sábado, 31 de janeiro de 2026

MALEVOLENT CREATION - WARKULT - (2004/2025) - RELANÇAMENTO

 


MALEVOLENT CREATION
WARKULT
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Pouco mais de duas décadas atrás, o Malevolent Creation, um dos maiores nomes do Death Metal americano chutava nossas bundas com o lançamento de “Warkult”, seu nono álbum de estúdio.E que álbum! O sucessor de “The Will to Kill” (2002) traz uma temática bélica com uma produção soberba da própria banda contando com a parceria do guitarrista e produtor Jean François Dagenais (Kataklysm). O play foi gravado no Liquid Ghost Recording Studio, em Boca Raton, Flórida, capitaneado por Phil Plaskon e lançado pela Nuclear Blast.

Em suas doze faixas, a banda consegue atingir um nível impressionante, desde a intro “Dead March” (com uma sonoridade remetendo ao Sodom, como se este tivesse cheirado um barril inteiro de pólvora!) até faixas totalmente aniquiladoras como as excelentes “Preemtive Strike”, “Murder Reigns” e “ Tyranic Oppression”, essa última com excelentes linhas de guitarra de Robb Barret (Cannibal Corpse) e o capitão Phil Fasciana, recheadas de blast beats e viradas insanas na caixa.

Mais cadenciadas e trabalhadas, temos pontos altos como em “Captured“, “On Grounds of Battle” e “Section 8”, com uma pegada bem similar ao Cannibal Corpse, mesclando peso e uma crescente de brutalidade. Não posso deixar de mencionar as excelentes “Merciless”, “Supremacy Through Annihilation” e uma das minhas preferidas “Shock and Awe”, que mantém o alto nível de destruição. Um cover mais que honesto de “Jack The Ripper” de Hobb's Angel of Death fecha com maestria a bolacha, abrilhantando o trabalho ainda mais.

A produção do álbum realmente impressiona, as linhas de guitarra de Barret/Fasciana soam sensacionais, a precisão de Gordon Simms nas quatro cordas ora acompanhando a rifferama e ora marcando os andamentos garantem ainda mais peso, e a bateria de Dave Culross mescla intensidade e velocidade com timbres de muito bom gosto, seja com os bumbos graves, como nuances bem interessantes na condução e viradas sensacionais. Os vocais de Kyle Simmons soam em alta performance, não deixando margem de dúvidas sobre sua qualidade, peso define.

A sonoridade Old School do álbum é bem ríspida e direta ao ponto, sem espaço para exageros de produção e firulas, como deve soar um bom petardo de som extremo, e a atmosfera bélica e opressiva brinda ao ouvinte com o perfume dos mísseis.

Warcult” agrada em cheio e os Deathbangers terão o prazer de adquirir o relançamento físico por aqui através da parceria Shinigami Records e Nuclear Blast, um verdadeiro presente aos fãs do estilo. Caso não tenha adquirido na época, não poupe seu pescoço dessa vez, mas cuidado, você pode derrubar suas paredes.

Gustavo Jardim




sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

EXODUS - SHOVEL HEADED TOUR MACHINE - LIVE AT WACKEN (2010/2025) RELANÇAMENTO

 


EXODUS
SHOVEL HEADED TOUR MACHINE - LIVE AT WACKEN
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O Wacken Open Air é um dos maiores festivais de Heavy Metal do mundo. E nada mais justo que uma das maiores bandas de Thrash metal da história (e também uma das melhores) registrasse um álbum ao vivo no já citado evento. E uma verdadeira aula de violência (?!) sonora é o que temos em ANOTHER HEADED TOUR MACHINE - LIVE IN WACKEN, registro ao vivo do EXODUS que mostra que poucas bandas no mundo conseguem soar tão pesadas, insanas e brutais como o quinteto da Bay Area. Um show até certo pinto curto, mas suficiente para que aqueles que não conhecem a definição de THRASH METAL possam assim, conhecê-la por completa. Lançado em 2010, mas gravado em 2008 durante a turnê de "The Atrocity Exhibition: Exhibit A", o álbum chega aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast em formato simples, contendo 11 músicas.

