quarta-feira, 5 de junho de 2024

NESTOR - TEENAGE REBEL (2024)

 


NESTOR
TEENAGE REBEL (2024)
Hellion Records/ Frontiers Music Srl - Nacional

Se você é fã de Hard Rock, AOR e toda atmosfera que circundava os anos oitenta, tendo vivido à época, ou querendo ter vivido, e ao mesmo tempo, conseguiu vencer a barreira do nome da banda, com certeza você já teve contato com os suecos do Nestor. Se na Suécia, Nestor pode ser um nome qualquer, aqui para nós brasileiros, este nome nos remete a algum tio nosso, ou algum dono de uma fruteira do seu bairro.

A despeito de não gostar do nome ou ao contrário, achar ele muito “cool” , o que a banda nos entrega, desde o seu primeiro álbum lançado em 2022, “Kids In a Ghost Town”, é um trabalho de alto nível, que se tornou uma sensação entre os fãs do estilo Hard/Heavy oitentista, inclusive participando dos maiores festivais mundo afora, incluindo o nosso Summer Breeze 2024.

Não espere inovações em “Teenage Rebel”, e se você é daqueles que, assim como eu, prefere que a banda siga a sua fórmula vitoriosa do que ir em busca de malogradas invencionices, este álbum vai lhe agradar inteiramente. Você está a procura de uma grande abertura de álbum , com aquele clima de início de show? Temos aqui: “We Come Alive”. E uma música com cara de trilha sonora de filme do diretor John Hughes? “Caroline” vai te atender.

E aquele hino super motivacional, que levanta o astral até de quem já desencarnou? “Victorious”. E a baladinha sobre um “complicado amor adolescente”? Pega aqui a faixa “Last To Know”. Não bastando a qualidade das faixas, a habilidade dos músicos e a produção do álbum são de altíssimo quilate. Enfim, todos os elementos para a felicidade dos fãs do estilo estão distribuídos aqui em 42 minutos de pura inspiração. O álbum fecha com a emocional balada “Daughter”.

Outro ponto que não pode deixar de ser citado: a sensacional capa do álbum, que retrata o quarto de um adolescente oitentista, com fotos de filmes, séries, atores e atrizes ( Ahhh... Samantha Fox!!!) e bandas. Todos os que estiveram lá nos oitenta tivemos quartos assim, e os que são fãs da época e que não estavam lá, com certeza tentam imitar o espaço que poderia/pode ser muito bem chamado de santuário/refúgio para os que foram jovens nos 80 e são jovens agora.

Ainda estamos no inicio de junho, mas posso garantir que “Teenage Rebel” estará entre meus “melhores do ano”, sem dúvida alguma!

José Henrique Godoy




EXODUS - BRITISH DISASTER - THE BATTLE OF '89 (LIVE AT THE ASTORIA) (2024)

 


EXODUS
BRITISH DISASTER - THE BATTLE OF '89 (LIVE AT THE ASTORIA)
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Eis que, com certo atraso – somente 35 anos – o Exodus nos presenteia com seu álbum ao vivo definitivo, e já igualmente tratado como mais um clássico da banda (para este que vos escreve), o arregaço intitulado "British Disaster: The Battle of ’89 (Live At The Astoria)"!

Visto que a banda estava trocando de gravadora e ainda devia um lançamento pela Nuclear Blast, resolveram buscar em seus arquivos e acharam simplesmente este tesouro do Thrash Metal, que ficou enjaulado por tanto tempo e como diz aquele famoso ditado clichê “Antes tarde do que nunca”, se encaixa perfeitamente aqui!

Se você estiver em dúvidas ainda quanto a minha afirmação de ser o ao vivo definitivo da banda, tenho certeza que você, caro leitor, ainda não ouviu. Ah, mas e os outros Lives? Pois bem, Good Friendly..., Another Lesson... e Shovel Headed (Live Wacken) estão longe de serem ruins (Exodus não tem disco ruim, ok?!), porém todos são incompletos, principalmente em relação ao repertório da banda e uma vez que você ouvir este novo lançamento, esquecerá completamente que banda possui outros em sua discografia.

Qualquer álbum ao vivo é difícil de escrever, uma vez que todas as músicas já são conhecidas pelos fãs, então o que podemos focar é na qualidade da gravação, mixagem, setlist, etc.

