Seguidores

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

BATTLE BEAST - BRINGER OF PAIN (2017)



                   Os finlandeses do BATTLE BEAST chegam ao seu quarto álbum de estúdio. Numa regularidade, que hoje em dia é bastante louvável, já que a  banda lança seus trabalhos acada dois anos, BRINGER OF PAIN chega por aqui através da parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. E, não tenho nenhum receio em dizer que o grupo apresenta aqui seu melhor trabalho! Com ótima produção e deixando ainda mais explícita sua gama de influências, o grupo mostra em 13 faixas (10 na versão regular, mas a versão nacional traz 03 bônus tracks), que evolui a cada novo álbum.

                      Formada em 2008, a banda é composta por Noora Louhimo (vocal), Joona Björkroth (guitarra), Juuso Soinio (guitarra), Eero  Sipilä (baixo), Jane Björkroth (teclados) e Pyry Vikki (bateria)  a banda acba fugindo daquele certo estereótipo quando se fala em bandas finlandesas. nada de metal melódico, sinfônico, ou até mesmo death melódico. O que temos aqui é um grupo que mescla de forma bem consistente várias influências, com uma ênfase maior ao hard rock e ao heavy metal. Produzido pleo tecladista Janne, o trabalho ficou com uma ótima sonoridade. também, esperar o quê quando ficamos sabendo que o álbum foi mixado por Mikko Karmilla e masterizado por Mika Jussila? Algo com qualidade acima de qualquer suspeita!

                        O álbum abre com a instigante  Straight To The Heart, um hard/heavy, com guitarras bem timbradas e que abusam de riffs certeiros. A voz de Noora Louhimo é bem versátil, pois vai do melódico ao mais rasgado com facilidade e desenvoltura. Já a faixa título é uma daquelas arrasa quarteirão, rápida, direta e com um bom trabalho da cozinha, composta por Eero Sipila e Pyry Vikki (baixo  e bateria respectivamente). King for a Day tem nas linhas de teclado seu destaque, o que deixa tudo com um pouco mais de melodia. Beyond The Burning Skies tem seu início no piano, o que acaba por remeter em alguns momentos ao Nightwish, mas obviamente, guardadas as devidas proporções, sem exageros ou orquestrações como seus conterrâneos fazem com primazia. Familliar Hell, apesar do título, apresenta um certo apelo pop, principalmente pelos vocais de Noora, que soam bem cristalinos e límpidos aqui.
                          
                         Lost in Wars traz a participação de Tomi Joutsen, do Amorphis no vocal. E a faixa acaba trazendo um pouco das características da banda do vocalista. O contraste entre as vozes se mostra muito bem construído e pensado, o que dá à composição uma linha mais diversa do restante do trabalho. Bastard Son of Odin traz de volta  apegada hard/heavy do início do álbum, com destaque para  base rítmica, que capricha numa pegada bem próxima do heavy tradicional. Um andamento mais cadenciado é o que temos em We Will Fight, que possui uma boa dose de peso nas guitarras, cortesia da dupla Joona e Juuso, que mostram ótimo entrosamento. Dancing With The Beast acaba sendo o ponto mais fraco do álbum, pois não acrescenta nada de relevante. Com um forte acento pop, mas sem agregar nada de peso ou passagens mais trabalhadas, a faixa deixa um pouco a desejar. Far From Heaven é uma bela balada que encerra a parte regular do CD. Temos ainda três faixas bônus: God of War, que poderia estar na versão regular, pois traz ótimas guitarras e um grande trabalho de baixo/bateria; The Eclipse, pesada e com mudanças de andamento e Rock Trash, um hard/heavy pesado.

                            Neste quarto trabalho, o BATTLE BEAST comprova sua evolução através de seus álbuns. Buscando identidade, o grupo parece ter encontrado sua posição nesse disputado cenário, com composições fortes e muito bem trabalhadas. BRINGER OF PAIN é um álbum para ser apreciado pelos fãs de hard/heavy e rock em geral. Curta sem moderação!





