domingo, 14 de julho de 2019

FELLPS ROCKER - TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI (2017)



                       Não é preciso dizer que o nosso querido, amado e velho Rock n' Roll bebeu, e muito, da fonte do blues e também do country. Basta olharmos para trás para entendermos que a influência desses estilos, agregados a outras particularidades, moldaram as características do Rock, principalmente, daquele praticado nos anos 50 e 60. E é essa aura, atmosfera, e principalmente, o feeling que o músico FELLPS ROCKER busca resgatar em seu primeiro trabalho intitulado TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI, lançado em 2017. E, apesar de pequenos detalhes, podemos dizer que o objetivo foi atingido, dentro da proposta almejada pelo talentoso guitarrista.

                      O álbum foi gravado por Fellps Rocker (vocal e guitarra base), Felipe Barbosa (guitarra base), Reinaldo de Menezes (guitarra base, guitarra solo e baixo) e Marco Antônio Viana (bateria). Gravado no Rei Menezes estúdios, o trabalho foi produzido, mixado e masterizado pelo guitarrista Reinaldo Menezes. Composto por 11 faixas, TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI acaba pecando em pequenos detalhes, como por exemplo na produção, que apesar de correta, deixou a voz de Fellps muito à frente, além de que o timbre de sua voz acaba por sair um pouco da proposta musical. Mas de forma geral, o álbum apresenta boas composições, calcadas no blues rock, o que vai agradar aos apreciadores do estilo.

                   "Rock n' Roll" abre o disco de forma crua, num blues intenso, com uma letra bem pessoal, daquelas que farão com que muitos ouvintes se identifiquem. Com uma levada bem típica, Fellps mostra uma composição cheia de feeling, algo recorrente durante a audição do álbum. "Agora Que Eu Me Vejo Sem Você", tem uma pegada mais rock, e, posso até ter interpretado de forma errônea, mas tem um "quê" de Jovem Guarda. Se a composição tivesse um teclado ao fundo, com certeza se encaixaria muito bem nesse rótulo... "Cupido", a terceira faixa, é puro Rock n' Roll, com destaque para o solo do guitarrista e produtor Reinaldo de Menezes. E fica uma dica: a faixa é muito bem estruturada, as a voz de Fellps em alguns momentos sai do lugar, principalmente no final das frases. Nada que cause demérito, mas que pode ser melhorado num próximo trabalho. "Quebrando Minha Própria Prisão" tem uma levada mais cadenciada, com uma pegada mais próxima do country (mas por favor, não cofunda com sertanejo, ok?). A veia rocker volta á carga com "Desde Quando Você Se Foi", outra faixa bem característica, com destaque para as guitarras.

                           "Eu Fui Comprar Cigarro" é o grande destaque do trabalho. Rock n'Roll como tem que ser, direto, pegado e com uma letra daquelas "politicamente incorretas" em se tratando de relacionamento amoroso. Uma mistura e blues e rock é o que temos em "Velha Visita", com uma levada bem ditada pela cozinha composta por Reinaldo de Menezes e Marco Antônio Viana (baixo e bateria, respectivamente). As guitarras comandam "Prefiro Ficar Para Bolor", mantendo um clima mais bluesy, enquanto a faixa título  se mostra um rock cheio de vigor e pegada. O bom e velho blues se apresenta em "Pela Mesma Porta", outro bom destaque do álbum, que se encerra com "Minhas Lágrimas Secam Essa Noite".

                          TUDO QUE HAVIA DE BOM EM MIM SE FOI é um bom trabalho de um músico que prioriza muito mais a música enquanto arte. Nada de arroubos auto indulgentes, muito menos técnica acima do feeling. FELLPS ROCKER apresenta aqui um trabalho correto, bem composto e que precisa apenas, de pequenos ajustes, detalhes, no próximo álbum para atingir um patamar mais alto. E começo foi bom, mas pode sim, melhorar ainda mais.







              Sergiomar Menezes

                           

quinta-feira, 11 de julho de 2019

REBEL ROCK ENTREVISTA - TORTURE SQUAD



                     São mais de 25 anos de carreira. E em todos eles, sempre houve uma incansável atitude de lutar pelo metal nacional! Estamos falando do TORTURE SQUAD! Uma das bandas mas importantes do cenário brasileiro, o quarteto composto por Mayara "Undead" Puertas (vocal), Rene Simionato (guitarra), Castor (baixo) e Amilcar Christófaro (bateria) finalizou 2018 excursionando pelo país tocando "Hellbound" (2008) na íntegra, mostrando a força deste clássico nos dias de hoje. Aproveitando a ótima receptividade obtida com seu mais recente trabalho, o excelente "Far Beyond Existence" (2017), o REBEL ROCK bateu um papo com a dupla Castor e Renê para falar sobre isso e muito mais! 



