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sexta-feira, 4 de maio de 2018

TAKKEN - SEEDS OF ANGER (EP) (2017)



                Impossível ficar indiferente quando se ouve um trabalho como esse! Sabe aquela vontade de sair quebrando tudo ao seu redor? É exatamente isso que sentimos ou colocar pra rodar SEEDS OF ANGER, EP de estréia do grupo TAKKEN! Thrash metal visceral, agressivo, brutal, violento... defina como quiser. Mas o que a banda apresenta em apenas três faixas, coloca muita, mas muita "grande" no bolso. Guitarras primorosas, que trazem consigo riffs perfeitos, são a base de toda a classe e categoria que o quinteto mostra aqui. Aliás, formada em 2015, por nomes conhecidos e reconhecidos dentro do cenário (músicos de bandas como Scars, ChaosFear), a banda se prepara para lançar seu full lenght agora em 2018. E a julgar pelo que ouvimos neste EP, podemos esperar algo de altíssimo nível!

                  Régis F. (vocal), Fernando Boccomino (guitarra), Eduardo Boccomino (guitarra), André Sterzza (baixo) e Billy Houster (bateria) trazem a proposta de fazer um thrash metal que resgata as raízes do estilo, tendo por base a década de 80, mas agrega uma sonoridade bastante atual, criando uma música vibrante e dinâmica. Na época da gravação do EP (realizada no Loud Factory Studios, sob o comando dos produtores Wagner Meirinho e Tiago Assollini), o grupo era um quarteto, pois não contava ainda com as seis cordas de Edu Boccomino. E se com apenas uma guitarra, o poder de destruição do grupo já era devastador, imaginem agora? E também cabe ressaltar que  a produção não ficou menos que sensacional, pois soube valorizar o peso e a agressivdade do grupo de forma bem consistente.

                      "Die By Your Faith" já começa a devastação com os dois pés na porta! Que riff, meu amigo. Que riff! Sabe aquele thrash à moda antiga, mas que não soa datado e nem deslocado do contexto atual? É isso que temos nessa baita música. A cozinha do grupo, composta por André e Billy (baixo e bateria, respectivamente) mostra coesão e entrosamento, caprichando numa base bem sólida e pesada. Já Régis F. possui um vocal bem característico. Quem conheceu o seu grupo anterior, o espetacular Scars, sabe bem o que estou dizendo... "Political Genocide", mostra que não é apenas na esfera musical que o grupo apresenta qualidade. Sua preocupação com as letras também merece destaque, pois a abordagem vai desde o contexto atual da política, religião até as guerras e as grandes transformações que acontecem em nossa sociedade. Mais cadenciada, a faixa mostra a versatilidade da banda em explorar os limites do estilo. "Taken By Hate" também vai por essa linha mais cadenciada, mas nem por isso perde peso e brutalidade. Mais uma vez, as guitarras mostram como devem soar em álbum de thrash metal! 

                      O TAKKEN precisa urgente lançar um álbum completo. Um grupo com a qualidade e sangue no olho como ele não pode ficar restrito à apenas três faixas. Os fãs de um dos estilos mais fodas do planeta aguardam ansiosos pelo full lenght. Que venha o quanto antes. Nossos pescoços agradecem!






                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 2 de maio de 2018

CORRAM PARA AS COLINAS - CORRAM PARA AS COLINAS (EP) (2016)



                  Formada em 2012 em Curitiba/PR, a banda CORRAM PARA AS COLINAS conta em sua formação com músicos importantes da cena underground daquela cidade. Praticando um stoner com uma pegada bem metal (principalmente no que diz respeito as guitarras), o trio lançou seu EP de estréia em 2016 e mostrou, logo de cara, que a classe e o bom gosto nas composições fazem a diferença dentro do estilo proposto pelo grupo.

                     Márcio D'ávila (vocal e guitarra), Gustavo Slomp (vocal e baixo) e André Wlodarczyk (bateria) lançaram em 2014 duas faixas (que surgem como bônus neste EP), deixando claro aquilo que pretendem: fazer um som pesado, sujo e sem concessões. Com uma veia próxima do heavy metal, o trio aposta em um stoner cheio de personalidade, que ganha ainda mais identidade ao ser cantado em português. A produção ficou boa, uma vez que priorizou o peso e "sujo" do grupo, mas que não transformou isso em uma massa sonora e disforme, o que acontece em algumas produções que confundem "sujeira" co  barulho.

