segunda-feira, 19 de outubro de 2026

THIN LIZZY - JOHNNY THE FOX 50 ANOS


 ESCRITO COMO SE NÃO HOUVESSE TEMPO A PERDER: OS 50 ANOS DE JOHNNY THE FOX

Do groove improvável de “Jimmy the Weed” à dor visceral de “Borderline”, o álbum onde o líder do Thin Lizzy tirou a armadura e fez a trilha sonora de nossas vidas

Por Fernando Aguiar

Escrito por um Phil Lynott doente e com pressa, gravado no meio de brigas e lançado à sombra de Jailbreak, o sétimo disco do Thin Lizzy completa meio século como o irmão “menos famoso”, e talvez o mais humano, da fase clássica da banda.

Para entender, precisa voltar para o começo de 1976. O Thin Lizzy tinha acabado de lançar "Jailbreak", em março, e pela primeira vez a coisa estava dando certo de verdade nos Estados Unidos. “The Boys Are Back in Town” tocava em todo lugar, a banda vinha abrindo para Aerosmith e Rush, e uma turnê americana com o Rainbow de Ritchie Blackmore estava marcada. Era o momento de virar gente grande na América. E foi exatamente aí que Phil Lynott caiu de cama com hepatite. A turnê foi cancelada, Phil voltou para o Reino Unido em junho e foi parar num hospital em Manchester.

Qualquer pessoa normal teria usado aquele tempo para descansar. Phil pegou papel e caneta e começou a escrever. Boa parte do que viria a ser Johnny the Fox saiu dali, de um sujeito doente, frustrado por ver o melhor momento da carreira escorrendo pelos dedos e decidido a não deixar a banda esfriar. Eu sempre acho que dá para ouvir isso no disco. Tem uma urgência ali, uma inquietação, que Jailbreak não tinha.

Em agosto, ainda se recuperando, Phil se juntou a Scott Gorham, Brian Robertson e Brian Downey para gravar, de novo com o produtor John Alcock, o mesmo de Jailbreak. As sessões começaram no Musicland, em Munique (que tinha a vantagem dos impostos tanto quanto a do som), mas logo voltaram para o Ramport, o estúdio do The Who em Londres, onde o disco anterior tinha sido feito.

E não foi um mês tranquilo. Ninguém estava satisfeito com o processo, conseguir um som de bateria decente virou novela, Phil ainda estava terminando de compor as letras e a banda brigava sobre o rumo musical. “Massacre”, segundo o próprio Alcock, foi escrita ali mesmo, no estúdio.


O atrito mais famoso, claro, foi entre Phil e Robertson. Quando Lynott apresentou “Don’t Believe a Word” pela primeira vez, ela era um blues lento, de doze compassos. Robbo, com a delicadeza que era a marca registrada dele, disse que aquilo era uma porcaria (a palavra original era bem menos educada). Phil ficou ofendido e simplesmente sumiu por alguns dias. Nesse meio tempo, Robertson se arrependeu de ter pegado pesado e foi com Downey retrabalhar a música: o baterista criou aquele shuffle acelerado, Robbo bolou o riff, e quando Phil voltou, gostou do que ouviu. A faixa saiu creditada só a ele, o que deixou Robertson irritado por anos. E a versão lenta não morreu: Phil a gravou com Gary Moore em Back on the Streets, de 1978.

Essa história resume bem o Thin Lizzy daquela época. Uma banda em que o conflito, quando dava certo, virava música boa.

Johnny the Fox chegou às lojas em 16 de outubro de 1976, apenas sete meses depois de Jailbreak. A capa, mais uma vez de Jim Fitzpatrick, tem aquela moldura de nós celtas que é uma das mais bonitas da discografia, e com um detalhe curioso: Fitzpatrick teve que entregar a arte antes de o disco ter nome.

