quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

FREEDOM - FREEDOM (2023)


FREEDOM - FREEDOM (2023)
Independente - Importado

Suécia, amada Suécia! A terra prometida para os fãs de rock e metal do todo o planeta sempre nos apresentando excelentes bandas, seja do rock n' roll mais básico ao mais extremo black/death metal. O FREEDOM é mais uma grata surpresa vinda de Estocolmo.

O trio formado no verão europeu de 2020, em meio a “era da peste do Covid”, tem como integrantes Magnus Berglund (vocais & guitarra), Janne Ruuska (bateria) e Magnus Lavér (baixo). A sonoridade e estética da banda é totalmente calcada no rock setentista, porém com uma pegada mais para Bruce Springsteen do que para Black Sabbath. Calma, eu explico a seguir.

A estreia do Freedom  com este álbum, na realidade é uma mistura de influências, que vão de Ramones a Led Zepellin, passando por Tom Petty and Heartbreakers  sem falar naquelas canções setentistas mais calmas, que as vezes escutamos nas rádios rock sem saber quem é a banda e o cantor, mas que quando descobrimos, queremos ir atrás da discografia do artista.

Do início com “Streets Belong to Us”, uma batida punk (pero no mucho), passando por “ Breathe” (se essa aqui não lembra o “The Boss” Springsteen, e é por isso a citação acima) - eu permitirei a você que lê a me chamar de louco - e chegando as mais rockeiras como “ Leather Jacket “e “Time of My Life” (não, não é cover da trilha sonora), com explícitas citações aos Hellacopters, outra grande influência notada aqui, a audição deste cd se torna extremamente agradável.

Enfim, o Freedom foi a banda convidada pelo já citado Hellacopters para abrir a turnê do seu trabalho mais recente “Eyes of Oblivion” e ao ouvir esta estreia é possível notar que o convite foi merecido e o futuro reservará coisas grandes para o FREEDOM.

José Henrique Godoy





terça-feira, 6 de dezembro de 2022

LUCIFER - 03/12/2022 - FABRIQUE CLUB - SÃO PAULO/SP

 


LUCIFER
Local: Fabrique Club - São Paulo SP
Abertura: Mattilha e GrindHouse Hotel
Texto e fotos: José Henrique Godoy

“O primeiro show a gente nunca esquece”. Essa frase “surrupiada” e parafraseada de um antigo comercial de lingerie da TV brasileira serve para a primeira apresentação da banda LUCIFER em território nacional. Liderados pela vocalista alemã Johanna Sadonis, o Lucifer entregou na note do Sábado, 3 de dezembro, uma apresentação empolgante e magistral.

Após as apresentações das boas bandas de abertura MATTILHA e GRINDHOUSE HOTEL, uma projeção com o nome LUCIFER começou a brilhar em vermelho ao fundo do palco, em uma clara referência a apresentação de ELVIS PRESLEY naquele clássico especial de 1968 para a TV americana. Um por um, os integrantes entram no palco e iniciam com a sensacional “Ghosts” do terceiro álbum da banda, para um Fabrique Club já completamente lotado.

Logo nos primeiros instantes, o magnetismo de Johanna toma conta do espetáculo: Beleza, carisma, e a aura de tranquilidade de uma legitima rockstar, digna dos grandes que não aparecem toda a hora (muito menos nos dias de hoje). Os afiados guitarristas Martin Nordin e Linus Björklund não ficam atrás e dão seu brilho a cada nota executada, escoltados por Harald Göthblad, um baixista discreto e coeso. A bateria forte e marcante do músico mais conhecido da banda, Nicke Anderson, ex baterista do Entombed, e guitarrista, vocalista e líder do Hellacopters complementa o time. Nicke quase não se deixa perceber, assumindo um papel de coadjuvante de luxo, e apenas se contém a agradecer e acenar discretamente a cada grito do seu nome


O Lucifer vai despejando petardo após petardo, passeando por toda a discografia e nos presenteando com músicas que são cantadas em uníssono pels presentes. Destaques? Impossível indicar, mas as “preferidas da casa”: “Crucifix (I Burn for You”), “Wild Hearses”, “Leather Demon”, “Mausoleum”, “Cemetery Eyes” e a belíssima balada “Dreamer” tocaram fundo nos incontáveis fãs que estavam extasiados por ver essa fantástica banda pela primeira vez.

O Lucifer é capaz de captar todo o clima setentista, porém com um ar de novidade, onde mescla seu “occult rock” com hard rock, rock clássico, e inclusive algumas passagens doom.

Como tudo que é bom tem que acabar, a banda finaliza o set, agradecem, e fazem a manjada “saída falsa” do palco. Poucos instantes após, retornam e detonam a pesadíssima “California Son” do segundo album e finalizam com “Reaper on your Heels”. A banda se despede e sai do palco, e nos PA S é possível ouvir a canção “ Soundtrack Suite”, de Krzysztof Komeda, mais conhecida como a satânica canção de ninar, trilha sonora da obra prima de Roman Polanski “O bebê de Rosemary”.

