segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

TREAT - THE WILD CARD (2025)



TREAT
THE WILD CARD
Shinigami Records/Frontiers Music srl - Nacional

Sempre me pergunto o que será que existe na água da Suécia? Pois por décadas, o país nos entrega uma vasta quantidade de excelentes bandas de Rock e Metal em todas as suas vertentes, sendo do mais brutal Death Metal até o mais melódico Hard Rock. E nesta segunda vertente, um dos maiores e melhores expoentes é o Treat!

Com mais de quarenta anos de carreira, a banda de Estocolmo chega ao seu décimo álbum com a mesma maestria e categoria que do início da carreira. Lembro que quando o álbum de estréia “Scratch And Bite” foi lançado em 1985, em sua edição nacional, ele foi muito elogiado inclusive pelo pessoal mais “carrancudo” do metal brasileiro. E agora, “The Wild Card” chega também ao mercado nacional, através da Shinigami Records.

Mas vamos ao que interessa que é o álbum propriamente dito: primeiramente, é aquela sonoridade Melodic Rock/Hard Rock/AOR característica do Treat e que muitas bandas tentam emular nem sempre com a mesma qualidade. Contando com os membros originais Robert Ernlund (vocais) e Anders Wikström (guitarras) a formação é a mesma dos últimos dois álbuns Nalle Pahlsson (baixo), Patrick Apelgren (teclados) e o baterista Jamie Borger.

Desde a abertura com a mais que empolgante “Out With A Bang”, passando por faixas nostálgicas como “1985” (título auto explicativo) e “Back To The Future”, a poderosa “Night Brigade”, apenas para citar algumas faixas, o resultado é um álbum forte, coeso e cheio de feeling, técnica e paixão, por músicos que são mestres no estilo. Entrou fácil na minha lista de “Melhores do Ano”. Se você não tem certeza, corra atrás de sua cópia e vejo por si mesmo.

José Henrique Godoy







BANGALORE CHOIR - RAPID FIRE SUCESSION - ON TARGET PART II (2025)



BANGALORE CHOIR
RAPID FIRE SUCESSION - ON TARGET PART II
BraveWords Records - Importado

David Reece foi apresentado ao mundo numa missão dificílima para ele: substituir a voz e a cara do Accept, Udo Dirkschneider, no momento de divisão da banda, onde o baixinho Udo queria seguir o som clássico da banda alemã, enquanto o Accept seguiria um lado mais acessível, visando entrar de vez no mercado norte-americano e aproximando seu som mais do que rolava na segunda metade da década de oitenta.

Reece gravou apenas o ótimo “Eat The Heat” em 1989 e após o fracasso na tentativa de “americanizar” o Accept, os alemães desbandaram e restou a David Reece iniciar do zero, e assim ele o fez. Cercou-se de ótimos músicos da cena americana do Hard Rock e formou o Bangalore Choir em 1991. Em 1992, é então lançado o álbum de estréia da banda, “On Target”. O álbum é excelente com composições inclusive de músicos como Jon Bon Jovi e Aldo Nova, porém com as famigeradas mudanças de mercado e interesses do público, as vendas do álbum naufragaram e a banda se separou. Porém deixou  em ”On Target”, uma verdadeira pérola e um clássico cultuado entre os fãs do estilo.

Pois David Reece reformulou o Bangalore Choir em 2011, lançou alguns novos trabalhos e agora chegamos a este novíssimo “Rapid Fire Sucession : On Target Part II”. “On Target Part II” pode ser um título pretensioso, arriscado e perigoso, pois pode gerar expectativas e comparações que poderiam diminuir a qualidade do trabalho, mas com certeza, não é o caso aqui.

Com 16 faixas, divididas em dois atos, o (des)compromisso de David Reece e comparsas é apenas celebrar o bom e velho Hard & Heavy dos bons tempos, e conseguem com maestria. Na abertura do “Primeiro Ato” temos a poderosa “How Does it Feel” e a festeira “Driver´s Seat”. Riffs potentes se entrelaçam com vocais e backing vocals cheio de harmonias. “Bullet Train“ e “ I'm Headed For” são as mais ”metalizadas” desta primeira parte.