“Johnny” abre o disco com peso e drama, Phil fazendo o que sabia como ninguém, que era transformar um personagem de rua em figura de lenda. “Rocky” vem na sequência, cheia de marra, e segundo Robertson foi escrita pensando nele. Faz todo sentido: é uma música sobre um rockstar convencido, e se tinha alguém naquela banda que se encaixava no perfil, era o escocês. Depois vem “Borderline”, que vou deixar para o final, pois essa merece espaço próprio. Aí “Don’t Believe a Word”, dois minutos e pouco de perfeição, provavelmente a melhor letra de “não confie em mim” que alguém já escreveu no hard rock. E fechando o lado, “Fool’s Gold”, com Phil voltando ao tema da Irlanda e da emigração, uma faixa grandiosa, que mostra o lado poeta e meio historiador dele.

Já “Johnny the Fox Meets Jimmy the Weed” é o ponto fora da curva de toda a carreira do Lizzy: um groove meio funk, com metais, que soa mais como trilha de filme policial dos anos 70 do que como hard rock irlandês. Na época, muita gente torceu o nariz. Hoje, a faixa foi parar na coletânea Ultimate Breaks and Beats, aquela que os DJs de hip-hop usavam para garimpar batidas, o que diz muito sobre o ouvido de Downey e Gorham, que assinam a música junto com Phil.

“Old Flame” é o Phil cantor de rua, folk, com aquela melodia que gruda e uma doçura que só ele conseguia colocar sem soar meloso. “Massacre” é a pancada do disco, com as guitarras gêmeas a toda e um clima de urgência que justifica quem diz que Johnny the Fox é um dos álbuns mais pesados do Lizzy nos anos 70. “Sweet Marie”, parceria com Gorham, é uma balada linda que merecia ser muito mais lembrada.

E fechando, “Boogie Woogie Dance”, que costuma levar pancada de muita gente. Já li mais de uma resenha tratando a faixa como enchimento. Eu vejo de outro jeito. Depois de tanto drama, de personagens marginais, de emigração, de massacre e de coração partido, Phil termina tudo chamando a galera para a pista. É rock’n’roll de bar, sem pretensão nenhuma, com aquele balanço que o Lizzy tirava de letra. E tem algo de muito Phil nisso: o cara que escreveu o disco doente, numa cama de hospital, encerrando com um convite para dançar.


Comercialmente, o disco foi bem no Reino Unido: chegou ao 11º lugar e ganhou disco de ouro. “Don’t Believe a Word” saiu como single em novembro e bateu no 12º lugar por lá, e no segundo na Irlanda. Nos Estados Unidos, porém, o embalo de Jailbreak simplesmente não se repetiu. A turnê cancelada tinha custado caro.

E o azar continuou. Depois da turnê britânica de outubro e novembro (com uma banda americana chamada Clover abrindo, liderada por um tal de Huey Lewis), Robertson machucou feio a mão com uma garrafa numa briga de bar, atingindo artéria e nervo. A turnê americana foi adiada para janeiro de 1977, e quem segurou a guitarra no lugar dele foi Gary Moore. Johnny the Fox acabou sendo o último disco gravado com Robbo como membro pleno da banda do começo ao fim.

Ou seja: se o álbum não teve o mesmo tamanho de Jailbreak, foi por doença, por briga, por mão cortada e por timing. Nunca por falta de música. Ele costuma ser tratado como “o disco entre Jailbreak e Bad Reputation”, e isso sempre me incomodou. Para mim, Johnny the Fox é o Thin Lizzy no seu momento mais completo: pesado, variado, ousado, irlandês até a alma e liderado por um cara que tinha acabado de levar um susto com a própria saúde e escrevia como se não tivesse tempo a perder. Olhando hoje, sabendo como a história de Phil terminou, essa pressa fica ainda mais dolorida.


