Seguidores

domingo, 23 de abril de 2017

MORTUO - OLD MEMORIES OF THE PAST (2015)



             Fazer Black Metal não é fácil. Sejamos sinceros. Muitas vezes, algumas bandas lançam álbuns sem nenhum tipo de preocupação com as estruturas das músicas, com produções porcas, vocais inintelingíveis e pensam que isso é soar "true". Só que acabam sim, soando patéticas. Black Metal não é nem nunca foi sinônimo de música tosca ou mal tocada. E pra comprovar isso, temos aqui esse petardo da "one-man-band" MORTUO. OLD MEMORIES OF THE PAST é um senhor disco de black metal. Tudo aqui nos remete aos bons tempos do estilo. Orquestrações sem muitas "firulas" (apesar de muito bem estruturadas), guitarras ríspidas e arranjos muito bem pensados. 

                Formada por Vox Morbidus (vocal, guitarra, baixo, bateria e teclados), a banda tem sua data de formação o ano de 2004, com o nome de Evilusions, onde apenas algumas demos foram gravadas. Retomando as atividades sob o nome atual em 2013, e aproveitando alguns riffs do passado, o grupo lançou em 2015 este seu primeiro trabalho. Também produzido por Vox Morbidus (ou seja, o cara "bate escanteio e cabeceia"), o cd é uma bela amostra de que trabalho e perseverança, quando feitos com dedicação, rendem bons frutos. Em 10 faixas, o black metal surge imponente, mesmo que trazendo influências do metal tradicional (não tinha como ser diferente), o que temos aqui são músicas repletas de vocais rasgados, bateria veloz, passagens sinfônicas ( mas sem exageros) e guitarras agressivas, como o estilo deve ser.

              In All The Places inicia o álbum e soa como uma introdução para Obscure Ancient War, uma faixa tipicamente black metal. Desde às guitarras, com seus riffs insanos, passando pela bateria alucinante e os vocais inspirados, a faixa condensa em sua atmosfera, todo o clima que o estilo deve possuir. Assim como For Profanation, cuja velocidade contrasta perfeitamente com as passagens climáticas dos teclados. E a produção proporciona que isso seja percebido em detalhes. Mais um ponto positivo para o trabalho. Já Hunting in the Darkness é um dos grandes destaques do álbum. pois traz a voracidade do estilo amparada por momentos que soam melódicos, sem que isso traga nenhum demérito ou torne  a música confusa. E mais uma vez, os vocais mostram a aspereza e brutalidade sem que precisem soarem desconexos. Outra grande faixa é Road Of Evil. Com um andamento mais cadenciado, mas nem por isso menos brutal, a faixa ganha velocidade e intensidade de forma correta, mostrando a capacidade de composição de Vox Morbidus.

           Past I: The End of Hope também possui um andamento mais "ameno", com passagens até mesmo atmosféricas dos teclados. O que não faz com que as guitarras mostrem toda crueza e agressividade que se fazem presentes em toda a  execução do cd. Old Memories Of The Past, a faixa título, começa atmosférica, mas ganha peso, cm uma pegada quase thrash, muito mais pelos riffs iniciais, pois logo, avalanche black toma conta de toda e estrutura. Past II: The Consequence  é uma espécie de interlúdio, composta e  excecutada ao teclado, criando um clima soturno para a próxima faixa. Devil Eyes (Evilusions Tribute) como o subtítulo entrega é uma música dos tempos passados da banda e tem no metal tradicional sua base. O encerramento vem com Raise the Dead, cover do Bathory, um tributo á uma das grandes influências do grupo e um dos maiores nomes do estilo. 

               OLD MEMORIES OF THE PAST, mesmo sendo apenas o álbum de estréia da MORTUO, mostra uma banda que tem o black metal correndo em suas veias. Músicas intensas, agressivas e bem arranjadas, trazem aquilo que todo fã do estilo esperam: brutalidade e rispidez amparados por uma produção que valoriza cada detalhe das faixas. Um dos grandes álbuns do estilo lançados no Brasil!




