terça-feira, 15 de setembro de 2026

EXUMER - DARK MASK MESSIAH (2026)

 


EXUMER
DARK MASK MESSIAH
Shinigami Records/Metal Blade Records - Nacional

O EXUMER nunca precisou ocupar o topo do Teutonic Big Four para provar seu valor. Mas Death Mask Messiah chega com a força de um tiro de canhão devastando uma trincheira sem qualquer aviso. Sete anos depois de Hostile Defiance, a instituição alemã do Thrash Metal retorna reenergizada, furiosa e com disposição para transformar cada segundo deste álbum em uma nova pancada — ou, possivelmente, na melhor máquina de destroçar pescoços de 2026.

Existe uma conexão evidente com a essência que tornou Possessed by Fire um clássico, mas Death Mask Messiah não tenta simplesmente reproduzir o passado. O EXUMER pega aquela velha agressividade, acrescenta décadas de experiência e entrega tudo com uma execução moderna, precisa e impiedosa. É Thrash Metal rápido na medida certa, mas suficientemente dinâmico para não transformar velocidade em monotonia.

A produção entrega sujeira e peso, enquanto a nova cozinha, com Alex Voß no baixo e Jerome Reil na bateria, mostra serviço desde os primeiros minutos. Reil não economiza nos ataques e ajuda a empurrar as músicas para frente, enquanto o baixo dá sustentação ao paredão de guitarras formado por Ray Mensh e Marc Bräutigam.

A faixa-título não perde um segundo. O riff já chega cortando e estabelece o tom do álbum: agressividade, velocidade e aquela tensão típica do jeitão Thrash alemão. “Blinding Skies” mantém o ataque e mostra que a abertura não é exceção. A banda acelera, freia, volta a acelerar e constrói mudanças suficientes para manter o ouvinte preso à música.

“Eradication” e “Allocated Savagery” acrescentam uma veia Crossover que deixa o material ainda mais nervoso. “Serpent” traz uma pegada que, em determinados momentos, remete ao Exodus, enquanto “Scorcher” aposta em gritos coletivos e uma sequência de solos que aumenta ainda mais a temperatura. Já “Fratricide” mostra o outro lado do EXUMER: riffs mais pesados, secos e esmagadores, provando que a banda também sabe destruir sem precisar correr o tempo inteiro.

E essa é uma das virtudes do álbum. A velocidade não existe apenas para mostrar que os caras ainda conseguem tocar rápido. Ela serve às músicas. Os riffs são construídos para avançar, os vocais entram como golpes e a bateria mantém tudo em movimento, mas sempre existe um refrão ou uma passagem capaz de segurar a atenção.

Mem v. Stein continua sendo uma das grandes armas do EXUMER. Há uma mistura de urgência e violência em sua interpretação que combina perfeitamente com o instrumental alucinado das onze faixas. E, felizmente, Death Mask Messiah não é apenas uma coleção de pancadas. É possível terminar o álbum e ainda estar com algumas dessas passagens rodando na cabeça — o tipo de sequência de golpes que praticamente não dá espaço para respirar.

“Frozen Ground” encerra o material inédito mantendo a pressão até o último instante, antes de “Unchained Angel”, do Nasty Savage, fechar o trabalho como uma escolha certeira. É uma maneira perfeita de reafirmar as raízes sem transformar o álbum em uma peça de museu.

O EXUMER ainda está com fome.

E Death Mask Messiah é a prova de que essa fome continua sendo perigosa.

William Ribas




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