E agora, ela, a pérola escondida no meio da discografia da banda, que entre a marra de “Rocky” e a urgência de “Don’t Believe a Word”, “Borderline” é aquele tipo de música que você descobre meio sem querer e nunca mais esquece. Composta por Phil em parceria com Brian Robertson, é uma balada de coração partido com cheiro de country, guitarras chorosas e Lynott cantando como um cara sozinho no balcão de um bar, tentando entender onde foi que perdeu a mulher que amava. Não tem refrão para estádio, não tem riff para camiseta. Tem só verdade. Para mim, ela divide com “Still in Love with You” o posto de balada mais bonita e mais íntima que o Thin Lizzy já gravou. São duas músicas irmãs: as duas falam de um amor que acabou, mas que se recusa a ir embora, e nas duas Phil, o durão de jaqueta de couro, o rebelde de Dublin, tira a armadura e se mostra inteiro, frágil, sem pose nenhuma. A diferença é que “Still in Love with You” ganhou o mundo nos palcos, enquanto “Borderline” ficou guardada. Até onde se sabe, o Lizzy nunca a tocou ao vivo. O único registro dela fora do disco é uma aparição de Phil no Me and My Music, programa da RTÉ, a TV irlandesa, gravada em 15 de setembro de 1976, um mês antes de Johnny the Fox chegar às lojas, e exibida só em 2 de janeiro de 1977. Phil aparece sozinho, sem a banda, cantando em playback. Só ele, a música e aquela cara de quem está contando um segredo. Foi em casa, para os irlandeses, que ele apresentou “Borderline” pela primeira e única vez. Durante décadas ela ficou assim, um daqueles lados B que a gente mostra para os amigos com cuidado, quase como quem divide uma coisa íntima. Até que, em 16 de dezembro de 2022, no show beneficente Helping Hands, em Los Angeles, o Metallica, como de costume apresentou um set acústico e fez o que nem o próprio Lizzy tinha feito: tocou “Borderline” ao vivo. James Hetfield, que meses antes tinha entrado com o pedido de divórcio, cantou com aquela voz gasta de quem estava vivendo cada linha, e no final agradeceu a Phil Lynott por ter escrito uma música sobre a vida dele. Quando ouvi aquilo, eu entendi na hora. Porque é exatamente isso que “Borderline” é para mim também: a letra da minha vida. Tem música que a gente gosta, e tem música que parece ter sido escrita olhando por cima do nosso ombro, sabendo coisas que a gente nunca contou para ninguém. Phil não me conheceu, e mesmo se estivesse vivo a probabilidade de isso acontecer também seria mínima, e mesmo assim deixou ali, em quatro minutos e meio de um disco de 1976, tudo aquilo que eu um dia senti e não soube dizer. 

Cinquenta anos depois, uma canção que ele só cantou uma vez, em playback, numa TV irlandesa, ainda consegue colocar em palavras o sentimento de um headbanger do outro lado do planeta e a de outro que lota estádios no mundo inteiro. Obrigado, Phil por ter escrito a música da vida dele, e da minha também.



quinta-feira, 15 de outubro de 2026

REBEL ROCK RESEARCH - TWISTED SISTER

 


REBEL ROCK RESEARCH - TWISTED SISTER

O TWISTED SISTER é uma das bandas mais emblemáticas e resilientes do heavy metal e hard (glam) rock norte-americano, surgida nos anos 1970 no circuito de clubes de Nova York e Nova Jersey. Liderada pelo carismático vocalista Dee Snider, a banda construiu sua identidade combinando um som pesado e direto — influenciado tanto pelo punk quanto pelo metal britânico — a um visual teatral provocativo, marcado por maquiagens carregadas, figurinos extravagantes e uma atitude abertamente rebelde. O auge do sucesso comercial veio na década de 1980 com o álbum "Stay Hungry" (1984) e hinos atemporais como "We're Not Gonna Take It" e "I Wanna Rock", cujos videoclipes bem-humorados e satíricos se tornaram fenômenos na MTV e consolidaram a banda como o voz e o símbolo da juventude contra a opressão e o conservadorismo da época.
A trajetória do grupo também foi marcada por intensas controvérsias, com destaque para o confronto com o PMRC (Parents Music Resource Center), comitê liderado por Tipper Gore que buscava censurar músicas consideradas violentas ou explícitas. Em 1985, Dee Snider prestou um depoimento histórico no Senado dos Estados Unidos, onde defendeu articuladamente a liberdade de expressão e desmantelou os argumentos dos censores, tornando-se um marco da luta contra a censura na música. A importância do TWISTED SISTER para o rock reside justamente nessa fusão única de atitude contestadora, performances ao vivo avassaladoras e o legado inestimável na defesa dos direitos dos artistas e dos fãs, provando que por trás da estética espalhafatosa havia uma força musical e cultural de enorme relevância. Confira nosso ranking!