Rebel Rock - No ano passado, "Hellbound" completou 10 anos de seu lançamento e vocês fizeram uma turnê comemorativa. Como foi olhar para o passado e reaprender a tocar algumas faixas que não eram tocadas há anos?

Castor - Foi a primeira vez que fizemos uma turnê revisitando um álbum. Relembrar das antigas músicas, as quais fizemos há mais de 10 anos, foi uma grande experiência! Algumas músicas nunca havíamos tocado ao vivo e outras vezes, apenas na época do lançamento. Curtimos muito poder ter feito essa homenagem a um dos discos mas emblemáticos da carreira do TS.

Rebel Rock - "Far Beyond Existence" não é um álbum conceitual, mas suas músicas parecem conter uma certa conexão entre si. Gostaria que explicassem um pouco sobre as composições das letras para o álbum.

Castor - Algumas delas tem uma certa ligação, que está além do conhecimento humano. Têm muitas coisas no nosso planeta e no universo em que nós humanos temos muito o que apreender. O dia em que o ser humano perder toda a sua prepotência perante ao planeta e conhecer mais sobre o Cosmos, tenho certeza que a nossa evolução será eminente.

Rene - Sinto que o disco sugere uma conexão com o desconhecido, com realidades além do comum, além da rotina, mostrando que a vida é muito além do que achamos que é.



Rebel Rock - O Torture Squad se tornou uma instituição do metal brasileiro, graças a longevidade que o grupo tem, sempre ativo, com lançamentos de CDs, DVDs e sempre na estrada. Mas, em algum momento houve o pensamento de parar, dar um tempo e respirar outros ares?

Castor - Nunca! Desde o lançamento da nossa demo em outubro de 1993 a banda está atuante em todos os anos lançando materiais e fazendo shows e turnês! Naturalmente, moldamos a nossa vida em prol da banda em todos esses anos de carreira.

Rene - Sinto que é muito legal a banda ter se adequado as novas formas de divulgação das músicas, através das plataformas digitais, porém, os CDs/DVDs fazem parte de uma tradição muito forte e não pensamos em parar de prensá-los.

Rebel Rock - "Far Beyond Existence" teve uma gigantesca resposta positiva dos fãs, da mídia especializada e até mesmo de quem não é tão acostumado com o tipo de música praticada pelo Torture Squad. O álbum foi licenciado em diversos países, o grupo tocará em Honduras, Chile, México... É correto dizer que esse é o melhor momento para se estar no Torture Squad?

Castor - Esse foi o álbum mais licenciado na nossa carreira! Infelizmente, o festival de Honduras foi cancelado recentemente, no Chile teremos 2 datas em La Serena e Santiago, no final de junho nos dias 28 e 29 (a entrevista aconteceu em meados de junho). No México será dia 30 de novembro no renomado Mexico Metal fest. Estamos planejando uma mini tour na América Central na mesma época do México Metal Fest.

  CASTOR


Rebel Rock - Ainda seguindo um pouco a pergunta anterior. É inevitável não pensar que a entrada da Mayara Puertas acabou aguçando um pouco a curiosidade das pessoas. Lembro de estar num show de vocês em 2017 e uma menina ao meu lado estava abismada com a potência vocal da Mayara, era como se ela não acreditasse que era possível aquilo. Quão benéfica foi para a banda a entrada da Mayara?

Castor - Ela trouxe um gás novo. Ela tem bastante técnica que vai do gutural ao vocal lírico também. As características da voz dela se encaixam perfeitamente no estilo do TS dando uma cara nova nas composições.

Rene - Sinto que a entrada da May na banda trouxe novamente o arquétipo de line up clássico que o Torture sempre teve, ou seja, o quarteto. Fora o estilo de vocal dela que na minha opinião, é matador, técnico e muito versátil.

Rebel Rock - Com toda a crise que praticamente todas as bandas estão enfrentando, a saída hoje em dia está em tocar, tocar e tocar, e claro, no merchandising e suas variedades. A banda está lançando uma nova cerveja, a "Black Existence". Primeiramente, como foi a aceitação do público para a "Beer of Evil"? E como foi pensada e desenvolvida essa nova cerveja da banda?

