quinta-feira, 29 de outubro de 2026

EUROPE - COME THIS MADNESS (2026)

 


EUROPE
COME THIS MADNESS
Shinigami Records/Silver Lining Music - Nacional

O Europe é um raro caso de banda que tem duas vidas distintas na carreira e em ambas seguiu com sucesso e qualidade. A primeira abrange os anos de maior sucesso comercial, durante os anos 1980, com lançamentos álbuns mais que clássicos do Hard Rock, como “Final Countdown” (1986) e “Out Of This World” (1988). 

Após um hiato de doze anos, a banda retornou em 2004, com o ótimo “Start From The Dark” e a partir daí, deu sequência ininterrupta na carreira, agora focado num Hard Rock mais maduro e pesado, se aproximando e flertando bastante com o Classic Rock. O último lançamento do Europe havia sido “Walk Of The World”, no já longínquo 2017, mas agora, nove anos depois, a espera por novas músicas terminou, com o lançamento de “Come This Madness”.

"Come This Madness" é um acréscimo sólido ao catálogo do Europe. A banda mantém suas características marcantes intactas, ao mesmo tempo em que continua a fazer sua sonoridade evoluir. O álbum representa mais um capítulo interessante na longa trajetória dos suecos, equilibrando melodias cativantes com peso e intensidade suficientes para evitar que o resultado se torne previsível. Há referências claras às sonoridades das décadas de 1970 e início da de 1980, mas, nesse processo, o Europe jamais perde sua própria identidade.

Os riffs e solos de John Norum seguem um dos maiores destaques. Norum é um guitar hero de mão cheia, e demonstra isso em todas as faixas. Os teclados de Mic Micheli estão mais proeminentes, mais a frente inclusive com mais destaque, inclusive nos momentos de solos. Joey Tempest é irretocável, sua voz inconfundível e cheia de interpretação e emoção está muito em forma. A dupla formada pelo baixista John Léven e o baterista Ian Haugland mantém todo o groove e peso nas composições.

“One On One” é a abertura perfeita para esta audição, cheia de groove. “Come This Madness", a faixa título com um excelente riff de guitarra e com refrão marcante. “This Time Of Year” é a bela balada do álbum. É mais uma prova de que o Europe consegue criar densidade emocional sem precisar elevar o volume ao máximo.

Em “In a Different World”, a banda conecta, mais uma vez, suas letras à realidade que nos cerca, encontrando um equilíbrio sólido entre melodia e atmosfera. Já “Scandinavian Eyes” segue um caminho diferente. Sua abertura cinematográfica introduz uma canção profundamente enraizada na sonoridade dos anos 1970. O Deep Purple e a era clássica do hard rock servem, claramente, como referência, mas o Europe imprime personalidade suficiente ao arranjo para que a faixa se encaixe perfeitamente neste álbum. O resultado é uma composição de hard rock densa e atmosférica, que traz essa aura retrô para o presente sem soar como uma aula de história.

“Takin’ It Back” é uma daquelas faixas que agradam logo na primeira audição, mas que não deixam uma impressão tão marcante quanto outras presentes no disco. “The Angels Must Have Flown” entrega aqui o Deep Purple como principal influência, um Hard Rock com toda aquela pompa setentista. “The Devil's Back” é a mais pesada do álbum, “Nothing Can Follow This” traz mais um momento grandioso, com ares de hino. A  faixa encerra o álbum com o tipo de segurança melódica que se tornou uma das marcas registradas do Europe.

Com o lançamento de “Come This Madness”, o Europe acrescenta mais uma peça a sua bela discografia, e a espera valeu muito a pena. Que não levem mais nove anos para o próximo lançamento. Lançado no mercado nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




GRUESOME LATIN AMERICAN TOUR 2026 - 17/10/26 - BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP

 


GRUESOME LATIN AMERICAN TOUR 2026

Abertura: 
TRACHOMA
CHAOSLACE
17/10/26
BURNING HOUSE
SÃO PAULO/SP
Produção: Caveira Velha/Xaninho Discos
Assessoria: Tedesco Mídia

Texto e fotos: Mauro Antunes

A cidade de São Paulo tem recebido shows de bandas extremas a rodo, e um dos grandes nomes da mais nova leva do Death Metal internacional não poderia deixar de chegar ao Brasil, o Gruesome.