                     Sem se preocupar com rótulos, o EP abre com a faixa "Dilúvio", com guitarras pesadas e bem timbradas. Sem muita invencionice, o trio investe forte no peso, com uma levada mais arrastada e uma certa dose de psicodelia na parte do refrão, o que cria um clima bem interessante. Na sequência, Temos "Pedras", com destaque para  a cozinha composta por Gustavo e André, que sentam  a mão, numa base sólida e pesada. Com momentos variados em sua execução, a faixa é um dos bons momentos do trabalho. A distorção comanda "Desalmado", outro belo exemplo de como o gruo consegue impôr sua personalidade dentro de suas composições. Com um andamento mais cadenciado mas que ganha alternância com outros bem acelerados, o trio mostra desenvoltura em sua execução. "Vida Torta" possui boas idéias, mas durante sua execução parece se perder, fugindo um pouco da linha que a composição seguia em seu início. Acaba sendo o ponto mais "fraco" do trabalho. Já " A Marcha" é um "rockão", estilo anos 70, com uma veia hard, cheia de distorção.  Temos ainda as duas faixas bônus, que forma lançadas pelo trio em 2014. "Rival" e "Porco Vesgo", que ficaram um pouco aquém das demais, principalmente pel aprodução, que destoa das presentes no EP.

                     O grupo CORRAM PARA AS COLINAS se mostra uma boa opção para quem curte um rock/metal/stoner pesado e direto, sem influências "modernas". Com personalidade, o trio dá mostras que tem um belo futuro pela frente. Ficamos no aguardo dos próximos trabalhos para que essa expectativa se confirme!





                     Sergiomar Menezes

terça-feira, 1 de maio de 2018

KADAVAR - ROUGH TIMES (2017)



               A banda alemã KADAVAR chega ao seu quarto álbum de estúdio praticando uma música bastante intensa. Calcado naquele hard dos anos setenta e com muita personalidade (e é preciso que fique claro: ter influência e identidade, não é pra qualquer um), ROUGH TIMES, lançado por aqui pela Shinigami Records, mostra um grupo que sabe, como poucos, somar suas influências, criando uma sonoridade bastante significativa. Formada em 2010 e dona de uma performance ao vivo cheia de energia, a banda vem numa constante evolução e apresente neste álbum, seu trabalho mais maduro e consistente.

                Lupus Lindemann (vocal e guitarra), Simon "Dragon" Bouteloup (baixo) e Tiger Bartelt (bateria) gravaram o álbum sob o comando do baterista Tiger e de Richard Behrens no Blue Wall Studio, em Berlin, capital do país natal do trio. A mixagem também ficou por conta do baterista que além de tudo isso, ainda dividiu o trabalho de masterização com Nene Baratto. Ou seja, se tem alguém que sabe como o grupo deve soar é Tiger Bartelt. E podem acreditar que ele sabe! Com uma sonoridade suja e bem pesada, o álbum tem aquela aura setentista, onde a mistura entre o hard e o heavy se completam de forma bem homogênea. Já a capa... Bom... Nem tudo é perfeito, não é mesmo? Apesar de se encaixar na proposta, bem que a arte poderia ser um pouquinho mais trabalhada... Mas isso não atrapalha em nada o resultado final do trabalho.

                   Iniciando com a faixa título, o grupo já dá mostras de sua constante evolução. Pesada, com toques psicodélicos e vocais cheios daquele feeling setentista. Alternando momentos mais acelerados ou outros mais "quebrados", a composição tem uma forte pegada. "Into The Wormhole" começa com aquele baixo "gordo", cheio de distorção e ganha um diferencial pelos vocais de Lupus, que mostram que o vocalista poderia tranquilamente integrar alguma banda da década de ouro da música. Pesada e viajante, "Skeleton Blues" é uma das melhores faixas. Dona de linhas bem interessantes, a música condensa de forma simples e direta toda a sonoridade do trio alemão. Se a faixa anterior possuía mais peso, "Die Baby Die" possui uma levada bem mais próxima do hard, dando destaque para o ótimo trabalho de guitarras de Lupus, que mostra que o rock psicodélico corre livremente em suas veias. "Vampires" também segue essa linha, mas com uma pegada mais "stoner".