Como a própria Johanna Sadonis falou, “O Brasil pediu e nós estamos aqui”. E nós esperamos que a próxima vinda do Lucifer não demore a ocorrer e que seja uma tour para várias cidades. Os “Anjos Caídos” brasileiros vão agradecer e aguardar com ansiedade.










sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

LOUD SOLUTION - THROWBACK (2022)

 


LOUD SOLUTION - THROWBACK (2022)
Lions Pride Music - Importado

As origens dos Chilenos do LOUD SOLUTION são do início da década 2010, em Santiago, e o que este quarteto tem a nos apresentar é o melhor e mais cativante Hard Rock /AOR, aquele mesmo padrão cheio de melodia que nos remete ao melhor do estilo consagrado na década de 1980.

Formada pelo guitarrista Ignacio Ruíz, o LOUD SOLUTION passou por diversas alterações de formação durante a última década.,mas  no início de 2020 fixou o line-up com Boris Cid (a.k.a. Boris Seeder), nos vocais e baixo, Ignacio Ruiz (a.k.a. Nixx Crimson), guitarra e vocais de apoio, Cristóbal Morales (a.k.a. Chris), na guitarra e Claudio Morales (a.k.a. Sir Vincent), na bateria e vocais de apoio.

O trabalho abre com a poderosa “These times” que além de uma excelente faixa de abertura, apresenta o cartão de visitas do o Loud Solution, guitarras vigorosas e vocal imponente, com uma cozinha coesa e que dá grande força e suporte para as canções.

Hora com grandes riffs, hora com uma base sólida amparada por teclados muito bem encaixados, o trabalho se transforma numa surpreendente e muito agradável audição. Demais destaques ficariam com as faixas “Love & Faith”, “Face to Face” a belíssima balada “Amid my Heart”, cheia de alma e com aquele feeling “ Whitesnakezistíco” que todo hard rocker que se preza curte numa “música lenta” (como diziam os antigos).

Para todo aquele apreciador do Hard Rock melódico, este com certeza é um lançamento que merece uma audição caprichada e uma atenção especial. Vale a pena conhecer e adquirir. Excelente!

José Henrique Godoy





quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

OSSOS - CONTOS DE NECROTÉRIO (2022)

 


OSSOS - CONTOS DE NECROTÉRIO
True Metal Records - Nacional

A Serra Gaúcha é conhecida pelas suas belas paisagens, ótima gastronomia e vinhos que são reconhecidos como os melhores do país. No entanto, não apenas de cenários espetaculares e cultura italiana vive esta região do Rio Grande do Sul. O mais puro crossover entre o Thrash e o Hardcore também está muito bem representado. E a prova concreta disso é CONTOS DE NECROTÉRIO, novo trabalho do OSSOS, quinteto que está prestes a completar 25 anos de estrada. Numa mistura mais que bem dosada entre o peso do Thrash metal e a velocidade do Hardcore, o grupo apresenta um trabalho coeso e numa pegada visceral, cantando em português, criando um clima que por diversas vezes beira a insanidade.

Formada por Pezzi (vocais), Tio Craito (guitarra), Guga (guitarra), Caverna (baixo) e Killer (bateria) a banda é uma das mais longevas do Rio Garnde do Sul, tendo sido criada em 1998 em Caxias do Sul. Ainda que a cidade seja bastante conhecida pelo frio, o som do OSSOS põe pra derreter qualquer clima gélido que possa estar presente durante a audição do trabalho. Ainda que ao ouvirmos o grupo, o Ratos de Porão seja uma das referências mais diretas a se destacar, o quinteto tem personalidade e tem mais peso nas guitarras, cortesia da dupla Craito e Guga, que se revezam em riffs ríspidos inspirados em Destruction, G.B.H, Exodus, Discharge, entre outros. A capa lembra aqueles HQ's de terror e é um dos destaques do álbum. 

O CD abre com "Cadáver", pesada e com uma levada tipicamente Thrash, a faixa tem uma levada de guitarra palhetada, o que deixa tudo mais pesado, enquanto Pezzi vocifera seus versos de forma agressiva e violenta. Na sequência, a faixa título possui uma pegada mais HC, mas nem por isso esquece do peso nas guitarras. A cozinha composta por Caverna e Killer não fica atrás, num ótimo entrosamento baixo/bateria. O álbum traz uma faixa cantada em inglês, a curta e veloz "Eternal Hell", que funciona como um ótimo exercício antiestresse, desde que você afaste os móveis ou qualquer outro item que possa vir a quebrar que esteja a sua volta quando estiver ouvindo a própria. Uma sirene de ataque de guerra nos prepara para "Exército Morto", outro soco na boca do estômago.

