sexta-feira, 4 de abril de 2025

URIAH HEEP: Bernie Shaw comenta a sensação de fazer últimos shows ao lado da banda




Uriah Heep: Bernie Shaw comenta a sensação de fazer últimos shows ao lado do Uriah Heep

Lendária banda com mais de 50 anos de estrada com cinco shows no Brasil e datas no Chile, Argentina e Uruguai

A lendária banda britânica Uriah Heep está prestes a iniciar sua última grande turnê pela América Latina. Com uma carreira de 55 anos, o grupo se consolidou como um dos pilares do hard rock mundial, influenciando gerações com clássicos como “Easy Livin'”, “July Morning” e “Lady in Black”.

A turnê, intitulada The Magician’s Farewell, é uma realização da Top Link Music e promete ser uma celebração histórica para os fãs da banda na América do Sul, nesta que será a última grande turnê do grupo.

"A banda tem 55 anos e está muito forte, e eu não tinha ideia de que já se passaram 39 anos da minha vida sentado, bebendo e rindo ao lado do Mick Box. É surreal! Nós já viajamos para 65 países, logo serão 67 com a Argentina e o Uruguai, então nós demos a volta no planeta nos divertindo e levando a nossa marca musical para as pessoas", comenta o vocalista Bernie Shaw.

Ele destaca ainda a energia única do público latino-americano: "O sangue latino é quente e apaixonado, e sempre que chegamos na América do Sul vocês enlouquecem. Não tem limites. Quando você vai a um festival ou a um show, vocês sabem se descabelar e não tem nenhum problema em fazer com que a banda saiba o quanto vocês apreciam. É um dos melhores lugares para se tocar, é sempre muito emocional, e é isso que eu amo sobre tocar aí!".

Sobre o futuro, Shaw esclarece que, apesar do nome da turnê, a banda continuará ativa: "A banda não vai parar, apenas não vamos mais fazer aquelas turnês longas de oito, nove, dez semanas. Nós estamos muito velhos pra isso por causa da burocracia e da dificuldade que está agora para viajar". Ou seja, é a última oportunidade de conferir um dos gigantes do Rock mundial ao vivo, por mais que seu legado viva para todo o sempre.

Confira todas as datas da turnê:

April 4 - Montevideo, Uruguai @ Montevideo Music Box


April 5 - Buenos Aires, Argentina @ Groove

April 6 - Santiago, Chile @ Teatro Teleton

April 9 - Rio de Janeiro, Brasil @ Teatro Clara Nunes


April 10 - Porto Alegre, Brasil @ Opinião

April 11 - São Paulo, Brasil @ Tokio Marine Hall

April 12 - Curitiba, Brasil @ Ópera de Arame

April 13 - Belo Horizonte, Brasil @ Mister Rock



Histórico

No repertório, a banda deve apresentar um apanhado dos momentos mais marcantes da carreira, e não devem faltar clássicos atemporais como “Gypsy”, “Easy Livin’”, “July Morning” e “Lady in Black”.

Formado no final dos anos 1960, o Uriah Heep conquistou o mundo com álbuns clássicos como Look At Yourself e Demons and Wizards, e seguiu em atividade no decorrer das décadas, lançando outros discos incríveis e mantendo uma sólida e fiel base de fãs ao redor do mundo.

Atualmente, o grupo é formado pelo membro original Mick Box (guitarra), o vocalista Bernie Shaw e o tecladista Phil Lanzon – ambos na formação há quase quatro décadas; o baixista Davey Rimmer e o baterista Russell Gilbrook. Durante a carreira, lançaram incontáveis registros ao vivo e 25 álbuns de estúdio, sendo o mais recente, o aclamado Chaos & Colour, de 2023.

Foto: Richard Stow

Assessoria: Top Link Music

DECAPITATED - BLOOD MANTRA (2014/2024) - RELANÇAMENTO

 


DECAPITATED
BLOOD MANTRA
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Escrever sobre o Deacapitated não é definitivamente uma tarefa fácil, banda de história ímpar, impactada de forma irreversível por uma tragédia na estrada em 2007 resultando na morte do baterista fundador Witold Vitek Kieltyla e no coma do vocalista da época Adrian Covan Kovanek. O compositor principal da banda Waclaw Vogg Kieltyla obviamente deu uma pausa totalmente necessária na banda, voltando somente em 2011 com o álbum "Carnival is Forever", mostrando ao mundo que a resiliência e o foco podem fazer milagres.

