra empregada ao trabalho. Lançado de forma independente, o item se torna obrigatório pra todo fã de Heavy Metal, pois ainda que o Thrash, o Death (desde o mais brutal ao melódico), o metal tradicional e até mesmo o metal mais atual se façam presentes, não há melhor definição para a sonoridade do grupo que não seja o nosso bom, velho e querido Heavy Metal.

Formada por Kahlil Sena (vocalista, guitarrista e idealizador do projeto iniciado 2005, que felizmente virou uma banda sólida e competente), Vicente Luiz (guitarrista e produtor do álbum), Yuri Passos (baixista, ex- Mindset) e Arthur Albuquerque (bateria), a banda foi criada por Khalil em 2005 no Piauí e tomou maior intensidade quando o próprio se mudou para Goiânia. Kahlil, tanbém assina todas as composições, letras, gravações de guitarras base e vocais, além de dividir a coprodução do material, que faz parte de uma trilogia idealizada por ele. O álbum ainda conta com participações especiais de grandes nomes do cenário nacional: Lord Vlad (Malefactor), Mário Pastore (Pastore, ex-Acid Storm), Victhor De Victhorian (Victhorian) e Alexandre Grunheidt (Ancesttral), que acrescentam ainda mais brilho ao trabalho. Apresentando influências vão desde Dark Tranquility, Kreator, Kataklysm, Nevermore, Iced Earth, Arch Enemy, mas com uma personalidade totalmente independente, The Blood Red Horizon nos mostra maturidade, técnica e muito peso!

Uma pequena iro, densa e climática antecede "Burning Skies", um petardo que logo de cara, mostra que a banda não está para brincadeira. Guitarras m linhas agressivas, navegando com facilidade pelo thrash e pelo death, vocais guturais e densos, e uma cozinha que além de peso, entrega muita técnica e versatilidade. Aliás, versatilidade é um dos pontos fortes da banda, pois essas variações dentro dos mais diversos estilos, criam camadas sonoras que fogem do lugar comum. Os riffs intensos são a tônica do trabalho, ainda que a essência da banda não se resuma apenas a isso. Já a faixa título "The Blood Red Horizon" traz a participação de Alexandre Grunheidt (Ancesttral) o que por si só já é garantia de que teremos um thrash de responsa. Dito e feito. Sem dúvida, uma das faixas com mais influência do estilo, traz o contraste de vozes de Alê e Kahlil, criando um clima death/thrash intenso. Ainda "contaminado" pela veia thrash da faixa anterior, "Face the Obliteration", na opinião deste que vos escreve, é a melhor música álbum! Enérgica, rápida, intensa e agressiva, a faixa carrega toda a fúria do metal pesado, com mudanças de andamentos, ambientações atmosféricas em algumas passagens, o que mostra que o grupo não peca por estagnar-se. Muito pelo contrário, pois cada faixa traz uma gama de criatividade bem consistente. O que fica mais evidente em "Hellgate Assembly", que traz a participação de Lord Vlad (Malefactor). E aqui surge uma surpresa: a incursão de elementos do black metal em alguns momentos, além dos vocais de Lord Vlad que trazem aquela aura de desespero tão cara ao estilo. 

Riffs de metal tradicional, mais próximos do alemão (Grave Digger à frente) iniciam "Rebellion Burns Within", que recebe na sequencia uma dose extra de brutalidade e peso, muito disso por "culpa" da dupla Yuri e Arthur, baixo e bateria respectivamente. Aliás, esse último executa um trabalho primoroso do início ao fim do álbum. Carregada de angústia e desespero, mais ainda assim dona de uma linha melódica bem interessante, "Darkest December" traz a participação de Victhor De Victhorian (Denis Lima), da banda Victhorian — amigo de infância e ex-parceiro de Kahlil Souto, o que entrga à faixa uma dose maior de emoção e envolvimento. Com uma voz mais rasgada, Victhor cria uma atmosfera contrastante no refrão. No entanto, " Scars of my War" (baita título) é uma pedrada com toques mais "modernos", voltados à sonoridade de bandas como In Flames, Dark Tranquility e Nevermore, principalmente nos riffs. Outro ponto a se destacar no trabalho é o esmero da produção que apesar de deixar tudo claro e cristalino, deixou as guitarras num nível de peso absurdo! Já a participação de um dos maiores vocalistas brasileiros, Mario Pastore (Pastore, ex-Acid Storm) dá um brilho extra à faixa. ão é novidade pra ninguém a versatilidade de Pastore, mas aqui ele atinge níveis excelentes ao transitar entre o melódico e o mais rasgado, numa proposta que viaja entre as águas do Soilwork e do metal tradicional. Um clima introspectivo dá início à "Times of Decay", que apesar do peso brutal, traz muito dal tradicional em sua estrutura. O álbum se encerra com "The Storm Will Remember My Name", que traz novamente a participação de Lord Vlad. Um épico agressivo e intenso como a música do StormSorrow. 

Já escrevi demais. Faça um favor a si mesmo e ouça THE BLOOD RED HORIZON. Ou melhor, compre. Tenho certeza que você não se arrependerá. A STORMSORROW e o metal nacional agradecem.

Sergiomar Menezes

Foto: Emerson Souza






Um comentário:

  1. Muito obrigado pelas palavras, Mestre Sergiomar. Emocionado com tamanho carinho e atenção para com nosso trabalho!! Deu pra ver que o Sr captou cada detalhe do disco e cada influência. Mestre!! Sem mais! 🤘🏻🔥👊🏻

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