quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

BABYLON A.D. - WHEN THE WORLD STOPS (2025)


 

BABYLON A.D.
WHEN THE WORLD STOPS
Kivel Records/Apocalypse Records - Importado

Fundada no final da década de 80, mais precisamente me 1987, a banda BABYLON A.D. é uma cria da Bay Area de San Francisco. Obviamente que por ser uma banda de um estilo diferente, ela não carrega consigo riffs nervosos, bateria intensa e veloz e vocais rasgados. Muito pelo contrário. Prestes a completar 40 anos de carreira (entre algumas idas e vindas) o quinteto californiano chega agora ao seu 6º álbum de estúdio. WHEN THE WORLD STOPS, lançado lá fora pela Kivel Records em parceria com a Apocalypse Records, é um trabalho maduro, repleto de boas melodias, mas que não apresenta nada de novo, apenas uma mescla daquela Hard Rock clássico com toques mais modernos, criando boas composições mas que, invariavelmente, servem apenas para aqueles que já conhecem sua sonoridade. Uma pena, pois ainda que de certa forma genérico, o grupo nos traz músicas bem elaboradas, ótimos refrãos e intensidade.

Derek Davis (vocal e teclados), Ron Freschi (guitarra e backing vocals), John Matthews (guitarra), Craig Pepe (baixo e backing vocals) e Dylan Soto (bateria) - os dois últimos entraram na banda em 2023 - nos trazem 11 faixas que equilibram energia e emoção — transitando desde faixas mais hard rock repletas de adrenalina até instantes mais introspectivos. E isso parece refletir na sequência do álbum, faixa a faixa, pois as composições trazem linhas harmônicas bem variadas e demonstram a versatilidade de Babylon A.D. mesmo décadas depois.

Abrindo com a faixa-título, "When the World Stops", o grupo já nos entrega uma levada totalmente Hard Rock 80's, com boas linhas melódicas e com aquele típico refrão que apesar de repetitivo, não enjoa e gruda facilmente na cabeça. E se estamos falando de refrão com essa característica, na sequência temos a ótima "Come on Let's Roll", onde esse quesito assume ares de maior significado. Com uma pegada simples e eficaz, a música parece perpetuar na mente após a primeira audição. Ótimo momento! Uma quebra de ritmo em "Don't Ask Questions", mais cadenciada e com um ótimo solo, carregado de melodia e intensidade, mostram o que citei anteriormente: a versatilidade dos músicos. Como estamos falando de um álbum típico de Hard Rock, "Love is Cruel" é aquela balada que não pode faltar, pois traz consigo emoção e outro belo solo de guitarra. Aliás a dupla Ron Freschi e John Matthews tem um ótimo entrosamento, dosando feeling na medida certa, quando necessário. o Hard Rock volta à carga em "Toxic Baby" com aqueles vocais "espertos", enquanto baixo e bateria "marcam" a faixa em seu andamento.

"I Don't Believe in You", talvez seja o ponto fraco do trabalho. Cadenciada, um pouco mais pesada (pro som do Babylon A.D.), os vocais acabam saindo um pouco daquilo que se propõem. Não é ruim, mas destoa um pouco do restante. No entanto "Power of Music" é o grande destaque do álbum! Com som parecendo "ao vivo", a faixa empolga do início ao fim, com ótimos riffs, levada e refrão forte e intenso, a música é perfeita pra ser tocada num pub esfumaçado, num teatro ou numa arena. A empolgação será a mesma! Quando termina a gente quer ouvir de novo! A pesada "Torn" vem na sequência, com quebradas de ritmo e bons momentos, assim como "Damage is Done", onde a parte acústica ficou sob a responsabilidade do batera Dylan Soto. Aquele baixo gordo e vigorosa dita o ritmo da malemolente "Oh Suki", que antecede o final que vem com "Sadness Madness", dona de um ótimo riff, indo da power ballad ao hard sem fazer feio.

WHEN TEH WORLD STOPS não muda o mundo. E, tenho certeza que você concorda comigo, ele não tem essa intenção. Mas que com esse trabalho, o BABYLON A.D. nos garante bons momentos de diversão, eu não tenho dúvidas. Se você curte aquele Hard Rock com melodia e sem compromisso, confira sem medo!

