sexta-feira, 6 de novembro de 2026

GRAVE DANCE COMPANY - RUINS (2026)

 


GRAVE DANCE COMPANY
RUINS
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Uma das melhores situações quando de um lançamento de banda ou trabalho novo, é quando a expectativa é amplamente correspondida pelo resultado final. Explico: o Grave Dance Company é uma banda formada das cinzas da banda austríaca Jack Frost, que fez seus últimos shows em 2023. A sonoridade aqui reproduzida é a mesma que o Jack Frost desempenhava, o Gothic Rock sombrio, que agradará em cheio fãs de Type O Negative, Moonspell e The 69 Eyes.

Uma das características mais marcantes em “Ruins” é a trinca de guitarristas, que criam nuances e uma parede sonora densa, lúgubre e extremamente melancólica. O vocalista Michelle Darkness (sobrenome vindo a calhar, não?) lembra um bocado o saudoso Peter Steele (Type O' Negative) e não existem novidades nas suas letras: perda, solidão, términos de relacionamentos.

“Wild Ones” é a paulada inicial e um ótimo cartão de visitas para o que vem a seguir. Como apreciador de filmes de terror de todas as épocas, não posso deixar de citar que a faixa “Lon Chaney” é a minha preferida logo após ouvi-la. Num clima totalmente gótico, a faixa é uma homenagem ao ator Lon CHhney Jr, um astro do cinema de horror dos anos 1940/50, que filmou muitos clássicos, entre eles “Lobisomem” (1941).

“The Devil´s Hour” é pesadíssima, flertando com o Metal quase que descaradamente, uma faixa fortíssima, que contrasta bruscamente a melancólica “Where Are You Now?”. O álbum fecha com um cover do Joy Division, “New Dawn Fades”. Quando ouvi falar do lançamento de “Ruins” esperava que viria coisa boa, mas mesmo assim, me surpreendi positivamente com o álbum de estréia do Grave Dance Company. 

Se você aprecia, assim como eu, bandas como Moonspell, The 69 Eyes, Paradise Lost e Type O' Negative, este álbum é para você. Para finalizar, quero deixar aqui uma  frase que está no release da banda e descreve a sonoridade e atitude do grupo: “Grave Dance Company  é para aqueles que sabem que , às vezes a música é o último lugar que resta onde se pode ficar”. Pesado, mas real. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy





SHA-BOOM - ANOTHER NAIL IN THE COFFIN (2026)

 


SHA-BOOM
ANOTHER NAIL IN THE COFFIN
Sinigami Records/Silver Lining Music - Nacional

Quem assistiu ao já clássico filme do Mötley Crüe, “The Dirt”, deve se lembrar da passagem em que Mick Mars solta a frase “Nome de merda, banda merda”. Ao ver o nome desta já veterana banda sueca, fica quase impossível não recordar desta “célebre afirmação” do Sr. Mars. Mas calma, apesar de pitoresca, esta sentença não é uma regra, muito antes pelo contrário.

O Sha-Boom é mais uma banda de Hard/Melodic Rock da Suécia, mais precisamente da capital Estocolmo, formada em 1987, e já no ano de 1988 abriam os shows dos gigantes Europe e Treat. Após esse início meteórico, a banda começou a perder força no cenário escandinavo, e desaparecendo, a não ser pelo lançamento de um "best of" em 2005. Duas décadas após o início do hiato, o vocalista Dag Finn traz o Sha-Boom de volta aos holofotes.

“Another Nail In The Coffin” é um convite a diversão e a um retorno aos grandes dias do Hard Rock festeiro. Produzido por Erik Martensson, do Eclipse, o recado que o Sha-Boom quer passar é que nada mais importa além da diversão e alegria. Sem pretensão nenhuma de ser uma grande obra, o trabalho apesar de não ser tão empolgante quanto promete, entrega resultado satisfatório aos fãs do estilo.

