BLOODHUNTER
SONS OF THE ABANDONED
ROAR - Importado
SONS OF THE ABANDONED
ROAR - Importado
Vindo diretamente da Galícia, Espanha, o BLOODHUNTER reafirma sua posição como uma das forças mais resilientes do metal extremo europeu. Sob a liderança visceral de Diva Satanica, o grupo moldou sua identidade única que equilibra a brutalidade do Death Metal Melódico com um groove técnico e uma densa carga emocional. Com quase 20 anos de estrada e uma evolução artística constante, a banda entra agora em sua fase mais madura com SONS OF THE ABANDONED. Com lançamento pela gravadora ROAR, o novo trabalho marca um mergulho introspectivo e ambicioso, consolidando a banda espanhola como um nome forte e consistente para quem busca agressividade aliada à sofisticação narrativa.
Formado pela já citada Diva Satanica (How We End, ex-Nervosa - vocal), que apresenta uma grande evolução a cada álbum lançado, pelos guitarristas Dani Arcos (criador de ótimos riffs) e Guillermo Starless, pelo baixista Fabian Tejada e pelo baterista Adrián Perales, o grupo mostra consistência e brutalidade em cada faixa presente no trabalho. Tue Madsen (Ektomorf, Gorefest, Sick of it All, Vader, The Haunted, entre outros) renomado produtor traz sua capacidade técnica para ensejar de forma brilhante o peso das guitarras e o equilíbrio da cozinha. Diva Satanica, após sua saída do Nervosa, parece ter encontrado no Bloodhunter o espaço ideal para expandir sua performance vocal. Seu gutural continua sendo um dos mais poderosos da cena atual, mas há uma entrega emocional mais latente nas novas letras, que abordam temas como autodeterminação e a busca por sentido em um mundo caótico.
O álbum abre com "The Devils Own", primeiro single. Aqui, a banda flerta com uma direção ligeiramente mais melódica, evidenciando que não têm medo de evoluir e desafiar as expectativas dos puristas do gênero. Aliás, o vídeo que a banda lançou para essa faixa tem um conceito bem interessante, além de contar com a presença marcante de Diva. "The Outspoken" é um manifesto de autenticidade e autodeterminação, com riffs agressivos, coma dupla Dani Arcos e Guillermo Starless mostrando ótimo entrosamento. Já "Threshold of Hell" traz a participação de Fernando Ribeiro (Moonspell) que dá um brilho extra à faixa que é um dos destaques do trabalho. Uma faixa visceral e que carrega consigo o posto de composição mais completa da banda até hoje, misturando o groove do metal moderno com camadas atmosféricas densas. "Ephemeral Youth" é outro momento brutal e agressivo, com guitarras ríspidas e baixo/bateria que intercalam momentos mais cadenciados com outros "bate estaca", reafirmando a capacidade do grupo de agrupar suas influências e manter sua personalidade. Já a faixa-título consegue traduzir musical e liricamente, todas as incertezas de uma geração que busca identidade em meio ao caos que vivemos no dia a dia.
"No One Beats Death", mostra DIva usando sua capacidade vocal de forma extrema, saindo de vocais mais rasgados até os mais guturais, explorando sua versatilidade. O que não é nenhuma novidade pra quem acompanha seu trabalho. Um andamento mais cadenciado, mas não menos brutal, é o que temos em "Code Aeternam", onde a dupla das seis cordas alternas riffs e solos intrincados, mas que buscam a melodia em determinados momentos. Algo que o Arch Enemy de outros tempos sabia fazer com maestria. Já faixa "The Path That Never Ends" traz um duelo de vozes e beldades: Diva Satanica e Laura Guldemond (Burning Witches). Belas, simpáticas e donas de vozes fortes e potentes, cada uma dentro de seu estilo, as duas representam bem a força do metal feminino na atualidade. O grupo mantém a tradição de faixas instrumentais com "The Night is Darker Before Dawn", explorando a versatilidade de seus integrantes. "Masters of Deceive" e "Human Insecticide" encerram o álbum, de forma consistente. E talvez, a palvra que melhor define esse trabalho é essa: CONSISTÊNCIA, pois o grupo mantém o nível elevado nas suas composições trazendo, pelo menos até aqui, seu trabalho mais maduro e intenso.
Com SONS OF THE ABANDONED, o BLOODHUNTER, definitivamente, deixa de ser uma promessa pra se tornar uma realidade entre os bons nomes do metal europeu. Uma pena que a turnê que o grupo faria pelo Brasil no ano passado acabou não rolando. Mas com o lançamento desse excelente trabalho e tudo mais que tem envolvido a banda, acredito que chegou a agora de aportar pelas terras brasileiras. Um álbum forte, intenso e de muita qualidade. Ao menos por enquanto, um dos melhores álbuns de 2026!
Sergiomar Menezes


Nenhum comentário:
Postar um comentário