terça-feira, 1 de abril de 2025

DIMMU BORGIR - SPIRITUAL BLACK DIMENSIONS (1999/2024) - RELANÇAMENTO

 


DIMMU BORGIR
SPIRITUAL BLACK DIMENSIONS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Manter o reinado do Black Metal mundial foi tarefa árdua para os noruegueses do Dimmu Borgir, a banda precisava manter o alto nível em termos de composição e musicalidade.

De pronto a capa ,“The Wounded Angel”, do artista finlandês Hugo Simberg, já entrega uma egrégora mais sinistra e até mística por parte da temática da obra, que apresenta sons mais complexos e brutais em perfeita simetria com a melodia característica dos caras, contando com a produção do mestre Peter Tagtgren no Abyss Studios, que mais uma vez acertou em cheio no resultado final.

A primeira faixa “Reptile“ já cativa o ouvinte com um clima bem hipnótico, sendo um dos destaques do álbum, “Behind the Curtains of Night- Phantasmagoria” é uma pedrada veloz e certeira, destaque a parte ao baterista Tjoldav desde a introdução inicial a levada rápida e insana.

Faixas como as excelentes “Dreamside Dominions” , “The Promised Future Aeons” e a icônica “The Insight and the Catharsis” evocam arranjos mais sinfônicos e de grande inspiração da dupla Silenoz e Astennu nas guitarras, bem como em “The Blazing Monoliths of Defiance” mais cadenciada, e na introspectiva “Grotesquery Conceiled (Within Measureless Magic)”.

O opus se encerra em grande estilo com a climática e marcante “Arcane Lifeforce Mysteria“, trazendo um clima ainda mais apocalíptico, com seus momentos de melancolia e caos. É inegável o quanto a banda cresceu em termos de composição e sonoridade. Um grande ponto a se observar é a participação com vocais limpos de ICS Vortex (Arcturus, Borknagar) em faixas como essa última, “Reptile” e “The Insight….” , complementando aos vocais de Shagrath, que a essa altura já era considerado um grande vocalista e frontman do metal mundial. Outra informação interessante é que se trata da despedida de três membros desse line up, o baterista Tjoldav, o baixista Nagash (que assina três faixas) e o guitarrista Astennu.

Um grande marco na carreira da banda que vinha numa crescente em sua trajetória. E com o fator tempo, veio a se tornar mais um clássico aclamado por sua cada vez maior horda de fãs no mundo inteiro.

Gustavo Jardim





KISS – OFF OF THE SOUNDBOARD - LIVE IN SAN ANTONIO, TEXAS - DECEMBER 3, 1985

 


KISS 
OFF OF THE SOUNDBOARD - LIVE IN SAN ANTONIO, TEXAS - DECEMBER 3, 1985
Universal Music - Importado

Dando sequência a série de lançamentos batizada de “ Off Of the Soundboard”, o KISS lança agora um show de uma das tours menos exploradas da história da banda: ”Live in San Antonio, Texas - December 3, 1985” registra um show da Tour do álbum Asylum de 1985, Tour esta que ainda não havia sido documentada em nenhum dos seus álbuns ou vídeos lançados.

Como o nome sugere, “Off Of The Soundboard é a série de álbuns ao vivo sem nenhum “overdub”, e aqui temos o KISS nos anos oitenta, rejuvenescido, seguindo as tendências da década. Alguns detalhes são bem interessantes nessa fase do grupo. Uma delas é um Paul Stanley querendo ser um “Bad Boy” nas falas com a plateia, soltando vários “f*cks” isso e “f*cks” aquilo, tentando ser um Vince Neil, Dee Snider ou Blackie Lawless, e definitivamente não convencendo.

As faixas clássicas, como “Detroit Rock City”, “Cold Gin” e “Love Gun” se tornam mais “metal”, ligeiramente mais rápidas que as originais. O grande destaque é a batera avassaladora do Eric Carr (que saudade), pesadíssima, cheia de bumbos duplos e viradas sensacionais que eram a característica principal do “baixinho”. Esta é a segunda turnê de Bruce Kulick, e aqui ele já está bem mais solto e brilhando nos solos. Paul Stanley, na minha opinião está no auge do seu poder como vocalista, e Gene Simmons, se não era tão espetacular como na fase “mascarada”, segura muito bem a onda como baixista e vocalista. As músicas da fase “Creatures/Animalyze” tocam fogo no set list, como “War Machine”, “Under The Gun” e “ Fits Like Glove”. Do álbum Asylum, temos apenas “Uh All Night!”.

