segunda-feira, 31 de agosto de 2026

BEHEMOTH - THE APOSTASY (2007/2026) RELANÇAMENTO

 


BEHEMOTH
THE APOSTASY
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

The Apostasy” é o oitavo álbum da besta-fera polonesa que atende pelo nome de Behemoth. Lançado no já distante ano de 2007, o álbum é um dos clássicos da discografia do Behemoth. pois trata-se de um marco técnico e intenso no estilo “Blackned-Death Metal".

Sendo o lançamento seguinte a outro clássico, “Demigod” (2004), “The Apostasy” é pura fúria. Uma enxurrada de blast beats ultra-rápidos providos pelo batera Inferno e riffs de Thrash Metal, junto a temática sombria criam camadas infernais de pura blasfêmia e brutalidade.

Os vocais de Nergal estão perfeitos aqui, bem como riffs e solos dele e de Seth, tornando todas as faixas, poderosas. Garra, poder e técnica, dominam todas as faixas, do início ao fim, não dando trégua e nem descanso ao ouvinte. Não há a mínima chance de ficar entediado durante a audição de “The Apostasy”. Em um trabalho tão acima da média, fica difícil destacar alguma música, pois o álbum é irrepreensível do inicio ao fim, porém deixo destacado aqui “Inner Sanctum”, por suas variações e climas, incluindo pianos e coros, mas também por contar com a participação do saudoso Warrel Dane (Nevermore/Sanctuary), nos backing vocals.

The Apostasy” é um clássico indiscutível, e um dos pontos mais brilhantes da carreira do Behemoth. Relançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




IMMOLATION - DESCENT (2026)



IMMOLATION
DESCENT
Shimigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A grande lenda está de volta. São quase quatro décadas de velha escola, e desde seu debut álbum “Dawn of Possession” de 1991, os novaiorquinos sempre se mantiveram íntegros em sua discografia, nos brindando com gemas do estilo como poderia citar igualmente “Here in After” (1996), “Close to a World Below” (2000) e “Atonement” (2017), e nesse seu novo opus, denominado “Descent”, posso dizer que a banda reafirma que é uma das maiores e mais importantes do estilo, não só por manter a qualidade mas principalmente por não abdicar de sua essência.

Logo de cara com “These Vengeful Winds” já percebemos a sintonia perfeita entre riffs cortantes e harmonias dissonantes e sombrias, com a já conhecida precisão e técnica que dita o estilo peculiar da banda, e uma violência que ainda se assevera na segunda faixa, “The Ephemeral Curse”, onde blast beats rolam de forma natural e se moldam às composições que se alternam entre cadência e velocidade. “God’s Last Breath” é realmente desoladora, inicia mais lenta, obscura e tem uma crescente matadora de brutalidade, balizando um caminho mórbido até “Adversary”, uma faixa com cara de clássico onde é notável o nível de entrosamento dos caras, especialmente o belo trabalho de guitarras de Alex Bouks e o mentor Robert Vigna, contando com a produção de um clipe oficial caótico.

“Atrition”, outra faixa interessante, traz um destaque a precisão do baterista Steve Shalaty, viradas impressionantes e brutalidade sem firulas, firmando cada vez mais seu estilo inconfundível na história da banda. “Bend Towards the Dark” é outra que virou clip oficial (essa última trinca de faixas, na verdade) e é grande destaque, trazendo ao ouvinte uma boa dose de caos e harmonias insanas. O baixista e vocalista Ross Dolan, outro mentor fundamental da história da banda, soa agressivo e marcante. A sétima faixa, “Host”, apresenta uma levada inicial tribal bem interessante, e vai encontrando as harmonias perturbadoras ao longo do caminho, e conta com participação de Dany Lilker (S.O.D./ Anthrax/ Nuclear Assault), bem como na próxima e mais direta ao ponto “False Ascent”, mais agressiva e voltando à brutalidade em sua forma mais crua, um dos destaques. Finalizando, a perturbadora e bela instrumental “Banished” abre portas para o último lamento em “Descent”, uma faixa típica do que é o Immolation, caótico e brutal simplesmente, na melhor concepção do que é historicamente a identidade da banda.