“Never Stop” é uma grande faixa cheia de melodia, um ótimo exemplo de como um AOR deve ser composto, minha faixa preferida do álbum. “Walk (Far Away) é puro Rock n Roll, com uma pegada que traz a memória o Glam Rock dos anos 1970. Se pensaram em The Sweet, esta é a referência aqui. “One More Drink For The Road” é outro rockaço, com participação de Linnéa Vikstrom, vocalista da banda Thundermother. “Million Miles Away, é uma faixa onde a parte mais emocional vem à tona, porém sem ser açucarada demais.

“Another Nail In The Coffin” é um álbum honesto e agradável de se escutar, não será lembrado como um grande clássico, mas com certeza é um trabalho ótimo para amantes do estilo. Lançamento nacional Shinigami Records. 

José Henrique Godoy




SHAKRA - JUST LIVE LOUD (2026)


 

SHAKRA 
JUST LIVE LOUD
Shinigami Records/Frontiers Music srl. - Nacional

Quando se trata de lançar álbuns de rock melódico de peso, você sempre pode contar com a banda suíça Shakra. “Just Live Loud!” o novo álbum, é mais uma amostra da qualidade da banda originária da cidade de Truo. Com o sucessor de seu álbum de 2023, “Invincible”, a banda entregou, mais uma vez, um trabalho sólido. Este novo capítulo em uma trajetória que já ultrapassa trinta anos é, sem dúvida, mais um acerto em cheio.

Todos os ingredientes que tornaram a banda popular ao longo dos anos estão presentes: músicas impactantes, refrãos contagiantes, riffs de guitarra matadores, uma base de baixo e bateria pulsante, e os vocais roucos do cantor Mark Fox.

Além disso, a produção deste álbum está, mais uma vez, impecável. O guitarrista Thom Blunier tem moldado a sonoridade da banda em seu próprio estúdio há décadas. As faixas de abertura “Let The Show Begin” e “Wasteland Warriors” provam que a banda certamente não perdeu a mão e mantém o ímpeto necessário para compor músicas energicas. A banda demonstra um entrosamento sólido há muito tempo.

“Just Live Loud!” certamente não traz nenhuma novidade na sonoridade do Shakra, e na realidade os fãs agradecem, pois não há necessidade de alterações na fórmula vencedora do Shakra. Basta continuarem fazendo aquilo que executam com categoria. O único ponto mais baixo em “Just Live Loud” é “Left Outside Alone” um cover gravado originalmente pela cantora americana Anastacia e que também é o primeiro dueto registrado pelo grupo. A música aparece no álbum em nada menos que duas versões (uma em dueto com Seraina Telli e outra na qual Mark assume todos os vocais). Não que seja uma faixa fraca, mas é dispensável.

“Just Live Loud” é um álbum altamente recomendado, e um dos melhores do estilo no ano, para fãs de Hard/Melodic Rock e peça indispensável para os fãs da banda. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




quinta-feira, 5 de novembro de 2026

WIZARDS - GLORIOUS (2026)

 



WIZARDS
GLORIOUS
Metal Relics - Nacional

Se o retorno do WIZARDS à ativa com o álbum "Seven", lançado em 2022 foi uma espécie de recomeço, GLORIOUS, que saiu agora em outubro de 2026 é a volta à sonoridade mis clássica da banda, qual seja, o power metal melódico intenso, pesado e verdadeiro. Sim, ainda que o antecessor tenha sido um bom trabalho, aqui o Wizards mostrou que das bandas atuais do estilo, ela se mantém fiel e apresenta uma qualidade acima da média, com um álbum muito superior ao que alguns "medalhões" do estilo vem fazendo. Longe de tretas, reuniões caça-níqueis ou algo do gênero, a banda investiu na música, razão maior da existência de qualquer grupo e acertou em cheio: um trabalho que lembra em muitos momentos um dos maiores discos do estilo já lançados no metal nacional, o excelente "The Kingdom", de 2001, lançado por eles próprios.