O show agendado para a casa Burning House localizada na Zona Oeste da cidade tinha tudo para ser incrível. Mesmo com outro show de outra grande banda marcada no mesmo dia, horário e até a mesma região da cidade, mostra que a cena aqui, é forte demais!

Chegamos a casa às 18:30hs e o Trachoma entrou no palco. Com pouco menos de 30 minutos de duração, o show que ainda contou com um pequeno público foi um bom aquecer de motores. O som sujo (no bom sentido!), turbinado com vários efeitos e blast beats, foi facilmente digerido por quem estava lá e algo que me chamou atenção foi a duração das músicas, com um setlist bem longo. Fiquei curioso para ouvi-los, já que não os conhecia e certamente, o farei em breve.

Um breve intervalo quando pontualmente as 19:20hs, iniciou o show do Chaoslace. Essa sim, uma pancadaria de responsa, brutalidade e adrenalina a mil por hora. A banda executou algumas músicas bem sinistras como “Manifesto Against the Pedophile Lords”, com a delicadeza típica dos guerreiros nórdicos (confira o vídeo abaixo). Uma cacetada atrás da outra, em 30 minutos de show. Valeu cada segundo, foi um grande show!

A espera para o show principal foi muito longa, quase uma hora, e isso foi desnecessário. Mas assim que Matt Harvey (vocal e guitarra), Daniel Gonzalez (guitarra), Robin Mazen (baixo) e Gus Rios (bateria) soltaram os primeiros barulhos em seus instrumentos, isso ficou pra trás, e obviamente, todos entraram no clima. Incrível como o público melhorou durante esse intervalo.


Destaques para petardos como “Trapped in Hell”, “A Darkened Window”, “Dimensions of Horror”, “Savage Land” e “Gruesome”. A banda ainda deixou na plateia aquele gostinho de “quero mais” ao tocar apenas a parte inicial de “Troops of Doom”, hino supremo do Sepultura. O encerramento com o mega clássico “Black Magic”, do Slayer, foi a cereja no bolo de um show que, creio eu, não poderia ser melhor, apesar da curta duração de apenas uma hora.

Antes das 22hs, já estávamos a caminho de casa, e ainda deu tempo de tomar uma cerveja com uns amigos que encontrei no local, transformando o rolê em algo mais divertido. Ótimo show, ótimo entretenimento, valeu muito a pena. Não seria nada mal, se eles retornassem ao Brasil no Bangers Open Air, por exemplo.


Agradecemos as produtoras Caveira Velha e Xaninho Discos, bem como à Tedesco Mídia pelo credenciamento e respeito ao trabalho do Rebel Rock.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

REBEL ROCK ENTREVISTA - EPITAPH

 


REBEL ROCK ENTREVISTA - EPITAPH

Formada em Porto Alegre (RS) no ano 2000, a EPITAPH é uma das bandas mais consistentes da cena brasileira de heavy metal tradicional. Com mais de duas décadas de estrada, o grupo acumula mais de 150 apresentações nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, consolidando sua identidade através de uma sonoridade que combina o peso clássico do metal com elementos modernos, resultando em um estilo próprio e marcante. Formada por Joe F. Louder (vocal), Marlon Steindorff (guitarra), André Carvalho "Canhoto" (guitarra), Fábio Figueiredo (baixo) e César Five (bateria), a banda lançou agora em 2026 seu segundo álbum, "Digital Screams". . Com oito faixas inéditas, o álbum reforça a identidade construída ao longo de sua trajetória, fundindo Heavy Metal, Thrash Metal e Hard Rock de forma equilibrada e autêntica. Produzido por Lucas Santorum, o disco evidencia a evolução técnica e artística dos músicos, mantendo a energia e a personalidade que sempre caracterizaram a Epitaph. Batemos um papo com o guitarrista Marlon e o baterista César sobre o mais recente trabalho e sobre a carreira do grupo. Confira!