Por Sergiomar Menezes

7º - A TWISTED CHRISTMAS 2006)

Em uma das cartadas mais inusitadas da história do heavy metal, o Twisted Sister encerrou sua jornada em estúdio gravando um álbum temático de Natal. A TWISTED CHRISTMAS pega cânticos natalinos tradicionais como "O Come All Ye Faithful", "Silver Bells" e "Deck the Halls" e os reinterpreta com arranjos pesados de hard rock e heavy metal, utilizando riffs e estruturas inspiradas em clássicos do próprio rock (como encaixar o arranjo de "We're Not Gonna Take It" perfeitamente dentro de "O Come All Ye Faithful"). Apesar do tom satírico e da estética irreverente, a química da banda e o alcance vocal de Dee Snider transformaram o projeto em um sucesso surpreendente, provando que o Twisted Sister conseguia unir a agressividade do metal à celebração festiva com absoluta maestria e personalidade. Mas, não tem como considerá-lo algo maior dentro da curta discografia da banda...

6º - STILL HUNGRY (2004)

Lançado duas décadas após o estrondoso sucesso de "Stay Hungry", STILL HUNGRY nasceu do desejo da banda de regravar o seu álbum mais famoso com a sonoridade, o peso e o timbre que eles originalmente pretendiam em 1984. Insatisfeitos com a produção de Tom Werman no disco original — considerada pela banda como suave e comercial demais para os padrões do metal —, Dee Snider e seus companheiros retornaram ao estúdio com a produção de Mark Mendoza. Além de reinterpretar todas as faixas clássicas com uma pegada muito mais crua, o álbum trouxe sete faixas bônus valiosas para os fãs, incluindo canções inéditas da época e composições antigas como "Heroes Are Hard to Find" e "Never Say Never". Na opinião deste que vos escreve, "Still Hungry" serviu apenas para corrigir uma antiga frustração de produção da banda, por mais que a formação clássica da banda mantivesse intacta a energia, a atitude e o poder de execução que os consagraram nos anos 1980. Soou como um clássico requentado e figura aqui apenas por fazer parte da discografia oficial de estúdio da banda.

5º - LOVE IS FOR SUCKERS (1987)


Imaginado e pretendido por Dee Snider como um projeto solo, LOVE IS FOR SUCKERS acabou sendo lançado como o quinto álbum do Twisted Sister por exigência da gravadora. Produzido pelo renomado Beau Hill, o disco migrou drasticamente para o som do hard rock/hair metal da época, com guitarras polidas, teclados em segundo plano e uma sonoridade muito mais voltada para as rádios. A mudança gerou o descontentamento do baterista A.J. Pero, que deixou a banda antes das gravações. Embora o álbum traga faixas bem construídas e melodicamente atraentes como "Hot Love", "Tonight" e a própria faixa-título (cover do Poison Dollys), a perda da identidade visceral e da agressividade que consagraram a banda afastou grande parte dos fãs tradicionais. A falta de coesão interna e a recepção morna do mercado levaram ao término da banda pouco tempo após o lançamento, tornando o álbum o capítulo final (em estúdio) da trajetória da formação clássica.

4º - COME OUT AND PLAY (1985)


Na tentativa de suceder o estrondoso sucesso de "Stay Hungry", a banda lançou COME OUT AND PLAY, um álbum de grande orçamento que apostou em uma produção ainda mais polida e em uma imagem teatral exagerada. O disco traz momentos marcantes como o cover de "Leader of the Pack" (das Shangri-Las) e a empolgante "You Want What We Got", além da participação especial de Alice Cooper em "Be Chrool to Your Scuel" (uma das faixas mais legais da história da banda). O trabalho manteve o espírito divertido e irônico, mas dividiu opiniões na época. Apesar de possuir ótimas faixas de heavy metal tradicional, como "The Fire Still Burns" e "Kill or Be Killed", o álbum sofreu com a superexposição da banda e com o boicote de redes de mídia ao clipe banido de "Be Chrool to Your Scuel". O desgaste interno e as pressões da gravadora começaram a transparecer, fazendo com que o disco não atingisse o mesmo patamar comercial do seu antecessor, embora continue sendo um trabalho técnico e estilisticamente muito rico.