               Sergiomar Menezes

sábado, 15 de abril de 2017

STONEX - SEEDS OF EVIL (2015)



           Formada em 2012 em Aracaju, Sergipe, a banda STONEX mostra, mais uma vez, que o Nordeste brasileiro é rico e prolífico quando o assunto é Heavy Metal. Exemplos não faltam. Jackdevil, Fúria Louca, Headhunter DC, entre outras, são  aprova viva que, independente do estilo adotado, o Metal vive e pulsa firme e forte naquela região. E os sergipanos não fogem à regra. Sem um estilo definido, mas flutuando entre o metal dos anos 80 (com uma maior influência da NWOBHM), mas investindo em várias vertentes, o hoje quinteto, lançou em 2015, de forma independente, o EP SEEDS OF EVIL, contando com 4 faixas que carregam consigo, aquela atmosfera típicamente oitentista, mas sem se prender ao passado.

                Na época do lançamento, o grupo era formado por Ramon Guerreiro (vocal), Marcelo Hazz (guitarra), Atilio Bass (baixo) e Adriano Cardoso (bateria). Hoje, após  a saída de Atilio, o grupo conta com Alessandro Mongini nas quatro cordas, enquanto que houve a adição de mais uma guitarra, à cargo de Dálvaro Soares. O trabalho foi gravado no Rikeza Sonorização entre agosto e setembro de 2014 e foi produzido pela própria banda e Riqueza, e dentro de suas imitações, ficou de bom nível. Com uma sonoridade calcada entre o que Iron Maiden e Judas fizeram em seus áureos tempos (se bem que ambas as bandas estão nesses áureos tempos há muito tempo...), o grupo traz riffs inspirados, cozinha bem trabalhada e um vocal que foge um pouco das características "normais" do estilo. Cantando de forma mais rasgada, Ramon mostra personalidade, mas em alguns momentos, acaba ficando um pouco aquém do que a música pede. Nada que o tempo de estrada e alguns ajustes na hora da produção não resolvam. E, não esqueçamos, este é o primeiro trabalho do grupo. E o que ouvimos nas quatro faixas aqui presentes, vemos que o grupo tem futuro.

                 Dressed in Black tem guitarras bem timbradas e uma veia na linha anos 80. O solo ficou muito bom, enquanto a cozinha, mostra entrosamento, com linhas bem variadas e pesadas. O que acaba "pecando" aqui, é uma maior definição quanto ao que o grupo pretende daqui pra frente, pois apesar de bem composta e executada, a faixa nos traz aquela sensação de déjà-vu, pois parece que já escutamos isso alguma vez. Electric Sky já tem guitarras mais voltadas aos anos 70, com um quê de Sabbath/Led/Purple. A guitarra, mais uma vez, ganha destaque, com passagens bem estruturadas. Se na faixa anterior, tínhamos uma veia anos 70 bem perceptível, em Maggots On My Brain, o bom e velho Sabbath surge ainda mais imponente. Marcelo Hazz se mostra um grande guitarrista pois seus riffs não se mostram repetitivos nem sem criatividade. O encerramento vem com Master of the Pit, uma faixa que resume bem as influências do grupo. Mesmo tendo uma levada tipicamente heavy metal old school, podemos ouvir ecos de hard rock em sua estrutura, o que mostra que o gruo não se limita aos estereótipos muitas vezes criados pelo "estilo".

                   O STONEX em seu trabalho de estréia mostra que tem potencial para buscar seu lugar ao sol no disputado cenário nacional. SEEDS OF EVIL possui boas composições, mesmo que o grupo ainda esteja começando, é necessário pensar melhor algumas passagens e também, algumas linhas de composição, para que não sejam apenas mais uma banda no estilo. Talento e criatividade eles demonstram ter. Basta uma pequena lapidada para o próximo trabalho.