Por Sergiomar Menezes
Fotos: Divulgação


Rebel Rock: "Digital Screams" chega com um peso impressionante, misturando elementos de Heavy Metal tradicional e Thrash Metal. Como vocês definem o processo de evolução sonora da banda desde o debute Getting Down to Business até este novo trabalho?

César: É um prazer para a Epitaph responder a esta entrevista para o Rebel Rock. Obrigado pelas palavras! Realmente, o processo de composição e evolução da banda foi longo: dezessete anos. Nesse período, enfrentamos os problemas que a maioria das bandas enfrenta, como mudanças de integrantes, definição das composições e decisão de lançar o álbum no momento apropriado. Por outro lado, tudo isso contribuiu para a qualidade do material, pois todos os que passaram pela banda, em algum momento, contribuíram para o produto final. O mais importante é que mantivemos nosso som e acrescentamos um pouco mais de modernidade ao nosso metal tradicional, sem alterar nossa proposta.

Rebel Rock: O conceito do álbum traz fortes reflexões sobre o impacto das redes sociais, a inteligência artificial e as transformações da sociedade moderna. De que maneira as angústias do século XXI influenciaram a composição das letras?

César: A Epitaph sempre colocou as letras no mesmo patamar que as músicas. Sempre buscamos mostrar, de forma inteligente, com um pouco de sarcasmo e humor, as loucuras dessa sociedade caótica em que vivemos. As letras do primeiro álbum, "Getting Down to Business", escritas a partir do início dos anos 2000, ainda se mantêm atuais, porque o mundo repete seus ciclos de guerras, perseguições etc. A diferença é que agora temos a forte influência das redes sociais e da inteligência artificial na vida das pessoas. Felizmente, contamos com um ótimo time de letristas que voltou a colaborar neste novo álbum: Dênis Winston e Gustavo Demarchi, que, além de escrever a faixa-título, também dividiu os vocais com Joe nessa música. Joe F. Louder também escreveu sua letra em homenagem à atriz Andressa Urach. O encarte do CD ajuda o ouvinte a acompanhar novamente as letras e as músicas, algo que acabou ficando esquecido nas plataformas digitais.

Rebel Rock: A faixa-título “Digital Screams” carrega um peso conceitual enorme. O que esse “grito digital” representa para vocês no contexto atual do mundo e da música?

César: Gustavo Demarchi foi certeiro na composição de "Digital Screams". Ele ouviu a música ainda na pré-produção e se ofereceu para escrever a letra, que fala sobre o domínio das redes sociais e, agora, da inteligência artificial sobre as pessoas. A música também aborda como a guerra virtual entre as pessoas, seja por questões políticas ou por qualquer outro assunto, acaba afastando e isolando indivíduos. Infelizmente, muitas pessoas abandonaram o diálogo e preferiram se fechar em suas próprias verdades. A música é excelente, tem um clima de Queensrÿche, e os vocais divididos entre Gustavo e Joe ficaram ótimos. A composição é minha e do Marlon Steindorff, e juntos fazemos um bom trabalho de composição. André também acrescentou alguns detalhes.
Temos orgulho dessa música!

Rebel Rock: O álbum conta com a produção de Lucas Santorum. Como foi a dinâmica de trabalho em estúdio com ele para alcançar essa sonoridade moderna, robusta e técnica que ouvimos no disco?