                      Sergiomar Menezes

terça-feira, 14 de novembro de 2017

TALES FROM THE PORN - H.M.M.V. (2017)




                  HARD ROCK! Com todas as letras maiúsculas! Sim, meus amigos! Eis que um dos melhores álbuns lançados no Brasil neste 2017 chega por aqui. E não há nenhum exagero no que escrevo. O que temos aqui é aquele mais puro Hard Rock indicado para fãs de Ratt, Mötley Crüe, Guns N' Roses, Tuff, Dokken e afins. O TALES FROM THE PORN é uma banda brasileira que conta com os vocais de Stevie Rachelle (Tuff). E essa união ficou excelente, pois o timbre de Rachelle combinou perfeitamente com a sonoridade do grupo, que aposta naquele Hard sujo, com a típica malícia dos anos 80. H.M.M.V. (Heavy Metal Minha Vida) mostra que o estilo está muito bem representado no país!

                        Formada pelo já citado Rachelle no vocal, Andy Sun (guitarra), Bruno Marx (guitarra, backing vocal), Bento Mello (baixo, backing vocal, Sioux 66), Igor Goddoi (teclados e backing vocal, Sioux 66)  e Edgar Avian (bateria, Supla), a banda mostra um feeling que impressiona, tamanha a qualidade e pegada, remetendo aos grandes nomes do Hard Rock. Obviamente que a presença de Stevie Rachelle ajuda, afinal, estamos falando de um músico que esteve presente naquela época mágica do estilo (lia-se anos 80). Mas o grupo não se resume apenas ao americano. Andy Sun e Bruno Marx formam uma dupla certeira, com riffs e solos na medida! Os backing vocals ficaram muito bem encaixados também. O álbum foi produzido, mixado e masterizado por Henrique Baboom, no Toque Final Mix & Master, em São Paulo. Já os vocais, foram gravados na Califórnia. E a tecnologia favoreceu, pois temos uma sonoridade bem uniforme e intensa! 

                         Back to the 80's abre o álbum e de cara temos aquele hard malicioso, vocal despojado e muita adrenalina! "Let's Rock, Let's Roll, All around the world lose control! Hey you, let's go, We're going back... Back to the 80's!" Quer coisa mais hard rock que isso? E as guitarras que respiram aquela atmosfera "Sunset Strip"? Clássico instantâneo! Runaway Lover tem riffs inspirados em uns tais de Warren DeMartini e Robin Crosby... Sério mesmo... Se ninguém te avisar que se trata de uma banda brasileira (exceção à Rachelle) e que gravou esse disco em 2017, você diria é uma das bandas clássicas dos anos 80.  E tome mais hard "safado" em Hot Girls, Fast Cars! Sabe aquele refrão grudento? Então... Além disso, os riffs transbordam aquele clima "party all night" sem cerimônia. Já  a faixa que dá nome à banda (ou vice-versa), tem uma pegada mais hard n' heavy, sem perder sua veia anos 80. E a cozinha composta por Bento Mello (que é guitarrista da banda Sioux 66) e Edgar Avian, injeta uma dose generosa de peso, dando um tempero especial à composição.

                        E o que dizer de Perfect Love? Posso até parecer e soar repetitivo, mas qual fã de Ratt, Mötley Crüe (mais do início da carreira) não vai ficar com aquele sorrisão de satisfação ao ouvir esses riffs? Os backing vocals também merecem destaque, pois ficaram no lugar certo. Outro destaque do trabalho é Girls Wanna Party (In Augusta Street). Com um refrão cheio de malícia (o que esperar de uma faixa com um título desses, não é mesmo?) e com solos afiados, a composição mostra toda a pegada do grupo. Let It Shake, a faixa mais pesada do álbum, e por consequência, a mais heavy metal, tem baixo/bateria marcados, enquanto Rachelle mostra um lado seu mais versátil, explorando linhas mais próximas do heavy (dentro de suas possibilidades, que fique bem claro). Danger Zone é um cover de Kenny Loggins, que fez parte da trilha sonora do filem Top Gun - Ases Indomáveis, que que também fez parte da trilha sonora da vida de muita gente que agora está lendo esse texto. E o grupo soube colocar sua identidade, dando uma cara nova à composição, sem que precisasse modificar de forma substancial as linhas originais. O fechamento vem com Scary Movie, uma faixa totalmente anos 80. Seja no seu andamento, seja na letra, a faixa encerra o álbum, dano a certeza de que acabamos de ouvir um dos melhores (senão o melhor) álbum lançado neste país em 2017.