3º - UNDER THE BLADE (1982)


Lançado após anos de ralação no circuito de clubes da Costa Leste norte-americana, o álbum de estreia do Twisted Sister entrega uma sonoridade crua, agressiva e muito mais próxima do heavy metal britânico (NWOBHM) do que do glam rock glamouroso que viria a dominá-los no futuro. Sob a produção de Pete Way (baixista do UFO), o disco traz faixas diretas, guitarras cortantes e a voz rasgada e feroz de Dee Snider. Músicas como "Under the Blade", "Shoot 'Em Down" e "Bad Boys (Of Rock 'N' Roll)" demonstram a energia acumulada por uma banda que precisava provar seu valor a qualquer custo. Apesar de a produção original ser considerada bastante seca e sem o peso de estúdio ideal — o que levou a novaS mixagem e remasterização anos mais tarde —, o álbum é a celebração da essência mais visceral da banda. As letras abordam a vida urbana, rebeldia e temas sombrios com uma urgência quase punk. UNDER THE BLADE permanece até hoje como o favorito dos fãs mais radicais da vertente do heavy metal pesado, provando que, por trás da maquiagem e das roupas espalhafatosas, havia um grupo de músicos extremamente talentosos e ferozes.

2º - YOU CAN'T STOP ROCK 'N' ROLL (1983)

Em seu segundo trabalho, YOU CAN'T STOP ROCK 'N' ROLL, a banda poliu ligeiramente o som sem perder a agressividade, criando a ponte perfeita entre o metal cru da estreia e a veia mais comercial que os consagraria mundialmente. Produzido por Stuart Epps, o álbum apresenta um som de bateria mais encorpado e guitarras mais marcantes, evidenciando o amadurecimento das composições de Dee Snider. Faixas como "The Kids Are Back", "Like a Knife in the Back" e a faixa-título tornaram-se hinos imediatos de celebração do rock. Aliás, "You Can't Stop Rock 'n' Roll", acompanhada por um clipe bem-humorado transmitido com frequência na MTV, deu à banda uma projeção internacional inédita. O disco estabeleceu o conceito do Twisted Sister como defensores dos jovens e da cultura do rock contra o conservadorismo da época. É um álbum coeso, enérgico e repleto de refrãos feitos para serem cantados em arenas lotadas.

1º - STAY HUNGRY (1984)


STAY HUNGRY é o divisor de águas e o maior sucesso comercial da carreira do Twisted Sister. Sob a produção de Tom Werman, a banda refinou sua sonoridade para atingir o topo das paradas globais, alcançando o status de disco de platina tripla. Impulsionado por dois dos maiores hinos da década de 80 — "We're Not Gonna Take It" e "I Wanna Rock" —, o álbum transformou o grupo em um fenômeno cultural, combinando refrãos contagiantes, postura rebelde e clipes icônicos na MTV. Para além dos mega sucessos comerciais, o álbum preservou o lado sombrio e pesado da banda em faixas antológicas como "Burn in Hell", a faixa-título e a épica suíte "Captain Howdy / The Street Justice". STAY HUNGRY conseguiu o equilíbrio raro entre o apelo às grandes massas e o respeito da comunidade do heavy metal, imortalizando Dee Snider e seus companheiros como símbolos máximos da rebeldia juvenil contra o sistema.


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

SLAYER - REIGN IN BLOOD 40 ANOS

 


REIGN IN BLOOD 40 ANOS - OS 29 MINUTOS QUE MUDARAM O METAL PARA SEMPRE

Quatro décadas após seu lançamento, REIGN IN BLOOD permanece como o ápice insuperável do THRASH METAL e o divisor de águas que redefiniu a música pesada para sempre