César: Quando reunimos o material para gravar, já tínhamos as pré-produções prontas, mas ainda faltava algo. Eu já havia gravado minhas baterias. A descoberta do Lucas foi primordial. Eu já estava trabalhando com ele na gravação do álbum do Volúpia, e ele entendeu que tipo de som eu queria. Na gravação da Epitaph, além de técnico, ele foi produtor, aconselhando-nos sobre detalhes das músicas, cobrando aquele take a mais e direcionando o foco da banda. Ele gravou grande parte dos vocais do Joe e todas as guitarras. Algumas partes foram gravadas com amplificadores digitais e outras com amplificadores reais, o que proporcionou o peso que queríamos. O baixo do Fábio também foi gravado muito rapidamente. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final, e o Lucas ganhou de presente o solo de introdução da música "National Guard". Estamos ansiosos para gravar com ele novamente, pois algumas músicas não entraram neste álbum.

Rebel Rock: O disco abre com “Loser’s Life” e traz faixas marcantes como “The Girl Who Loved the Dead” (que ganhou videoclipe oficial), “NationalGuard” e “Blue Cave”. Como foi a seleção dessas 8 faixas inéditas entre o material que vocês compuseram?

César: Tínhamos 12 músicas compostas, e foi difícil escolher quais entrariam no álbum. Optamos por oito, que somam 46 minutos, um tempo excelente para um disco. A ideia é gravar o material que sobrou e lançá-lo como singles ou em um EP. São músicas excelentes! Montar o repertório do CD foi difícil, mas conseguimos distribuir as faixas de uma maneira que agradou bastante às pessoas. Adorei o final com influências de Southern Rock e blues de Blue Cave, que encerra o álbum e traz esses elementos para a nossa música.


Rebel Rock: Há uma faixa homônima à banda (“Epitaph”) bem no meio do tracklist. Qual é o significado especial dessa música em termos de identidade para o grupo?

César: A ideia de ter uma música com o nome da banda é antiga. Pedimos ao Dênis que escrevesse a letra, e o resultado ficou exatamente como queríamos. Ela dá identidade à banda e é utilizada na abertura dos nossos shows. Funciona muito bem ao vivo. Um spoiler: a música terá seu videoclipe oficial, que já foi gravado e será lançado em breve!

Rebel Rock: Como funciona o processo de composição das guitarras na Epitaph? Tendo duas mentes nas seis cordas (Marlon Steindorff e André Carvalho “Canhoto”), como dividem os riffs, harmonias e solos?

Marlon: Quando o André Canhoto entrou na banda, já tínhamos praticamente 90% do álbum composto em termos de riffs. Então, trabalhamos especialmente nas harmonias para duas guitarras, nos solos dobrados e nos solos individuais de cada guitarrista, dando ao Canhoto total liberdade de composição.
Particularmente neste disco, tivemos um processo de composição bastante variado na parte instrumental.
Algumas composições, como "Epitaph", "Something Better Than God" e "Digital Screams", tiveram os riffs criados em conjunto por Marlon e César (bateria). Alguns ex-integrantes também tiveram participação importante em determinadas músicas, como Márcio Supertti em "Road of Fire", e Raul Severo em "Blue Cave".

Rebel Rock: Musicalmente, a banda bebe de fontes clássicas como Black Sabbath, Judas Priest, Saxon e Accept, mas com uma pegada atual. Como é equilibrar essa paixão pela velha escola do metal com a modernidade ?

Marlon: Exatamente! Como uma banda de Heavy Metal, temos os grandes expoentes do gênero como referências principais, mas também incorporamos uma pitada de outros estilos, como o Thrash Metal. Isso é interessante porque confere uma identidade diferente às composições. Não nos apegamos a rótulos. Às vezes, surge algo bem pesado, mas logo em seguida aparece um clima totalmente diferente, como acontece em "The Girl Who's Loved the Dead" e também em "Metal Wings", do primeiro álbum. Essa é uma das marcas da Epitaph, que conseguimos manter em nossos dois álbuns.

Rebel Rock: A banda possui mais de duas décadas de história no underground brasileiro. Olhando para trás, quais foram os maiores desafios para manter a Epitaph ativa e relevante na cena por tanto tempo?

