PENTAGRAM
Abertura: PESTA e ESPECTRO
29/03/2025
Basement Cultural - Curitiba/PR
Produção: POWERLINE
Assessoria de Imprensa: TEDESCO COMUNICAÇÃO & MÍDIA
Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Capeletti Peres
Existe um velho ditado, batido e surrado que diz: “A justiça tarda, mas não falha!”. E esta frase pode muito bem ser aplicada ao momento atual do Pentagram. Formada em 1971, a banda passou décadas na obscuridade, muito por conta do comportamento errático (pra dizer o mínimo) do seu mentor, o vocalista e figuraça maluquete, Bob Liebling. Sempre envolvido em problemas com substâncias ilegais e vícios em todo o tipo de drogas, Liebling acabou colocando obstáculos enormes na carreira do grupo.
Acontece que na última década, logo após o documentário “Last Days Here”, o Pentagram conseguiu um certo destaque, e com isso, manter-se presentes em Festivais de Rock e Metal, lançando alguns (ótimos) álbuns e uma certa regularidade em sua formação. E agora em 2025, um "meme” onde mostra Bob Liebling num momento “hipnótico” viralizou, muitos riram e foram buscar nas redes pra ver de quem se tratava, e descobriram o Pentagram, e ao descobrir que se tratava de uma banda de verdade, descobriram se tratar de uma excelente banda e precursora do Doom Metal. O resultado? O Pentagram angariou mais de cem mil novos seguidores. Mesmo que por vias tortas, o grupo está recebendo o reconhecimento que há tanto tempo merecia ter.
Estamos então na bela cidade de Curitiba, para ver o Pentagram de perto. O Local escolhido foi o Basement Cultural e uma ótima surpresa ao chegar, foi saber que o evento estava “Sold Out”. Todos os ingressos foram vendidos e não havia mais como comprar na hora do evento. Fãs de várias cidades do Brasil se faziam presentes: Fortaleza ,Cascavel, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Cuiabá, Salvador. Seria uma celebração Doom.
E a banda que se encarregou de abrir os trabalhos foi a banda curitibana Espectro. E que bandaça!!! Liderada pelo vocalista Reinaldo, a banda entrou no palco as 19h40 e detonou seu setlist por quarenta minutos. Seu Heavy/Stoner Rock é empolgante e muito forte, com riffs pesadíssimos agradando ao público que já se fazia em grande número, dando um ótimo exemplo: entre cedo sempre aos eventos e prestigie as bandas de abertura, geralmente artistas underground da sua cidade, e com qualidade acima da média , como no caso do Espectro. Reinaldo agradeceu a receptividade citou a felicidade de estar no palco, abrindo o show da banda que o Espectro começou fazendo covers: Pentagram. Por volta das 20h20, o Espectro encerra a sua participação, com a certeza do dever (muito bem) cumprido, e mais: conquistaram vários fãs, incluso este aqui que está escrevendo.

Após um curto espaço de tempo, a segunda banda inicia seu espetáculo: os mineiros do Pesta. A sonoridade é aquela esperada e que amamos: Stoner rock/Doom Metal, totalmente indicado para fãs de Trouble, Saint Vitus, e óbvio, Black Sabbath. Músicas como “Black Death” e "Words Of a Madman” são certeiras, pesadas e com clima sombrio e fantasmagóricos. A banda tem 10 anos de estrada e o entrosamento do quarteto evidencia muita experiência. O vocalista Thiago Cruz, é um show a parte, seja pelo seu potente vocal, carisma e performance, que lembra uma mescla de Ronnie James Dio e Steven Tyler. O Show do Pesta durou também cerca de quarenta minutos e tal qual o Espectro, foram ovacionados ao final da sua apresentação. Sim, fiquei fã do Pesta também. Vou deixar aqui uma dica de ouro: conheça estas duas bandas, são excelentes. Vida longa ao Espectro e ao Pesta!

21h30 e é chegada a hora e os 3 escudeiros de Bob Liebling entram no palco: Tony Reed (guitarra – da banda Mos Generator ), Scooter Haslip (baixo – também da banda Mos Generator) e Henry Vasquez (bateria ex-Sayint Vitus). Após alguns segundos, inicia o "ritual” com “Live Again”, enquanto a lenda surge sob aplausos e gritos da platéia. Bob Liebling estava entre nós.
Sua performance é energética e teatral, por vezes cômica, mas é inegável a sua competência vocal e carisma. Com um bom aspecto físico, brincava com a platéia, fazia mil e uma caretas e dava alegria a todos que esperavam que ele recriasse o seu agora famoso meme.
A esta altura o Basement Cultural estava abarrotado de gente, e aqui começaram alguns problemas: O banheiro masculino teve problema de entupimento (“parabéns” aos amiguinhos que colocaram papel higiênico nos mictórios), mas o pior foi realmente o calor insuportável, que fez muitas pessoas procurarem ar fora do Basement. Não sei se o problema foi o ar condicionado estragado ou a falta dele, mas o fato de que você ter que sair pra rua por conta do calor e não acompanhar o show é lamentável.
Enquanto isso, no palco, o Pentagram “derretia”( no bom sentido) seu show. Clássicos como “The Ghoul”, “I Spoke To Death”, “Sign Of The Wolf” foram executados em um nível de perfeição que fez justiça ás versões originais de estúdio. Alguns problemas técnicos ocorreram no palco, mas mesmo com estes pequenos percalços, Bob Liebling não perdeu o bom humor, conversando e brincando com a plateia e os seus colegas, aguardando enquanto tudo era solucionado.
“Walk The Sociopath” encerrou o set list, com mais uma performance ímpar de Bob. A banda faz o tradicional “final falso” e se retira do palco, e sob os gritos de “Pentagram!! Pentagram!” e “ one more song” retornam ao palco poucos instantes depois para detonar A mais que clássica “Forever My Queen”, cantada e plenos pulmões pelo Basement Cultural lotado. ”20 Buck Spin” encerra a celebração do Pentagram e a banda se despede e se retira sob acalorada saudação dos presentes.
Uma noite excelente, tanto para público como para as bandas. Que o Pentagram possa voltar mais vezes ao Brasil, e que Bob Liebling possa, finalmente, curtir o reconhecimento à sua obra, mesmo que este reconhecimento tenho chegado com décadas de atraso. Agradecemos a produtora Powerline pelo credenciamento, ao staff do Basement Cultural pela gentileza.