O que temos aqui é uma qualidade absurda no que diz respeito a gravação e mixagem, um show que foi gravado no Astoria, em Londres, em 8 de março de 1989 e mostra a banda em seu auge, que na época tinha em seu line up Steve “Zetro” Souza (vocais), Gary Holt e Rick Hunolt (guitarras), Rob McKillop (baixo) e Tom Hunting (bateria) e que estavam lançando o fabuloso e um dos melhores discos de Thrash Americano da História: “Fabolous Disaster”, mas calma que este não fica a frente do sagrado “Bonded By Blood”.

Outro destaque deste disco vai para ninguém menos que Steve “Zetro” Souza, cantando como nunca, performance matadora, ainda mais nas músicas do já citado “Bonded By Blood”. Já sobre a performance da banda nem preciso comentar, pois dispensa quaisquer comentários já que seria chover no molhado.
Dito isto, se você procura destaques neste disco, simplesmente aperte o play, pegue uma cerveja e saia bangueando pela casa ou onde estiver, pois temos um álbum perfeito – desde o tracklist até a mixagem – e que certamente irá figurar na lista de melhores discos ao vivo da história do Thrash!

Enjoy it! Keep Thrashing Around \m/

Fernando Aguiar



DEMON - INVINCIBLE (2024)

 


DEMON
INVINCIBLE
Shinigami Records/ Frontiers Music Srl - Nacional


O ano era 1984 (40 anos já!) e eu então com 14 anos, ainda na fase da descoberta do mundo do Heavy Metal, ia na loja Pop Som, no centro de Porto Alegre, em busca de novas bandas e álbuns. A loja disponibilizava “toca discos" com fones para que você pudesse ouvir os discos, e eu sempre que possível enchia o saco dos vendedores Dudu (fanático pelo Van Halen) e do Beto Led (colecionador #1 de Led Zeppelin do RS e talvez do Brasil) para ouvir os novos lançamentos.

Numa manhã de sábado, em uma das minhas visitas a loja, eles me mostraram um disco de uma banda chamada Demon, com uma capa onde havia mãos saindo de um suposto túmulo endiabrado e com umas vísceras em cima de um cruz... o nome do álbum era “Night Of The Demon”(lançado em 1981 – o álbum de estreia da banda) e eu pensei: “Cara, isso deve ser a coisa mais pesada e barulhenta do mundo!!!”. Logo no primeiro minuto de audição, veio a “decepção”: Ao invés de um Motörhead Satânico (era o que eu esperava) o som era um Hard Rock no melhor estilo NWOBHM.

Passando o impacto inverso inicial, a voz grave e marcante do vocalista Dave Hill, junto aos riffs “BlueOyterCulterianos” da banda, me chamaram a atenção e curti muito o álbum e ele foi uma das minhas próximas aquisições. Durante os anos seguintes, após mais bons álbuns , “Unexpected Guest” e “The Plague”, o Demon quis se aventurar por outros ambientes do rock, como o Progressivo e até Jazz-Rock, deixando bastante de lado o seu ótimo Hard Rock inicial e acabaram perdendo-se pelo caminho e o Demon, infelizmente, caiu no esquecimento.

Na última década, o Demon voltou aos trilhos e realizou uma sequência de ótimos álbuns e, agora 2024 , de contrato assinado com a Frontiers, lança o ótimo “Invincible”, lançado por aqui pela Shinigami Records. Dave Hill segue a frente da banda, liderando o que deve ser a centésima trigésima nona formação do Demon. Com uma produção poderosa, que ficou a cargo de Dave Hill e pelo baterista Neil Odgen, o álbum teve a masterização de Harry Hess, vocalista do Harem Scarem.

O som no álbum evoca o Demon dos primeiros anos, mas porém com um frescor dos tempos atuais. “In My Blood” tem um quê de Whitesnake, “Face The Master” tem um riff e pegada Hard & Heavy. “Beyond The Darkside” é rápida e com ótimos riffs e solos da dupla de guitarristas Dave Cotterill e Paul Hume, e contrasta com a pesada e cadenciada “Ghost From the Past” que faria Tony Iommi sorrir orgulhoso. Falando no pai de todos, “Hole In The Sky” conjura o Black Sabbath novamente, não apenas pelo nome da música, como também pelo seu andamento sombrio. "Break The Spell” é uma faixa mais acessível, com um andamento quase AOR, enquanto “Rise Up”, “Invincible” e “Breaking The Silence” são ótimas sequências do que o Demon apresentou nos lançamentos da década de 2010. O álbum fecha com a excelente balada “Forever Seventeen”.