César: O maior desafio é manter o foco, acreditar na banda e amar a música que fazemos. Infelizmente, as mudanças de músicos fazem parte da trajetória de uma banda, mas nunca houve brigas quando alguém saiu. Todos os que tocaram conosco ao longo desses anos contribuíram para as composições e fazem parte da história da Epitaph. Na minha opinião, para uma banda continuar viva, ela precisa estar fazendo shows, pois é isso que motiva e dá continuidade ao grupo. A Epitaph já fez mais de 150 shows, em ótimos locais e em outros nem tanto. Todos foram importantes para nós, pois é nos shows que encontramos nossos fãs e conquistamos novos admiradores. Sobrevivemos à pandemia e à enchente e, felizmente, continuamos na ativa, orgulhosos de nossos 26 anos de estrada.


Rebel Rock: Com o lançamento recente e os shows ao vivo — como a festa de lançamento em Porto Alegre —, quais são as expectativas da banda para levar a turnê de "Digital Screams" para outras regiões do país?

César: Nossa expectativa é sempre buscar novos shows, mas todos sabemos que a logística é complicada para uma banda independente. Todos temos famílias e empregos regulares, mas conseguimos adaptar nossas agendas pessoais para viabilizar as apresentações. Obviamente, estamos fazendo contatos para realizar shows em outras regiões, que serão anunciados oportunamente.

Rebel Rock: O mercado musical mudou drasticamente com o streaming e o consumo digital (um tema bem alinhado com o conceito do disco). Como a Epitaph lida com a divulgação e o alcance da sua música nas plataformas digitais hoje em dia?

César: As plataformas digitais estão aí e hoje são a principal forma de ouvir música. Eu, particularmente, não as utilizo. Também não abri mão de lançar o CD físico, ainda que em quantidade limitada. O CD foi lançado antes de o álbum chegar às plataformas digitais, e isso ajudou muito nas vendas, pois as pessoas não estão acostumadas com esse tipo de lançamento. Meu sonho seria ter uma tiragem em LP, mas estou muito feliz com o CD, pois ele coroou o trabalho de todos os envolvidos: a arte da capa, criada por Rômulo Dias; o trabalho gráfico, realizado por Juliana Louis; enfim, todos os profissionais que trabalharam para que um excelente material físico chegasse ao ouvinte final e pudesse ser apreciado. Não há comparação com a frieza das plataformas digitais! (risos). Conseguimos fazer com que o álbum chegasse a ouvintes da Grécia, do Japão e de alguns países da Europa, além de recebermos ótimas resenhas. Pretendemos continuar esse trabalho de divulgação. Aqui no Brasil, também estamos recebendo excelentes avaliações. Isso comprovou o que já sabíamos: tínhamos um ótimo material, que demonstrou nossa evolução como músicos e compositores.

Rebel Rock: Para os fãs de longa data e para quem está conhecendo a banda agora através de "Digital Screams", qual mensagem vocês gostariam de deixar sobre o atual momento da Epitaph e o futuro do Heavy Metal brasileiro?

César: A Epitaph já passou por várias fases do Metal. Vivemos a época em que as bandas faziam shows lotados por conta própria, enfrentamos períodos de baixa e sobrevivemos a tudo isso. Atualmente, o público do metal tradicional não se renovou muito, mas temos conquistado novos fãs que não conheciam a banda e que nem sequer eram nascidos quando começamos nossa trajetória. É importante fazer com que as novas gerações se conectem com o Metal, pois muitos ainda olham para o gênero com desconfiança, por acharem que é música de tiozões conservadores. Outro problema recorrente é a escassez de lugares que abrem espaço para a música autoral, muitas vezes oferecendo datas pouco favoráveis. Porém, temos bandas parceiras que trabalham conosco, como Sin Avenue, Fire Machine, Cãonibal e Volúpia, entre outras, que também têm seu público. A Epitaph tem produzido seus próprios shows em locais com bons equipamentos. Além disso, eu e Marlon organizamos o Metal for Pets, evento que já teve três edições realizadas, nas quais arrecadamos alimentos para cães e gatos. No ano que vem, teremos mais uma edição!

Rebel Rock: Obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os fãs e os leitores do Rebel Rock!

