segunda-feira, 13 de abril de 2026

LYNYRD SKYNYRD - 07/04/2026 - ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


LYNYRD SKYNYRD
07/04/2026
ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/ Mercury Concerts

Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: José Henrique Godoy/Marcela Wild
Foto de capa: DS Creatives 


Existem noites que transcendem a ideia de um simples show: são verdadeiros ritos de passagem. E o que aconteceu na noite do dia 07 de abril de 2026, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, pode ser inserido nesse momento. Nesta data, a capital dos gaúchos, se preparou para acolher uma lenda viva. A ansiedade que tomava as ruas da capital gaúcha não era sem motivo. Afinal, receber um show de um grupo que resistiu ao passar do tempo, superou tragédias e converteu a dor em canções que ressoam há décadas, não acontece todos os dias. E coincidentemente, ou não, o LYNYRD SKYNYRD possui uma aura que poucas bandas de rock conseguem manter: a bandeira do Sul, uma resiliência inabalável e a sonoridade distinta das guitarras triplas, que parece pintar o pôr do sol no horizonte. Sul, resiliência e pôr do sol. Algo que Porto Alegre e os gaúchos conhecem bem...

Logo na chegada, era perceptível que não estávamos diante de um show corriqueiro: o volume do público aumentava a cada minuto, e era muito interessante e ao mesmo tempo bacana, notar a grande quantidade de jovens senhores e senhoras que chegavam, seja ostentando camisetas da banda (ou de outros ícones dos anos 70), seja com chapéus de cowboy, todos sintonizados na mesma frequência. Ao adentrar o Araújo Vianna, já percebemos que teríamos casa cheia, pois em questão de minutos os 5000 lugares disponíveis foram preenchidos. E entre uma cerveja e outra, bate papo com amigos que não víamos há muito tempo, eis que poucos minutos antes do previsto, o palco ganha vida com um vídeo no telão e a banda entra em cena.

A comoção foi geral, pois o público que ali estava, sabia que no palco, uma banda única, que influenciou centenas de outras mundo afora, ocupava o lugar que lhe aguardava há muito tempo. Com uma simpatia ímpar e muita energia, Johnny Van Zant (vocal), Rickey Medlocke (guitarra, que integrou a banda entre os anos de 1971 e 1972 na bateria e que voltou em 96 assumindo uma das seis cordas do trio de guitarristas do grupo), Damon Johnson (guitarra), Mark "Spark" Matejka (guitarra), Keith Christopher (baixo), Michael Cartellone (bateria), Peter Keys (teclados) e as backing vocals Carol Chase e Stacey Michelle adentram o palco com "Work for MCA", cantada por todos os presentes, o que de certa forma, pareceu surpreender a banda, em especial Johnny Van Zant, que soltou um sorriso de satisfação para logo em seguida emendar com "What's Your Name", que da mesma forma, fez todos ps presentes cantarem de forma uníssona. E isso foi uma constante durante o show, o que só veio a comprovar a sensação que tivemos na chegada: quem estava ali eram fãs, de muito ou de pouco tempo, mas fãs. 


"That Smell", com sua veia "bluesy" continuou a sequência de clássicos. Johnny, esbanjando simpatia, interagia com o público sempre que podia, enquanto o trio de guitarrista mostrava grande entrosamento no palco, com destaque para Medlocke.Aliás, sobre algumas críticas que o grupo recebeu por se apresentar como LYNYRD SKYNYRD sem ter mais nenhum integrante original, o guitarrista foi enfático em entrevista a GZH: "Existem muitas bandas tributo ao Lynyrd por aí hoje em dia, mas nós não nos consideramos uma delas. Nós somos o grupo real. O que as pessoas não entendem é que Gary Rossington, antes de falecer, fez eu e Johnny prometermos que nunca deixaríamos essa banda se tornar apenas uma memória". Não é preciso dizer mais nada, certo? " I Need You", foi oferecida à todas as mulheres presentes, o que levantou gritos de agradecimento por parte das presentes. No entanto a trinca que veio na sequência foi de arrasar: "Gimme Back My Bullets", "Down South Jukin" e "Saturday Night Special", sendo esta última uma das mais aguardadas pelo público.

"Still Unbroken", faixa pesadíssima do álbum "God & Guns", lançado em 2009, mostra que a banda precisa não vive apenas do passado de seus integrantes, mas busca também valorizar aqueles que mantiveram e mantém a banda na ativa. "The Needle and the Spoon", com sua letra sombria e reveladora, contrata com a melodia mais intensa da composição. Então, um dos momentos mais emocionantes do show, chega e chega forte. "Tuesday's Gone" homenageou Gary Rossington, último integrante original do grupo que faleceu em 2023. Enquanto a faixa era executada, imagens do guitarrista apareceram no telão em diversos momentos, num dos momentos que levaram muitos dos presentes às lagrimas.


Mas se com "Tueday's Gone", as primeiras lágrimas vieram, o que dizer quando Johnny anunciou "Simple Man"? Meus amigos, poucos momentos nessa minha vida assistindo shows ou até mesmo cobrindo foram tão emocionantes... Confesso, que precisei segurar as lágrimas, algo que não aconteceu com a maioria dos presentes, inclusive com um certo fotógrafo que estava do meu lado. Essa música consegue equalizar os sentimentos dos presentes de uma forma que o ambiente se torna uma coisa única, carregada de emoção e sentimento, transcendendo o mundo real. Só quem estava lá vai entender o que escrevo. Ainda mais quando é jogada no palco uma bandeira do Rio Grande do Sul, e logo após estender a bandeira, Van Zant a amarra ao seu pedestal e segue o show come ela ali. Uma bandeira do Brasil também foi jogada e estendida pelo vocalista, ao mesmo tempo em que ela apareceu no telão. "Gimme Back my Bullets" e "Call Me the Breeze" (cover de J.J. Cale) foram tocadas com entusiasmo e logo após a intro "Red, White and Blue" nos adiantou que a clássica "Sweet Home Alabama" ganharia o palco com sua simplicidade e genialidade". Em seguida, a banda deixa o palco aos gritos de pedido para retornarem, o que todos nós sabíamos que aconteceria, afinal, um dos maiores clássicos da música universal ainda não tinha sido tocado.

Ao retorno pro palco, os primeiros acordes de "Free Bird", imagens de todas as épocas da banda surgem no telão, incluindo o início da carreira da banda, situações vividas por eles, incluindo imagens do avião (não do acidente) que vitimou alguns integrantes. Além da própria música ser uma das mais emocionantes já compostas, o casamento com as imagens foi o combustível para acenos, lanternas do celular, abraços, lágrimas e muita celebração. Na metade da faixa, Johnny dá lugar ao seu irmão Ronnie que surge no telão e ele canta a segunda parte da composição, ao lado de Gary Rossington. Que momento único! Ao final, a banda agradece e Johnny ao lado de Peter Keys empunham uma bandeira que une Brasil e Estados Unidos numa só. Sintomático, pois ambos os países vivem momentos difíceis e tudo que queremos é apenas nossa liberdade!



Fica aqui o agradecimento especial à EntreLike pelo credenciamento e cordialidade no atendimento, à Mercury Concerts por proporcionar esse momento único na vida dos gaúchos, ao staff do Araújo Vianna, sempre gentil e prestativo e à Marcela Wild e Rafa Drink Wine pelas fotos. Um show que ficará emoldurado na memória de todos que estiveram presentes.


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