              Sergiomar Menezes
                 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

LANCER - MASTERY (2017)



                        Um power metal moderno, mas com uma dose, modesta é verdade, de metal melódico. Mas que busca mesclar peso e melódia de forma consistente. Dessa forma podemos classificar a sonoridade do grupo sueco LANCER, em seu terceiro trabalho, o bem trabalhado e executado MASTERY, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Fugindo daquele zona de conforto onde muitas bandas do estilo estacionaram e parecem ter preguiça de sair, o quinteto aposta em uma música intensa e vigorosa, onde as guitarras guiam o álbum, mostrando que a Suécia é um país aberto às mais variadas sonoridades.

                     Formada em 2009, a banda é composta por Isak Stenvall (vocal) Fredrik Kelemen (guitarra), Ewo Solvelius (guitarra), Emil Öberg (baixo) e Sebastian Pedernera (bateria). Neste trabalho,  a produção ficou sob a responsabilidadede Gustav Ydenius e da própria banda, e pode-se dizer que ficou excelente, uma vez que os instrumentos soam nítidos e cristalinos, mas ao mesmo tempo, tem o peso necessário, o que faz com que o cd soe como o power metal deve soar. O trabalho em conjunto tambem se deu em parceria, enquanto que a mixagem ficou à cargo do renomado Miro (Kamelot, Avantasia, Rhapsody). Mesmo pendendo em certos momentos para o lado melódico do estilo, o LANCER deixa explícito no encarte do álbum que não houve, em nenhum momento das gravações a adição de teclados. Soa "true" ou não? Mas a verdade é que o grupo não se apega a esse tipo de coisa. Nas dez faixas que compõem o trabalho, isso fica bem nítido. Temos ainda uma bônus track, incluída na versão nacional. E não podemos esquecer de citar a bela capa, algo recorrente quando se fala em power metal, principalmente no europeu.

                          Como dito antes as guitarras guiam o trabalho, que tem nos riffs e solos os pontos altos do cd. Mas não dá pra não falar no que o vocalista Isak faz aqui. Dono de um timbre peculiar, ele não busca apenas exercitar sua voz e fazer demonstrações de auto-indulgência. Buscar dar a música o que ela pede, o música também é um dos destaques aqui. Faixas como Dead Raising Tower, um power bem bem típico, principalmente na seção rítmica, que guarda certa similaridade com os momentos mais pesados do Hammerfall, Mastery, faixa título, muito bem arranjada e com aquela pegada característica, onde os bons riffs da dupla Fredrik e Ewo comandam a execução de forma eficiente, Victims of The Nile, que, se num primeiro momento soa como uma balada, ganha peso e agressividade durante seu andamento, e tem na interpretação do vocalista um belo exemplo de como soar destacado sem com que isso atrapalhe a performance do restante do grupo, Iscariot, que tem no Helloween antigo uma grande inspiração, Freedom Eater pesada e bem acelerada (aqui o baixo de Emil Öberg ganha maior "visibilidade") e Widowmaker, que tem um pézinho no Hard (assim como a faixa bônus, The Wolf and The Kraken), mostram um grupo que já faz por merecer um maior destaque dentro do cenário.

                          Neste terceiro trabalho, o LANCER dá provas que o estilo que para muitos se mostra estagnado, está mais vivo do que nunca, com bandas que não param no tempo e não se acomodam. MASTERY é um álbum que deve ser ouvido por fãs de heavy metal em geral, que não se prendem á rótulos. Se assim o fizerem, descobrirão uma banda que logo,logo, pode figurar entre os grandes nomes do estilo na atualidade.