                "Tribulation Nation" mantém  apegada anos 70, e aqui, merece destaque a cozinha composta por Simon e Tiger. Simples, mas bem eficiente, a dupla não deixa dúvidas que a cozinha do bom e velho Sabbath é mais do que uma influência  e sim uma referência. E tome riffs na escola Tony Iommi em "Words of Evil". Impossível não fazer essa ligação. "The Lost Child" dá uma quebrada no clima mais pesado, mas nem por isso dispensa a atmosfera setentista que envolve o trabalho. Outro grande momento do álbum é "You Found the Best in Me", com belas passagens melódicas e acústicas, mostrando a versatilidade do grupo na hora de compôr."A L'ombre du Temps" é o ponto mais fraco do trabalho, pois não traz nada que possa ser um diferencial, como todas as outras faixas presentes no CD. A versão nacional se encerra com "Helter Skelter" dos Beatles, o primeiro heavy metal da história. Com personalidade, o grupo soube imprimir sua identidade na releitura, com calsse e bom gosto.

                       O KADAVAR mostrou ROUGH TIMES que mesmo buscando resgatar uma sonoridade setentista, o grupo imprime sua identidade de forma consistente. Sem deixar nenhum tipo de dúvidas quanto á sua qualidade, a banda se destaca com todo o merecimento dentro do cenário da música pesada. Fãs de stoner, psicodelia e porque não dizer, de doom, tem mais uma excelente opção para abrir seus horizontes.




               Sergiomar Menezes


                

terça-feira, 24 de abril de 2018

BLACK PANTERA - AGRESSÃO (2018)



                Seguindo firme em sua proposta de fazer m som pesado e agressivo, praticando uma mistura mais do que interessante de Punk/HC com Metal (princialmente com o Thrash), o grupo mineiro BLACK PANTERA chega a seu segundo trabalho mostrando uma evolução. Mas se você pensa que isso pode ter acarretado em uma "amenizada" na sonoridade do grupo... Ah, meu amigo... De forma alguma! AGRESSÃO soa tão ríspido, violento e insano quanto o trabalho de estréia do trio. Estão presentes aqui toda a fúria e intensidade do grupo, bem como suas letras ácidas e críticas, que se tornaram uma das principais características da banda. Após participar de shows ao lado bandas nacionais de renome no cenário, o grupo este em turnê pela Europa, o que lhe possibilitou uma maior experiência, que acabou se refletindo em um álbum mais maduro, mas ao mesmo tempo dono de uma aura extremamente agressiva.

                       Charles Gama (vocal/guitarra), Chaene Gama (baixo) e Rodrigo Augusto (Pancho) (bateria), formaram o grupo em 2014 e em apenas 4 anos já lançam seu segundo álbum. Pode parecer pouco, mas a banda mostra que tem consciência de seu potencial, trabalhando tudo a seu tempo. E trabalho é o que não tem faltado para o trio, aja visto a quantidade de shows que o trio fez após o lançamento do álbum de estréia. Tendo seu trabalho divulgado de forma profissional fora do país (Europa e América do Norte), o trio apresenta em AGRESSÃO, 11 faixas onde a adrenalina e a fúria do Hardcore recebem a adição do peso e agressividade do Thrash, criando uma música intensa e cativante. Com uma produção suja e pesada, o trabalho mostra que uma banda pode, sim, evoluir sem perder sua identidade.

                   "Prefácio" abre o álbum e já deixa claro que a atitude do grupo segue a mesma: arrebentar as estruturas com aquela pegada típica do HC. Com um começo mais trabalhado e pesado, a faixa ganha velocidade em vários momentos, alternando em passagens mais aceleradas. "Alvo na Mira" já possui na velocidade e agressividade seu destaque. A letra da composição possui uma crítica ao momento atual de nossa sociedade, onde estamos diariamente sendo o "alvo na mira". Interessante perceber que o grupo procura sempre expressar em suas letras sua opinião sem se importar com o que vão pensar a respeito. "Extra" traz riffs ríspidos, com uma pegada quase death metal (sem exageros, apenas fazendo uma comparação com a própria banda), principalmente no início. E se no primeiro álbum tínhamos o chute na cara "Bota pra Fuder", agora temos "Foda-se". Outra porrada que não faz nenhum tipo de concessão, deixando ainda mais claro o posicionamento do trio em relação à hipocrisia da sociedade atual. "O Poder para o Povo" traz mais um momento cheio de raiva e brutalidade, que alterna passagens mais cadenciadas. E aqui cabe um destaque para a cozinha do grupo, pois Chaene E Ricardo mostram um entrosamento muito bom, e além disso, deixam as faixas ainda mais pesadas, mesmo fazendo uso da velocidade.