A sequência deu-se aqui nesse Blood Mantra, de 2014, onde podemos ver os poloneses digamos em uma sequência natural do aclamado álbum "Organic Hallucinosis" de 2006, mas atentem pra palavra sequência, visto que o Decapitated basicamente nunca faz o mesmo álbum, eles não se repetem!

Esse é o motivo de "Exiled in Flesh", tema de abertura nos deixar pensando que a banda poderia ter entregado mais como em alguns clássicos do passado, mas como já disse, Vogg, nosso principal compositor, não se repete, e a abertura soa realmente como uma intro desse excelente "Blood Mantra" que está por vir, desembocando em "The Blasphemous Psalm to the Dummy God Creation" que começa agressiva e rápida, embora tenha aquela pitada do velho Decapitated com partes de groovy entre os blast beats que norteiam essa curta e potente música. Na sequência "Veins" mostra como está variado de influências esse álbum, nos remetendo a algumas passagens que lembram um thrash, ou a possível influência da última turnê junto ao Meshuggah e o Lamb of God numa vibe bem mais groovy. A faixa título "Blood Mantra" traz Vogg com talvez seus riffs de mais groovy dentro do álbum, me lembrando aquele velho rótulo de Death n’ Roll já praticados no passado por Pungent Stench e Entombed, mas ainda com o estilo do Decapitated mais agressivo. Agora em "Nest', parece que temos de volta o Decapitated dos tempos de Nihilist, com riffs quebrados, bumbos em tercinas e aquela quebradeira característica que deixou a banda famosa, essa música é a que mais mantém o estilo antigo da banda. A rápida "Instinct" mantém a energia do álbum em alta com todos os elementos que fizeram a banda se destacar no cenário do tecnichal death metal mundial, e a sequência com a emblemática "Blindness" que soa mais como um verdadeiro mantra hipnótico com vocais de pura agonia e feeling sensacionais emendando "Red Sun", faixa instrumental triste e lúgubre, que encaminha o fim do álbum de forma triste. Não posso deixar de destacar o belo trabalho do novo baterista Michal Lysejko que adaptou-se perfeitamente a esse novo conceito criativo de Vogg pra esse excelente Blood Mantra.

Márcio Jameson




terça-feira, 1 de abril de 2025

DIMMU BORGIR - SPIRITUAL BLACK DIMENSIONS (1999/2024) - RELANÇAMENTO

 


DIMMU BORGIR
SPIRITUAL BLACK DIMENSIONS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Manter o reinado do Black Metal mundial foi tarefa árdua para os noruegueses do Dimmu Borgir, a banda precisava manter o alto nível em termos de composição e musicalidade.

De pronto a capa ,“The Wounded Angel”, do artista finlandês Hugo Simberg, já entrega uma egrégora mais sinistra e até mística por parte da temática da obra, que apresenta sons mais complexos e brutais em perfeita simetria com a melodia característica dos caras, contando com a produção do mestre Peter Tagtgren no Abyss Studios, que mais uma vez acertou em cheio no resultado final.

A primeira faixa “Reptile“ já cativa o ouvinte com um clima bem hipnótico, sendo um dos destaques do álbum, “Behind the Curtains of Night- Phantasmagoria” é uma pedrada veloz e certeira, destaque a parte ao baterista Tjoldav desde a introdução inicial a levada rápida e insana.

Faixas como as excelentes “Dreamside Dominions” , “The Promised Future Aeons” e a icônica “The Insight and the Catharsis” evocam arranjos mais sinfônicos e de grande inspiração da dupla Silenoz e Astennu nas guitarras, bem como em “The Blazing Monoliths of Defiance” mais cadenciada, e na introspectiva “Grotesquery Conceiled (Within Measureless Magic)”.

O opus se encerra em grande estilo com a climática e marcante “Arcane Lifeforce Mysteria“, trazendo um clima ainda mais apocalíptico, com seus momentos de melancolia e caos. É inegável o quanto a banda cresceu em termos de composição e sonoridade. Um grande ponto a se observar é a participação com vocais limpos de ICS Vortex (Arcturus, Borknagar) em faixas como essa última, “Reptile” e “The Insight….” , complementando aos vocais de Shagrath, que a essa altura já era considerado um grande vocalista e frontman do metal mundial. Outra informação interessante é que se trata da despedida de três membros desse line up, o baterista Tjoldav, o baixista Nagash (que assina três faixas) e o guitarrista Astennu.

Um grande marco na carreira da banda que vinha numa crescente em sua trajetória. E com o fator tempo, veio a se tornar mais um clássico aclamado por sua cada vez maior horda de fãs no mundo inteiro.