                       Neste blog, eu não tenho o costume d e resenhar trabalhos que não sejam enviados pelas gravadoras, assessorias ou pleas próprias bandas. Mas dessa vez, tive que abrir uma exceção: H.M.M.V. é um dos discos mais legais que ouvi nos últimos anos e que não poderia ficar de fora. Ainda mais tendo em vista que o Hard Rock é um dos estilos preferidos deste que vos escreve. A estréia do TALES FROM THE PORN é muito mais do que um simples debut. É um CD que mostra que o Brasil não deve nada a cena atual lá de fora. Se o Hard é sua praia, pode mergulhar sem medo! STAY HARD!



                           
                        Sergiomar Menezes

domingo, 12 de novembro de 2017

THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA - AMBER GALACTIC (2017)



                     Pense em uma banda composta por músicos experientes e até mesmo consagrados dentro da música pesada, mas que pratica uma sonoridade que dosa de forma perfeita o pop dos anos 70/80, agregando as influências pessoais de cada um dos envolvidos. É exatamente isso que encontramos no terceiro e espetacular álbum do grupo THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA. AMBER GALACTIC, que chega por aqui através da parceria Shinnigami Records/ Nuclear Blast, é, sem nenhuma sombra de dúvida, um dos melhores trabalhos lançados em 2017! Se em "Infernal Affairs" (2012) e "Skyline Whispers" (2015), o grupo já mostrava que não tinha limites em suas composições, aqui, o nível de excelência alcançado pelo sexteto beira  a perfeição!

                           Formado por Björ Strid (vocal, Soilwork), David Andersson (guitarra, Soilwork),  Sebastian Forslund (guitarra), Sharlee D'angelo (baixo, Arch Enemy, Spiritual Beggars, entre outros), Richard Larsson (teclados) e Jonas Källsbäck (bateria), o grupo apresenta seu primeiro trabalho após assinas com a Nuclear Blast. São 10 faixas que navegam entre o pop, o rock, o hard, o heavy, a até mesmo, com a disco music dos anos 70. Tudo isso misturado poderia soar estranho, mas o que temos aqui, são composições que mostram toda a classe e categoria da banda, que como dito anteriormente, não se prende á rótulos e não vê limites na hora de compôr. Produzido pela própria banda, mixado pelo guitarrista Sebastian Forslund e masterizado por Thomas "Plec" Johansson, o álbum regatou uma sonoridade bem próximo daquela dos anos 70, mas que consegue ao mesmo tempo soar bastante atual e moderna.

                             O álbum abre com a sensacional Midnight Flyer ( que em sua introdução conta com uma narrativa feminina em português!), que possui uma ótima linha de teclados, que alinhada com o trabalho das guitarras, cria uma melodia bem próxima do hard/heavy doas anos 70. Star of Rio traz essa mesma perspectiva das guitarras e mostra toda a versatilidade de Björn Strid, pois o vocalista, acostumada a vocais bem mais agressivos no Soilwork, canta aqui de forma limpa e melódica com grande desenvoltura. Um certo "apelo" pop é o que temos em Gemini, uma faixa simples, mas de muito bom gosto. Sad State of Affairs é uma das melhores do homogêneo trabalho. Strid mais uma vez, se destaca com uma bela interpretação, enquanto  a melodia e levada, chegam em determinados momentos a lembrar o The Police (principalmente no momento da "paradinha" no meio da faixa). Jennie é uma bonita balada, com belos arranjos.