                  "O Sexto Dia" nada tem haver com a Bíblia ou literatura e sim, àquele fatídico dia do mês em que o salário já era... Bem sacada, a letra mostra a realidade da maioria da população brasileira. Agregado à isso, uma levada pesada e cadenciada deixa tudo na medida. "Onde os Fracos Não Têm Vez" é outro belo momento HC do trabalho. "Seasons", apesar do nome, é cantada em português também, o que mostra a preocupação do grupo em passar sua mensagem, mesmo tendo seu trabalho divulgado lá fora. "Baculejo" é a faixa mais agressiva do CD. Ricardo incorpora várias influências aqui. Punk/HC, Metal, Thrash, Death... E essa "salada" deu muito certo dentro da execução da faixa. A rifferama comanda "Último Homem em Pé", uma faixa digna de entrar no setlist da banda e nunca mais sair. Não tem como ouvir essa faixa e não sentir vontade de quebrar tudo à sua volta. Que porrada! "Granada" encerra o trabalho e é uma faixa instrumental que condensa as influências do grupo em um único local. Thrash, HC e até mesmo aquele "groove" que se mostrou mais tímido durante a execução do play, aparece aqui de forma mais expressiva. Destaque para Chaene que mostra desenvoltura e criatividade no baixo. 

                  Se existe aquele famoso "teste do segundo álbum", podemos dizer que o BLACK PANTERA passou com louvor. AGRESSÃO mostra uma banda que não perdeu sua identidade e que, ainda por cima, amadureceu mostrando evolução em suas composições. Um trabalho que merece  e deve ser apreciado pelos fãs de música pesada, direta e agressiva!




               Sergiomar Menezes

domingo, 22 de abril de 2018

ATTOMICA - THE TRICK (2018)



             Estamos apenas nos primeiros meses de 2018. Mas uma certeza já podemos ter: THE TRICK, álbum lançado pelo ATTOMICA vai figurar em TODAS as listas de Melhores do Ano da mídia especializada. E não tem como ser diferente! Pense num álbum de Thrash Metal que possui tudo aquilo que o estilo pede: riffs violentos, agressivos e pesados, baixo/bateria totalmente entrosados e muito pesados e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta. além disso, as composições presentes em THE TRICK mostram que o grupo, apesar de todos os problemas que enfrentou ao longo desses anos, continua sendo um dos melhores do nosso cenário. Duvida? Escute no volume máximo e deixe seu pescoço responder por você!

                  André Rod (vocal e baixo), Marcelo Souza (guitarra e backing vocal) e Argos Danckas (bateria e teclados) nos apresentam em 08 faixas, um trabalho repleto de garra e energia, como só as verdadeiras bandas de thrash podem fazer. THE TRICK é um álbum homogêneo, mas logo de cara podemos citar dois pontos que s e destacam. O excelente trabalho de guitarra, muito bem timbrada e com uma veia thrash, que resgata uma pagada mais old school, mas que em nenhum momento soa datada (Marcelo Souza possui personalidade) e os vocais de André Rod que lembram bastante os de Dave Mustaine (Megadeth). E isso parece ter dado um novo gás ao grupo, pois se encaixou de forma perfeita nas composições presentes aqui. Vagner Alba foi o responsável pela gravação, produção, mixagem e masterzação. E só há uma plavra pra descrever o resultado obtido aqui: perfeição! Tudo ficou nos eu lugar. Pesado, intenso, sujo e ao mesmo tempo, cristalino, THE TRICK é um trabalho que merce se tornar referência em temos de gravações via internet totalmente pasteurizadas. Já a capa é obra de Fábio Moreira em cima de uma idéia de André Rod. 

                  "Give Me The Gun" abre o álbum e já nos mostra que o poderio destruidor da banda continua intacto. Sabe aquela faixa que você ouve uma vez e quer ouvir de novo logo em seguida? O que dizer dos riffs presentes aqui? Agressivos, diretos e com uma pegada intensa, eles deixam tudo "mais fácil" para a cozinha sentar a mão na velocidade brutal da dupla André e Argos. Sério... Após ouvir a faixa, os riffs te farão apertar o play novamente... Ms não é só isso, pois a composição é bem trabalhado e com mudanças de andamento muito interessantes. Na sequência, "Feeling Bad" mostra a versatilidade do grupo ao alternar riffs mais agressivos com passagens mais trabalhadas. Apostando naquela levada tipicamente thrash, a faixa possui aquele clima característico e pesado, lembrando um pouco o já citado Megadeth (talvez pelos vocais de André), mas com a personalidade e intensidade própria do ATTOMICA. "Kill The Hero" é outro belo exemplo de como uma banda de Thrash pode soar atual e  moderna sem ter que incorporar "barulhinhos" e outras coisas "diferentes" em sua sonoridade para parecer "cool". A guitarra de Marcelo guia a faixa com maestria, algo que só grandes guitarristas podem proporcionar. Já "The Last Samurai"... Bom, o que dizer de uma composição que traz peso, agressividade, quebradeira, porradaria, técnica e muita criatividade, todas na medida certa? Essa com certeza será incorporada ao setlist para nunca mais sair... Que puta faixa sensacional!