                


                   Sergiomar Menezes

domingo, 2 de abril de 2017

FLAGELADÖR / AXECUTER - HEADBANGERS AFTERLIFE (2016)



             E os anos 80 vivem! Se há alguma dúvida, basta ouvir o split/cd lançado pelas bandas FLAGELADÖR e AXECUTER para que isso fique claro. Desde a capa até a produção, passando pelas letras, sonoridade, visual e atitudes dos grupos, o que temos aqui é uma volta á década de ouro do Heavy Metal. Enquanto a primeira canta em português, a segunda escolheu o inglês como língua mãe. mas ambas jogam suas fichas naquele estilo mais tradicional do metal, mas que incorpora elementos do thrash e até mesmo do hard em suas composições. HEADBANGERS AFTERLIFE traz cinco faixas de cada grupo. Coincidência ou não, ambas as bandas são formadas por trios. A boa e velha formação guitarra, baixo e bateria!

                   O Flageladör é composto por Armandö Macedö (vocal e guitarra), Turkö Basüra (baixo) e Hugö Golön (bateria) e tem uma sonoridade mais suja, resgatando um pouco daquele speed metal oriundo da década de 80. Com uma produção um pouco inferior, o grupo passa seu recado de forma simples e direta, Já o Axecuter é formado por Danmented (vocal e guitarra), Rascal (baixo) e Vigo (bateria) e tem no metal tradicional sua base, mas o grupo também resgata momentos próximos do thrash em sua forma de compôr. E a produção das faixas apresentadas pelo grupo é melhor do que a do Flageladör. Mas nada que faça com que uma banda se sobreponha à outra, afinal estamos de falando de bandas muito similares e que tem no metal dos anos 80 sua grande inspiração. E a capa... basta uma rápida olhada e tudo fica claro!

                   As cinco primeiras faixas competem ao Flageladör. E tome speed/metal tradicional na veia! Desde a faixa instrumental As Intermitências da Morte, passando por Terceira Guerra Mundial, A Canção do Aço, Sangue Negro, Alimento das Bestas e chegando ao encerramento como cover de Filhos da Bomba ( uma mais que justa homenagem ao grande e infelizmente falecido Celso Blues Boy), o trio de Niterói (RJ) deixa nítida toda sua influência do thrash, death/black e da NWOBHM. Uma pena a produção ter ficado um pouco aquém em termos de maior clareza, mas o que vale aqui é a intenção, e o grupo acerta em cheio! Já o Axecuter, apresenta também cinco faixas, inspiradas também no metal dos anos 80, mas com uma maior vidência para o metal tradicional. Nada de modernismos, sonoridade atual, "barulhinhos" ou qualquer coisa que lembre as produções mais atuais. O que temos aqui é o bom e velho metal, como ele se apresentava em seus primórdios. Attack, Creatures In Disguise, In For The Kill, Medieval Tyranny e o encerramento com o cover de Gimme More, do Kiss, provam que o aquele lado amis "true" do heavy metal ainda vive. 

                   Apesar da certa disparidade nas produções, o split mostra duas bandas que exaltam os anos 80, cada uma à sua maneira. Seja buscando o lado mais  veloz e agressivo, seja optando pelo lado mais tradicional e trabalhado, os grupos dividem não apenas esse split, mas também a paixão pelo heavy metal. E isso hoje em dia, parece ser raro de encontrar...



                   


                Sergiomar Menezes

TERRORSPHERE - BLOOD PATH (2016)



               A banda paranaense TERRORSPHERE surgiu em 2014 oriunda das cinzas da banda Invisible Enemy. E neste pouco espaço de tempo, o grupo amadureceu sua sonoridade e estréia lançando um EP intitulado BLOOD PATH. Trazendo em sua sonoridade uma atmosfera que aproxima o death metal old school do thrash metal, o grupo apresenta 05 faixas brutais e diretas, como suas influências deixam bastante claro (Deicide, Cannibal Corpse, Death e Morbid Angel - pelo lado Death Metal- e Destruction, Korzus, Slayer, Sepultura e Exodus - pelos lados do Thrash Metal). 

