quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

EDGUY - THE SINGLES (2008/2025 - RELANÇAMENTO)

 


EDGUY
THE SINGLES
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

THE SINGLES, lançado em 2008 pelo EDGUY e relançado agora em 2025 pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, não é um trabalho convencional, se assim podemos dizer. O álbum reúne faixas dos EPs "King of Fools, "Superheroes" e do single "Lavatory Love Machine", celebrando momentos icônicos da trajetória da banda. Mas ele funciona como um retrato bastante honesto da fase mais extrovertida e desinibida da banda nos anos 2000. Em vez de soar como uma coletânea burocrática, ele parece uma vitrine de tudo o que Tobias Sammet e companhia estavam dispostos a experimentar naquele período: power metal épico, hard rock melódico, humor escrachado, versões alternativas e até covers inesperados (bom, inesperados pra quem não conhece a trajetória da banda...).

Sammet (vocalista), Jens Ludwig e Dirk Sauer (guitarras), Tobias "Eggi" Exxel (baixo) e Felix Bohnke (bateria e parceria de Sammet no Avantasia), nos trazem uma coletânea não coletânea, um EP com 14 faixas(!?), um trabalho fora da curva, digamos assim. Porque temos aqui um EP, além de covers, faixas relançadas e o mais importante e sensacional de tudo: a participação de Michael Kiske na melhor faixa da carreira da banda. Se você ainda não se ligou, estou me referindo a espetacular "Judas at the Opera".

Abrindo com "Superheroes” que define o clima inicial: refrão grandioso, energia positiva e aquela sensação de “hino” que o Edguy sempre soube fazer, com refrão fácil de grudar e difícil de esquecer. A sequência vem com “Spooks in the Attic”, a faixa mais melódica e "stratovariana" já gravada pelo quinteto alemão. Já “Blessing in Disguise”, escancara o lado mais pomposo e épico da banda, que antecede o ápice logo em seguida, pois “Judas at the Opera”, a faixa que conta com a  participação de Michael Kiske, ganha ares de uma pequena ópera metálica, exagerada e irresistível para quem gosta de teatralidade. As mudanças de andamento, por vezes rápida, por outras cadenciada, as performances de Sammet e Kiske, a melodia, a descontração e a versatilidade da composição, mostram que o Edguy está, sim, fazendo falta no cenário.

Os covers ajudam a ampliar o capacidade criativa da banda e do disco. “The Spirit”, do Magnum, traz uma pegada mais clássica e contemplativa, enquanto “I’ll Cry for You”, do Europe, aproxima o Edguy de vez do hard rock melódico oitentista. Não são apenas curiosidades: eles mostram como a banda absorve influências fora do power metal sem perder identidade. O que fica ainda mais nítido e claro em “Lavatory Love Machine” o exemplo mais óbvio da junção hard rock, diversão e "descompromisso", pois traz uma atmosfera festiva enquanto a letro medo de Tobias Sammet em viajar de avião, ainda para o Brasil. E a versão acústica reforça ainda mais o espírito brincalhão da coletânea. Ainda temos músicas que estão nos EPs, mas poderiam tranquilamente estar em qualquer álbum de estúdio, como “New Age Messiah” e “Holy Water”, que resgatam o Edguy mais tradicional.

No fim das contas, THE SINGLES é um trabalho agradável, divertido, mas que não muda o mundo. E nem é essa a intenção da banda. Para um álbum que junta material tão diverso, ele funciona como um mosaico da identidade múltipla do EDGUY: ora tradicional, ora debochada, ora grandiosa, ora simplesmente divertida. Para fãs, é um documento essencial; para curiosos, uma forma leve e variada de entender por que o grupo marcou tanto o power metal (ou metal melódico) moderno.

Sergiomar Menezes






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