Lançado em outubro de 1986 sob a produção revolucionária de Rick Rubin, REIGN IN BLOOD, o terceiro álbum de estúdio do SLAYER, não apenas redefiniu os limites da música pesada, mas ergueu-se como o marco zero indiscutível e o ápice arquitetônico do THRASH METAL mundial. Em escassos 29 minutos e 03 segundos de uma agressividade visceral e sem precedentes, o quarteto californiano — composto por Tom Araya, Kerry King, Jeff Hanneman e Dave Lombardo — destilou a fúria urbana, a paranoia política e o horror existencial em um turbilhão de riffs velozes como rajadas, vocais cortantes e uma bateria de precisão cirúrgica que reconfigurou o padrão de velocidade e técnica do gênero. Ao completar quatro décadas de existência, a obra transcendeu o próprio tempo: longe de soar como uma peça de museu ou um artefato datado dos anos 80, o disco permanece como uma tempestade sonora irretocável que pavimentou o caminho para o death metal, o black metal e praticamente todas as ramificações extremas do heavy metal moderno, mantendo-se até hoje como o padrão ouro absoluto e a cartilha definitiva de como transformar velocidade, precisão e obscuridade em pura arte transgressora. Confira a opinião da nossa equipe sobre esse clássico indiscutível do metal:

"Ter uma vida no Metal e Rock te dão experiências maravilhosas e únicas, como lembrar perfeitamente quando você teve contato pela primeira vez com um álbum, há quarenta anos, por exemplo. Eu, com 15 para 16 ano já estava totalmente possuído pelo Slayer, ouvia todo o dia em fita k7 o "Show no Mercy" e o "Live Undead". Quando chegou o "novo" Slayer, na Méca do Metal Gaúcho a Megaforce, o impacto dos primeiros acordes de "Angel Of Death" explodiram nas caixas de som, e a sensação de nunca ter ouvido nada igual permanece até hoje. Jeff Hanneman, Kerry King, Tom Araya, Dave Lombardo (as reservas morais do Thrash Metal, como diria o saudoso Alborghetti), junto ao produtor Rick Rubin confeccionaram "Reign In Blood", a "Guernica" do Metal, uma obra prima sangrenta, brutal e insuperável até os dias de hoje."
José Henrique Godoy

"Se o Thrash Metal rápido e visceral pode ser definido em um único álbum, esse álbum é “Reign in Blood”! Só o fato de ter “Angel of Death” em uma ponta e “Raining Blood” na outra, já faz deste, um sério candidato ao posto de maior disco de Heavy Metal de todos os tempos! O Slayer conseguiu aqui colocar toda sua fúria, em pouco mais de 30 minutos. É puro ódio, pura sujeira (no bom sentido), pura carnificina e com o perdão do trocadilho infame, puro reinado de sangue! Indispensável!"
Mauro Antunes


"Conheci o Slayer com o álbum "South of Heaven", e, talves por isso, ele seja até hoje meu preferido. Mas como negar que "Reign in Blood" é o maior sinônimo de peso, velocidade e violência dentro do Heavy Metal? A começar pela capa tosca (como quase todas da banda), passando pela produção esplendorosa de Rick Rubin e nos entregando faixas como " Angel of Detah" ( se algum dia um extraterrestre lhe abordar perguntando como se traduz violência em forma de música, pode mostrar essa faixa pra ele), "Piece by Piece", "Necrophobic", "Altar of Sacrifice", "Jesus Saves" (Jesus, que música é essa?), "Criminally Insane", "Reborn", "Epidemic", "Postmortem" e o hino de toda uma geração, a maravilhosa "Raining Blood" (quem nunca bateu em uma porta no ritmo da entrada de bateria dessa música não viveu corretamente), o SLAYER em 29 minutos, fez um estrago maior que muitas bandas em suas discografias. Um clássico, sem nenhum tipo de discussão. Pois, afinal de contas:
SLAAAAAAAAAAYYYYEEEERRRRRR!"
Sergiomar Menezes

"Muitos clássicos moldaram o heavy metal no ano de 1986, mas " Reign in Blood" foi algo tão mortal, ríspido e violento em termos de Thrash Metal que os parâmetros de metal extremo foram totalmente reavaliados: era preciso um maior nível de insanidade e brutalidade pra se manter no reinado de sangue que viria a partir deles"
Gustavo Jardim