Item obrigatório para os fãs “die hard” da banda mais quente do mundo. A série “Off Of The Soundboard” tem entregado o que promete, “bootlegs” oficiais com uma ótima qualidade de som, dando ideia da grandiosidade dos shows do KISS, nas suas diversas fases.

José Henrique Godoy




segunda-feira, 31 de março de 2025

PENTAGRAM - BASEMENT CULTURAL - 29/03/2025 - CURITIBA/PR


 

PENTAGRAM
Abertura: PESTA e ESPECTRO
29/03/2025
Basement Cultural - Curitiba/PR
Produção: POWERLINE
Assessoria de Imprensa: TEDESCO COMUNICAÇÃO & MÍDIA

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Capeletti Peres

Existe um velho ditado, batido e surrado que diz: “A justiça tarda, mas não falha!”. E esta frase pode muito bem ser aplicada ao momento atual do Pentagram. Formada em 1971, a banda passou décadas na obscuridade, muito por conta do comportamento errático (pra dizer o mínimo) do seu mentor, o vocalista e figuraça maluquete, Bob Liebling. Sempre envolvido em problemas com substâncias ilegais e vícios em todo o tipo de drogas, Liebling acabou colocando obstáculos enormes na carreira do grupo.

Acontece que na última década, logo após o documentário “Last Days Here”, o Pentagram conseguiu um certo destaque, e com isso, manter-se presentes em Festivais de Rock e Metal, lançando alguns (ótimos) álbuns e uma certa regularidade em sua formação. E agora em 2025, um "meme” onde mostra Bob Liebling num momento “hipnótico” viralizou, muitos riram e foram buscar nas redes pra ver de quem se tratava, e descobriram o Pentagram, e ao descobrir que se tratava de uma banda de verdade, descobriram se tratar de uma excelente banda e precursora do Doom Metal. O resultado? O Pentagram angariou mais de cem mil novos seguidores. Mesmo que por vias tortas, o grupo está recebendo o reconhecimento que há tanto tempo merecia ter.

Estamos então na bela cidade de Curitiba, para ver o Pentagram de perto. O Local escolhido foi o Basement Cultural e uma ótima surpresa ao chegar, foi saber que o evento estava “Sold Out”. Todos os ingressos foram vendidos e não havia mais como comprar na hora do evento. Fãs de várias cidades do Brasil se faziam presentes: Fortaleza ,Cascavel, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Cuiabá, Salvador. Seria uma celebração Doom.

E a banda que se encarregou de abrir os trabalhos foi a banda curitibana Espectro. E que bandaça!!! Liderada pelo vocalista Reinaldo, a banda entrou no palco as 19h40 e detonou seu setlist por quarenta minutos. Seu Heavy/Stoner Rock é empolgante e muito forte, com riffs pesadíssimos agradando ao público que já se fazia em grande número, dando um ótimo exemplo: entre cedo sempre aos eventos e prestigie as bandas de abertura, geralmente artistas underground da sua cidade, e com qualidade acima da média , como no caso do Espectro. Reinaldo agradeceu a receptividade citou a felicidade de estar no palco, abrindo o show da banda que o Espectro começou fazendo covers: Pentagram. Por volta das 20h20, o Espectro encerra a sua participação, com a certeza do dever (muito bem) cumprido, e mais: conquistaram vários fãs, incluso este aqui que está escrevendo.


Após um curto espaço de tempo, a segunda banda inicia seu espetáculo: os mineiros do Pesta. A sonoridade é aquela esperada e que amamos: Stoner rock/Doom Metal, totalmente indicado para fãs de Trouble, Saint Vitus, e óbvio, Black Sabbath. Músicas como “Black Death” e "Words Of a Madman” são certeiras, pesadas e com clima sombrio e fantasmagóricos. A banda tem 10 anos de estrada e o entrosamento do quarteto evidencia muita experiência. O vocalista Thiago Cruz, é um show a parte, seja pelo seu potente vocal, carisma e performance, que lembra uma mescla de Ronnie James Dio e Steven Tyler. O Show do Pesta durou também cerca de quarenta minutos e tal qual o Espectro, foram ovacionados ao final da sua apresentação. Sim, fiquei fã do Pesta também. Vou deixar aqui uma dica de ouro: conheça estas duas bandas, são excelentes. Vida longa ao Espectro e ao Pesta!