César: Quero agradecer à Rebel Rock pelo espaço e por sempre apoiar nosso trabalho. Também quero convidar as pessoas a seguirem nossas redes sociais e a adquirirem o CD. O apoio de vocês é muito importante, pois a Epitaph é formada por músicos que amam o Heavy Metal e fazem música de verdade.
Um grande abraço a todos!



quarta-feira, 21 de outubro de 2026

REBEL ROCK RESEARCH - BRUCE DICKINSON

 


A carreira solo de BRUCE DICKINSON É uma das trajetórias mais audaciosas e respeitadas do heavy metal, marcada por uma busca incessante por autonomia criativa e pela recusa em ficar confinado ao som de sua banda principal. Após dar os primeiros passos solo de forma descontraída e voltada ao hard rock, sua caminhada tomou contornos verdadeiramente ambiciosos a partir de meados dos anos 1990. Nesse período de transição, o vocalista mergulhou em uma fase de intensa experimentação sonora, transitando por arranjos modernos, influências alternativas e sonoridades mais cruas — um movimento que demonstrou sua incrível versatilidade vocal, sua coragem artística e a disposição de desafiar as expectativas do público tradicional. O auge de sua jornada consolidou-se quando ele redefiniu sua parceria com o produtor e guitarrista Roy Z e com o parceiro de longa data Adrian Smith, retornando com força total às raízes do heavy metal mais denso, melódico e conceitual. Essa fase de ouro entregou composições monumentais fortemente inspiradas na literatura clássica, na poesia, na alquimia e na filosofia, provando que ele conseguia rivalizar com os maiores momentos da história do gênero. Mesmo após o seu retorno ao Iron Maiden, Bruce manteve seu trabalho individual vivo, autêntico e relevante ao longo de décadas, demonstrando que sua trajetória solo é um pilar essencial de sua identidade como artista e compositor. Confira nosso ranking!

Por Sergiomar Menezes

7º - SKUNKWORKS (1996)

Esse é lugar comum entre os fãs. Em um movimento audacioso e controverso, Bruce formou uma banda completa (chamada Skunkworks) com jovens músicos e lançou um álbum homônimo que mergulhou de cabeça no grunge e no rock alternativo. Produzido por Jack Endino (famoso por trabalhar com o Nirvana e Soundgarden), o disco apresenta guitarras secas, composições curtas e diretas, com uma estética visual totalmente desvinculada do universo do heavy metal clássico. Os destaques do álbum (se é que assim podemos chamá-los) incluem "Back from the Edge", "Solar Confinement","Octavia" e "Inertia", essa última famosa por ter sido incluída numa coletânea da falecida revista ShowBizz. Embora tenha sido incompreendido por grande parte dos fãs de metal na época de seu lançamento, SKUNKWORKS pode ser visto e ouvido como um trabalho de grande coragem artística. Ainda que isso não faça dele um grande trabalho. O álbum demonstrou a versatilidade vocal de Dickinson (o que não precisava ser provado) em registros mais contidos e melancólicos, além de ter sido uma etapa fundamental para que o vocalista derrapasse na pista antes de seu triunfal retorno ao metal pesado.

6º - TYRANNY OF SOULS (2005)

Lançado seis anos após o retorno de Bruce ao Iron Maiden, TYRANNY OF SOULS provou que sua carreira solo continuava viva. Gravado nos intervalos das turnês da banda principal e composto em parceria à distância com Roy Z, o álbum mantém a pegada pesada, melódica e teatral dos dois discos anteriores, mas um pouco aquém do que era esperado. Músicas como "Abduction", "Soul Intruders", "Kill Devil Hill" e a faixa-título demonstram o domínio absoluto de Bruce sobre o heavy metal moderno. O disco combina momentos de velocidade e peso com composições de grande sensibilidade melódica, como a balada "Navegate the Seas of Sun". "Tyranny of Souls" foi recebido com entusiasmo caloroso por imprensa e público, reafirmando que o hiato prolongado não havia diminuído em (quase) nada a química perfeita entre Dickinson e Roy Z.