                            Domino é uma composição que poderia facilmente estar em algum trabalho lançado pela Motown Records em seus anos dourados. Impressionante a versatilidade dos músicos, ainda mais se pensarmos em seus grupos principais. E isso só mostra que o radicalismo (apesar de necessário algumas vezes), acaba por privar muitos de conhecer obras como essa. Josephine é outra faixa pop/rock com características setentistas e possui um refrão de fácil assimilação. Já Space Whisperer é uma das faixas que mais possui "peso" nas guitarras e que contrasta com os teclados cheios de climas melódicos criados pleo tecladista Richard Larsson. Something Mysterious possui linhas próximas da disco music. O encerramento vem com Saturn in Velvet, uma composição com levada hard rock e belas melodias.

                          O THE NIGHT FLIGHT ORCHESTRA não deve ser encarado apenas como um projeto paralelo dos músicos envolvidos. Tanto é que a banda já está em seu terceiro trabalho. E não é "qualquer" trabalho. AMBER GALACTIC, com a mais absoluta certeza, estará na lista de melhores do ano deste que vos escreve, independente do veículo que for. Uma música livre de preconceitos e com muita qualidade. Como diria o estre Glenn Hughes: FELL THE MUSIC! Com certeza, você não irá se arrepender!




                    Sergiomar Menezes             
           

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

HEAVEN SHALL BURN - WANDERER (2016)



                       O grupo alemão HEAVEN SHALL BURN chega ao seu oitavo trabalho de estúdio. WANDERER, lançado em 2016 e que chega por aqui pela parceria Shinigami Records e Century Media, mostra que o grupo continua investindo em uma sonoridade bem próxima do Death Metal Melódico, mas agregando influências mais atuais. Confesso que nunca prestei muita atenção na banda, mas a "polêmica" que a envolveu quando o grupo foi escolhido como uma das atrações que abririam o show que o mestre King Diamond faria no Brasil, fui procurar saber mais sobre ele. E acabei "descobrindo" uma grande banda!

                 Formado por Marcus Bischoff (vocal), Maik Weichert (guitarra), Alexander Dietz (guitarra), Eric Bischoff (baixo) e Christian Bass (bateria), o grupo apresenta em 12 faixas (incluindo o "tradicional" cover), muita técnica, peso e riffs que trazem um meio termo entre o death melódico e a atual cena americana (leia-se metalcore). Mas isso não atrapalha em nada  a música da banda, uma vez que essa"influência" atual, acaba criando uma identidade bem característica. O álbum foi produzido pelo guitarrista Alexander e contou com a co-produção do também guitarrista Maik. Não á toa, as guitarras acabam sendo os maiores destaques do trabalho. Já a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade do renomado Tue Madsen (Kataklysm, At The Gates, entre outros). A arte gráfica ficou muito bacana também, pois contrasta com imagens "suaves", o peso que a banda apresenta durante a execução do álbum.

                           O álbum abre com The Loss Of Fury que logo dá lugar a uma das melhores faixas do trabalho: Bring The War Home. Essa é daquelas faixas que nos remetem diretamente ao death melódico (In Flames e Dark Tranquility à frente), mas  que traz consigo a personalidade do Heaven Shall Burn. Além disso, o bom trabalho da dupla Eric e Christian (baixo e bateria, respectivamente) merece ser citado. Passage of the Crane tem um começo introspectivo, mas ganha muita intensidade durante sua execução. As guitarras mostram ótimo entrosamento, dando à composição o peso necessário. Assim como em They Shall Not Pass. Brutal, a faixa tem um andamento agressivo, com algumas mudanças bem interessantes, chegando a flertar com o Thrash Metal. Downshifter tem momentos distintos, mas rápidos e agressivos (mas que buscam a melodia) e outros mais cadenciados e bem pesados. O lado mais "death" do grupo aparece em Prey To God, principalmente nas linhas vocais de Marcus, bem mais próximas do estilo, nesta composição.

                           My Heart is My Compass é instrumental, enquanto que Save Me é uma faixa que foge um pouco do que o restante do álbum apresenta. Cadenciada, com uma melodia sombria e em alguns momentos angustiante, a composição ganha intensidade do meio pro fim. Corium é outra que nos remete ao "Gothemburg Sound", pois alia peso, melodia e agressividade como só os grupos suecos conseguem fazer. Extermination Order também é outro destaque do álbum! Bateria técnica, pesada e muito bem trabalhada durante toda a execução da faixa que possui guitarras diretas e pesadas. Da mesma forma A River of Crimsom traz essa atmosfera. O encerramento vem com o cover de The Cry of Mankind, do grupo My Dying Bride, que ficou bem interessante.