21h30 e é chegada a hora e os 3 escudeiros de Bob Liebling entram no palco: Tony Reed (guitarra – da banda Mos Generator ), Scooter Haslip (baixo – também da banda Mos Generator) e Henry Vasquez (bateria ex-Sayint Vitus). Após alguns segundos, inicia o "ritual” com “Live Again”, enquanto a lenda surge sob aplausos e gritos da platéia. Bob Liebling estava entre nós.

Sua performance é energética e teatral, por vezes cômica, mas é inegável a sua competência vocal e carisma. Com um bom aspecto físico, brincava com a platéia, fazia mil e uma caretas e dava alegria a todos que esperavam que ele recriasse o seu agora famoso meme.

A esta altura o Basement Cultural estava abarrotado de gente, e aqui começaram alguns problemas: O banheiro masculino teve problema de entupimento (“parabéns” aos amiguinhos que colocaram papel higiênico nos mictórios), mas o pior foi realmente o calor insuportável, que fez muitas pessoas procurarem ar fora do Basement. Não sei se o problema foi o ar condicionado estragado ou a falta dele, mas o fato de que você ter que sair pra rua por conta do calor e não acompanhar o show é lamentável.

Enquanto isso, no palco, o Pentagram “derretia”( no bom sentido) seu show. Clássicos como “The Ghoul”, “I Spoke To Death”, “Sign Of The Wolf” foram executados em um nível de perfeição que fez justiça ás versões originais de estúdio. Alguns problemas técnicos ocorreram no palco, mas mesmo com estes pequenos percalços, Bob Liebling não perdeu o bom humor, conversando e brincando com a plateia e os seus colegas, aguardando enquanto tudo era solucionado.


“Walk The Sociopath” encerrou o set list, com mais uma performance ímpar de Bob. A banda faz o tradicional “final falso” e se retira do palco, e sob os gritos de “Pentagram!! Pentagram!” e “ one more song” retornam ao palco poucos instantes depois para detonar A mais que clássica “Forever My Queen”, cantada e plenos pulmões pelo Basement Cultural lotado. ”20 Buck Spin” encerra a celebração do Pentagram e a banda se despede e se retira sob acalorada saudação dos presentes.


Uma noite excelente, tanto para público como para as bandas. Que o Pentagram possa voltar mais vezes ao Brasil, e que Bob Liebling possa, finalmente, curtir o reconhecimento à sua obra, mesmo que este reconhecimento tenho chegado com décadas de atraso. Agradecemos a produtora Powerline pelo credenciamento, ao staff do Basement Cultural pela gentileza.






OVERFUZZ - TRÊS (2025)

 


OVERFUZZ
TRÊS
Independente - Nacional

O trio OVERFUZZ, banda de Goiânia, celebra agora em 2025 seus 15 anos de história e para comemorar, lança seu terceiro álbum, sintomaticamente intitulado TRÊS. Além disso, uma mudança bastante significativa acontece aqui: o grupo abandona as letras em inglês e abraça definitivamente o português como língua para suas letras. Assim, o trio acredita que tem mais liberdade para compôr, ainda que suas principais características tenham se mantido, trazendo um rock alternativo forte, mas com o aporte de influências mais variadas. Se  você procura por uma banda autoral independe que tenha personalidade, está diante de uma que pode te agradar.

Mario Nacife (vocal e baixo), Brunno Veiga (vocal e guitarra) e Victor César Rocha (vocal e bateria), formam um power trio que faz um rock com presença, atitude e energia em suas apresentações. Formado em 2010, o grupo goiano tem um público consolidado em todo o Brasil, que engloba fãs de diferentes estilos e gerações. TRÊS foi gravado por Gustavo Vazquez, no Rocklab Produções Fonográficas, tendo sido produzido por  Rodrigo Andrade (Coruja Estúdio) e também Gustavo Vazquez, que se encarregou da mixagem e masterização. A produção executiva ficou por conta de João Pedro Barbosa e a capa foi obra de Gabriel Lada (Plano B), lembrando um pouco aquelas capas das bandas alternativas dos anos 90.

"Montanha Russa" abre o álbum num clima introspectivo, ganhando ritmo e velocidade e, dentro dos limites da banda, uma boa dose de peso, entregues pela cozinha formada por Mario e Victor César. Boas linhas de guitarra e alternância de vocais , por vezes limpos e em alguns momentos mais rasgados, mostram a diversidade do trio. No entanto, "Telas" traz uma veia pop mais acentuada, ainda que traga um belo trabalho de baixo e bateria novamente. Interessante notar que a produção, soube dosar os instrumentos de forma que ganha a guitarra precisa se destacar, ela não fica sozinha, com os três músicos exercendo suas funções de forma igualitária. Uma pitada daquele rock alternativo dos anos 90 surge forte em "Sonho Americano", os backing vocals entram com mais força no refrão, criando ótimas melodias vocais. Já "O Olho que Tudo Vê" tem guitarras que lembram um pouco os Pixies, e aqui, acredito que se a letra fosse em inglês, o resultado seria melhor.