                   Formada por Werner Lauer (vocal e baixo), Francisco Neves (guitarra), Udo Ricardo (guitarra) e Victor Oliveira (bateria), a banda aposta numa sonoridade bastante suja e agressiva, deixando bem nítida que a veia death metal predomina de forma mais direta em suas composições. O EP foi produzido por Júnior Ribeiro, Lucas Camporezzi e pela própria banda , tendo sido mixado e masterizado no Áudio 13 (onde também foi gravado). E aqui fica um pequeno porém: apesar da sonoridade bem brutal, o vocal ficou um pouco abafado. Não sei se essa era a intenção, mas acaba destoando um pouco do restante, pois em alguns momentos, além de abafado, a voz do baixista Werner fica mais baixa e quase que some, ficando "distante". Não compromete, mas é algo para se atentar no próximo trabalho. Mesmo sendo a estréia do grupo, o mercado nacional anda muito disputado, e ás vezes, pequenos detalhes acabam fazendo a diferença. Mas o grupo mostra personalidade  e muita criatividade nas cinco faixas presentes aqui.

                     Cantada em português, Assassinos abre o EP de forma bastante agressiva. Riffs bem característicos e uma levada de bateria insana, transformam a faixa num dos destaques do trabalho. Ainda, um refrão forte e cheia de ódio merece ser citado. Com uma letra que retrata um pouco daquilo que vemos no nosso dia, a faixa tem guitarras ríspidas durante toda sua execução. Na sequência, War Curse, aproxima o grupo do Thrash, mas mantendo a pegada voltado para o death metal. E isso ficou muito bem dosado pelo grupo, mostrando um entrosamento coeso na cozinha, onde o baixista/vocalista Werner "divide" o peso com o baterista Victor. E mais uma vez, as guitarras explodem riffs violentos e raivosos. Por falar em guitarras, o detah metal que salta aos ouvidos em Terror Squad, mesmo sendo uma faixa mais cadenciada em alguns momentos, é de total responsabilidade da dupla Francisco e Udo, que assim como a cozinha, mostram grande sintonia. Mais doses generosas de Thrash metal é o que temos em Blood Path. A faixa título mostra que o grupo não se prende aos rótulos que por vezes acabam cerceando muitas bandas. Uma pena que o vocal aqui ficou abaixo do que a faixa pediu. mas acredito que ao vivo isso deve ser sanado. O encerramento vem com Mind Control, mais uma faixa com todas as características do death metal, tendo sua vertente mais próxima daquele death old school. 

                      Neste EP de estréia o TERRORSPHERE mostra que tem disposição e muita vontade de adentrar no disputado cenário do metal extremo nacional. BLOOD PATH é um bom trabalho que peca apenas em pequenos detalhes que, sem dúvidas, servirão de aprendizado para o grupo, afinal, estamos falando de sua estréia. Nas cinco faixas apresentadas aqui, os paranaenses mostram grande potencial, o que na minha opinião, irá se confirmar ainda mais no seu próximo trabalho.





                 Sergiomar Menezes

VESCERA - BEYOND THE FIGHT (2017)



              O norte americano Michael Vescera possui uma longa carreira, bem como uma extensa discografia. Seja participando como membro convidado, seja como integrante fixo, o talentoso vocalista sempre empresta seu carisma e voz deixando sua marca. E agora, cerca de 35 anos após sua estréia em estúdio com o grupo Obsession, é chagada a hora de dar seu nome à sua nova banda. VESCERA chega ao mercado, após o vocalista assinar um contrato mundial com a Pure Steel Records, lançando BEYOND THE FIGHT, um álbum que resume de forma completa tudo que o músico fez ao longo dos anos, mas visa um futuro promissor, sendo acompanhado por músicos igualmente talentosos.