Castor - Tudo começou com o nosso velho amigo Fabio Chavez, dono da cervejaria Normandie Brewery. Em 2017 lançamos a "Beer of Evil", estilo Irish Red Ale que rolou muito bem e agora estamos repetindo a parceria com a "Black Existence", uma cerveja estilo Russian Imperial Stout, que tem um blend de Jack Daniel's na sua composição. Fizemos a festa de lançamento aqui em SP no Porão da Cerveja no dia 22/06, no mesmo local em que fizemos o da "Beer of Evil". Foi um show acústico tocando versões dos clássicos do Rock e Metal nesse dia! Foi muito divertido!

Rene - A primeira cerveja "Beer of Evil" foi muito bem aceita pelas pessoas, era uma Irish Red Ale, muito deliciosa, não falo isso porque é nossa cerveja não, de fato ea era deliciosa mesmo. A Normandie Brewery acertou em cheio naquela cerveja. Agora, dia 22/06, ocorreu o lançamento da nossa nova cerveja, a "Black Existence".

                                                           RENE SIMIONATO

Rebel Rock - Para qualquer fã de Heavy Metal no Brasil, ouvir falar de Rock in Rio, é lembrar de diversos shows épicos. Na edição desse ano teremos uma noite que é um verdadeiro sonho. Como fãs de música pesada, como é saber que daqui a poucos meses vocês estarão lado a lado tocando com bandas que os influenciaram, sendo responsáveis pelo nascimento de Torture Squad, e até mesmo, pelos membros da banda serem músicos? 

Castor - Sim, todos eles! Me lembro de assistir pela TV a primeira edição com o Scorpions e o Iron Maiden, quando vi o Steve Harris naquele momento decidi o que eu iria fazer na minha vida! O Megadeth veio na segunda edição que também assisti pela TV e estavam na tour do excelente "Rust in Peace", que foi um álbum que ouvi muito na minha vida!(a entrevista se deu antes do cancelamento do Megadeth, em virtude do tratamento de Dave Mustaine contra o câncer na garganta). Sepultura com certeza tem uma grande influência na minha vida como um exemplo a seguir se você realmente quer ter uma banda aqui no Brasil. O Slayer é um dos porquês que tocamos e amamos esse estilo de musica! Anthrax eu sou muito fã! O frank Bello é um dos baixistas que me inspira muito também!

Rene - É algo transcendente pensar que vamos tocar na mesma noite que Iron Maiden, Scorpions, Slayer, etc... Nem penso muito sobre como vai ser estar naquele palco. Tento deixar a energia rolar naturalmente. Com certeza vai ser um grande dia em nossas vidas e dos fãs da banda.

Rebel Rock - Já existem planos para o sucessor de "Far Beyond Existence"? Se sim, conseguem traçar o caminho que ele está seguindo?

Castor - Sim, já estamos trabalhando no novo álbum e ele está praticamente pronto. Estamos trabalhando na pré produção dele. Sinto nesse álbum uma evolução do "Far Beyond Existence", com elementos novos e outros da fase antiga da banda. Estou muito feliz no que está rolando nos sons novos!

Rene - O disco novo está no processo final de composição, como membro e fã do Torture, posso dizer que esse disco está maravilhoso, cheio de belas melodias misteriosas, empolgantes com um peso brutal e cozinha intacta do clássico Torture Squad. Temos muitas novidades nesse disco.

Rebel Rock - Para finalizar, como descreveria toda a jornada do Torture Squad até aqui?

Castor - 26 anos de muito trabalho árduo mas muito compensador! Vivemos momentos incríveis na estrada como na Killfest Tour na Europa ao lado do Exodus, Overkill e Gama Bomb. Passamos por períodos de mudança na formação que fez nos reinventarmos e encaramos novos desafios na época do álbum "Esquadrão da Tortura". Agora nessa nova etapa, com o Rene e a MAyara, estamos na mesma vibe, fizemos 2 turnês inéditas pelo Brasil tocando de segunda a segunda, fazendo 27 shows em 30 dias e algumas nos mesmos moldes pelo interior de SP. Uma turnê européia e sul americana também. Gravamos o EP "Return of Evil" e um álbum cheio "Far Beyond Existence" e agora estamos finalizando um próximo. THE TORTURE NEVER STOPS!

Rebel Rock - Muito Obrigado pela entrevista, o espaço final é de vocês!

Castor - Muito obrigado a vocês do Rebel Rock pelo espaço e saiba que vocês são muito importantes na vida de uma banda por dar voz ao nosso trabalho.