Um ótimo e variado lançamento desta veterana banda inglesa que merecia ter tido muito mais sorte e reconhecimento na sua trajetória. "Invincible" estará, provavelmente, na lista dos meus melhores de 2024.

José Henrique Godoy




CRAZY LIXX - TWO SHOTS AT GLORY (2024)

 


CRAZY LIXX
TWO SHOTS AT GLORY
Shinigami Records/ Frontiers Records Srl - Nacional


Você, fã de Hard Rock Oitentista, AOR, Sleazy e afins já deve ter ouvido falar dos suecos do Crazy Lixx. Mas caso você esteve fora do planeta Terra nos últimos 20 anos, segue uma breve apresentação: a banda sueca foi formada na cidade de Malmö em 2002, pelo vocalista Danny Rexon e o baterista Joél Círera. O Crazy lixx é um discípulo direto de bandas clássicas como Mötley Crüe, SKid Row, Ratt e Guns N' Roses. Sua discografia é formada por oito álbuns de estúdio e um ao vivo e completam a formação atual os guitarristas Chrisse Olsson e Jens Lundgren e o baixista Jens Andersen.

Feita a devida apresentação, vamos à “Two Shots at Glory”, o novo lançamento do quinteto. Este trabalho é uma coletânea feita de regravações de algumas das favoritas do catálogo do Crazy Lixx, duas músicas inéditas, “Two Shots at Glory”,“Invincible” e um “cover” de “Sword And Stone”. Esta música originalmente foi gravada pelo Kiss, mas nunca lançada pela banda, apenas em demo-tape, porém foi lançada na trilha sonora do filme “Shocker” (1989) gravado pela banda alemã Bonfire. Composta por Paul Stanley, Bruce Kulick e Desmond Child, não se faz necessário dizer que esta faixa é uma grande canção, e aqui temos uma execução a altura que a faixa merece pelos suecos.

As duas músicas inéditas são excelentes. “Two Shots at Glory” é rápida e tem um grande refrão, daqueles grudentos, que ficam na sua cabeça durante um bom tempo, enquanto “Invincible” é mais cadenciada, com aqueles backing vocals “Def-Leppardianos”, outra grande faixa. Nas demais faixas regravadas e/ou reproduzidas, o que posso falar é que as versões 2023 de músicas como “Fire It Up”, “Whiskey Tango Foxtrot”, a baladaça “Only The Dead Know” e as demais soam melhores e mais bem produzidas que suas verões originais.

O único “senão” deste lançamento é não conter faixas anteriores aos lançamentos de 2012, contando apenas com faixas de “Riot Avenue” para frente, porém, focando neste álbum de 2012. Seria interessante ver faixas como “21 'Til I Die”, “Blame It On Love”, “Dr. Hollywood” entre outras. Mas de qualquer forma, se você ainda não teve acesso ao Crazy Lixx e quer conhecer, “Two Shots At Glory” é um ótimo começo, e o melhor: lançamento nacional pela Shinigami Records/ Frontiers Srl.

José Henrique Godoy





quinta-feira, 2 de maio de 2024

GENOCÍDIO - FORT CONVICTION (2024)

 


GENOCÍDIO
FORT CONVICTION
Urubuz Records/Wikimetal - Nacional

Uma das mais importantes e relevantes bandas do cenário brasileiro chega, agora em 2024, ao seu 10° álbum de estúdio, mantendo-se íntegra e fiel à sua identidade. Prestes a completar 40 anos de carreira, o GENOCÍDIO mostra a sua força em FORT CONVICTION, um álbum forte, denso, obscuro, mas dotado de uma força que sempre permeou os trabalhos da banda. Com uma produção que soube deixar tudo em seu devido lugar, o grupo trouxe uma obra bastante completa, explorando seu lado mais extremo, flertando sempre o lado mais sombrio e intenso, caracterizando sua sonoridade com faz há tempos, mas com uma pegada bem atual. Uma banda única dentro do metal brasileiro!

