RUTHLESS
CURSE OF THE BEAST
Shinigami Records/Fireflash Records - Nacional
CURSE OF THE BEAST
Shinigami Records/Fireflash Records - Nacional
Há dois anos conheci o Ruthless quando resenhei “The Fallen”, disco que fez a banda ressurgir após alguns bons anos de hiato. Após o silêncio ser cortado pelo riff inicial da faixa-título, passei a gostar da banda. Pois bem, estava curioso para este novo trabalho — e mantive o Ruthless no radar nesse período.
Formada nos anos 80, é óbvio que não teremos novidades. Não existe nada atual, nada moderno — a única e exclusiva intenção em “Curse Of The Beast” é fazer Heavy Metal à moda antiga. E, sinceramente, ainda bem.
Depois da breve intro “The Blood Moon”, a faixa-título entra como se alguém tivesse simplesmente aberto a porta de um galpão e soltado uma avalanche de riffs. É pesado, direto e cheio daquela energia que faz você imediatamente aumentar o volume. Não existe aqui a preocupação em transformar cada música em alguma experiência conceitual. O negócio é tocar Metal.
O Ruthless conhece perfeitamente a escola de onde veio. “Raging Violence” tem peso suficiente para agradar quem gosta de uma pegada mais agressiva, enquanto “Berserker” é daquelas músicas que parecem ter sido compostas com uma finalidade bastante específica: fazer o sujeito bater cabeça. Já “Suffocating Fear” apresenta uma dinâmica interessante, começando de maneira mais cadenciada e crescendo a cada nota.
Se existe uma coisa que me ganhou definitivamente neste disco, são as guitarras. Glen Paul e David Servantez parecem ter combinado que não existe espaço para economia quando o assunto é guitarra. Os riffs são pesados, os solos aparecem com frequência e as harmonizações estão espalhadas pelo álbum.Sabe quando duas guitarras fazem aquela velha conversa em harmonia que tanto amamos nos “velhos” álbuns do Judas Priest, Iron Maiden e Accept? A dupla entrega isso com maestria.
“Blood Coalition” engana por exatos 30 segundos. De possível balada para uma pedrada. Direta, potente e cheia de quebras. “Sign Of The Cross” é outro daqueles momentos em que a banda mostra sua capacidade de trabalhar com diferentes velocidades sem perder a identidade. “Killed By Fate”, por outro lado, vem mais para o ataque e mantém aquela sensação de que o álbum nunca realmente pisa no freio.
E existe uma coisa que também ajuda muito: o disco não fica tentando transformar cada faixa em um épico de oito minutos. A temática também não poderia ser mais adequada. Horror, guerra, sangue, caos, ocultismo... Às vezes, uma boa história de terror, um riff sinistro e um vocal rasgado já são capazes de nos fazer felizes.
São 12 músicas, pouco mais de 50 minutos, e a coisa anda. Quando você se dá conta, já está chegando ao final com “Metal Gods”. Fazendo o “simples”, sem mexer no sagrado, o Ruthless “paga” um belíssimo tributo ao Judas Priest e fecha de maneira certeira seu quinto álbum de estúdio.
E talvez seja justamente essa a melhor definição para “Curse Of The Beast”: não é um disco preocupado em reinventar o Heavy Metal. É o básico bem feito — o tal “menos é mais”.
Ouça!
William Ribas


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