                              O quinteto alemão mostra em WANDERER que, mesmo envolto em "polêmicas", mas isso só aqui no Brasil, uma vez que a banda goza de bom prestígio lá fora, principalmente na Europa), soube manter o bom momento musical que já vem o acompanhando há algum tempo. Se você é daqueles que tem a mente aberta e procura música e qualidade, agressiva, pesada e ao mesmo tempo, com uma base melódica, o HEAVEN SHALL BURN pode ser uma banda que o agrade de forma muito consistente. Escute e entenda o que quero dizer.






                     Sergiomar Menezes

domingo, 5 de novembro de 2017

ELIZABETHAN WALPURGA - WALPURGISNACHT (2016)



                 
                        A banda em sua página oficial no Facebook, diz praticar Blackned Heavy Metal. Você, antes de ouvir o CD, descobre que as influências do grupo vão de Accept, Iron Maiden e Mercyful Fate até In Flames, Dimmu Borgir, Satyricon, Amorphis, At The Gates, entre outros. E quando você coloca pra rodar o álbum... é exatamente isso que você encontra! O grupo ELIZABETHAN WALPURGA, formado em Recife/PE, nos brinda com um metal fortemente influenciado pelo heavy metal tradicional, mas tendo por base o Black e o Deah Metal. Seu álbum de estréia. WALPURGISNACHT, lançado pela Shinigami records, mostra um grupo maduro e dono de uma personalidade própria. 

                  Leonardo "Mal'lack" Alcântara (vocal), Breno Lira (guitarra), Erick Lira (guitarra), Renato Matos (baixo e backing vocals) e Arthur Felipe Lira (bateria) integram o grupo, que foi formado nos anos 90, mas que encerrou suas atividades pouco depois depois. Em 2015, a banda retoma sua carreira e no ano seguinte, solta seu primeiro full lenght, garantindo aos apreciadores do lado mais obscuro do heavy metal, momentos dignos de reconhecimento. O Black/death praticado pelo quinteto tem influência forte do metal tradicional, e muito disso se dá pelo que apresenta a dupla de guitarristas Breno e erick. Seus riffs, apesar de todas a s características black, acrescentam muito do que as duplas Smith/Murray, Hoffmann/Frank, Denner/Shermann fizeram em seus melhores dias. O vocal de Leonardo também merece destaque, por criar linhas totalmente black, por vezes lembrando nomes diferentes como Shagrath e Dani Filth. A produção e os arranjos foram feitos pela própria banda, enquanto a mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade de Nenel Lucena.  Já a capa, encaixada perfeitamente na proposta sonora do grupo, foi obra da Deafbird Design Lab.

                        Exordium é uma introdução macabra que nos deixa preparados para Vampyre, uma faixa que aflora de forma elucidativa que as guitarras serão o principal diferencial do grupo. Não que os demais integrantes fiquem atrás. Pelo contrário. Como dito antes, Leonardo tem uma voz perfeita para o estilo, enquanto que a cozinha composta por Renato e Arthur, cria bases trabalhadas e intensas. Mas o que os guitarristas mostram é que não é necessário s prender aos limites "impostos" pelo estilo para que a música se mantenha na proposta. Os solos ficaram perfeitos, sendo que em alguns momentos, esquecemos que estamos diante de um disco de Black Metal. Clamitat Vox Sanguinis também possui essa característica, deixando um espaço maior para a performance cheia de intensidade de Leonardo. Novamente, os solos apresentados são de excelente qualidade! Infernorium é uma composição que me remeteu rapidamente ao Mercyful Fate. Preste atenção nos riffs e linhas de baixo aqui (obviamente que antes da faixa adentrar o sombrio mundo do black metal) e me diga se estou errado...