Gustavo Jardim





KISS – OFF OF THE SOUNDBOARD - LIVE IN SAN ANTONIO, TEXAS - DECEMBER 3, 1985

 


KISS 
OFF OF THE SOUNDBOARD - LIVE IN SAN ANTONIO, TEXAS - DECEMBER 3, 1985
Universal Music - Importado

Dando sequência a série de lançamentos batizada de “ Off Of the Soundboard”, o KISS lança agora um show de uma das tours menos exploradas da história da banda: ”Live in San Antonio, Texas - December 3, 1985” registra um show da Tour do álbum Asylum de 1985, Tour esta que ainda não havia sido documentada em nenhum dos seus álbuns ou vídeos lançados.

Como o nome sugere, “Off Of The Soundboard é a série de álbuns ao vivo sem nenhum “overdub”, e aqui temos o KISS nos anos oitenta, rejuvenescido, seguindo as tendências da década. Alguns detalhes são bem interessantes nessa fase do grupo. Uma delas é um Paul Stanley querendo ser um “Bad Boy” nas falas com a plateia, soltando vários “f*cks” isso e “f*cks” aquilo, tentando ser um Vince Neil, Dee Snider ou Blackie Lawless, e definitivamente não convencendo.

As faixas clássicas, como “Detroit Rock City”, “Cold Gin” e “Love Gun” se tornam mais “metal”, ligeiramente mais rápidas que as originais. O grande destaque é a batera avassaladora do Eric Carr (que saudade), pesadíssima, cheia de bumbos duplos e viradas sensacionais que eram a característica principal do “baixinho”. Esta é a segunda turnê de Bruce Kulick, e aqui ele já está bem mais solto e brilhando nos solos. Paul Stanley, na minha opinião está no auge do seu poder como vocalista, e Gene Simmons, se não era tão espetacular como na fase “mascarada”, segura muito bem a onda como baixista e vocalista. As músicas da fase “Creatures/Animalyze” tocam fogo no set list, como “War Machine”, “Under The Gun” e “ Fits Like Glove”. Do álbum Asylum, temos apenas “Uh All Night!”.

Item obrigatório para os fãs “die hard” da banda mais quente do mundo. A série “Off Of The Soundboard” tem entregado o que promete, “bootlegs” oficiais com uma ótima qualidade de som, dando ideia da grandiosidade dos shows do KISS, nas suas diversas fases.

José Henrique Godoy




segunda-feira, 31 de março de 2025

PENTAGRAM - BASEMENT CULTURAL - 29/03/2025 - CURITIBA/PR


 

PENTAGRAM
Abertura: PESTA e ESPECTRO
29/03/2025
Basement Cultural - Curitiba/PR
Produção: POWERLINE
Assessoria de Imprensa: TEDESCO COMUNICAÇÃO & MÍDIA

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Capeletti Peres

Existe um velho ditado, batido e surrado que diz: “A justiça tarda, mas não falha!”. E esta frase pode muito bem ser aplicada ao momento atual do Pentagram. Formada em 1971, a banda passou décadas na obscuridade, muito por conta do comportamento errático (pra dizer o mínimo) do seu mentor, o vocalista e figuraça maluquete, Bob Liebling. Sempre envolvido em problemas com substâncias ilegais e vícios em todo o tipo de drogas, Liebling acabou colocando obstáculos enormes na carreira do grupo.

Acontece que na última década, logo após o documentário “Last Days Here”, o Pentagram conseguiu um certo destaque, e com isso, manter-se presentes em Festivais de Rock e Metal, lançando alguns (ótimos) álbuns e uma certa regularidade em sua formação. E agora em 2025, um "meme” onde mostra Bob Liebling num momento “hipnótico” viralizou, muitos riram e foram buscar nas redes pra ver de quem se tratava, e descobriram o Pentagram, e ao descobrir que se tratava de uma banda de verdade, descobriram se tratar de uma excelente banda e precursora do Doom Metal. O resultado? O Pentagram angariou mais de cem mil novos seguidores. Mesmo que por vias tortas, o grupo está recebendo o reconhecimento que há tanto tempo merecia ter.

Estamos então na bela cidade de Curitiba, para ver o Pentagram de perto. O Local escolhido foi o Basement Cultural e uma ótima surpresa ao chegar, foi saber que o evento estava “Sold Out”. Todos os ingressos foram vendidos e não havia mais como comprar na hora do evento. Fãs de várias cidades do Brasil se faziam presentes: Fortaleza ,Cascavel, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Cuiabá, Salvador. Seria uma celebração Doom.