Rene - Muito obrigado pelo espaço no Rebel Rock! Stay Heavy!




Entrevista por William Ivan Kotzo Ribas










                                                                 








quarta-feira, 1 de maio de 2019

FORKILL - THE SOUND OF THE DEVIL'S BELL



                      Quem lê esse blog ou acompanha a opinião deste que vos escreve sabe bem o que penso a respeito do Heavy Metal brasileiro, em especial, das bandas nacionais. Nós, na maioria das vezes, preferimos aplaudir bandas medianas que vem lá de fora, que costumam tocar em locais minúsculos, mas que, sabe-se lá o por quê, ostentam um status que não possuem ao chegar aqui. Muitas vezes, fazem exigências para tocar aqui, as quais lá fora, nem pensam em fazer. Mas, ao dizer isso, só quero expressar o quanto acabamos perdendo ao não valorizarmos nossos talentos. E, sendo absolutamente sincero, esse novo petardo do quarteto carioca FORKILL só vem a corroborar aquilo que digo. THE SOUND OF THE DEVIL'S BELL é um primor de álbum de THRASH METAL! Sabe aquele típico thrash Bay Area, raivoso, visceral, trabalhado e muito agressivo? É isso que encontramos no segundo disco do grupo, onde não apenas a música fala por si, mas tudo mais que envolve um trabalho profissional e carregado de técnica.

                 Formada por Matt Silva (vocal e guitarra), Ronnie Giehl (guitarra), Gus N.S. (baixo) e Rodrigo Tártaro (bateria), a banda apresenta 13 faixas, contando com uma introdução e uma bônus track, repletas daquilo que de melhor o Thrash trouxe ao metal: Riffs! Sim, o álbum é repleto de riffs insanos, ríspidos e agressivos, como todo disco de Thrash Metal tem que ser! Além disso, o trabalho vem numa bela embalagem, contando com um pôster, adesivo, palhetas... Profissionalismo que deve servir de exemplo pra muita banda aí que pensa que é grande, mas que não sabe nem lidar com seu próprio trabalho. Gravado no Estúdio HR, no Rio de Janeiro em janeiro dese ano. Produzido, mixado e masterizado por Daniel Escobar, que contou com o auxílio de Ronnie na co-produção, e soube deixar a sonoridade do grupo sujo, pesada e ao mesmo tempo, precisa e bem direta. A capa foi obra de Rafael Tavares e combinou muito com a música presente no trabalho. Resumindo: Não bastasse a música, que é excelente, o conjunto dá obra da ainda mais respaldo para dizer que estamos sim, diante de um dos melhores álbuns nacionais de 2019!

                    A intro "Succubus Lament" abre o álbum e nos prepara para o primeiro soco na boca do estômago. "Emperor of Pain" já começa na melhor tradição da Bay Area, veloz, agressiva e com riffs sujos, onde as guitarras chegam a nos lembrar a melhor dupla do Thrash Metal americano (pra quem não sabe, estou falando de Gary Holt e Rick Hunolt, os mestres supremos do Exodus), o que se comprova pela divisão dos solos entre Ronnie e Matt. Na sequência, uma faixa que, "Let There Be Thrash", uma faixa que tem tudo para se tornar um clássico do metal nacional. Letra, levada, riffs... que baita música! Impossível alguém que se diz fã do estilo ficar indiferente a essa faixa. Com momentos mais variados, mas carregada de peso e solos destruidores, a composição é um dos grandes (e inúmeros) destaques do álbum. "Keepers of Rage" vem em seguida e possui um andamento mais cadenciado, mostrando que o entrosamento da cozinha composta por Gus e Rodrigo (baixo e bateria, respectivamente) garante o peso na dose certa. "When Hell Rises", traz também um andamento mais cadenciado, carregado de peso, lembrando (pelo seu andamento, clássicos co Inner Self, Blacklist, entre outros). O vocal de Matt aqui ganha uma dose extra de agressividade, algo que acrescenta mais intensidade a faixa. "Warlord" inicia com uma narrativa vinda das profundezas do inferno, para em seguida assumir riffs totalmente thrash, com momentos bem trabalhados durante sua execução. Além disso, o refrão é daqueles que nos fazem cantar junto com a banda. A acústica "Leviathan" serve como uma espécie de intro, que nos prepara para a segunda parte do trabalho.

