segunda-feira, 14 de setembro de 2026

CRIMSON GLORY - CHASING THE HYDRA (2026)

 


CRIMSON GLORY
CHASING THE HYDRA
BraveWords - Importado

Sempre que ouço, vejo ou leio o nome da banda Crimson Glory, volto a 1988, quando via nas revistas importadas da época, o anúncio do álbum “Transcendence”. Naquela época de dificuldades em encontrar material importado, consegui uma gravação em fita do álbum, cerca de um ano depois, e foi amor a primeira ouvida.

“Transcendence” me remetia ao Queensrÿche, banda que gostava muito, porém com mais peso e agressividade, mas com um toque progressivo. Os riffs e solos de guitarras junto a voz incrível do saudoso vocalista Midnight (falecido em 2009), tornaram “Transcendence” um clássico do U.S. Metal oitentista.

O álbum seguinte, “Strange and Beautiful” (1991) foi uma tentativa de atingir o grande público com uma sonoridade mais Hard Rock, fugindo totalmente do som clássico do Crimson Glory, e falhando miseravelmente, levando a dissolução da banda logo a seguir, e dando início a retornos e dissoluções ao longo dos anos. Neste período lançaram “Astronomica”(1999), sem muito destaque, e fizeram várias alterações na formação da banda, uma delas tendo Todd LaTorre (atual Queensrÿche) como seu vocalista.

Em 2023, a banda retorna definitivamente, com três membros originais: Jeff Lords (baixo), Dana Burnell (bateria) e Ben Jackson (guitarra). Completam a formação o guitarrista Mark Borgmeyer e o vocalista Travis Wills. E agora em 2026, o Crimson Glory nos apresenta seu quinto álbum, “Chasing the Hydra”, seu primeiro álbum de estúdio em 27 anos – um lançamento que poucos fãs de metal realmente esperavam acontecer, mas que ao ser ouvido, faz o tempo aguardado ter valido a pena.

Logo no inicio da primeira audição, é possível notar que o clássico som do Crimson Glory está de volta e com força. E não há nada de nostalgia piegas aqui, e sim, a verificação de uma interpretação contemporânea do som característico do Crimson Glory. O álbum começa com "Redden the Sun", uma faixa poderosa e energética que mistura estruturas progressivas com a intensidade clássica do U.S.Metal. É uma introdução forte e promissora. Em contraste, "Broken Together" começa com violão acústico, construindo gradualmente uma composição de seis minutos que mostra a amplitude musical da banda. A interpretação emotiva de Wills, remete a um dos elementos clássicos da banda.

"Angel in My Nightmare" segue um caminho semelhante, destacando-se como uma das melhores faixas do álbum ao unir com sucesso melodia, complexidade e peso emocional. "Indelible Ashes" ecoa a sua “banda irmã mais velha”, o Queensrÿche, e "Armor Against Fate" explora arranjos intricados. Por outro lado, temos a mais pesada e direta "Pearls of Dust”, outro destaque.

O álbum termina com “Triskaideka”, uma composição sombria e cheia de camadas que faz jus ao seu título enigmático. Sua complexidade e estruturas com muitas variações exigem várias audições para realmente apreciar a profundidade de suas melodias e arranjos. Uma faixa simplesmente fantástica. O Crimson Glory está de volta e com toda a força. Um dos lançamentos do ano de 2026.

José Henrique Godoy




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