                         E tome mais metal tradicional em The Serpent's Eyes and The Horns of Crown. Talvez a faixa mais nesse estilo do trabalho, a composição é um belo exemplo de como a música do grupo é rica e cheia de personalidade. The Elizabethan Dark Moon é uma faixa típicamente Black Metal.Os riffs são cortantes, mas ganham a adição de momentos mais tradicionais. O título longo de The Canine Enchantment By The Phlebotomy (In The Jugular's Stream) traduz a angústia presente durante a execução da faixa. Sombria e com momentos variados, a composição é um dos destaques do trabalho. Transylvanian Cry também possui estas características, mas de uma forma menos intensa. O fechamento do álbum vem com Walpurgisnacht, é uma faixa bem estruturada, repleta de mudanças de andamento, dando ao álbum, em encerramento em grande estilo.

                             WALPURGISNACHT é mais do que um simples trabalho de estréia. É a firmação do ELIZABETHAN WALPURGA como um nome a ser lembrado no Brasil quando o assunto for metal extremo. Mesmo com apenas um trabalho, o grupo ostra mais personalidade e qualidade que alguns grupos que estão na cena há algum tempo. 





                    Sergiomar Menezes


THE UNITY - THE UNITY (2017)




                     Quando integrantes de bandas que ainda estão em atividade resolvem criar ou participar de projetos paralelos, logo pensamos: "Ah... a sonoridade vai ser bem diferente. Afinal, porque outra banda ou projeto se é pra fazer o mesmo que se faz na banda principal?". Mas nem sempre a coisa é tão simples assim. No caso do THE UNITY, que lança seu auto intitulado álbum de estréia, que chega por aqui pela parceria entre a Shinigami Records e a SPV/Steamhammer, temos a presença de músicos que integram um dos grandes nomes do power metal mundial: o Gamma Ray. Mas além disso, temos também a participação de ex-membros da banda Love.Might.Kill, sendo que o baterista dessa, hoje é dono das baquetas do já citado Gamma Ray. Se lendo pode soar um pouco confuso, ao ouvirmos o disco, percebemos que a música do THE UNITY agrega s sonoridades de ambas as bandas, criando um Power Metal com forte ligação com o Hard/Melodic Rock.

                      Gianbattista Manenti (vocal), Henjo Richter (guitarra, Gamma Ray), Stef E. (guitarra), Jogi Sweers (baixo), Sascha Onnen (teclados) e Michael Ehré (bateria, Gamma Ray) integra a banda. Exceção feita a Henjo Richter, os demais integrantes tocavam no Love.Might.Kill. juntamente com Michael Ehré. E ainda, o guitarrista Christian Stöver (que também tocava no LMK), gravou algumas guitarras adicionais. Ou seja, entrosamento total entre os músicos, que se encarregaram também da produção do álbum, que soa limpa, com tudo no lugar, como aliás, o estilo praticado pelo grupo necessita. Já a mixagem e masterização ficaram por conta de Miquel A. Riutort, enquanto que a capa, que ficou bem legal, foi obra de Alexander Mertsch. Em 12 faixas, o sexteto nos apresenta composições cheias de melodia, navegando entre o power e o melodic metal, incorporando influências do hard europeu. 

                        Algumas faixas acabam se destacando dentro do álbum, que é bastante homogêneo, mantendo um nível elevado de qualidade. Dentre ela podemos citar  abertura com Rise and Fall, mais próxima do power metal, principalmente no tange às guitarras, que trazem riffs bem construídos. Já o vocal de Gianbattista soa diferenciado, pois o músico passeia com desenvoltura tanto pelo metal quanto hard sem soar forçado. No More Lies é outra boa faixa, pesada e detentora de um refrão que é puro hard/heavy anos 80. O peso também se destaca em God of Redemption. Cadenciada e com linhas mais próximas do metal tradicional. Firesign também se destaca, mostrando a versatilidade do vocalista, que vai do mais rasgado ao melódico com facilidade. Close to Crazy é uma faixa que lembra um pouco o Gamma Ray, pois as melodias parecem ter saído da mente genial do mestre Kai Hansen. Ainda podemos destacar Edens Fall (hard/heavy old school) e Killer Instinct, que possui riffs bacanas e uma levada mais cadenciada.