                     "R.E.D. (Requiem Endless Devil)" é outro petardo, onde as guitarras da dupla Ronnie e Matt assumem o comando, massacrando os tímpanos mais delicados. E aqui cabe um comentário mais específico. Disco de Thrash tem que ser voltado para as guitarras, não tem como ser diferente. Tem muita banda grande, mainstream por aí, que parece ter esquecido disso... A faixa ainda traz um solo inspirado de Ronnie que carrega consigo influências dos mestres Gary Holt e Kerry King. "Killed at Last" resgata um pouco daquela atmosfera anos 80, época em que o Thrash era feito com o coração, deixando de lado aquela necessidade de agradar aos que não tem intimidade com o estilo. Assim como "Old Skullz", que, além dos riffs viscerais, entra com os dois pés na porta, mostrando que se tem um estilo que sabe ser mortal e verdadeiro, esse estilo é o THRASH METAL! "In Your Face", segue a mesma linha de "Killed at last", mas tem em sua execução um momento mais intenso e trabalhado, com destaque para o baterista Rodrigo que senta a mão sem piedade em seu kit. "Knights of Apocalypse", também acústica, encerraria o álbum, mas temos a bônus "Vendetta", que fecha o álbum em grande estilo, do jeito que começou, despejando riffs agressivos, e com uma levada perfeita para o mosh!

                  THE SOUND OF THE DEVIL'S BELL é um trabalho perfeito para os amantes daquele Thrash Metal que consagrou bandas como Exodus, Overkill, Death Angel, e até mesmo Slayer. O FORKILL soube como poucos agregar suas influências e moldar sua personalidade nos entregou um álbum que, sem nenhuma dúvida, entre os melhores do ano em todas as listas da mídia especializada. A não ser que, mais uma vez, esqueçamos de dar o devido valor e reconhecimento ao metal brasileiro... A banda, nos créditoa dedica o trabalho a todos os headbangers que lutam para que o metal nunca deixe de existir. Se bandas como o FORKILL seguirem na batalha fazendo álbuns desse nível, o metal continuará resistindo!

         



                    

                   Sergiomar Menezes

domingo, 7 de abril de 2019

GRAVEYARD - PEACE (2018)



               Não é preciso ser um expert em música para saber que os anos 70 foram os mais importantes para o Rock n' Roll. Basta analisar a quantidade clássicos surgidos naquela década, além do que, as bandas entravam em estúdio a cada seis meses  e apresentavam trabalhos de extrema relevância. Bem ao contrário do que vemos hoje em dia... Mas algumas bandas parecem ter resgatado, pelo menos, o espírito daquele período, e uma delas atende pelo nome de GRAVEYARD. Formada em 2006 na Suécia, a banda traz um híbrido daquela década, unidas à psicodelia, peso e também à doses generosas de Hard Rock, o que encontramos em PEACE, quinto álbum de estúdio do grupo, que chega por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast.

                        Joakim Nilsson (vocal e guitarra), Jonatan La Rocca Ramm (guitarra e backing vocal), Truls Mörck (baixo e backing vocal) e Oskar Bergenheim (bateria e percussão) chegaram a encerrar as atividades do grupo em 2016, mas para a sorte dos amantes da boa música, resolveram voltar atrás e retomar a carreira. Com uma pegada suja, mas ao mesmo tempo bem executada e cheia de feeling, PEACE traz ótimos momentos, ainda que não tenha a mesma intensidade e brilhantismo de seu antecessor, o excelente "Hilsingen Blues" de 2011. Cabe ressaltar que o baixista Truls Mörck assume o vocal principal em duas faixas, o que mostra a versatilidade do músico, bem como de todos na banda que se mostra bastante técnica e bem entrosada.

                       Mesmo sendo um trabalho bastante homogêneo, PEACE tem alguns destaques, dentre os quais "Please Donn't" que saiu como single antes do lançamento, mostra uma banda pesada e com alguma coisa de Black Sabbath, principalmente pelas guitarras da dupla Joakim e Jonatan, "Cold Love", com traços psicodélicos trazendo um perfeito entrosamento da cozinha composta por Truls Mörck e Oskar Bergenheim, a bela melodia de "The Fox", assim como "Bird of Paradise", a pegada blues de "Del Maniac", bem como "A Sign of peace", um daqueles "rockões", característicos do grupo e que mostram de forma sucinta a diferença entre saber dosar suas influências dentro da sua musicalidade.

                        Em seu quinto trabalho, o GRAVEYARD mostra que tem todas as ferramentas para continuar sendo apontado como um dos nomes mais relevantes desse revival da musicalidade dos anos 70. Ao lado de nomes como Kadavar, Blues Pills, Rival Sons, Greta Van Fleet, entre outros, a banda prova que como diria o saudoso Chico Science "modernizar o passado é uma evolução musical". Duvida? Ouça PEACE e comprove!