As composições apresentadas em seus pouco mais de quarenta minutos levam ao ouvinte sensações de total inquietude, o conceito de “queda” é bastante explorado, mostrando uma humanidade absorvida em falsos dogmas e auto destruição, em um conceito apocalíptico em que os caras se provaram mestres, disco após disco, com sua atmosfera densa e sombria. A arte da capa traduz um pouco essa abordagem, de autoria de Eliran Kantor, responsável por ilustrar horror e beleza em bandas como Testament, My Dying Bride e Cavalera, traduz agonia e dor na figura de um anjo caindo e sendo despedaçado. Não há esperança.

Um grande marco para a banda e um dos melhores álbuns já feitos pelos caras, na minha opinião, mas só o tempo o ratificará como clássico. Saindo aqui pra nosso deleite pela Shinigami Records em uma parceria com a Nuclear Blast, e altamente recomendável pra quem curte o metal da morte.

Gustavo Jardim




BIG BIG TRAIN - WOODCUT (2026)

 


BIG BIG TRAIN
WOODCUT
Shinigami Records/Inside Out Music - Nacional

O grupo inglês de Rock Progressivo Big Big Train chega a 2026, lançando seu décimo sexto álbum de estúdio, o já aclamado “Woodcut”. Para quem não conhece o Big Big Train, a banda executa o progressivo clássico, com muita influência dos dinossauros setentistas do estilo Prog. “Woodcut” é um álbum conceitual, e nos seus setenta minutos de duração, conta a trajetória de um entalhador desiludido, personagem batizado apenas como “O Artista” que enfrenta dificuldades criativas antes de produzir uma xilogravura que parece ganhar vida. Liricamente a estória é bastante interessante.

“Woodcut” é o segundo álbum a contar com o vocalista Alberto Bravin, que também toma conta da produção do álbum. Aliás, produção essa que é destaque, pois é cristalina, como sempre se espera de um álbum de Rock Progressivo. Musicalmente todos os músicos são excelentes, com destaque para o batera Nick D´Virgillio, na banda desde 2009, e que gravou o último álbum do Mr. Big, “Ten (2024). Como “highlights” em “Woodcut”, cito a abertura instrumental “Inkwell Black”, "The Artist", cheia de nuances e camadas, a faixa de sonoridade mais sombria "The Sharpest Blade" e o grandioso épico de encerramento "Last Stand".

Woodcut” é um ótimo álbum para os apreciadores do Rock Progressivo clássico. Fãs de Yes, Jethro Tull, Genesis, e Van Der Graff Generator se sentirão representados e muito satisfeitos com este álbum. E o melhor, lançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




sexta-feira, 28 de agosto de 2026

METAL CHURCH - GENERATION NOTHING (2013/2025) RELANÇAMENTO

 


METAL CHURCH
GENERATION NOTHING
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Lançado em 2013, GENERATION NOTHING chegou em um momento curioso da trajetória do METAL CHURCH. Após anunciarem o fim das atividades em 2009, a instituição do heavy/thrash americano liderada pelo por Kurdt Vanderhoof retornou da breve aposentadoria movida por uma urgência renovada. Este décimo álbum de estúdio consolida a última fase do vocalista Ronny Munroe à frente da banda, apostando em uma sonoridade que tenta equilibrar o peso tradicional da velha guarda com texturas um pouco mais diretas.

Ainda que a banda tenha se dissolvido em 2009, a formação que se reuniu para gravar o presente tranbalho foi a mesma de "This Present Wasteland": Ronny Munroe (vocal), o mastermind Kurdt Vanderhoof (guitarra), Rick Van Zandt (guitarra), Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria), e assim, se criou uma atmosfera intencionalmente crua que remete aos anos 80, funcionando como um esforço consciente de Vanderhoof para reconectar a banda às suas origens em álbuns como o homônimo de 1984 e "The Dark".

