ANTHRAX
CURSUM PERFICIO
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
CURSUM PERFICIO
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
O ANTHRAX completa 45 anos de carreira em 2026. Uma banda que nunca teve medo de inovar, ultrapassar limites e muito menos, se preocupar com o que os outros falariam sobre sua música. Provas disso? "I'm the Man", "Startin up a Posse", "Bring the Noise", "Black Dahlia" são exemplos práticos e diretos disso. No entanto, por mais que em alguns momentos o grupo tenha tido queda de popularidade (até mesmo de qualidade), sempre manteve sua personalidade. E isso não é nem um pouco diferente do que encontramos em CURSUM PERFICIO (Minha Jornada Termina Aqui), lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Temos neste trabalho, tudo que sempre esteve presente nos trabalhos do Anthrax: guitarras nervosas (cortesia de Scott Ian, a melhor mão direita do thrash metal americano), vocais por ora melódicos, por ora intensos e viscerais, baixo pulsante e dinâmico e uma bateria que sendo uma das mais injustiçadas do metal. Ou seja, se por um acaso, este for o último álbum da banda, ele terminará no melhor estilo ANTHRAX de ser.
Joey Belladona (vocal) o já citado Scott Ian (guitarra), Jonathan Donais (guitarra), Frank Bello (baixo) e o monstro Charlie Benante (bateria), mergulharam de cabeça na gravação do álbum durante 2022, trabalhando no Studio 606 do Dave Grohl em Los Angeles. Junto ao produtor Jay Ruston, a banda produziu um trabalho intenso, agressivo e ch3eio de energia. Segundo Benante, "houve um crescimento enorme entre 'Worship Music' de 2011 e 'Cursum Perficio' ". Sobre o título do álbum, ele deixou a questão no ar: "Eu estava assistindo a um documentário sobre Marilyn Monroe e vi ‘Cursum Perficio’ escrito em um azulejo na última casa dela. Quando descobri o que a frase significava, fez sentido para mim imediatamente. Não estamos dizendo que este é nosso último disco, mas nossa jornada chegou ao fim. Eu acredito que completamos o trabalho.” Ou seja, podemos esperar por mais álbuns da banda? Ao escutarmos as 11 faixas presentes aqui, fica nítido que o grupo tem, AINDA, muita lenha pra queimar!
"Persistence of Memory" é uma pequena intro que antecede "The Long Goodbye", onde logo de cara, os riffs de Scott Ian nos garantem o peso e a pegada característica do Anthrax. Mais próxima das composições da era John Bush, a cozinha composta pela família Bello/Benante nos garante o peso e energia necessários e indicam que o caminho que trilharemos será imprevisível. Como o grupo sempre gostou de fazer. "It's For the Kids", primeira faixa disponibilizada pela banda, é aquela típica faixa "anthraxiana": baixo e bateria marcados, riffs diretos e Belladona mostrando que apesar da idade, segue sendo um dos maiores vocalistas do metal americano (se acham que eu estou exagerando, comparem os vocais dele em "State of Euphoria", de 1988 e os de agora). Refrão viciante, daqueles que a gente sai cantando logo após a primeira audição, e uma veia "oitentista bem atual" garantem a diversão. E se a faixa anterior, era tipicamente Anthrax, o que dizer de "Everybody's Got a Plan"? De certa forma, uma volta ao passado, relembrando a nostalgia dos anos 80, mas sem soar datado ou até mesmo melancólico. Então chegamos a "The Edge of Perfection", a faixa que criou polêmicas e algumas discussões logo após ser lançada. Com seus sete minutos de duração e detentora de um video muito legal, a música é daquelas coisas desafiadoras que só o Anthrax consegue fazer. Blast-beats, teclados, passagens que beiram o black metal sinfônico, outras que nos trazem momentos mais comerciais, na opinião deste que vos escreve, a faixa é um dos grandes destaques do álbum! Acreditam que alguns amigos chegaram a afirmar que essa música não tinha nada de metal??? Refrão grandioso, épico e com uma grande performance de Belladona, estamos diante de uma das composições masi "difíceis" da carreira do grupo.
Riffs cadenciados nos guiam em "Infectious", outro ótimo momento, carregado de peso e energia. A sintonia que Scott e Jonathan Donais criaram se confirma em momentos como esse, onde as guitarras são a força motriz, enquanto a cozinha se encarrega (como sempre) de garantir o peso e a consistência necessários à composição. Mas, sem dúvidas, a melhor faixa do álbum é "NYC 93". Que música foda! Anthrax sendo o melhor Anthrax possível! Se essa música estivesse em "Among the Living", "State of Euphoria" ou "We've Come For You All", seria considerada um clássico, algo que, tenho certeza, ela logo logo, será. Escute e me diga se estou errado. "Cursum Perficio", faixa-título, traz consigo os momentos mais recentes da banda, carregando as características de "For All Kings", onde o lado mais "moderno" do Anthrax aparece de forma mais consistente. Uma boa faixa, mas vindo depois de "NYC 93", acaba perdendo um pouco do brilho. O peso mais intenso retorna em "T.O.M.B.", com destaque para o monstro Charlie Benante. O que esse cara toca não é brincadeira! E ainda assim, é pouco citado como um dos melhores bateristas do metal mundial. Vai entender!? A aula de bateria e peso segue em "Watch it Go". Cadenciada, densa e cheia de peso, a faixa mostra aquilo que disse lá no começo da resenha: Scott Ian é a melhor mão direita do metal, não há como negar! O álbum encerra com "My Victory", uma faixa que resgata, mais uma vez, a pegada característica do Anthrax. Forte, intensa e dona de riffs técnicos e precisos, é um belo encerramento para um álbum que mantém acesa a chama da música do grupo.
Não, o ANTHRAX não gravou um novo "Among The Living". Nem mesmo um novo "We've Come For You All". Até porque a banda já gravou esses discos e não precisa ficar se autoplagiando. A verdade é que ao manter sua personalidade e essência, o grupo acabou por lançar mais um grande trabalho, digno de sua discografia. CURSUM PERFICIO, pode não ser o último álbum da banda (e assim espero), mas se assim quiser o destino, o final dessa trajetória é mais do que merecedor de aplausos.
Sergiomar Menezes


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