À época, o grupo era formado por Rob Dukes (vocal), Gary Holt (o Ritchie Blackmore do Thrash), Lee Altus (guitarra - também Heathen), Jack Gibson (baixo) e pelo monstro Tom Hunting (bateria) e quem pode presenciar algum show com essa formação, sabe que o intensidade e poderio de fogo no palco eram imbatíveis. Dukes pode não ter o mesmo carisma de Zetro, mas sabe como poucos encarnar o espírito do estilo, sem muita conversa, sem muita risada, só se esgoelando conforme manda a cartilha. Essa versão apresenta o áudio completo do show, com 11 faixas que percorrem diferentes fases da carreira do grupo, reafirmando mais uma vez seu status como um dos pilares do thrash metal mundial.

Como naõ poderia deixar de ser, ainda mais por tratar-se de um festival, o álbum reúne clássicos como ''Bonded by Blood'', ''A Lesson in Violence'' e ''Strike of the Beast'', além de faixas mais recentes da banda, como 'Deathamphetamine' e 'Children of a Worthless God' e a monumental "Blacklist", ambas já consolidadas como parte do repertório ao vivo. A performance é marcada por riffs cortantes, afinal, estamos falando de Agry Holt e Lee Altus, uma das melhores duplas do estilo, vocais agressivos e uma energia visceral que transborda em cada faixa — uma verdadeira aula de brutalidade ao vivo. A gravação apresenta uma qualidade sonora impressionante, com uma mixagem que valoriza tanto o peso instrumental quanto a resposta explosiva do público, sem edições muito aparentes, permitindo que o ouvinte sinta o impacto direto do EXODUS no palco. É uma celebração da força da banda ao vivo, sem filtros ou artifícios.

SHOVEL HEADED TOUR MACHINE é um álbum ao vivo obrigatório para os fãs, não apenas da banda, mas para quem aprecia a brutalidade, rispidez e agressividade que o Thrash Metal necessita. Poucas bandas sabem expressar essas características sem soar datadas. Sorte nossa que o EXODUS é uma delas!

Sergiomar Menezes




DEATHRAISER - FORGED IN HATRED (2026)


 

DEATHRAISER
FORGED IN HATRED
Xtreem Music - Nacional

Depois de uma longa espera, o DEATHRAISER retorna com FORGED IN HATRED deixando claro que algumas bandas do underground não desaparecem, apenas se fortalecem no silêncio. Formada em 2006 em Leopoldina, Minas Gerais, a banda construiu sua identidade longe dos holofotes, sempre fiel ao thrash metal mais cru, agressivo e direto. Ainda sob o nome Mercilless, já demonstrava uma devoção absoluta à escola clássica do estilo, algo que se consolidou de vez após a mudança para Deathraiser e o lançamento do debut "Violent Aggression", em 2011. Aquele disco colocou o nome da banda no radar do underground nacional e internacional, garantindo presença em festivais, circulação constante e respeito dentro da cena.

Quinze anos depois, "Forged in Hatred" surge não apenas como o segundo álbum da carreira, mas como uma verdadeira declaração. Lançado em 2026 pela Xtreem Music, o disco carrega o peso de uma banda que nunca se desfez, nunca abandonou suas raízes e voltou mais madura, mais afiada e mais consciente do que quer entregar. O Deathraiser não tenta soar moderno nem acompanha tendências: aqui, a proposta é resgatar a essência do thrash metal com ainda mais precisão, técnica e ódio bem direcionado.
Desde os primeiros segundos, fica claro que a banda não veio brincar. Os riffs são rápidos, cortantes e diretos, a bateria trabalha no limite o tempo inteiro e os vocais soam raivosos, cuspindo fogo cada verso como se fosse uma denúncia contra tudo que está errado hoje. Não há espaço para firulas, experimentalismos desnecessários ou modernizações forçadas, "Forged in Hatred" é thrash metal do jeito que ele sempre foi: cru, sujo e agressivo.

O álbum flui com naturalidade, mantendo uma intensidade constante do começo ao fim. As músicas se diferenciam bem entre si, mas sempre dentro de uma identidade muito clara. Há momentos mais diretos e velozes, outros com grooves mais marcados, e até um respiro instrumental que mostra que a banda também sabe trabalhar dinâmica e clima, sem jamais perder o peso.

A produção acerta em cheio ao encontrar o equilíbrio ideal entre impacto e aspereza. Tudo soa limpo o suficiente para valorizar cada instrumento, mas sem polir demais a ponto de tirar a agressividade que o thrash pede. O resultado é um som orgânico e ríspido, que transmite a sensação de uma banda tocando no limite, sem filtros ou artifícios.