"Igor" conta a história de um serial killer (fictício?), numa linha que nos remete a guitarras Thrash, numa escola Hannemam/King, Holt/Hunolt, que servem de inspiração para os riffs da dupla Craito e Guga. Já em "Meu Nome é Fim", a pedrada é direta, seca e sem frescura, lembrando em alguns momentos o já citado RDP, quando este ainda se preocupava em fazer música sem se prender a ideologias políticas. E tome mais porrada em "Pátria Armada que Pariu", outra faixa bem equilibrada, com passagens mais crossover, com espaço para um solo bastante inspirado, algo também característico do estilo, o que se segue com "Sangue", que segue nessa mesma linha. A introdução de bateria nos prepara para o momento mais "metal" do disco, a ótima "Sonhos Reais" que precede "Tudo Tem um Fim", faixa que encerra o álbum num HC direto, que deve fazer um belo estrago nos shows do grupo.

CONTOS DE NECROTÉRIO é um álbum pra quem curte a praia do Crossover equilibrado entre o Thrash e o Hardcore. Guitarras pesadas, cozinha coesa e entrosada e um vocalista que despeja ódio, violência e desespero nos vocais. Como todo álbum do estilo precisa ser. E esse mais recente trabalho do OSSOS desempenha esse papel com perfeição!

Sergiomar Menezes




ALICE COOPER - LIVE FROM THE ASTROTURF (LIVE 2015) (2022)

 


ALICE COOPER - LIVE FROM THE ASTROTURF (2015) (2022) (CD + DVD)
Shinigami Records/Ear Music/ Sound City Records - Nacional

Imagine que você está em uma sessão de autógrafos, esperando pelo autor, que nesse caso se chama Dennis Dunaway, lendário baixista do Alice Cooper Group. O livro em questão é "Snakes! Guillotines! Eletric Chairs! My Adventures in the Alice Cooper Group". Já seria algo histórico, não é mesmo? E se de repente, essa sessão de autógrafos se transformasse em um show que entraria pra história? Seria simplesmente espetacular, não é mesmo? E foi assim, num misto de surpresa e emoção que os que lá estavam tiveram a honra de participar de que veio a ser ALICE COOPER LIVE FROM THE ASTROTURF, gravado em 2015 e que finalmente é lançado no Brasil pela Shinigami Records em parceria com a Ear Music e a Sound City Records. O álbum, que por si só já seria imperdível, vem numa embalagem luxuosa, contendo um Cd e um DVD com o show completo, além de um documentário e clipes extraídos da apresentação. 

Alice Cooper (mestre e vocais), Michael Bruce (guitarra, backing vocal), o já citado baixista Dennis Dunaway e o baterista Neal Smith, contaram com a participação de Ryan Roxie, guitarrista que acompanha a carreira solo de Alice há bastante tempo, substituindo o saudoso Glen Buxton, falecido em 1997. Gravado no Good Records, na cidade de Dallas no Texas, o show é uma celebração daquilo que sempre permeou a carreira dos músicos envolvidos: o Rock n' Roll! O que dizer de senhores que já passaram a faixa dos 70 anos e que ainda seguem mostrando ao mundo sua excelência e relevância? Ainda que tenha sido gravado em 2015, podemos perceber a alegria de todos no palco, em especial do baixista Dennis Dunaway. 

O set contou com os clássicos mais importantes da carreira do grupo como "Caught in a Dream", cantada por Michael Bruce, "Be My Lover", "I'm Eighteen" (um momento dos mais emocionantes), "Is it My Body", "No More Mr. Nice Guy", "Under my Wheels", "School's Out" (que trouxe a participação de Chuck Garric na Harmônica), "Elected" e o encerramneto com "Desperado". Um set curto, mas verdadeiramente intenso, histórico e recheado de emoção, seja por parte do público, seja por parte dos músicos. Mas o lançamento não pára apenas no CD com o áudio do show...

Temos também o DVD com a íntegra da apresentação, onde podemos ver aquilo que sentimos ao ouvir o CD. Alice Cooper continua o mesmo, um mestre no palco, um exemplo de como se reinventar sem deixar de ser verdadeiro consigo. Michael Bruce e Ryan Roxie parecem que sempre tocaram juntos, mostrando um belo entrosamento. Dennis Dunaway e Neal Smith também aparecem felizes e comprometidos, fazendo valer, ainda que muitos não soubessem que estariam prestes a presenciar esse momento histórico, cada centavo investido. O DVD conta ainda com dois clipes extraídos do show, a saber: "I'm Eighteen" e "Under My Wheels", além de entrevistas com os integrantes do grupo.

ALICE COOPER LIVE FROM THE ASTROTURF é um trabalho que deve ser apreciado por todo fã, não apenas de Alice Cooper, mas da música feita com paixão e sentimento. Músicos que estavam, muito mais do que tocando entre amigos, se divertindo enquanto relembravam momentos passados, tendo em vista o tamanho do local da apresentação. Parabéns a Shinigami Records por disponibilizar no Brasil esse álbum numa bela embalagem. Se fosse impresso em ouro, tenho certeza de que valeria o valor de cada grama nele contida!

Sergiomar Menezes