                     "The Trick", a faixa título, também traz consigo um belo apanhado das características da  banda. Peso e muita técnica, aliados à linhas de guitarras muito bem exploradas, mostram a qualidade dos músicos sem que se precise cometer nenhum tipo de exagero. Até mesmo um um violão com influências do flamenco surge de forma bem interessante durante a execução da faixa. "Endless Cycle" vem em seguida, e "quebra" o clima mais brutal que vinha acompanhando o CD até aqui. Mas essa "quebra" é no bom sentido, pois estamos falando de uma composição elaborada, com um começo mais leve, que ganha peso e intensidade durante sua execução, mostrando mais uma vez (como se fosse preciso) toda a capacidade criativa e técnica do trio. "Land of Giants" é uma faixa instrumental. Mais cadenciada, a composição tem uma linha um pouco mais melódica. O encerramento vem com "Mistery", faixa gravada em 2014 e que conta com os vocais de Alex Rangel, vocalista da banda, que faleceu de forma trágica. mais do que uma homenagem, a composição fecha o trabalho de forma sublime, pois resgata o trabalho de Alex, mostrando respeito e gratidão. 

                      Sem muito mais a dizer, o ATTOMICA, não satisfeito em ter gravado um dos maiores clássicos do Thrash Metal nacional (DISTURBING THE NOISE, 1991), nos presenteia agora com essa pérola chamada THE TRICK. Um álbum perfeito, digno de reconhecimento não apenas pelos fãs do grupo, mas por todo apreciador de heavy metal. Se você ainda não conhece o trabalho do grupo (algo que, sinceramente, não acredito), corra trás agora e descubra uma das melhores bandas do Thrash Metal brasileiro. Se você já conhece.. bem, não tem nenhuma novidade naquilo que escrevi aqui não é mesmo???




                Sergiomar Menezes


quinta-feira, 12 de abril de 2018

BELPHEGOR - TOTENRITUAL (2017)




                     Para todos aqueles que sempre duvidaram que não haveria um sucessor de peso que compensasse o desempenho pouco satisfatório de "Conjuring The Dead (2014)", a horda austríaca BELPHEGOR de maneira como sempre fez, reorganizou as idéias e delimitou novas premissas e lançou um dos discos mais impressionantes de 2017. TOTENRITUAL, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é um apanhado de idéias tão intenso e tão coeso que nos arremete à fase "Bonfage Goat Zombie (2008)" em todas as suas particularidades (peso, técnica, brutalidade e cadência). Mas o que esse disco pôde trazer de novidade que os outros não o fizeram?! Vamos à eles:

                   O que todos precisam entender sobre o BELPHEGOR, primeiramente, é que eles NUNCA se repetem! Parece difícil de acreditar, mas é verdade! Os caras são tão focados em uma evolução musical, tanto pela qualidade sonora quanto pelas temáticas abjetas mas presentes (e constantes) do mundo do Underground. Dito isto, em segundo lugar, lhes digo que a horda utiliza de uma constante crescente nas suas faixas onde focam cada vez mais na brutalidade atroz e delimitada por riffs marcantes e blast beats cada vez mais velozes.
                          
                            Sem nenhum segredo, o que mais me impressionou nesse disco é a tamanha técnica utilizada em quase todas as faixas. Eles sabem que se fosse utilizada em todas do disco, ele ficaria enjoativo e com pouca repercussão, visto que é por isso que eles sempre colocam um instrumental bem básico em cada disco para dar essa "quebra". Contando com nove faixas, TOTENRITUAL representa o primor e a versatilidade de uma horda que sempre ousou evoluir sem estagnar. Pode ser difícil de acreditar (e muitos realmente não acreditam), mas quem se propõe a fazer Death/Black Metal como eles, não pode nunca repetir a premissa em todos os discos, ou então, serão apenas "só mais uma horda". O diferencial do BELPHEGOR, particularmente falando, é a força de vontade e honrar o Metal Extremo em todas as suas esferas.