Sergiomar Menezes




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

SUFFOCATION - LIVE IN NORTH AMERICA (2021/2025)


 

SUFFOCATION
LIVE IN NORTH AMERICA
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Se estivermos falando sobre um álbum ao vivo que representa o conceito de "brutalidade sem concessões", dentro do death metal brutal, esse álbum se chama LIVE IN NORTH AMERICA, do SUFFOCATION. Lançado em 2021, pela Nuclear Blast e chegando por aqui pela parceria com a Shinigami Records, o disco captura a banda em sua melhor fase, quando o death metal, apesar de técnico soa como deveria: cru, avassalador e implacável. Gravado em 22 de outubro de 2018, no Middle East Down, em Cambridge, Massachusetts, o trabalho é uma verdadeira explosão de peso e precisão que solidifica o reinado imbatível da banda. Um registro verdadeiro, sem concessões e sem limites.

Formado por Frank Mullen (vocal), Terrance Hobbs (guitarra), Charlie Errigo (guitarra), Derek Boyer (baixo) e pelo monstro Eric Morotti (bateria) o grupo nos entrega um ao vivo, com uma produção simples, honesta, mas autêntica. O som da guitarra é encorpado e denso, o baixo aparece em momentos importantes e a bateria mantém a banda em constante intensidade. O vocal de Frank, profundo e por vez rasgado, dá a impressão de vir das entranhas, intensificando o clima que caracteriza o Suffocation desde os anos 90. Já a capa criada por Jon Zig, reforça a atmosfera sombria e visceral do álbum, refletindo a brutalidade sonora que tornou o quinteto norte americano um dos grupos mais importantes e influentes do gênero.

Apesar de estarmos falando de um álbum ao vivo e de uma certa regularidade, algumas faixas acabam se destacando como “Thrones of Blood”, que abre o CD sem fazer nenhum tipo de concessão, “Liege of Inveracity” e sua fúria incontrolável, além das brutais e agressivas “Infecting the Crypts”, "Effigy of the Forgotten", "Pierced From Within" e "Breeding the Spawn" que acabam  por comprovar e demonstrar o motivo pelo qual a banda se tornou uma referência no brutal death metal: cada mudança de ritmo parece planejada para surpreender o público. O grande diferencial desse ao vivo é a incrível técnica do Suffocation que se mantém intacta no palco, mesmo com toda a intensidade apresentada. Os blasts beats são intensos, e os breakdowns parecem ainda mais impressionantes ao vivo, com o público reagindo como se estivesse lutando em um ringue sem regras.

LIVE IN NORTH AMERICA é um álbum pra quem procura pelo significado das palavras técnica e brutalidade. É um registro de uma banda que carrega o peso, a agressividade a fúria em sua bagagem. Uma representação direta de como o SUFFOCATION soa sem filtros, apenas a intensidade crua de uma das bandas mais influentes da história do death metal. Para aqueles que desejam conhecer o "metal da morte" em sua essência visceral, este álbum é essencial. Até rimou, mas é a mais pura verdade...

Sergiomar Menezes





GOREFEST - FALSE & ERASE (THE ULTIMATE COLLECTION PT. 2) (2025)


 

GOREFEST
FALSE & ERASE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Se a primeira parte da Ultimate Collection do Gorefest foi um mergulho na podridão primordial do death metal, a Parte II é o som da banda rastejando para fora da tumba e olhando para o horizonte. Este segundo volume, centrado nos álbuns False (1992) e Erase (1994), é um documento fascinante de uma banda em seu auge criativo e, ao mesmo tempo, no epicentro de uma transformação que dividiria sua base de fãs para sempre. É aqui que o Gorefest se tornou o Gorefest que muitos conhecem: mais técnico, mais groovy e perigosamente experimental. Esqueça a crueza absoluta de Mindloss. Esta coleção de dois discos captura um período de evolução meteórica. 