A segunda parte vem mais como uma colcha de retalhos de influências, porém sem perder a qualidade. Temos a “Van-Halesca” “Swimming With The Shark”, enquanto “The Light” mostra influências de Southern Rock. “Sail On” é um ótimo AOR e “Mending Fences” fecha o trabalho com os dois pés fincados no Blues. Apesar desta variação, o trabalho segue muito coeso.

Com “Rapid Fire Sucession : On Target Part II”, o Bangalore Choir nos mostra como fazer um grande trabalho. Mesmo fazendo o simples e o esperado: Hard Rock e Heavy Metal produzidos com sentimento inspiração e sinceridade.

José Henrique Godoy




EDGUY - ROCKET RIDE (2006/2025 - RELANÇAMENTO)

 


EDGUY
ROCKET RIDE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

ROCKET RIDE, lançado em 2006, é considerado um dos trabalhos mais polêmicos da trajetória do EDGUY. Até aquele momento, a banda liderada por Tobias Sammet era reconhecida como uma das forças mais respeitadas do power metal europeu, mas decidiu adicionar novos elementos à sua sonoridade, algo que já veio sendo incorporado desde "Hellfire Club" (2004). O álbum não é apenas uma sequência simples de seu antecessor pois atua como uma espécie de liberdade criativa, mesmo que isso tenha deixado parte de sua base de fãs mais radical um tanto quanto indignada. O trabalho traz uma abordagem deliberadamente "fora da caixa", apesar de ainda haver elementos marcantes de power metal — principalmente nas estruturas épicas e na presença constante de melodias grandiosas. No entanto, seu relançamento, que chega por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, volta sua atenção  para um hard rock melódico, com referências explícitas ao AOR, rock dos anos 80 e até abordagens quase pop.

O já citado Tobias Sammet, ao lado de seus sempre fiéis companheiros Jens Ludwig e Dirk Sauer (guitarras), Tobias "Eggi" Exxel (baixo) e Felix Bohnke (bateria) trazem um ábum que foi gravado, produzido, mixado e masterizado por Sascha Paeth, o que garante uma sonoridade cristalina e moderna. Tudo soa grande, polido e acessível, deixando claro que o trabalho, apesar de mostrar uma sequência e evolução (algo constante na carreira do quinteto alemão), ainda mantém algumas características que consolidaram a carreira da banda: melodias, refrãos fáceis de gravar e muita qualidade em suas composições. 

Um contraste significativo dentro do próprio álbum. Essa talvez seja uma frase que defina bem o que temos aqui, afinal músicas como "Sacrifice", "Return to the Tribe" e "The Asylum" mantém as características habituais do Edguy: estruturas extensas e épicas, refrãos e corais majestosos, uso expressivo da voz melódica de Sammet, ou seja, garantem a pegada característica do power metal europeu, em especial, o alemão. Em contrapartida, o álbum aposta muito em linhas mais básicas e claras, estruturas mais comerciais e uma postura mais descontraída e até mesmo, cômica, a começar pela capa. "Rocket Ride", "Superheroes", "Save Me" e, principalmente, "Trinidad" são exemplos mais que evidentes disso. Esta última, ao combinar rock com elementos tropicais e uma irreverência quase paródica, chega a beirar o caricatural. Para alguns, isso representa ousadia criativa. Para outros, descaracterização. Mas a "cereja do bolo", vem em "Fucking with Fire (Hair Force One)". Se em "Lavatory Love Machine", lançado no álbum anterior, o Edguy flertou com o Hard Rock anos 80, aqui a coisa ganhou uma maior proporção, juntando todos os elementos do estilo.

ROCKET RIDE não é um álbum que se mantém em uma zona de conforto. Pelo contrário. Ele não tenta agradar a todos — e por isso mesmo permanece relevante quase vinte anos depois. Não é o trabalho mais coeso do EDGUY, tampouco o mais pesado, mas talvez seja o mais honesto enquanto "personalidade": uma banda experiente, cansada de fórmulas, experimentando sem medo de errar. Para quem aceita essa proposta, o disco entrega momentos de grande bastante interessantes e divertidos, ainda que intercalados por escolhas que nem sempre agradam aqueles fãs mais puristas.

Sergiomar Menezes