"
Reign in Blood é um soco na cara! Mal tem tempo pra uma respiração e a surra continua, pra mim, no contexto da época, é o álbum mais brutal já lançado! Fora que dois dos clássicos absolutos da banda estão nele, Angel of Death e Raining Blood.  Letras extremas, músicas extremas, capa extrema! A obra prima do Slayer até os dias de hoje."
Márcio Jameson

"Em 1986, o Slayer colocou o thrash metal em outro patamar com "Reign in Blood". Curto, brutal e sem espaço para respirar, o álbum capturou toda a fúria e velocidade que definiam a cena naquele momento, tornando-se um marco do metal extremo. Quatro décadas depois, continua sendo uma referência incontestável e um dos discos mais influentes e devastadores já lançados pelo gênero. "Reign in Blood" não envelheceu: continua soando como uma ameaça."
Fernando Aguiar


"O Slayer não fez apenas um disco. Fez um ataque frontal. 28 minutos de velocidade, violência, precisão e uma fúria que redefiniu o thrash metal para sempre. De Angel of Death a Raining Blood, não existe gordura, não existe descanso, não existe concessão. É brutalidade organizada em forma de música. Quatro décadas depois, milhares de bandas tentaram alcançar esse nível de intensidade. Mas falharam miseravelmente. Reign in Blood não envelheceu. Continua perigoso. Continua insano. Continua Slayer.🤘SLAAAAAYEEEER!!! 🤘"
Jay Kay

"Se você curte música pesada, música agressiva, Reign in Blood é um dos ápices. Para mim, é o ápice. Reign in Blood — é sangue jorrando por todos os lados. E começa com “Angel of Death”. Quando os riffs cerebrais de Jeff Hanneman e Kerry King começam a rasgar tudo, você percebe que aquilo não foi feito para ser confortável. A primeira vez que você coloca o disco para tocar e Tom Araya solta aquele grito infernal, não tem mais volta. Depois daquilo, nada mais faz sentido. “Jesus Saves”. Olha o título. Pensa: como assim, Jesus Saves? E não, Jesus não te salva.É uma voadora no meio do peito de quem não está preparado para tamanha brutalidade.
E aí vêm “Piece by Piece”, “Necrophobic”, “Altar of Sacrifice”, “Criminally Insane”... não existe espaço para respirar. Quando você acha que o Slayer vai aliviar, ele simplesmente acelera de novo e joga mais um caminhão de riffs na sua cabeça. Não sei como cabeças não saem rolando com os “esmurros” que Dave Lombardo dá no seu kit de bateria. Aliás, Lombardo é o mestre — o grande alienígena dos bateristas. E quando chega “Postmortem”, aquele “Do you wanna die?” já é perfeito. Só que aí você sabe o que vem depois. “Raining Blood”. Acredito que não precisa trazer qualquer comentário. Você e eu sabemos o que essa música causa. 40 anos de um reino em sangue e brutalidade — de um álbum obrigatório, seja para os velhos, seja para os novos adolescentes espinhentos."
William Ribas 




quarta-feira, 30 de setembro de 2026

ETERNOS CASCAVELLETES - 18/09/2026 - SESC/CANOAS - CANOAS/RS


 

ETERNOS CASCAVELLETES
18/09/2026
SESC/CANOAS
CANOAS/RS
Produção: Vini Canto (Fala Com o Vini Produtora)

Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: Tércia Falck

Em uma noite daquelas que ficam marcadas na memória de quem viveu o Rock Gaúcho nos anos 80 e 90 e ainda respira a cena local, Os Cascavelletes (sob a alcunha de Eternos Cascavelletes) aportaram no SESC em Canoas, no Rio Grande do Sul. E quer saber? O público compareceu em bom número. Mas o mais legal de ver foi a mistura na plateia: a maioria formada por pessoas "mais velhas" ou "Jovens há mais tempo" que carregam a história do rock gaúcho no DNA, mas pontuada por muitos jovens curiosos e ávidos por presenciar a lenda viva. A banda subiu ao palco trazendo os pilares fundadores Frank Jorge (baixo) e Alexandre Barea (bateria), acompanhados por Humberto Pettinelli (teclados) — veterano que entrou na banda lá nas sessões de gravação de "Rock'a'ula" (1989) —, além de Vince Velvet (guitarra) e Evandro Vandu (ex-Identidade) nos vocais. O resultado? Um verdadeiro desfile de clássicos eternos do rock gaúcho que não dão espaço para descanso.



