SANCTUARY
30/08/2026
BURNING HOUSE
SÃO PAULO - SP
Produção: DARK DIMENSIONS
Assessoria de Imprensa: JZ PRESS
30/08/2026
BURNING HOUSE
SÃO PAULO - SP
Produção: DARK DIMENSIONS
Assessoria de Imprensa: JZ PRESS
Texto e fotos: Fernando Aguiar
Demorou quatro décadas, mas aconteceu. Neste domingo, 30 de agosto, o Sanctuary finalmente pisou em solo brasileiro pela primeira vez na história da banda, e escolheu a Burning House, na Água Branca, para fechar a passagem latino-americana da 40 Years of Sanctuary Tour, depois de datas no México, Peru, Chile e Argentina. E quem esperou anos para ver ao vivo os responsáveis por hinos como "Battle Angels" e "Die for My Sins" saiu de lá com a sensação de ter presenciado algo mágico.
A casa já estava tomada antes mesmo das 20h, com um público de gerações misturadas, veteranos que acompanham a banda desde o fim dos anos 80 ao lado de gente que provavelmente descobriu o Sanctuary através do Spotify. Isso por si só já diz muito sobre o peso que esse nome carrega na história do heavy metal americano, mesmo sem nunca ter alcançado o estrelato comercial de contemporâneos como o próprio Megadeth, mesmo Dave Mustaine produzindo o clássico "Refuge Denied" em 1987. Um ponto de destaque inicial à parte vai para o som da casa: a equalização estava excelente a noite inteira, um detalhe técnico que faz toda diferença numa apresentação assim e que nem sempre a gente encontra em casas menores como a Burning House.
"Arise and Purify" abriu a noite sem cerimônia, e a resposta imediata da galera deixou claro que não "teríamos um aquecimento" inicial. Teve um pequeno incidente técnico no microfone do Joseph logo no início, mas o problema foi prontamente resolvido durante a execução da primeira música, o que fez esse imprevisto do começo virar só um detalhe sem importância. “Frozen” veio na sequência mantendo o ritmo, mas foi com 'Die for My Sins', primeiro clássico da noite a ser tocado, que a Burning House explodiu de verdade: a galera entrou em êxtase total, cantando cada palavra com uma euforia contagiante, como se aquele riff sozinho já valesse os quarenta anos de espera.
É impossível falar desse show sem parar pra comentar a química entre os integrantes, que foi excepcional do início ao fim. O grande destaque da noite, pra este que vos escreve, foi o vocalista Joseph Michael. Carismático com o público desde a primeira música, ele entregou um vocal extremamente poderoso, viciante, que remete muito ao Warrel Dane do início da banda sem deixar de ter identidade própria. Que homem! Outro nome que se destacou foi o baterista Dave Budbill, membro original da banda, que desceu a mão no kit sem dó nenhuma e com uma precisão absurda a noite inteira, assim como Lenny Rutledge, o outro fundador ainda na ativa, também extremamente carismático, técnico e preciso em cima do palco, e até chegou a dividir algumas cervejas com Joseph Michael durante o show, num clima de descontração que contagiava a todos. George Hernandez no baixo e William Wallner na segunda guitarra cumpriram seus papéis com muita competência, segurando a base e reforçando os riffs sem ficarem devendo aos veteranos.
Foi com esse time entrosado que o show entrou no seu trecho mais especial da noite: o que vimos foi um bloco dedicado a "Into the Mirror Black", uma das obras-primas do heavy metal contemporâneo. "Seasons of Destruction" abriu essa sequência e já bastou pra transformar a Burning House num coro só, com a plateia cantando cada verso em uníssono. "Veil of Disguise", essa ainda do primeiro álbum "Refuge Denied", manteve o clima sem deixar a energia cair, servindo de ponte até "Future Tense", que aí sim já mergulhava de cabeça no disco de 1990, com gente de todas as idades berrando junto, de olho fechado, sem se importar com nada. "Taste Revenge" foi o ponto fora da curva desse trecho: a galera simplesmente enlouqueceu, num nível de insanidade que não tinha alcançado até ali. "Long Since Dark" manteve o patamar lá em cima, e "Epitaph" levou tudo ainda mais longe, mas foi em "The Mirror Black", faixa-título do álbum, que a coisa ficou surreal, o refrão inteiro tomou conta da casa, e por alguns segundos pareceu que quem estava no palco era só um detalhe, porque o verdadeiro show ali era feito pelo público. Um bloco de sete músicas emendadas sem parar, prova de que "Into the Mirror Black" foi o disco que mais marcou os fãs brasileiros ao longo desses quarenta anos, mesmo com o Sanctuary nunca tendo pisado aqui antes.
O momento mais inesperado da noite veio logo depois, com os covers de "Breathe", do Pink Floyd, e "White Rabbit", do Jefferson Airplane. Pode parecer um desvio estranho de percurso no meio do set, mas foi bem legal essa diversificada logo depois de um bloco inteiro cantado a plenos pulmões, foi uma pausa quase psicodélica antes de a banda voltar com tudo para o lado mais pesado do catálogo.
E aí veio "Battle Angels". Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre o motivo de tanta expectativa em torno desse show, ela acabou ali, porque foi provavelmente o momento mais insano da noite inteira, brigando de igual pra igual com o próprio bloco de "Into the Mirror Black" pelo título. A galera foi à loucura total desde o primeiro riff, pulando e gritando cada palavra junto com o Joseph. Foi, sem dúvida nenhuma, uma das faixas mais celebradas do repertório da banda.
Um dos pontos mais interessantes da noite foi ver como "Not of the Living", o single novo lançado em abril e a primeira música inédita em doze anos, se encaixou muito bem entre os clássicos. Ela soa como uma banda que ainda tem muita lenha pra queimar e entregar material de relevância e extrema qualidade, o que é uma excelente notícia pra quem está na expectativa pelo próximo álbum, já batizado de "Transmutation".
O encerramento do set principal ficou com "The Year the Sun Died", fechando com o álbum do retorno de 2014, antes do bis com "Soldiers of Steel" aumentando a energia mais uma vez para mandar todo mundo pra casa com aquele ar de imensa satisfação.
Fica difícil resumir em poucas linhas o que foi assistir a uma banda com essa história tocando pela primeira vez por aqui. Depois de quatro décadas, mudanças de formação, uma pausa de quase vinte anos e a perda de uma de suas vozes mais importantes do heavy metal, ver o Sanctuary na ativa chutando bundas, tocando com essa intensidade e ainda produzindo material novo relevante, é motivo de sobra para comemorar. Espero que não sejam mais quarenta anos até a próxima vez.

.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)

.jpeg)






.webp)