5º - THE MANDRAKE PROJECT

Após quase duas décadas de espera, Bruce presenteou o mundo da música com THE MANDRAKE PROJECT, um trabalho conceitualmente ambicioso, acompanhado por uma série de histórias em quadrinhos. Produzido novamente por Roy Z, o álbum mergulha em temas de ciência, ocultismo, imortalidade e poder, apresentando uma rica variedade sonoras que transita entre o heavy metal moderno, o hard rock setentista, momentos progressivos e até flertes com trilhas sonoras cinematográficas. Destaques como "Afterglow of Ragnarok", "Rain on the Graves", "Many Doors to Hell" e a grandiosa "Eternity Has Failed" (composta por Dickinson originalmente para este projeto, mas que foi reivindicada pelo patrão Harris para o álbum 'The Book of Souls', tendo sido assim, lançado primeiro no trabalho do Maiden), mostram que a voz de Bruce permanece uma força da natureza. "The Mandrake Project" é um testemunho da energia inesgotável e da visão artística de um dos maiores ícones da história do rock/metal, reafirmando seu compromisso em criar arte relevante e impactante no século XXI.

4º - BALLS TO PICASSO (1994)


Após sua saída do Iron Maiden em 1993, Bruce buscou um som mais moderno e experimental para firmar sua identidade solo. Depois de engavetar um projeto inteiro por não se sentir satisfeito, ele se uniu ao talentoso guitarrista e produtor Roy Z e à banda Tribe of Gypsies. O resultado foi BALLS TO PICASSO, um disco que mistura o peso do heavy metal tradicional com elementos de rock alternativo, ritmos latinos e uma sonoridade típica dos anos 90, destacando-se em faixas como "Cyclops", "Hell No", "1000 Points of Light", "Sacred Cowboys", "Laughing in a Hiding Bush"" e a estrondosa "Tears of the Dragon". Essa última, em especial, tornou-se uma das composições mais aclamadas e emotivas de toda a carreira de Bruce, funcionando como um hino de libertação e recomeço pessoal. Embora o álbum apresente momentos de oscilação estilística devido ao período de transição, ele marcou o início da histórica e vitoriosa parceria com Roy Z, que definiria o futuro brilhante de sua carreira solo.

3º - TATTOOED MILLIONAIRE

Lançado enquanto Bruce ainda fazia parte do Iron Maiden, TATTOOED MILLIONAIRE nasceu quase por acaso, após o convite para escrever uma música para a trilha sonora do filme "A Hora do Pesadelo 5" (pra quem não sabe, "Bring Your Daughter to the Slaughter", que entrou em 'No Prayer for the Dying' do Maiden). Em parceria com o guitarrista Janick Gers, o álbum adota uma sonoridade bem distante do metal épico do Maiden, apostando em um hard rock direto, divertido e com forte apelo radiofônico. Faixas como a própria música-título, "Born in '58" e o cover de "All the Young Dudes" (Mott the Hoople) mostram um lado mais descontraído e pessoal do vocalista. Apesar da simplicidade dos arranjos em comparação aos trabalhos de sua banda principal, o disco foi recebido com entusiasmo pelo público e alcançou bom desempenho nas paradas. "Tattooed Millionaire" serviu como a primeira demonstração de independência criativa de Dickinson, provando que sua voz marcante e sua presença podiam brilhar em universos sonoros diferentes e mais acessíveis. E se era pra fazer algo igual a Donzela, pra que carreira solo, não é mesmo?