                   Além do próprio Vescera, o grupo é formado por ex-integrantes do grupo Nitehawks. Contando com Mike Petrone (guitarra), Frank Leone (baixo) e Fabio Alessandrini (bateria), o line-up une estados Unidos e Itália, formando uma bela mistura entre o heavy metal norte-americano e o metal melódico europeu. Pode até soar meio estranho, mas temos aqui um trabalho de classe e extremo bom gosto, o que já era de se esperar, tendo em vista a qualidade dos músicos envolvidos. Falar sobre Michael Vescera é até desnecessário, pois a longa carreira do vocalista fala por si. Mas nunca é demais lembrar que suas passagens pelo já citado Obsession, pelo Loudness, pela banda de Yngwie Malmsteen, pelo nosso Dr. Sin e pelo MVP (Michael Vescera Project), não deixam dúvidas sobre seu talento. E aqui, temos músicos experientes e que carregam consigo técnica e criatividade, com destaque para o guitarrista Mike Petrone, que traz riffs e solos inspirados, enquanto a cozinha composta por Frank e Fabio, capricha em bases sólidas e bem estruturadas. Com uma bela produção, o trabalho irá agradar não apenas aos fãs de Vescera, mas a todos que apreciam um hard/heavy cheio de classe.

                      Apresentando 09 faixas, o álbum apresenta composições cheias de muita técnica e uma veia hard/heavy, mas com um peso maior para o lado heavy da coisa. Isso já fica claro na primeira faixa, a intensa Blackout in Paradise, onde, apesar da velocidade que nos remete ao metal melódico, os riffs "old school" de Mike Petrone guiam a faixa por um caminho mais pesado. E o refrão que quebra o ritmo veloz, também acaba se destacando. In The Night tem um atmosfera mais hard, mas mantém o estilo proposto pelo grupo sem alterações significativas, enquanto que Stand and Fight é heavy metal puro e clássico, com linhas bem marcadas, tanto na melodia quanto no ritmo, mostrando mais uma vez toda a categoria do guitarrista italiano. E isso é importante salientar, apesar de levar o sobre nome do vocalista, o que ouvimos aqui é o trabalho de uma banda, sem que apenas Michael ganhe destaque. O peso no andamento de Dynamite se contrata com o refrão melódico e de fácil assimilação. Looking For Trouble é uma das melhores faixas, bem trabalhada e calcada em riffs fortes, o faixa mescla de maneira eficiente a veia hard/heavy que o vocalista sempre demonstrou ao ongo de sua carreira. Vendetta se aproxima mais do metal melódico, mas durante sua execução ganha peso e volta a flertar de forma bem direta com o metal tradicional. Troubled Man traz, talvez, a melhor interpretação do vocalista no álbum. Cantando de forma mais intensa e usando a voz de forma que só quem tem experiência pode fazer, Vescera usa os "atalhos" que aprendeu durante esses anos e nos entrega uma performance cheia de feeling e técnica. Assim como em Never Letting Go, onde o norte americano, mais uma vez, esbanja categoria. O encerramento vem com Suite 95, uma faixa voltada mais para o power/metal tradicional.

                    BEYOND THE FIGHT é um trabalho digno da história do Michael Vescera. Com certeza, pode figurar entre os melhores álbuns da extensa carreira do vocalista. Acompanhado por músicos talentosos, VESCERA é um CD que vai agradar a todo fã de heavy metal, bem como aqueles que curtem um Hard/Heavy mais voltado para o lado clássico.  Um trabalho que faz justiça ao experiente vocalista!





                 Sergiomar Menezes

domingo, 26 de março de 2017

VULCANO - XIV (2017)



              Uma das mais importantes bandas do cenário metal brasileiro está de disco novo! Sim, o VULCANO, uma das instituições do metal nacional (e mundial), volta à carga com XIV, um álbum que continua mantendo viva e cada vez mais, acesa a chama do grupo. Reconhecida mundialmente, a banda completa agora em 2017, 36 anos de carreira tendo lançado ao longo desses anos 13 álbuns, oito splits com outras bandas brasileiras, além de um single de 7". Além disso o grupo lançou um DVD, um documentário oficial, contando sua história completa, por aqueles que a vivenciaram. Sabendo de sua importância e influência para o cenário extremo mundial, o grupo apresenta 10 faixas em pouco mais de 30 minutos, provando que não precisa de "enrolação" pra passar seu recado. E que recado!

