SEM LÁGRIMAS MAS COM MUITO SUCESSO - OS 35 ANOS DE NO MORE TEARS
Três décadas e meia após seu lançamento, o álbum que redefiniu o heavy metal dos anos 90 continua sendo um dos maiores clássicos do Príncipe das Trevas
Por Sergiomar Menezes
Lançado em 17 de setembro de 1991, NO MORE TEARS chegou às lojas em um momento de transição na música mundial. O cenário do rock e do metal estava prestes a ser virado pelo avesso pelo movimento grunge, e figuras veteranas dos anos 1980 precisavam provar seu valor diante de uma nova era. É exatamente nesse contexto que o sexto álbum solo de OZZY OSBOURNE se ergue não apenas como um sobrevivente daquela década, mas como um dos pontos mais altos, refinados e comercialmente triunfantes de toda a sua carreira.
Gravado nos estúdios A&M e Devonshire, em Los Angeles, o álbum consolidou a transição de Ozzy para uma sonoridade mais polida, estruturada e de arena, sem perder a essência sombria que o acompanhava desde os tempos de Black Sabbath. De forma sucinta, mostrou um Ozzy que podia adentrar os anos 90 de forma comercial sem perder sua essência.
O grande trunfo criativo de "No More Tears" esteve na química avassaladora entre Ozzy e o jovem guitarrista Zakk Wylde. Se nas duplas do passado Ozzy contava com a genialidade de Randy Rhoads ou a agressividade de Jake E. Lee, com Wylde ele encontrou uma pegada visceral, repleta de harmônicos artificiais estridentes (algo que com o passar do tempo se tornou marca registrada de Zakk e que por vezes, chega a irritar), peso moderno e uma raiz profundamente sulista e estradeira. A cozinha, formada pelo baixista Bob Daisley (ainda que nos créditos tenhamos a presença de Mike Inez) e pelo baterista Randy Castillo, além dos teclados atmosféricos de John Sinclair, garantiu a cama perfeita para que as composições brilhassem.
O disco abre com a urgência de "Mr. Tinkertrain", uma introdução perturbadora sobre predadores infantis que mostrava que Ozzy continuava disposto a explorar temas sombrios e desconfortáveis. Logo em seguida, o ouvinte é atropelado por "I Don't Want to Change the World" (que renderia a Ozzy seu primeiro Grammy) e "Desire", faixas que exalam o melhor do hard rock americano do início dos anos 90: guitarras intensas, refrãos grudentos e uma produção impecável conduzida por John Purdel e Duane Baron, sendo a mixagem responsabilidade do veterano Michael Wagener.
Mas os grandes destaques (principalmente comerciais) foram a faixa-título "No More Tears", um épico de mais de sete minutos ancorado por uma das linhas de baixo mais icônicas do rock e um solo monumental de Zakk Wylde. A música cria uma atmosfera cinematográfica de tensão e desespero que se tornou obrigatória nos shows ao vivo, "Mama, I'm Coming Home", composta em parceria com Lemmy, que se transformou em um hino universal de saudade e retorno. A letra intimista, escrita por Lemmy, encaixou-se perfeitamente na voz de Ozzy, mostrando que, ainda, o "Príncipe das Trevas" dominava a arte de emocionar multidões. Por fim, "Road to Nowhere": uma reflexão melancólica e intimista sobre a jornada da vida e a inevitabilidade do destino, fechando o álbum com um senso de grandiosidade e aceitação madura.
"No More Tears" foi um sucesso absoluto de crítica e público. Alcançou o Top 10 da parada americana Billboard 200 e acumulou certificações multiplatina, pavimentando o caminho para a turnê lendária "No More Tours" — que inicialmente seria a turnê de despedida de Ozzy (uma promessa que, felizmente para os fãs, ele logo tratou de quebrar, algumas vezes, diga-se de passagem).
Completar 35 anos é olhar para trás e perceber que este trabalho não envelheceu. Ele capturou um OZZY maduro, cercado por músicos no topo de suas formas criativas, equilibrando perfeitamente o heavy metal com a sensibilidade melódica necessária para conquistar o rádio e os estádios. NO MORE TEARS permanece intocado: uma aula de como se reinventar sem perder a alma.

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