segunda-feira, 14 de setembro de 2026

MAIDENHEAD - MAXIMUM CLONAGE (2026)

 


MAIDENHEAD
MAXIMUM CLONAGE
Metal Devastation - Importado

Eu tenho uma certa felicidade por bandas que chegam sem pedir licença. Você abre o e-mail, vê uma banda que provavelmente não conhece, dá aquela olhada rápida na capa e pensa: “vamos ver o que esses malucos estão fazendo”. Cinco minutos depois, você está tentando entender por que diabos ainda não tinha ouvido falar deles.

Antes de tudo, ler MAIDENHEAD me fez pensar que estaria diante de algo bem próximo do Iron Maiden. “Ah, essa banda deve fazer algo na linha de Killers, segundo álbum da Donzela de Ferro.” Foi mais ou menos isso que passou pela minha cabeça. Só que, assim que apertei o play, “Enter The Killing Floor” começou e um ar de suspense tomou conta. Aí veio a faixa-título e derrubou qualquer ideia de semelhança com os britânicos.

O que temos aqui é thrash metal com uma dose generosa de death metal, sem qualquer preocupação em suavizar as arestas. A banda entra rápido no assunto e praticamente não perde tempo com apresentações. “Maximum Clonage” já deixa isso evidente, enquanto “False Masked Hero” coloca uma das melhores cartas da banda na mesa.

Os vocais são daqueles que imediatamente dão uma identidade ao disco. Em vez de simplesmente acompanhar os instrumentos, Zeping “Bella” Song acrescenta uma personalidade própria às músicas. Em “False Masked Hero”, especialmente, sua interpretação transforma a faixa em algo ainda mais ameaçador, enquanto “Magia Obscura” mostra uma abordagem diferente, acompanhando o clima mais sombrio da composição.

Maximum Clonage é o segundo álbum dos caras e, apesar de independente, não tem exatamente aquela cara de banda que resolveu gravar um disco no quarto. Pelo contrário. Tem gente bastante conhecida envolvida aqui, incluindo dois guitarristas que já passaram pelo Megadeth: Chris Poland, em “Kill Or Be Killed”, e Glen Drover, em “False Masked Hero”. Além deles, Rich Gray, do Annihilator, participa do baixo em boa parte do material.

Mas ainda bem que o MAIDENHEAD consegue jogar sozinho.

As guitarras de Zack Roberts e Vance Simmons têm bastante a dizer, mas o mérito está menos em mostrar serviço e mais na maneira como os riffs são encaixados. A dupla traz aquela escola de thrash americano em que a música pode mudar de direção sem precisar anunciar a curva com antecedência. Há um sabor de Megadeth em determinados momentos, principalmente na maneira como os riffs se movimentam, mas o MAIDENHEAD não passa o disco inteiro tentando imitar ninguém.

“Death March” segue por outro caminho. A faixa tem uma sensação quase mecânica, como se estivesse avançando em linha reta e arrastando tudo junto. “Kill Or Be Killed” merece atenção especial também, não apenas pela música em si, mas pela presença de Chris Poland. É sempre curioso ouvir um músico associado a uma determinada fase do Megadeth aparecendo em um trabalho tão distante daquela banda. E, felizmente, o solo não parece uma participação colocada ali apenas para enfeitar o encarte.

O álbum fica bastante curioso quando chegamos a “Hasta La Proxima” — A música começa com uma guitarra limpa, criando um espaço que praticamente inexistente até aquele momento. Eu sei que serviu com um fechamento,. E justamente por isso a faixa acaba mostrando uma possibilidade que o disco poderia explorar mais: contraste.

São aproximadamente trinta minutos. E, sinceramente? Obrigado. Maximum Clonage cumpre muito bem sua função. É curto e direto, e isso basta!

MAIDENHEAD talvez ainda seja um nome novo para muita gente. Depois deste disco, pelo menos para mim, deixou de ser.

William Ribas




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