POETS AND MADMEN - 25 ANOS
Por William Ribas
Muito do que ouvi na adolescência, sigo escutando até hoje — mesmo já tendo passado dos 40 anos. Aquilo que eu via na Rock Brigade, aquelas capas que chamavam atenção nas lojas de CD, tudo isso ainda segue firme aqui na estante. Poets and Madmen, do Savatage, foi exatamente um desses álbuns que bati o olho na arte e simplesmente pirei. Li a resenha, e a curiosidade só aumentava.
Naquele início de 2001, eu já conhecia trabalhos como "Edge of Thorns", "The Wake of Magellan" e a coletânea dupla "From the Gutter to the Stage" — ou seja, já entendia bem a identidade da banda. Mas ali havia algo diferente: era um novo capítulo, novas músicas, e principalmente a ausência de Zak Stevens, com Jon Oliva reassumindo completamente os vocais.
Hoje, 25 anos depois, o disco continua soando incrivelmente atual para mim. O peso ainda impacta, a teatralidade continua envolvente, e aquelas linhas vocais cheias de camadas — alternando entre momentos intensos e passagens mais calmas — ainda conseguem provocar a mesma sensação de descoberta. É como se, a cada play, tudo voltasse a ser ouvido pela primeira vez.
A abertura com a trinca “Stay With Me Awhile”, “There in the Silence” e “Commissar” já coloca o Savatage em um de seus momentos mais pesados e sombrios. Há uma densidade emocional muito forte nessas faixas, com arranjos que equilibram agressividade e melancolia de forma magistral — algo que sempre foi marca registrada da banda, mas que aqui ganha um peso quase dramático, potencializado pela interpretação de Jon Oliva.
Jon canta com emoção crua — muito disso vindo da dor que ainda ecoa pela ausência de Criss Oliva. Não é apenas técnica: é sentimento exposto, é cicatriz aberta, que em alguns momentos pode levar o ouvinte às lágrimas, como na faixa “Morphine Child”. Cheia de mudanças de andamento, a calmaria caminha lado a lado com as guitarras pesadas de Chris Caffery, tornando essa fase do Savatage algo único dentro da própria discografia do grupo.
Por outro lado, há momentos em que o álbum resgata com força a veia mais direta e pesada dos anos 80. Faixas como “I Seek Power”, “Drive” e “Man in the Mirror” remetem imediatamente à energia de Power of the Night e Hall of the Mountain King, trazendo um heavy metal mais “visceral” — quase como um elo entre o passado e o presente da banda dentro de um mesmo disco. Ainda nesse encontro, “The Rumor” surge como um momento especial: violão, voz e Al Pitrelli solando de forma brilhante, unindo feeling, velocidade e um instrumental cadenciado na medida certa.
A cozinha comandada por Johnny Lee Middleton (baixo) e Jeff Plate (bateria) se encarrega de trazer bastante groove, principalmente em “Man in the Mirror” e “Awaken”. O disco segue de maneira bastante uniforme dentro da característica do Savatage até chegar ao seu ápice com “Back to a Reason”. E aqui, quase como uma regra não escrita: quando há piano e voz, o Savatage raramente erra.
A faixa cresce de forma orgânica, camada por camada, com um refrão grudento que abre as portas para uma grandiosidade emocional. Toda a genialidade explorada em álbuns passados parece se fundir aqui — ecos da sofisticação de Queen, combinados com o peso do heavy metal, harmonias vocais ricas e um encerramento que traz calmaria após a tempestade. Um momento simplesmente ímpar dentro da discografia.
Poets and Madmen é, até aqui, o último suspiro do Savatage em estúdio. São 25 anos sem um novo lançamento — uma espera longa demais para uma banda desse tamanho. Um silêncio que pesa… e que, sinceramente, já passou da hora de ser quebrado.
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