quarta-feira, 29 de abril de 2026

LUCIFER - 20/04/2026 - ESPAÇO MARIN - PORTO ALEGRE/RS

 


LUCIFER
20/04/2026
ESPAÇO MARIN - PORTO ALEGRE/RS

Texto: Gustavo Jardim
Fotos: José Henrique Godoy

O clima agradável na capital gaúcha nos ajudava a controlar as emoções de poder conferir pela primeira vez em Porto Alegre uma das mais sensacionais bandas da atualidade, os suecos do LUCIFER, que incluíram a capital gaúcha como parte de sua frutífera tour sul americana que incluiu grandes apresentações pelo Brasil e culminou com uma participação no festival Bangers Open Air em São Paulo. Contando aqui com uma parceria entre a Nevoeiro Produções e o Espaço Marin, posso garantir que a espera valeu cada minuto através de uma noite perfeita e memorável a qualquer fã de heavy metal que se preze.

Passavam pouco das vinte e uma horas e a força da gravidade do local nos fez despencar até o abismo com os mestres do Doom/Occult Rock, que após a sua blasfema intro, emendaram “Anubis”, iniciando o culto e incendiando de cara um lotado Espaço Marin, com seu peso atmosférico e incrivelmente “sabbathico”.

“Ghosts”, em seguida, com sua atmosfera setentista, demonstra sincronia e competência, com a banda mostrando a que veio, abrindo caminho pro primeiro clássico da noite, “Crucifix”, com seu refrão poderoso e uma performance irrepreensível de uma carismática e comunicativa Johanna Sadonis, que coordenou um coro em uníssono dos bangers.

“Riding Reaper”, a primeira do álbum “V” empolga o público e mostra de vez o quanto os suecos podem entregar algo único tanto em grandes estádios como em momentos mais intimistas em espaços menores. O que veio a seguir depois disso foram as pesadas “Wild Hearses”, essa na minha opinião uma das mais poéticas da história da banda, e “Lucifer”, contando novamente com uma interação forte nos refrãos e aquela aura de clássico que permeia cada centímetro do espaço. E que grande trabalho de guitarras de Mr. Max Eriksson (Mothercrown, Saturno) e Coralie Bauer, que ao vivo trouxeram exatamente o que foi criado, com louvores.


A sequência nos traz de volta ao último disco da banda, o “V”, com uma trinca de novos clássicos que renderam momentos mais intimistas como em “At the Mortuary”, “Slow Dance in The Crypt”, essa com bastante interação com o público e “The Dead Don’ t Speak”, deixando aquela sensação de introspecção e êxtase.

“California Son” volta a elevar o clima, e não poderia ser diferente, uma das mais poderosas ao vivo, com boas menções instrumentais a memória de “Starstruck” do grande Rainbow, com grande destaque aqui a forte pegada da cozinha de tambores de Kevin Kuhn e da baixista Claudia Gonzalez Diaz, que esbanjam alta performance e carisma. ”Bring me His Head”, na sequência, não deixa pedra sobre pedra. Que performance! Alguns problemas técnicos irrelevantes permeiam momentos aqui e ali, minúsculos, em relação a volumes e som, que em nada compromete e até rendem maior interação.

Dito isso, um momento realmente especial, após algumas menções ali na bateria com “Love It Loud” e “Strutter”, a banda saca um memorável cover de “Goin’ Blind”, do KISS, que traz lágrimas aos olhos de quem ali estava e acaba com qualquer coração de pedra, e que casamento perfeito entre duas sonoridades distintas. “Fallen Angel” encerra com chave de ouro o show do ano, ovacionada do começo ao fim e igualmente cantada em uníssono quase que enfeitiçado por um público ganho do início ao fim, já ensandecido. Uma rápida apresentação da nova banda termina o espetáculo e nos deixa na órfãos na expectativa do próximo.


O ponto alto a ressaltar aqui foi de quão incrível uma banda consegue entregar uma performance que além de irrepreensível, transita facilmente entre o começo do heavy metal e a essência do estilo em uma roupagem mais “moderna”, e o quanto isso pode ser poderoso ao vivo, com entrega e carisma que pega ao público do início ao fim com um transe quase hipnótico. É claro que faltaram sons como “Abracadabra”, “Dreamer”, “A Coffin Has No Silver Lining” entre outras, mas valeu. Vale destaque também a boa acolhida e simpatia da banda como um todo com o público, tanto no palco como no pós show… foi uma mágica noite de celebração com grandes amigos, que sempre nos deixará uma sombria lembrança e um sorriso no rosto.

O time da Rebel Rock estava lá, não houve credenciamento por parte da produção do evento mas de nossa parte sempre é especial, se enganam e muito quem pensa que estamos nessa por interesses quaisquer além de registrar em palavras o que vivemos, e pelo o que nos move, o amor pelo heavy metal. Ave Lucifer.

Gustavo Jardim

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