                 Sergiomar Menezes

MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA - ABISMOPORTAL (2018)




                Preciso ser sincero. Dá gosto de ouvir um grupo como o MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA. Em primeiro lugar, porque o trio formado em 2007 soube incorporar suas influências à sua sonoridade de uma forma perfeita, unindo assim suas características próprias, criando uma personalidade e identidade únicas. Em segundo, porque a música feita pelo grupo é de uma qualidade absurda, daquelas que a gente ouve o CD e lamenta pelo fato de já ter acabado. Sim, é essa sensação que temos ao término da audição do pesado e intenso ABISMOPORTAL, segundo trabalho de estúdio da banda, uma junção dos mais recentes EPs do trio, lançado pela Shinigami Records no ano passado e que tem forte inspiração no Black Sabbath especialmente nos riffs do mestre Tony Iommi.

                             Maurício Sabbag (vocal/guitarra/violões/flauta transversal), Carlos Botelho (baixo) e Inácio Nehme (bateria) apresentam 11 faixas repletas de riffs inspirados, baixo e nateria marcados, tudo no melhor estilo anos 70, mas sem soar nenhum pouco datado, muito disso em virtude da ótima produção realiada pela banda juntamente com Rafael Zeferino e Rafael Gomes, sendo que a mixagem e a masterização ficaram sob a responsabilidade de Rafael Gomes. O resultado ficou muito bom, vez que a guitarra de Maurício soa extremamente pesada e ao mesmo tempo nítida, algo raro nesse sentido. A capa e arte gráfica foram trabalhos de Silvio Senna. O que temos no final da audição é um trabalho único, firme e extremamente forte. Como o Heavy Metal (ou stoner, chame da forma que melhor lhe convir) deve soar.

                            "O Portal" abre o álbum condensando em uma única faixa todas as características do grupo: peso, agressividade, acidez e muito Black Sabbath nas guitarras. E isso não é problema, vez que o grupo não se limita a copiar ou imitar o quarteto inglês e sim, agrega sua influência de forma latente, moldando sua sonoridade. Na sequência, "Mensageiros da Desgraça" é aquele "rockão", com a guitarra à frente, munido de peso e velocidade, fazendo com que aquela famosa"air guitar" surja ao longo de sua execução. Um baixo "gordo" à la Geezer Butler surge em "O Espelho", uma faixa bem consistente, onde além do ótimo trabalho realizado pelo baixista Carlos Botelho, temos também a mão pesada de Inácio Nehme, que não tem a mínima piedade de seu kit. A rifferama de "Motim Elétrico" vem pra corroborar a idéia de peso, sujeira e ao mesmo tempo nitidez dos instrumentos numa bela junção desses três elementos, o que vem a ser uma das particularidades do som do grupo. Em seguida, "Fuga nº II", cover dos Mutantes, ganhou uma interpretação bem pessoal do grupo, sem que a canção perdesse suas características, transformando-a assim, em um dos grandes momentos do álbum.

                             
                             Não sei dizer se seria uma influência do punk, mas "O Que teria Acontecido a Baby Jane" traz essa certa urgência em sua sonoridade, pois trata-s e uma composição rápida, direta e sem concessões. Na sequência "Abrace a Discórdia" traz novamente o peso da guitarra de Maurício em perfeita sintonia com a cozinha, numa coesão que destaca ainda mais o peso das músicas do grupo. E também cabe ressaltar o timbre rasgado do vocalista, que se encaixa com perfeição no perfil do trio. E tome Sabbath em "Abismo", uma das grandes faixas do trabalho, dona de um peso fenomenal e com um andamento bem cadenciado, cria um clima perfeito para o mergulho nos anos 70. "Supremo Concílio" traz aquela atmosfera "doom", sombria e soturna, de forma densa, saindo um pouco do lugar comemu, trazendo à tona um pouco da percepção criativa do trio. "Orquídea Negra" arrastada, antecipa o final com "Perdidos" outro exemplo de como se alinhar influência/personalidade sem soar forçado.

                    
                   ABISMOPORTAL é um trabalho consistente e intenso, que mostra que o MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA tem muita personalidade e criatividade. Composições fortes, bem estruturadas e muita garra e energia fazem do grupo um daqueles que não devem ser apenas observados, mas sim, apreciados. 




                     Sergiomar Menezes