E a banda que se encarregou de abrir os trabalhos foi a banda curitibana Espectro. E que bandaça!!! Liderada pelo vocalista Reinaldo, a banda entrou no palco as 19h40 e detonou seu setlist por quarenta minutos. Seu Heavy/Stoner Rock é empolgante e muito forte, com riffs pesadíssimos agradando ao público que já se fazia em grande número, dando um ótimo exemplo: entre cedo sempre aos eventos e prestigie as bandas de abertura, geralmente artistas underground da sua cidade, e com qualidade acima da média , como no caso do Espectro. Reinaldo agradeceu a receptividade citou a felicidade de estar no palco, abrindo o show da banda que o Espectro começou fazendo covers: Pentagram. Por volta das 20h20, o Espectro encerra a sua participação, com a certeza do dever (muito bem) cumprido, e mais: conquistaram vários fãs, incluso este aqui que está escrevendo.


Após um curto espaço de tempo, a segunda banda inicia seu espetáculo: os mineiros do Pesta. A sonoridade é aquela esperada e que amamos: Stoner rock/Doom Metal, totalmente indicado para fãs de Trouble, Saint Vitus, e óbvio, Black Sabbath. Músicas como “Black Death” e "Words Of a Madman” são certeiras, pesadas e com clima sombrio e fantasmagóricos. A banda tem 10 anos de estrada e o entrosamento do quarteto evidencia muita experiência. O vocalista Thiago Cruz, é um show a parte, seja pelo seu potente vocal, carisma e performance, que lembra uma mescla de Ronnie James Dio e Steven Tyler. O Show do Pesta durou também cerca de quarenta minutos e tal qual o Espectro, foram ovacionados ao final da sua apresentação. Sim, fiquei fã do Pesta também. Vou deixar aqui uma dica de ouro: conheça estas duas bandas, são excelentes. Vida longa ao Espectro e ao Pesta!


21h30 e é chegada a hora e os 3 escudeiros de Bob Liebling entram no palco: Tony Reed (guitarra – da banda Mos Generator ), Scooter Haslip (baixo – também da banda Mos Generator) e Henry Vasquez (bateria ex-Sayint Vitus). Após alguns segundos, inicia o "ritual” com “Live Again”, enquanto a lenda surge sob aplausos e gritos da platéia. Bob Liebling estava entre nós.

Sua performance é energética e teatral, por vezes cômica, mas é inegável a sua competência vocal e carisma. Com um bom aspecto físico, brincava com a platéia, fazia mil e uma caretas e dava alegria a todos que esperavam que ele recriasse o seu agora famoso meme.

A esta altura o Basement Cultural estava abarrotado de gente, e aqui começaram alguns problemas: O banheiro masculino teve problema de entupimento (“parabéns” aos amiguinhos que colocaram papel higiênico nos mictórios), mas o pior foi realmente o calor insuportável, que fez muitas pessoas procurarem ar fora do Basement. Não sei se o problema foi o ar condicionado estragado ou a falta dele, mas o fato de que você ter que sair pra rua por conta do calor e não acompanhar o show é lamentável.

Enquanto isso, no palco, o Pentagram “derretia”( no bom sentido) seu show. Clássicos como “The Ghoul”, “I Spoke To Death”, “Sign Of The Wolf” foram executados em um nível de perfeição que fez justiça ás versões originais de estúdio. Alguns problemas técnicos ocorreram no palco, mas mesmo com estes pequenos percalços, Bob Liebling não perdeu o bom humor, conversando e brincando com a plateia e os seus colegas, aguardando enquanto tudo era solucionado.


“Walk The Sociopath” encerrou o set list, com mais uma performance ímpar de Bob. A banda faz o tradicional “final falso” e se retira do palco, e sob os gritos de “Pentagram!! Pentagram!” e “ one more song” retornam ao palco poucos instantes depois para detonar A mais que clássica “Forever My Queen”, cantada e plenos pulmões pelo Basement Cultural lotado. ”20 Buck Spin” encerra a celebração do Pentagram e a banda se despede e se retira sob acalorada saudação dos presentes.


Uma noite excelente, tanto para público como para as bandas. Que o Pentagram possa voltar mais vezes ao Brasil, e que Bob Liebling possa, finalmente, curtir o reconhecimento à sua obra, mesmo que este reconhecimento tenho chegado com décadas de atraso. Agradecemos a produtora Powerline pelo credenciamento, ao staff do Basement Cultural pela gentileza.