O repertório foi um verdadeiro tiro certeiro na nostalgia e na irreverência que sempre definiram o grupo. Logo de cara, mandaram petardos como "Menstruada", "Carro Roubado" e a inesquecível balada "Estou Amando uma Mulher", mostrando que o caldeirão de influências e o bom humor escrachado continuam intactos. Faixas como "Ugagogobabago", "Morte Por Tesão" e "Jessica Rose" vieram na sequência — e teve momento hilário em "Jessica Rose", onde o vocalista acabou errando a letra, algo perdoado na hora, até porque ele próprio já havia avisado antes que não a sabia de cor! A viagem continuou com "Cão e Cadela", "Eu quis comer você" (aquela mesma, eternizada e famosa por ser a música apresentada no programa da Angélica), "Gato Preto", "Moto" e "Nega Bom Bom".

A energia não caía um segundo sequer. Veio "Homossexual", com direito ao aviso da banda de que se tratava de uma história real, seguida pela clássica "Sob um Céu de Blues" e "Lobo da Estepe" — momento divertido em que Evandro e Humberto deram aquela leve desencontrada na letra, mas que ao vivo só acrescenta charme e humanidade ao show. Ainda desfilaram pérolas como "Entra Nessa" em sua versão original (aquela que depois foi gravada pelo TNT), "O Dotadão Deve Morrer", "Ela Usa Minissaia sem Calcinha" e  "Sábado a la Noche".


Vale destacar o desempenho individual dos músicos no palco. É impressionante o quanto Alexandre Barea continua sendo um baterista extremamente técnico, preciso e pesado, segurando a cozinha com uma firmeza absurda, enquanto Frank Jorge segue exatamente o mesmo de sempre: elegante, dono de seu instrumento e com aquela presença cênica única.

Uma noite absolutamente inesquecível, que ainda contou com a impecável produção de Vini Canto. No fim das contas, ver os Eternos Cascavelletes em ação é a certeza de que o verdadeiro espírito do rock gaúcho continua vivo, pulsante e chutando portas por aí!



SEVENDUST - ONE (2006)

 


SEVENDUST
ONE 
Shinigami Records/Napalm Records - Nacional

O Sevendust é um dos raros exemplos de que são mais do que uma banda, são uma unidade. A formação segue a mesma desde a sua formação em 1994, e talvez por isso sigam regularmente fazendo turnês com bom público e lançando novos trabalhos com frequência. Nada mal para uma banda que escolheu seu nome a partir de uma marca de pesticida.

“One” é o décimo quinto trabalho do Sevendust, e apresenta mais um trabalho forte, dentro das características do seu som mais clássico, deixando um pouco de lado o apelo mais tecnológico muito presente no álbum antecessor de 2023 “Thruth Killer”. 

Produzido por Michael “Elvis” Baskette, o foco aqui são as guitarras de  Clint Lowery e John Connolly uma dupla que demonstra um entrosamento tal, que parecem se completar durante todas as melodias e encaixes das músicas. O vocalista Lajon Witherspoon  é, como sempre, o destaque principal, alternando vocais emotivos e raivosos, de uma maneira única.

Faixa título que abre o trabalho dá o tom do que iremos seguir na audição, “Unbreakable” alterna peso e melodia, “Is This The Real You” tem riffs quase Thrash Metal, enquanto Laion destila emoção praticamente declamando a letra sombria.”Threshould” é uma daquelas faixas que contagiam, e você vai se pegar lembrando dela depois da audição, realmente excelente. “We Won” é a mais industrial do álbum enquanto “Bright Side” , mais melódica,tem mais uma excelente interpretação vocal.

Após mais de três décadas de atividade, o Sevendust reforça o velho e batido ditado de que time que vence não se faz alterações, e “One” demonstra que entrosamento parceira são grandes elementos para o sucesso. “One” é lançamento nacional da Shinigami Records.

José Henrique Godoy