                 Formado atualmente por Luiz Carlos Louzada (vocal), pelo incansável Zhema Rodero (guitarra), Gerson Fajardo (guitarra), Carlos Diaz (baixo) e Arthur "Von Barbarian" (bateria), o grupo traz em XIV, um álbum que mantém intacta toda a garra e fúria que sempre caracterizaram sua sonoridade. Fugindo dessa vez das afinações baixas que se fizeram presentes nos dois últimos trabalhos do grupo, a banda retoma as timbragens que fazem com que as guitarras soem como "guitarras" e a bateria soe como "bateria". Com uma embalagem em formato digipack, simples mas eficiente, o álbum aborda um tema bem peculiar, onde a aliança unilateral entre um Deus para com seu povo escolhido tem sua fidelidade e fé raivosamente cobrada com maldições, sacrifícios e destruição, mostrando um deus vingativo e cruel que mantém seu reinado através do medo.

                     Propaganda and Terror abre o álbum e de cara já percebemos que acomodação é uma palavra que não se encontra no dicionário do grupo. Agressiva e brutal, a faixa tem guitarras bem orgânicas, suja e extremas, enquanto a cozinha carrega no peso. Luiz Carlos despeja ódio e fúria em um vocal rasgado e cheio de raiva, Ou seja, tudo aquilo que o bom e "velho" Vulcano sempre nos apresentou. The Tides of Melted Metal tem uma veia que nos remete de forma "singela" ao metal tradicional, onde baixo e bateria se encarregam de ditar o ritmo da faixa. Além disso as guitarras, princialmente no solo, assumem o protagonismo. Já Thunder Metal, como o próprio título entrega (desculpem se isso soa clichê), mas é um trovão, daqueles arrasa quarteirão, com uma brutalidade que só quem tem conhecimento de causa passa de forma tão direta. Necrophagy segue essa linha, mas tem um andamento que apresenta uma certa variação em sua execução, mas obviamente, mantendo o nível de peso e agressividade que permeiam o álbum. Behind The Curtains mostra um Luis Carlos que parece não sofrer com a passagem do tempo pois coloca no bolso muto vocalista "novato" de metal extremo que temos por aí...

                     Thou Shalt Not Kill é uma das melhores faixas! Os riffs aqui ganham proporções insanas, o que deixa tudo muito mais pesado e brutal, mesmo a faixa não tendo na velocidade seu andamento. Arthur "Von Barbaria" e Carlos Diaz (bateria e baxo, respectivamente) mostram grande entrosamento, em linhas destruidoras. E tome mais riffs ríspidos em Paradise in Holocaust. Direta, a faixa mostra a faceta mais reta do grupo. Já The Face of The Abyss tem em sua estrutura, linha velozes de bateria, garantindo aos amantes do metal extremo, boas doses de brutalidade. E o solo... Como seria bom se toda banda que se diz extrema caprichasse neste quesito como o grupo de Santos (SP). To Kill or Die é totalmente death/black, onde o grupo além de pioneiro, é mestre no assunto. O encerramento vem com I'm Back Again, onde as guitarras soam tão destruidoras quanto em todo o trabalho. 

                         Em XIV, o VULCANO mostra que não se contente em servir como referência pelo seu passado. O grupo prova que continua sendo relevante e influente mesmo depois de três décadas e meia de serviços prestados ao metal extremo. História não se constrói da noite para o dia. E a do VULCANO ainda está longe de acabar... Para a alegria  e satisfação de todo headbanger!



                   Sergiomar Menezes