False é a obra-prima, o momento em que a banda aperfeiçoou sua fórmula de death metal. Erase é o ponto de virada, o álbum que plantou as sementes do controverso, mas influente, "death 'n' roll". Juntos, eles contam a história de como a brutalidade pode se tornar mais inteligente e, eventualmente, dar lugar a algo totalmente diferente.Lançado apenas um ano após a estreia, False (1992) é um salto quântico em todos os sentidos. Com a entrada do baterista Ed Warby e do guitarrista Boudewijn Bonebakker, o Gorefest ganhou uma injeção de técnica e musicalidade. O resultado é um dos melhores álbuns de death metal da era de ouro europeia. A produção de Colin Richardson é cristalina para a época, permitindo que cada riff pesado e cada virada de bateria precisa de Warby atinjam com força máxima. O álbum é uma aula de death metal com groove. Músicas como "The Glorious Dead" e "Reality - When You Die" são pesadas e memoráveis, trocando a velocidade vertiginosa por um peso esmagador e uma estrutura mais cadenciada. As letras também evoluíram, abandonando o gore puro por críticas sociais e reflexões sobre a mortalidade. False não é apenas brutal; é inteligente, cativante e uma obra-prima que solidificou o lugar do Gorefest no topo da cena. 

Se False foi a perfeição, Erase (1994) foi a rebelião. Com uma produção ainda mais limpa de Pete Coleman, o álbum chocou os puristas do death metal. Os tempos ficaram mais lentos, os riffs de guitarra começaram a soar mais como Black Sabbath do que como Morbid Angel, e a agressividade deu lugar a um balanço pesado e arrastado. Faixas como "Low" e "Fear" são inegavelmente pesadas, mas a abordagem era radicalmente diferente. Este foi o álbum que cunhou o termo "death 'n' roll". Para alguns, foi uma traição imperdoável. Para outros, uma evolução natural e corajosa. Independentemente do lado em que você esteja, é impossível negar a importância de Erase. Ele mostrou que o death metal poderia ser mais do que apenas velocidade e guturais, abrindo portas para uma nova forma de expressão dentro do metal extremo. Como na primeira parte, o material bônus aqui é ouro puro. O disco de False vem com demos que mostram as músicas em seu estado bruto e faixas ao vivo que capturam a energia da banda no palco. Já o disco de Erase é ainda mais revelador, incluindo uma versão inédita de "Autobahn" e uma incrível versão orquestral de "Goddess in Black", gravada com a Metropole Orchestra. Esses extras são a prova definitiva do espírito aventureiro que tomava conta da banda. 

The Ultimate Collection Part II é talvez o volume mais importante para entender a jornada completa do Gorefest. Ele captura a banda no topo de seu jogo com False e no momento exato em que decidiram arriscar tudo com Erase. É um retrato de artistas se recusando a ficar parados, empurrando os limites de seu próprio gênero. Para os fãs de death metal clássico, False é audição obrigatória. Para os curiosos sobre as origens do death 'n' roll, Erase é o marco zero. Esta coletânea não é apenas uma coleção de álbuns; é o som da evolução em tempo de uma encruzilhada, e o barulho que ecoou dela mudou o metal para sempre.

Jay Frost




GOREFEST - MINDLOSS & DEMOS (THE ULTIMATE COLLECTION PT.1) (2025)

 


GOREFEST
MINDLOSS & DEMOS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

No panteão do metal extremo, há nomes que são sussurrados com reverência, e há aqueles que são rosnados como uma praga. O Gorefest se encaixa confortavelmente na segunda categoria. Para uma geração de fãs, eles são os reis do "death 'n' roll", o som que colocou um groove de rock de bar no coração pútrido do death metal. Mas antes do balanço, antes do polimento, havia apenas... podridão. E é exatamente isso que a nova coletânea The Ultimate Collection Part I: Mindloss & Demos nos oferece: uma cápsula do tempo enferrujada e coberta de sangue, direto de 1991. Lançada em pleno 2025, esta não é uma coleção de hits, mas sim um documento arqueológico. 

