ACCEPT
TEUTONIC TITANS 1976 - 2026
Napalm Records - Importado
TEUTONIC TITANS 1976 - 2026
Napalm Records - Importado
Para marcar seus 50 anos de carreira, o Accept fugiu do óbvio pacote de grandes sucessos remasterizado e lançou, em 4 de setembro pela Napalm Records, o "Teutonic Titans 1976-2026". São 19 clássicos regravados com a participação de 50 músicos convidados, um para cada ano de existência da banda, sob o comando de Wolf Hoffmann, que puxa a guitarra em praticamente todas as faixas, com Mark Tornillo segurando o vocal como fio condutor na maior parte do disco. Um fato curioso neste lançamento ficou conta da curadoria do repertório, que cobre apenas o período de 1980 a 1989, ou seja, as fases com Udo Dirkschneider e, em "Eat the Heat", David Reece nos vocais. Fica de fora tanto a estreia de 1979 quanto qualquer faixa da era Tornillo, que já dura mais de 15 anos, o que causa certa estranheza.
Dito isso, é dentro desse recorte específico que o disco funciona muito bem. Logo de cara, "Fast as a Shark" entrega o recado com Phil Anselmo mandando muito bem no vocal e Kirk Hammett arrasando no solo, enquanto Mikkey Dee e Billy Sheehan seguram uma cozinha daquelas, à altura de um dos riffs mais velozes da carreira da banda. Em seguida vem "Balls to the Wall", e aqui Wolf acerta em cheio ao colocar Rob Halford no maior clássico do Accept: o Metal God canta do seu próprio jeito, sem tentar imitar o Udo, e ainda assim entrega uma das participações mais marcantes do disco.
O meio do álbum concentra algumas das minhas faixas favoritas da carreira da banda, e é justamente aí que o disco mais brilha. "Aiming High" ganha uma excelente performance de Chuck Billy dividindo os vocais com Mark, com Gary Holt e David Ellefson completando o time, um som que honestamente deveria aparecer mais nos shows da banda. "Run If You Can" é, sem dúvida, um dos pontos altos do disco inteiro: Todd La Torre destrói em cima de uma das minhas músicas favoritas do Accept, dividindo os vocais com Mark, que canta junto com os convidados em praticamente todas as faixas. E "Metal Heart" ganha uma introdução linda de violino elétrico, com Dino Jelusick (uma grata surpresa, um dos melhores vocalistas da atualidade) dividindo os vocais com Mark e Joel Hoekstra somando guitarra com Wolf.
Tem ainda uma surpresa que merece destaque à parte: "Hellhammer", tirada justamente de "Eat the Heat", disco de 1989 injustamente execrado por boa parte do fandom (não por mim, que sempre gostei bastante desse trabalho mais hard rock da banda). A releitura da faixa é excelente e ajuda a resgatar o prestígio de um álbum que merece mais respeito do que costuma receber.
A sequência de clássicos segue forte com "Losers and Winners", perfeitamente dividida entre Mark, Wolf e os convidados, e "Save Us", elevada pela interpretação sempre teatral de Tobias Forge, que parece ter nascido pra cantar essa música. "Up to the Limit" traz John Bush, um dos vocalistas mais injustiçados e menos reconhecidos do metal, numa participação de peso, e "Wrong is Right" ganha uma bela contribuição de Ralf Scheepers dividindo vocais com Mark. "Starlight" e "Fight It Back" seguem a mesma toada de execução impecável, sem grandes sustos, mas também sem deixar a peteca cair. "Breaker" mantém o nível com a participação de Girish Pradhan, e "Demon's Night" ganha uma combinação e tanto entre Bobby Blitz e Mark. Já "T.V. War", faixa quase esquecida no repertório da banda, prova nessa regravação que é tão boa quanto os grandes clássicos, mérito também da escolha certeira dos convidados.
Nem tudo funciona, porém. "Love Child" é a escolha mais estranha e menos esperada do álbum: Billy Corgan no vocal deixa a música com menos força e poder do que o clássico pede, ainda mais tratando-se de uma das faixas mais queridas da banda. "London Leatherboys", com Sebastian Bach, e "Monsterman", com Jeff Scott Soto (um dos meus vocalistas favoritos de todos os tempos, que fique claro), também não encaixam tão bem quanto o resto do disco. Não que fiquem ruins, longe disso, mas simplesmente não soam tão "Accept" quanto as demais regravações.
O encerramento fica por conta de "Restless and Wild", com K.K. Downing dividindo guitarra com Wolf numa dupla e tanto, fechando o disco com chave de ouro num dos maiores clássicos da carreira da banda.
No saldo geral, "Teutonic Titans 1976-2026" acerta muito mais do que erra. É um disco que resgata clássicos menos lembrados, reforça o peso das faixas mais queridas e celebra com brilho cinco décadas de carreira. Fica, no entanto, a sensação de uma comemoração pela metade: ao se limitar às fases Udo e David Reece, o disco ignora completamente a era Tornillo, que já responde por mais tempo de banda do que muita gente lembra, e deixa de fora até o próprio Udo (mesmo que todos saibam do obvio), cuja voz é a marca registrada de praticamente tudo que está sendo celebrado aqui.
Fernando Aguiar


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