O disco abre com a combustão de “Bullet Proof” e “Dead City”, duas faixas que exibem o DNA clássico do grupo: riffs funcionais, uma cozinha pesada e entrosada — impulsionada pela bateria precisa de Jeff Plate — e o timbre rasgado de Munroe. Músicas como “Scream” entregam momentos de puro thrash metal enérgico, enquanto faixas do miolo do disco, a exemplo de “Suiciety” e “Hits Keep Comin’”, dialogam diretamente com a herança técnica e grooveada que o grupo lapidou nos anos 90 com "The Human Factor".

O grande "senão" do ábum" reside em suas ambições um tanto quanto progressivas. É o caso de “Noises in the Wall”, uma faixa de nove minutos que se desenvolve através de escalas e uma forte densidade instrumental, exigindo mais do ouvinte. O encerramento com “The Media Horse” reforça essa postura analítica, trazendo críticas sociais ácidas embaladas em um heavy metal cadenciado.

Embora divida opiniões entre os fãs mais saudosistas, GENERATION NOTHING se sustenta como um manifesto de sobrevivência criativa. É um trabalho honesto que prova que, mesmo diante das intempéries da indústria e das idas e vindas, o METAL CHURCH continuava sua saga em prol do Heavy Metal.

Sergiomar Menezes




METAL CHURCH - THIS PRESENT WASTELAND (2008/2025) RELANÇAMENTO


 

METAL CHURCH
THIS PRESENT WASTELAND
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Dois anos após "A Light in the Dark", THIS PRESENT WASTELAND, nono álbum de estúdio do METAL CHUERCH, veio para ocupar um lugar de interessante transição na discografia do grupo. Carregando a responsabilidade de manter a chama acesa para um dos pilares mais consistentes do cruzamento entre o heavy e o thrash metal americano, o álbum trouxe a estreia de um novo guitarrista e mostrou ao mundo que a banda seguia firme em sua trajetória.

Mantendo praticamente a mesma formação do trabalho anterior, qual seja, Ronny Munroe (vocal), Kurdt Vanderhoof (guitarra) Rick Van Zandt, Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria), fica evidente que a banda não está tentando reinventar a roda, mas sim dominar o território que construiu ao longo de décadas. Gravado no The English Channel Studio, o álbum apresenta uma banda madura, afiada e profundamente conectada às suas raízes, com Vanderhoof conduzindo a produção. Como escrito lá atrás, o disco também introduziu o guitarrista Rick Van Zandt, que trouxe nova energia ao grupo.

O álbum abre com The Company of Sorrows, uma faixa que já entrega o cartão de visitas clássico do grupo: riffs encorpados de Kurdt Vanderhoof, uma cozinha rítmica intensa e a interpretação agressiva de Munroe. O peso ganha texturas robustas em momentos como “Perfect Crime” e “Deeds of a Dead Soul”, onde a urgência do thrash tradicional se funde com a robustez melódica do heavy metal dos anos 80. "Monster" e a "Crawling to Extinction"” revelam uma faceta quase soturna do Metal Church, apostando em arranjos e atmosferas mais densos que dão profundidade ao disco, quebrando o ritmo puramente acelerado e exigindo uma audição mais atenta.

Embora muitas vezes fique na sombra de clássicos intocáveis dos anos 80 ou do peso da era Mike Howe, THIS PRESENT WASTELAND é um retrato sólido de uma banda que se recusava a soar obsoleta. É um trabalho honesto, tecnicamente afiado e que reafirma a habilidade de Kurdt Vanderhoof em manter a relevância do METAL CHURCH entregando riffs marcantes e uma atmosfera implacável de heavy metal sem concessões.

Sergiomar Menezes