O pacote duplo traz o álbum de estreia da banda, Mindloss, totalmente remasterizado, e um segundo disco abarrotado com as demos que deram origem a ele. Para quem conheceu o Gorefest em sua fase mais "acessível" com álbuns como Erase (1994) ou Soul Survivor (1996), esta coletânea é um choque de realidade brutal e uma aula de história indispensável.No final dos anos 80 e início dos 90, a Holanda era um verdadeiro vulcão de death metal. Enquanto bandas como Pestilence e Asphyx desenhavam o mapa do som local, o Gorefest chegava com um facão para rasgá-lo. Mindloss não é um álbum de técnica cirúrgica como os do Death, nem tem a complexidade de seus conterrâneos do Pestilence. A inspiração aqui é mais direta, mais visceral, bebendo da fonte de gigantes americanos como Autopsy e britânicos como Napalm Death. O som é cru, a produção é suja e a atmosfera é de puro horror carnal. As letras fogem do satanismo clichê da época para mergulhar no grotesco da mente e da carne humana. Títulos como "Putrid Stench of Human Remains" e "Confessions of a Serial Killer" não deixam espaço para interpretações. A música acompanha essa visão: riffs simples, mas pesadíssimos; uma seção rítmica que soa como uma marreta; e os vocais guturais de Jan-Chris de Koeijer, que parecem emergir de uma tumba recém-aberta. É um som deliciosamente monotônico e hipnótico em sua brutalidade. 

O verdadeiro deleite para os fãs hardcore está no segundo disco. As demos "Tangled in Gore" e "Horrors in a Retarded Mind" são os projetos originais de onde as faixas de Mindloss foram construídas. Ouvir essas versões é como ver os rascunhos de um pintor famoso. A energia é ainda mais caótica, a produção é praticamente inexistente, e a sensação de perigo é palpável. A demo "Horrors in a Retarded Mind", em particular, é um chute no estômago, uma peça essencial para entender o desenvolvimento da banda. Sejamos claros: The Ultimate Collection Part I não é para os fracos de coração, nem para quem busca o som mais polido e técnico do metal. Esta é uma peça de história. É um mergulho profundo nas fundações de uma das bandas mais importantes do death metal europeu. É o som de quatro jovens holandeses descobrindo o quão pesados e nojentos eles poderiam ser. 

Para os fãs de longa data, é uma chance de ter o material clássico em sua melhor forma, com o bônus das demos raras. Para os novatos que só conhecem a fase death 'n' roll, é uma lição essencial sobre as raízes da banda. E para qualquer fã de death metal old-school, é um lembrete glorioso de uma época em que o gênero era definido pela brutalidade, e não pela perfeição. É feio, é sujo, é maravilhoso. Um pedaço essencial da história do metal extremo.

Jay Frost






terça-feira, 13 de janeiro de 2026

KREATOR - KRUSHERS OF THE WORLD (2026)

 


KREATOR
KRUSHERS OF THE WORLD
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

"Esmagadores do Mundo". O 16º álbum de estúdio do KREATOR não poderia ostentar outro título. Ainda que não possamos mais ouvir aquela agressividade brutal dos primeiros álbuns, é inegável que a máquina alemã de triturar ossos segue sua jornada. mesmo usando momentos mais "melódicos" em diversas passagens, Mille Petrozza e sua turma sabem como poucos fazer THRASH METAL. A maior banda alemã do estilo prova que ainda tem lenha pra queimar, seja pelo lançamento do livro "Seu Paraíso, Meu Inferno", escrito por Mille em parceria com Torsten Gross, seja pela estreia nos cinemas alemães de "Ódio & Esperança" — filme verdadeiramente dedicado a uma banda de metal extremo que se mantém intacta mesmo com os percalços da carreira, com participações especiais de Scott Ian (Anthrax), Chuck Billy (Testament), Bela B. (Die Ärzte), Phil Demmel (Kerry King, ex-Machine Head) e muitos outros, a verdade é que KRUSHERS OF THE WORLD, que sai por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast é revigorante, intenso, brutal e, acima de tudo, honesto.