Mantendo a formação do trabalho anterior e estabilizada com Christian Passos (vocal), Leo Mancini (guitarra), Mendel Waisberg (baixo), Charles Dalla (teclados) e Gabriel Triani (bateria), o grupo contou com a produção, mixagem e masterização de Tito Falaschi, que também gravou algumas guitarras e teclados no álbum. A bonita capa foi concebida e idealizada por Sammy Coral enquanto o belo trabalho gráfico ficou por conta de Alcides Burn. Dessa vez, as composições em sua maioria ficaram sob a responsabilidade de Christian, enquanto Charles ficou com apenas uma (a saber, "Grand and Bold"), e talvez por isso, a sonoridade tenha maior proximidade com o clássico de 2001. Composições fortes, com guitarras intensas e aquela linha power metal melódica que consagrou o grupo no início dos anos 2000. 

"Magic Moment" abre o álbum de forma consistente, e digo aqui sem nenhum medo: se ela estivesse em "The Kingdom", abrilhantaria ainda mais o trabalho. Mas por sorte, a faixa surge em 2026, o que reforça que o Wizards é e sempre foi uma das maiores do estilo, não só por aqui, mas mundialmente. Linhas melódicas sem abdicar do peso, vocais muito bem encaixados, backing vocals propositalmente alinhados à estrutura e uma base baixo/bateria coesa, transformam a faixa em uma das melhores já compostas pelo grupo. Só que na sequência, "Lady Wonder" vem para mostrar que o peso do metal também aflora na linha de composição, pois a faixa possui uma cadência e riffs que se encaixam mais no lado metal do grupo. O metal melódico retorno com "Midnight Dreamers", outro ótimo momento. Uma característica do trabalho é que todas as faixas ficam dentro dos três minutos, o que comprova que não é necessário fritar, quebrar, encher as composições com viradas e solos intermináveis pra mostrar classe. Um ótimo refrão deixa tudo ainda melhor. "Beggin' Eyes" é uma balada linda, com ótima performance de Christian, que não precisa exagerar em agudos pra mostrar sua técnica e talento. E assim, a música de verdade agradece. E tome mais metal melódico puro e natural em "The Rising King", outra faixa que poderia estar em "The Kingdom". A capacidade do grupo em criar ótimas composições dentro do estilo é algo a ser estudado!

Um teclado um tanto quanto melancólico introduz a pesada "Solitude Walker", que traz consigo alguns toques mais modernos (mas sem exageros), invocando a versatilidade dos músicos. Já "Grand and Bold", composta por Charles Dalla, é outra pérola melódica, com excelentes linhas de teclado e ótima base criada por Mendel (único remanescente da formação original ao lado de Christian) e Gabriel, que formam uma cozinha que além de técnica, senta a mão sem pena dos instrumentos. "Answer Your Call" é mais cadenciada, mas possui linhas vocais bem melódicas, com os backing vocals novamente colocados de forma correta na composição. "Riser Man" mantém a pegada power/melódica e antecede o final que vem com "RF", uma bonita peça ao teclado, que fecha o álbum de forma suave e tranquila.

Sem se importar com o que o mercado impõe, o WIZARDS decidiu mostrar ao mundo que o metal melódico, power metal, heavy metal... chame como quiser, continua vivo (e muito) em 2026. Se, como eu escrevi lá em cima, os medalhões do estilo não conseguem sair da bolha do passado, a banda consegue revisita-lo sem se prender ao próprio. Composições carregadas de feeling, capacidade técnica altíssima, mas acima de tudo, uma qualidade musical muito, mas muito acima da média, fazem de GLORIOUS um dos melhores álbuns deste ano. Ah... e passou da hora da banda ser chamada para os grandes festivais, hein???

Sergiomar Menezes





BENEDICITION - RAVAGE OF EMPIRES LATIN TOUR 2026 - 04/11/2026 - ESPAÇO MARIN - PORTO ALEGRE/RS


BENEDICITION - RAVAGE OF EMPIRES LATIN TOUR 2026
Banda convidada: DISTRAUGHT
04/11/2026
ESPAÇO MARIN
PORTO ALEGRE/RS
Produção: Caveira Velha/Xaninho Discos/Nevoeiro Produções

Texto e fotos: José Henrique Godoy

As noites de quarta-feira são tradicionalmente conhecidas como a noite do futebol na TV. Mas por sorte existe o Metal, no caso desta quarta, o Old School True Death Metal do Benediction, que se apresentou no Espaço Marin, e me fez “perder” mais um fiasco do meu Grêmio diante do Flamengo. Os veteranos britânicos se apresentaram pela primeira vez na capital gaúcha, e contaram com o lendário Kam Lee (Massacre), que veio substituir o vocalista Dave Ingram, que por motivos de saúde não pode fazer parte da atual turnê.