As influências são evidentes, que ficam entre Kreator, Sepultura e até uma pitada de Dark Angel, com aquela combinação de velocidade, violência sonora e atitude, mas o Deathraiser nunca soa como uma cópia. Existe personalidade, existe identidade e, acima de tudo, existe convicção em cada riff, em cada virada de bateria e em cada grito lançado contra um mundo cada vez mais podre.

Forged in Hatred não tenta reinventar o thrash metal, e justamente por isso funciona tão bem. É um disco feito para quem vive o estilo, para quem ainda acredita na força do underground e na honestidade do metal extremo. A longa espera desde o primeiro álbum não foi em vão: o Deathraiser volta mais forte, mais seguro e com um trabalho que respeita o passado sem soar datado, e por este motivo decidi não mencionar nenhuma faixa em específico como “destaque”, pois este disco tem que ser consumido do início ao fim sem pensar nessa ou naquela faixa, pois trata-se de um álbum que merece ser ouvido em alto e bom som, sem distrações e do começo ao fim. Forged in Hatred é thrash metal na sua forma mais direta e verdadeira, feito por quem vive o estilo e entende exatamente o que está fazendo.

Thrash Ti’ll Death Bangers \m/

Fernando Aguiar




FALCHI - SOLACE (EP) (2026)

 


FALCHI
SOLACE
Independente - Nacional

JÉSSICA FALCHI ficou mundialmente conhecida ao substituir Sonia Anubis como guitarrista na Crypta. Mas, se engana quem acha que a trajetória da musicista começou neste momento, pois Jéssica já possuía uma boa estrada, tendo integrado algumas bandas covers, gravando vídeos pela internet tocando Metallica (que chamaram a atenção da própria banda), além de ter tocado com Aquiles Priester e gravado com Elana Dara. Após deixar a banda de death metal, Jéssica decidiu investir de vez em sua carreira solo, montando uma banda instrumental, onde pode mostrar toda sua versatilidade, criatividade e talento nas seis cordas. SOLACE, EP lançado de forma independente é prova viva disso, deixando claro que para a arte, e aqui em especial, a música, não existem barreiras.

Acompanhada por João Pedro Castro no baixo e por Luigi Paraventi na bateria, Jessica nos traz quatro faixas instrumentais, onde suas influências se mostram de forma clara, passando pelo Heavy Metal, Prog Metal, entre outros. O trabalho foi produzido por Jean Patton (ex- Project 46), e mesmo sendo sua primeira vez nesse papel, o produtor soube deixar tudo em seu lugar, valorizando o trabalho dos músicos de forma igualitária. A identidade visual do trabalho é assinada por Lauren Zatsvar, com artes que dialogam conceitualmente com a sonoridade de cada faixa.

"Moonlace" abre o trabalho de forma pesada, com toques mais modernos. Jéssica explora suas influências sem que isso soe depreciativo, pois transforma essa junção em uma identidade própria, explorando sua versatilidade e criatividade, mostrando que é muito mais do que a ex-guitarrista da Crypta. Os companheiros de banda também não ficam atrás, pois são mais que um complemento, com um conjunto coeso e entrosado. Ainda que instrumental (um formato que não é um dos preferidos deste que vos escreve), a faixa cativa pela classe à ela empregada. Na sequência, "Sunflare", mostra o lado mais "guitarrista" de Jéssica, ao agregar suas referências de Steve Vai, Satriani, Frank Gambale e Steve Morse. Mais próxima do prog, podemos perceber a influência do nosso conterrâneo Kiko Loureiro, abrindo ainda mais o leque de possibilidades a explorar. A terceira faixa "Sweetchasm Pt.1", (única inédita no EP), traz no solo, a participação do guitarrista Aaron Marshall, da banda canadense Intervals. Por assim dizer, mais técnica e progressiva, a faixa traz consigo quebradeiras de bateria, mudanças de andamento e inserções de ritmos brasileiros em sua execução. E como o próprio nome sugere, a última faixa "Sweetchasm Pt. 2", é um complemento à sua antecessora, visto que O riff que abre a segunda parte foi concebido inicialmente como refrão da primeira, enquanto o início do solo da Pt. 2 reaparece na Pt. 1 sob uma nova roupagem. 

SOLACE, EP de estreia da FALCHI, banda da guitarrista Jéssica Falchi, mostra uma instrumentista sem medo de arriscar. Sair do lugar comum não é uma tarefa fácil, ainda mais quando se está num mundo mais brutal e agressivo (no caso, o death metal). Mas Jéssica soube tirar isso de letra, pois técnica, qualidade e carisma não lhe faltam. Agora, é esperar que o público não apenas entenda, mas aprecie a música de qualidade que é entregue por ela.