                      Em suma, penso eu que se esse disco já foi uma "porrada" sem fim, imaginem o próximo como poderia ser. Aguardemos ansiosos por esse momento.




                   Aldemar Ferreira

sábado, 31 de março de 2018

H.E.A.T. - INTO THE GREAT UNKNOWN (2017)



           É louvável quando uma banda procura não ficar estagnada, procurando não se tornar apenas um pastiche de si mesma. Afinal, toda banda tem o direito de ser livre e expandir sua criatividade. Mas nem sempre essas tentativas surtem o efeito necessário. Muitas vezes, a banda fica satisfeita com o resultado obtido. Já com relação aos fãs... E é esse o caso que temos um INTO THE GREAT UNKNOWN, novo álbum do grupo H.E.A.T., lançado no ano passado e que teve sua distribuição no brasil feita através da Shinigami Records. O Hard/AOR do grupo recebeu uma dose generosa de "modernidade", algo que acaba soando estranho. Obviamente que a essência da banda continua lá... Mas não parece mais a mesma coisa...

             Erik Grönwall (vocal), Dave "Sky Davids" Dalone (guitarra), Jimmy Jay (baixo), Jona Tee (teclados) e Crash (bateria e percussão) contaram com a produção e mixagem de Tobias Lindell e a masterização Henrik Jonsson. E quanto á isso não há o que se criticar. Tudo muito bem timbrado, nivelado e cristalino. Dentro do estilo ao qual o grupo veio a se "consagrar". O problema do álbum está memso nas composições. Não é, de forma alguma, um álbum ruim. Mas acaba ficando muito aquém daquilo a que nos acostumamos a ouvir vindo dos suecos. A capa acaba sendo um dos destaques, pois além de muito bonita, acaba refletindo um pouco do que acontece durante a audição. Nos sentimos dentro do "grande desconhecido"...

               "Bastard of Society" abre play e traz um pouco do H.E.A.T. de sempre. Guitarras bem timbradas, melodias na medida e um andamento característico. Uma faixa que deixa aquela expectativa de que teremos um bom álbum pela frente. Mas "Redefined" joga um balde de água fria nessa expectativa... Uma faixa comum, até mesmo carente de pegada. Totalmente descartável, a composição mostra o que esse "direcionamento" pode vir a causar na musicalidade da banda. "Shit City" tem um pouco mais de punch, mas mesmo assim, não resgata aquele clima inicial do trabalho. "Time on Your Side" tem uma levada "moderna", mas pelo lado ruim do termo. Ao abrir mão de uma melodia que lhe é característica, o grupo acaba enterrando sua personalidade, mesmo que esteja fazendo isso com coragem. Afinal, é inegável que eles resolveram sair da zona d conforto. Já "Best of Broken" traz de novo o bom trabalho de guitarras. E a faixa acaba soando como um oásis num deserto. Não que seja um faixa sensacional ou espetacular. Mas perto do que ouvimos até aqui, acaba sendo um suspiro de criatividade.

                 "Eye of the Storm" nos devolve a triste realidade do álbum. Faixa "morna", muito fora daquilo que o grupo pode oferecer. Nem merece maior consideração. Mas "Blind Leads the Blind" volta a nos fazer acreditar no potencial d abanda. Guiada pelas guitarras, muito bem timbradas e com aquela pegada tipicamente sueca, no que diz repeito ao hard, essa faixa é, na opinião deste que vos escreve, o grande destaque do álbum! Bem... estava indo bem... "We rule" é mais uma tentativa frustrada da banda em soar épica e moderna ao mesmo tempo. Dispensável. "Do You Want It" é "passável", nada de espetacular, mas dentro do que nos é apresentado, pode ser citada como uma faixa de destaque. O encerramento vem com a faixa título. Alternando momentos mais pesados com outros mais suaves, a faixa também tem bons momentos.

              INTO THE GREAT UNKNOWN é uma aposta do H.E.A.T.. Se essa aposta trará os frutos esperados pelo grupo, só o tempo dirá. caberá aos fãs entenderem isso dentro dessa visão. Claro que estamos falando de arte, e dessa forma, fica aqui minha opinião: independente do que eu ou qualquer outra pessoa pensa a respeito do disco, a banda é dona de seus atos e livre para fazer aquilo que bem entender. Mas também, que temos o direito de entender se isso é bom ou ruim, também é verdade. A minha opinião é esta.




              Sergiomar Menezes