A abertura da noite ficou por conta da máquina de destruição conhecida como Distraught. Às 20h30 a clássica banda gaúcha subiu ao palco e despejou seu Thrash Metal altamente técnico para um público não muito numeroso, porém entusiasmado. Capitaneada pelo vocalista André Meyer, a Dstraught fez uma excelente apresentação, com destaques para as faixas “Extermination of Mother Earth” e “Truth Denied”, ambas do mais recente trabalho, o EP “Involution”, lançado em 2025, e também a clássica “The Human Negligence is Repugnant”, que fechou o ótimo set de quarenta e cinco minutos.



Por volta das 21h30, o Benediction entra no palco do Espaço Marin, para lecionar uma verdadeira aula de brutalidade metálica. Contando com os membros fundadores, os guitarristas Peter Rew e Darren Brookes, o baixista George Chick e o baterista Giovanni Durst, e o já citado Kam Lee, o Benediction demonstrou desde o primeiro segundo no palco, porque é uma das bandas mais emblemáticas e históricas do Death Metal Mundial. Kam Lee parece ter sempre feito parte da bana, pois estava muito a vontade no palco, sendo nos momentos de pura violência sonora, ou quando brincava quando os presentes gritavam “Benedito”, em alusão ao nome da banda. Lee respondia: “Meu português é muito bom, entendo o que vocês estão dizendo”.

“Engines Of War” (do magnifico e mais recente trabalho “Ravage Of Empires”) deu inicio ao massacre sonoro, seguidas por ”Unfold Mortality”, “The Croocked Man” e “A Carrion Harvest”. Então Kam Lee nos convidou a retornarmos a 1989, para ouvirmos “Artefacted Irreligious” e “Subconcious Terror”, uma sequência mais que clássica. As rodas se formaram na pista e não cessaram até o final do show. Kam Lee cita que ele nunca tinha vindo para o Brasil e agradeceu ao Benediction por ter lhe dado a oportunidade de conhecer nosso país.



“Dread Of The Night”, “Grotesque” e “Psychosister” seguem estremecendo as estruturas do Espaço Marin. O baterista Giovanni Durst é um monstro, e destrói seja nos andamentos mais cadenciados, ou seja na hora da pura sarrafeira. O guitarrista Darren era puro sorrisos, embalado por uma meia dúzia de latinhas de Heineken, não deixava de transparecer a felicidade de estar no palco, desenvolvendo o Death Metal Old School como se tivesse começado ontem. Vamos lembrar que a banda está prestes a completar quarenta anos. Um dos momentos mais icônicos da noite, foi quando os guitarristas iniciaram o riff inicial de “Biohazard”, clássico supremo do Massacre, banda original de Kam Lee. Ouvir esta música com o vocal original, entrelaçado com a brutalidade histórica do Benediction foi mais que um ponto alto, foi testemunhar um momento único, a união de lendas do “Metal da Morte”.


Kam Lee passa o microfone para Darren que agradece aos presentes e ao próprio Kam Lee, dizendo que só por causa de Lee, o Benediction conseguiu seguir a turnê. O final do show foi com “Crawling Over Corpses” e a faixa título do clássico álbum de 1995 “Dreams You Dread”, com as rodas se tornando ainda mais infernais. Que noite perfeita, protagonizadas por duas bandas clássicas, cada uma no seu estilo. O Benediction justifica a sua história e sua origem, lá no final dos anos oitenta, vindos da mesma cidade do Black Sabbath, Judas Priest e Napalm Death. Realmente a água desta cidade deve ser "benta". Que o Benediction não se arrependa e que volte mais vezes para Porto Alegre. Agradecemos a Nevoeiro Produções pelo credenciamento e ao staff gentil do Espaço Marin.