Acompanham Mille (guitarra e vocal), Sami Yli-Sirniö (guitarra), Frédéric Leclercq (baixo) e o parceiro de longa data de Petrozza, o experiente e brutal Jürgen "Ventor" Reil (bateria). Produzido por Jens Brogen (e aqui podemos encontra a razão para muitos dos momentos melódicos do álbum), o trabalho soa pesado, denso e ao mesmo tempo, limpo e cristalino. Não tem como ser diferente, afinal, estamos falando de uma banda que nunca parou no tempo, buscando evolução ao longo de sua trajetória. Já a capa, é obra do artista Zbigniew Bielak, renomado por seu trabalho com o Ghost, e oferece uma releitura interessante da história do KREATOR. Transformando marcos visuais clássicos que fãs dedicados reconhecerão de "Coma Of Souls" (1990), "Out of the Dark... into the Light" (1988) e "Pleasure To Kill", Bielak criou uma arte extraordinária que presta homenagem à banda. A capa de "Krushers Of The World" vale uma observação mais detalhada por parte dos fãs.

"Seven Serpents" abre o álbum com um clima sombrio em seu início, desembocando numa pedrada thrash digna de moshes violentos! Que porrada! Ventor mostra que o tempo parece não passar, tamanha a vitalidade e pegada da bateria! Sami, por sua vez, traz solos que, para muitos, são os responsáveis pelas linhas mais melódicas que o grupo vem adotando de uns tempos pra cá. O refrão é brutal e grandioso ao mesmo tempo. Os vocais característicos de Mille invadem os fones com aquela aura angustiante e desesperadora em alguns momentos. Uma abertura de álbum que deve abrir os próximos shows da banda! "Satanic Anarchy" traz aquele andamento mais cadenciado, cavalgado, que também vem sendo utilizado pelo grupo. No entanto, o refrão aqui pode causar repulsa nos fãs mais radicais, pois traz um pouco de melodia em excesso, lembra as bandas da Suécia que fazem uso dessa linha. Os riffs ríspidos dão início à faixa título, pesada, densa e cadenciada. E tome mais melodias no refrão, que deixam um pouco do impacto inicial para trás. Mas, o peso impera durante a execução da composição. "Tränenpalast", faixa composta por Mille inspirada em filmes de terror, em especial "Suspiria" de Dario Argento, traz os vocais guturais de Britta Grötz (Hiraes). Com destaque para a cozinha composta por Frédéric e Ventor, a faixa carrega a atmosfera propícia aos clássicos filmes de terror old school. Já em "Barbarian" temos a volta do pé no acelerador, com riffs rápidos, vocais típicos e uma pegada thrash anos 80. Obviamente que pegada não quer dizer um resgate, mas uma inspiração, tanto que o refrão nos traz o Kreator de hoje em dia de volta à execução da faixa.

"Blood of Our Blood" é outro petardo "tipicamente kreatoriano", com velocidade, intensidade, peso, vocais rasgados e um refrão de quebra o ritmo, sem que cause prejuízo a intensidade da faixa. Ventor novamente mostra que é um dos bateras mais injustiçados do Thrash, vez que nunca é citado entre os grandes nomes do gênero. Já "Combatants" é um daqueles hinos cadenciados, carregados de peso em cada palhetada, intenso e sem muita invencionice, tratando o metal do jeito que deve ser: cru, direto e enérgico! Mais peso e velocidade é o que temos em "Psychotic Imperator" e "Deathscream", são, digamos assim, "puro suco do thrash alemão". Enquanto a primeira traz um Kreator mais próximo das suas origens, a segunda tem elementos mais modernos e passagens que destacam os passos que o quarteto decidiu seguir de uns tempos pra cá. O encerramento vem com "Loyal to the Grave", um "quase" metal tradicional, incorporando as nuances atuais do Kreator, com uma pequena, mas muito pequena, semelhança com o que o grupo fez em "Endorama" (1999), odiado por muitos, cultuado por este que vos escreve.

KRUSHERS OF THE WORLD é um trabalho que mantém o KREATOR entre as principais bandas THARSH METAL do mundo. Se por um lado, o grupo incorporou de vez as melodias em muitos momentos, por outro, a agressividade e o peso, continuam caminhando lado a lado, mantendo uma sonoridade única. Um álbum que mostra que a relevância dos alemães nos dias de hoje, ainda é, e muito, significativa.

Sergiomar Menezes