                        A estréia do THE UNITY aponta um grupo (ou projeto paralelo) disposto a encarar novos desafios. Basta saber se quando o Gamma Ray retornar, da pausa "forçada", a banda se manterá ou se transformará apenas em um passatempo dos músicos aqui envolvidos. E se este for o ocorrido, será um grande desperdício, uma vez que o que o grupo apresenta aqui é uma música bem interessante e de qualidade.




                      Sergiomar Menezes

SOUL INSIDE - NO MORE SILENCE (2015)



                  O grupo mineiro SOUL INSIDE, formado em 2012, chega ao seu primeiro álbum. Intitulado NO MORE SILENCE, o grupo aposta em uma sonoridade pesada, que flerta com o Thrash, o Death e também com o Heavy Metal mais tradicional, imprimindo sua personalidade. E isso conta muito á favor do grupo, tendo em vista que hoje em dia, nosso cenário acaba recebendo muitos "clones", que caem no esquecimento rapidamente. Dessa forma, o quarteto nos apresenta composições agressivas e técnicas, mostrando muito potencial.

                       Bruno de Carvalho (vocal e baixo), Beto Siqueira (guitarra), Eduardo Petrini (guitarra) e Renan Seabra (bateria) formaram a banda em Lavras/MG, com o intuito de criar músicas "técnicas e pesadas". E ao ouvirmos com atenção seu trabalho de estréia, podemos afirmar que  abanda atingiu seu objetivo. As guitarras da dupla  Beto e Eduardo mostram bom entrosamento, alternando riffs e solos de forma bastante coesa. A pegada da cozinha também investe forte no peso, enquanto o vocalista Bruno mostra desenvoltura, pois seu vocal não se limita à uma linha reta, mesmo que em algumas vezes, nem sempre essa alternância funcione a contento. Gravado no Braia Studios/MG, o álbum foi mixado e masterizado por Luciano Marciani em São Paulo/SP. A capa é trabalho criado pela ArtSpell Artwork de Caxias do Sul/RS. Ou seja, houve uma "interação" nacional para que se chegasse ao produto final.  o resultado se mostra acima da média!

                     O álbum abre com Child of War, que em seu início tem um clima mais introspectivo, mas que logo ganha peso em riffs fortes, carregados de energia. Navegando entre o Thrash e o Death (com maior destaque para o primeiro), a música do grupo se mostra bastante eficiente. assim como na pesada e bastante direta Fight The Despair, que alterna momentos mais rápidos com outros mais cadenciados, onde o peso da cozinha composta por Bruno e Renan (baixo e bateria respectivamente) apresenta boa técnica e entrosamento. Again the Nightmare inicia com riffs bem interessantes, com momentos onde o groove acaba mostrando uma faceta diferente da banda, assim como o solo, cheio de melodia.A faixa acaba sendo um dos destaques do trabalho. A pancadaria come solta em Life of Lies, sem muito espaço para respirar. 

                          A faixa título começa com o baixo de Bruno em destaque e aqui o groove retorna em passagens mais intensas, enquanto os solos inspirados no thrash Bay Area mostram que a banda tem versatilidade na hora de alternar suas composições. E tome porradaria em The Killer Inside. Com passagens que trazem o lado "melódico" (sim, entre aspas, pois a melodia aqui se encaixa na proposta de música pesada do quarteto) mais destacado. E vejam que essa veia "melódica" da banda, não interfere em nenhum momento no peso das composições. Unholy Temple aproxima mais o grupo de sua face death metal, enquanto que o encerramento, que vem em Sands of Truth, mostra que o Sepultura da fase Arise (1991), tem forte influência na sonoridade do grupo, principalmente no que diz respeito as guitarras.

                   A estréia do SOUL INSIDE mostra que o grupo mineiro tem um grande potencial. Músicas agressivas, com alguns momentos cheios de groove e técnicas, fazem de NO MORE SILENCE um cartão de visitas de quem quer e tem muito serviço para mostrar. Que os próximos trabalhos mantenham essa pegada!






                    Sergiomar Menezes