"Overdose" tem linhas de baixo, com aquela sonoridade "gorda", enquanto o vocal acaba destoando um pouco aqui, pois acredito que uma maior intensidade traria um melhor resultado. Aquela pegada mais alternativa ressurge em "Ilusão", e a troca de vocal aqui foi correta. Aliás, esse é um ponto que a banda poderia aperfeiçoar, uma vez que os três integrantes cantam. De repente fixar um que se encaixe melhor pode trazer melhores resultados, como é o caso dessa faixa. Já "Hei de Correr" é a m ais pop de todas, com boa melodia e um solo simples, mas bem eficiente. O álbum fecha com "O Rock Morreu", que traz peso, distorção e uma letra bastante reflexiva sobre seu título. Cabe a reflexão...

O OVERFUZZ em seu terceiro álbum de estúdio traz faixas interessantes, com ótima produção e alguns pequenos detalhes que podem trazer melhorias ao grupo. No entanto, TRÊS é um trabalho que vale a audição e também, serve para que se conheça uma das inúmeras boas bandas do nosso cenário independente.

Sergiomar Menezes




SIEGRID INGRID - MASSACRE IN LORENA (2024)

 


SIEGRID INGRID
MASSACRE IN LORENA
Independente - Nacional

O que esperar de um álbum ao vivo de uma das bandas mais brutais e agressivas do cenário nacional? Um verdadeiro MASSACRE, não é mesmo? E com o perdão deste trocadilho infame, o que o SIEGRID INGRID nos presenteia com este MASSACRE IN LORENA, gravado ao vivo em 2024, é um verdadeiro apanhado de músicas rápidas, pesadas, violentas e sensacionais! Resgatando faixas de toda sua carreira, desde o início dos anos 90 até os dias atuais, o grupo liderado por M. Punk, mostra que o Brasil é um dos países sede quando se trata de metal extremo. Se você não morou neste planeta nos últimos 30 anos ou ainda duvida dessa afirmação, escute esse álbum e tenha coragem de discordar!

Formado pelo já citado M. Punk (vocal), André Gubber (guitarra), Luiz Berenguer (baixo) e Romulo Minduim (bateria) o quarteto gravou o show realizado em 14 de novembro do ano passado, durante a turnê de divulgação do excelente "Back From Hell" (2023) e, apesar deste ao vivo não estar nos planos iniciais da banda, a energia e a atmosfera vibrante durante os shows fez com que o grupo decidisse transformar aquele momento em um registro histórico. Totalmente sem cortes ou edições, o álbum celebra e registra a autenticidade, peso e a brutalidade de seu repertório, marcando de vez sua vitoriosa trajetória. A produção, mixagem e masterização ficaram a cargo de Martin Pent, enquanto a arte da capa, assinada por Artur Fontenelle, traduz visualmente a agressividade e a essência sombria do álbum.


Ainda que o álbum mantenha uma regularidade acima da média, por se tratar de uma espécie de retrospectiva, algumas faixas acabaram se destacando de forma mais consistente. É o caso de "Murder", pedrada na orelha que abre o trabalho em grande e brutal estilo! M. Punk consegue jogar sua voz de gutural mais grave ao mais rasgado de forma efetiva, entregando a faixa toda a agressividade que dela emana. Assim como em "Nojo" e "Forces", essa última, um verdadeiro pesadelo em forma de música. Podemos destacar ainda faixas como "Never Again", rápida e mortal, "Templo dos Vermes", uma das melhores faixas de "Back From Hell", assim como "Drásticas Consequências", e suas guitarras insanas. Pra fechar "Enéas", absurdamente grindocre e "Suicide", pesada, veloz e brutal, como o metal extremo deve ser.

MASSACRE IN LORENA coroa a trajetória do SIEGRID INGRID com seu primeiro álbum ao vivo. Não há dúvidas que o grupo (assim como muitos outros da nossa aldeia) merecem um maior destaque e reconhecimento, seja da mídia, seja dos fãs. Quem sabe não é esse o momento de virar esse jogo?

Sergiomar Menezes