Sergiomar Menezes

Foto: César Ovalle




HAMMER KING - MAKE METAL ROYAL AGAIN (2025)




HAMMER KING
MAKE METAL ROYAL AGAIN
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Com dez anos de carreira (completados em 2025), o grupo alemão HAMMER KING, formado na cidade de Kaiserslautern, chega ao seu sétimo trabalho de estúdio, o que é uma marca bastante considerável nos dias de hoje. Para o lançamento de seu sétimo álbum MAKE METAL ROYAL AGAIN, o quarteto deixou a Napalm Records e ingressou no cast da gravadora alemã Reaper Entertainment. Como já citado, sete álbuns em dez anos é um nível muito alto de produtividade alcançado pela "nova" força do metal alemão. Lançado por aqui pela parceria entre a Shinigami Records e a gravadora alemã, o trabalho é uma boa opção aos fãs de um power metal intenso, pesado e com aquela pegada metal germânica que é marca registrada dos conterrâneos de Kai Hansen e cia.

O quarteto formado por Titan Fox V (vocal e guitarra), Gino Wilde (guitarra), Günt von Schratenau (baixo) e Count Shandorian (bateria) mostra que consegue unir de forma competente o metal tradicional e o melódico com classe e desenvoltura. A produção assinada por Charles Greywolf (Powerwolf) e Titan Fox V, e mixado/masterizado por Jacob Hansen (Amaranthe, Volbeat), soube valorizar as características dos alemães, fazendo com que o álbum apresente dez faixas poderosas e um cover como bônus. A magnífica arte criada por Péter Sallai (Powerwolf, Sabaton), inspirada na obra A Última Ceia, retrata os temas centrais do álbum: poder, identidade e lealdade.

"King for a Day" abre o trabalho com uma intro de bateria a lá "Painkiller" do... Bom, vocês sabem quem. Dona de uma melodia interessante, a intensidade da faixa é pesada, com um refrão típico do power metal: corais, melodia vocal e doses extras de riffs que grudam na cabeça. Por sua vez, a faixa título é aquela composição que todo álbum do estilo possui, pois as melodias, trocas de andamentos e "simplicidade" (no quesito de assimilação) nos remete àqueles refrãos criados pelo mestre Kai Hansen. "Schlaf Kaiser Schlaf", que traz a participação de Steffi Stuber (Mission in Black) me lembrou o Powerwolf, pelo andamento dos teclados e nos vocais do refrão. Por outro lado, as melodias mais características voltam em "Hammerschlacht", onde a dupla Schratenau e Shandorian (baixo e bateria, respectivamente) se encarregam de criar uma base pesada, para as linhas melódicas das guitarras. "For Crow and Kingdom" mantém o clima anterior, mostrando que se o Hammer King tivesse surgido no início dos anos 200, poderia ter sido uma banda grande dentro do estilo.

O metal tradicional e mais pesado dá as caras na ótima "Kneel Before the Throne", onde o vocalista Titan Fox V, atinge seu melhor momento no trabalho, pois sua voz se encaixa melhor nesse estilo, ainda que não comprometa na s outras faixas. E já que falamos de peso, temos em "Major Domus" o momento mais pesado do álbum. Cadenciada, com linhas de baixo mais incisivas, a faixa é o destaque do trabalho, com uma pegada mais metal e que poderia estar em algum dos primeiros álbuns do HammerFall (coincidência?). "Hoheitsgebiet", mantém o peso em alta, unindo momentos mais velozes com passagens mais melódicas e cadenciadas. "Hell Awaits the King" segue o estilo mais intenso, e curiosamente, a segunda parte do play num lado mais forte e pesado do quarteto. O encerramento vem com a épica "The Last Kingdom", com bons momentos principalmente nos backing vocal bem encaixados. Como bônus temos "Danger Zone", faixa clássica dos anos 80 de Kenny Loggins e que, apesar de não trazer nenhum inovação, ganhou mais peso e ficou bem interessante.

O HAMMER KING não reinventa a roda e eu, particularmente, vejo isso como um ponto positivo. Preservando suas influências e criando faixas numa linha tênue entre tradicional e o melódico, os alemães conseguem agradar os amantes de ambos os estilos. MAKE METAL ROYAL AGAIN não será um clássico do estilo, mas posso garantir que oferece bons momentos e manterá o grupo entre os bons nomes da "nova" safra.

Sergiomar Menezes