Murillo Leite (vocal e guitarra), Wanderley Perna (baixo), Wellington Simões (guitarra) e Levi Tavares (bateria), iniciaram os trabalhos de composição de Fort Conviction em março de 2020, com as gravações iniciadas em março de 2023. É meus amigos, não é fácil ser uma banda de metal underground... Sob a produção de Marco Nunes, o grupo gravou 11 faixas, sendo 9 autorais e 2 covers (sendo que um deles encontra-se apenas na versão digital do trabalho), com um ótima sonoridade, como já citado anteriormente. Pesado e denso, o álbum conta com um projeto artístico bastante sombrio, criado pelo baixista W. Perna, através de IA. Já as fotos foram feitas por Luciano Piantonni.

O álbum abre com a faixa título, detentora de uma intro intimista e sombria, que antecede uma verdadeira aula de como fazer death metal brutal. As guitarras da dupla Murillo e Wellington trazem consigo uma pegada death/thrash, pesadas e infernais. Já a cozinha tem um trabalho coeso, unindo técnica e velocidade, além de criar a base perfeita para os vocais certeiros de Murillo. Os solos se encaixam dentro do padrão criado pelo grupo, assim como em "Aside", que eleva ainda mais o nível de agressividade que a faixa anterior apresentou. Levi Tavares espanca seu kit enquanto as guitarras navegam pelas influências oitentistas do grupo. A "singela" intro de Devil's Mother Cry (vale citar que algumas das intros/vinhetas foram compostas por André Zanferrari) nos prepara para um punk/HC repleto de energia, com um pé no thrash, mostrando a versatilidade do quarteto, com um solo muito inspirado na dupla King/Hannemann. Na sequência, "The Sole Kingdom of my Own", traz uma aura totalmente obscura e gótica, com uma veia Sisters of Mercy/Type O' Negative, mas com a classe e personalidade do Genocídio. "Lord Dementia" traz de volta o bom e velho death metal old school, aquele que não precisa de nenhum tipo de inovação ou qualquer outro tipo de influência para agradar quem curte o estilo. Nada mais direto como só a primeira banda de metal extremo de São Paulo poderia, e pode, fazer!

E a aula segue com "Voided", uma faixa que escancara a veia mais thrash do grupo. A produção de Marco Nunes soube explorar muito bem o trabalho das guitarras nesse sentido, pois o peso que emana das duas nessa ótima instrumental, ficou muito foda. As quebradeiras durante a execução da faixa também criam um clima bastante "dark", elevando ainda mais o nível da composição. "Maverick", segue o dinamismo do álbum com riffs ríspidos, aliados à velocidade "britadeira" da cozinha, num jogo de peso e técnica. E tome porrada em "Scorn Cult"! Velocidade, agressividade e um toque a lá Genocídio, criaram uma das minhas faixas preferidas no trabalho! Que faixa destruidora para uma apresentação ao vivo! Em seguida, "Never Tear Us Apart", cover do INXS, ficou simplesmente sensacional. Mantendo a aura triste e melancólica que a versão original da faixa possui, o grupo incorporou peso e um vocal extremamente soturno, de forma que poderíamos dizer, se não conhecêssemos a que veio antes, que a composição pertence ao grupo paulista. Merece ser executada ao vivo, hein? Pra encerrar a versão física do trabalho, "Mourning Saviour", outro momento brutal, antecedido por uma intro melancólica e climática. Na versão digital, temos ainda o cover de "Pictures of You" do The Cure, que também ficou muito legal! Um clima bem "pesado" com teclados insinuando a veia que a banda também possui na formação do grupo. Posso até estar errado, mas só quem conhece do assunto consegue recriar uma faixa com essa categoria!

O GENOCÍDIO se reinventa sem precisar se reinventar. Ficou confuso com essa declaração? Escute FORT CONVICTION e confira a classe do grupo em faixas repletas de peso, densidade, personalidade e muito Heavy Metal. Sim, porque muito antes ser uma banda de metal extremo, o grupo é antes de tudo heavy metal, e porquê não dizer, com pitadas ainda que bastante pequenas, de pop. Que bom que a banda sabe de onde veio e pra onde vai! Longa vida aos pais do "death doom gothic metal" nacional!

Sergiomar Menezes