2º - ACCIDENT OF BIRTH (1997)

Considerado por muitos um dos grandes marcos do heavy metal dos anos 90 (confesso que fiquei muito na dúvida se esse álbum não deveria ter assumido o lugar mais alto do pódio), ACCIDENT OF BIRTH marcou o retorno definitivo de Bruce Dickinson ao som pesado e melódico. Reeditando a parceria perfeita com Roy Z na produção e nas guitarras, o álbum contou ainda com o reforço de luxo do guitarrista Adrian Smith (seu ex-colega de Iron Maiden). O resultado é uma tempestade de riffs poderosos, duelos memoráveis de guitarra e vocais avassaladores em clássicos como "Road to Hell", "Darkside of Aquarius", "The Magician" e a épica faixa-título. E como não citar a "balada" "Man of Sorrows", que ganhou até uma versão em espanhol chamada "Hombre Triste"? Com a icônica arte de capa criada por Derek Riggs (o criador de Eddie), o disco foi aclamado universalmente pela crítica e pelos fãs como um dos melhores trabalhos de metal da década. "Accident of Birth" resgatou a coroa de Bruce como um dos maiores vocalistas do gênero e pavimentou o caminho para o que viria a ser uma das fases mais criativas de sua vida.

1º - THE CHEMICAL WEDDING (1998)

Se o álbum anterior havia sido um triunfo, THE CHEMICAL WEDDING elevou ainda mais o nível e a criatividade de Bruce e consagrou-se como a obra-prima absoluta da carreira solo de Bruce Dickinson. Inspirado pela poesia e pelas gravuras de William Blake, além de temas ligados à alquimia e ao ocultismo, o disco apresenta uma sonoridade sombria, densa e com afinações de guitarra extremamente graves. Faixas esmagadoras como "King in Crimson", "The Tower", "Book of Thel" e a emocionante "Jerusalem", além da fantástica "Trumpets of Jehrico", mostram um nível de composição e ambição artística raros no heavy metal. A performance vocal de Bruce é monumental, combinando agressividade, alcance e interpretações dramáticas impecáveis, sustentadas pela produção impecável e pesada de Roy Z. "The Chemical Wedding" foi tão impactante que é frequentemente comparado aos grandes momentos do próprio Iron Maiden, provando que a carreira solo de Dickinson não era apenas um projeto paralelo, mas uma força criativa gigante e autônoma.









terça-feira, 20 de outubro de 2026

THE DAMN TRUTH - THE DAMN TRUTH (2026)


 

THE DAMN TRUTH
THE DAMN TRUTH
Shinigami Records/Frontiers Music srl. - Nacional

O Canadá é um país que já nos presenteou com vários grandes nomes do Rock/Metal: Rush, Triump,. Lee Aaron, Exciter, Anvil, Brian Adams, April Wine, para citarmos alguns apenas. E é de lá que vem esta grata surpresa, o The Damn Truth. A banda foi formada em 2009, em Montreal, e atualmente conta com Lee-la Baum (vocal principal/guitarra), Tom Shemer (guitarra solo/vocal), PY Letellier (baixo/vocal) e Dave Traina (bateria/vocal).

Um desavisado pegando as fotos da banda poderá achar que é uma banda dos anos setenta, pois o visual do quarteto é totalmente influenciado pela década citada, e o som também segue esta linha, porém totalmente oxigenado e sem cheirar a naftalina.

O álbum "The Damn Truth" é uma coletânea de onze canções sólidas e muito bem executadas. A abertura com “Be Somebody”, onde somos logo fisgados pelo excelente vocal de Lee-la e pelos riffs e solos de Shemer . A quarta faixa “If I Don’t Make It Home”, é uma "power ballad" com uma pegada rock que, certamente, não vai decepcionar. “All Night Long” começa com um riff de guitarra vibrante que dá o tom desta faixa roqueira. A faixa conta com um trabalho de guitarra excepcional do início ao fim. A última música de “The Damn Truth” é “The Dying Dove”. Lee-la Baum canta e interpreta as letras de forma emocional e sincera, impossível não curtir o vocal da moça, pois ela entrega tudo e mais um pouco na sua performance e faz isso com total convicção.

Destaquei apenas quatro músicas, mas o álbum num todo é de altíssimo nível. Se você curte a onda do retrô-rock, como Rival Sons, Blue Pills, Lucifer e outros, vai curtir com certeza o álbum do The Damn Truth. Lançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy