terça-feira, 13 de janeiro de 2026

KREATOR - KRUSHERS OF THE WORLD (2026)

 


KREATOR
KRUSHERS OF THE WORLD
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

"Esmagadores do Mundo". O 16º álbum de estúdio do KREATOR não poderia ostentar outro título. Ainda que não possamos mais ouvir aquela agressividade brutal dos primeiros álbuns, é inegável que a máquina alemã de triturar ossos segue sua jornada. mesmo usando momentos mais "melódicos" em diversas passagens, Mille Petrozza e sua turma sabem como poucos fazer THRASH METAL. A maior banda alemã do estilo prova que ainda tem lenha pra queimar, seja pelo lançamento do livro "Seu Paraíso, Meu Inferno", escrito por Mille em parceria com Torsten Gross, seja pela estreia nos cinemas alemães de "Ódio & Esperança" — filme verdadeiramente dedicado a uma banda de metal extremo que se mantém intacta mesmo com os percalços da carreira, com participações especiais de Scott Ian (Anthrax), Chuck Billy (Testament), Bela B. (Die Ärzte), Phil Demmel (Kerry King, ex-Machine Head) e muitos outros, a verdade é que KRUSHERS OF THE WORLD, que sai por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast é revigorante, intenso, brutal e, acima de tudo, honesto.

Acompanham Mille (guitarra e vocal), Sami Yli-Sirniö (guitarra), Frédéric Leclercq (baixo) e o parceiro de longa data de Petrozza, o experiente e brutal Jürgen "Ventor" Reil (bateria). Produzido por Jens Brogen (e aqui podemos encontra a razão para muitos dos momentos melódicos do álbum), o trabalho soa pesado, denso e ao mesmo tempo, limpo e cristalino. Não tem como ser diferente, afinal, estamos falando de uma banda que nunca parou no tempo, buscando evolução ao longo de sua trajetória. Já a capa, é obra do artista Zbigniew Bielak, renomado por seu trabalho com o Ghost, e oferece uma releitura interessante da história do KREATOR. Transformando marcos visuais clássicos que fãs dedicados reconhecerão de "Coma Of Souls" (1990), "Out of the Dark... into the Light" (1988) e "Pleasure To Kill", Bielak criou uma arte extraordinária que presta homenagem à banda. A capa de "Krushers Of The World" vale uma observação mais detalhada por parte dos fãs.

"Seven Serpents" abre o álbum com um clima sombrio em seu início, desembocando numa pedrada thrash digna de moshes violentos! Que porrada! Ventor mostra que o tempo parece não passar, tamanha a vitalidade e pegada da bateria! Sami, por sua vez, traz solos que, para muitos, são os responsáveis pelas linhas mais melódicas que o grupo vem adotando de uns tempos pra cá. O refrão é brutal e grandioso ao mesmo tempo. Os vocais característicos de Mille invadem os fones com aquela aura angustiante e desesperadora em alguns momentos. Uma abertura de álbum que deve abrir os próximos shows da banda! "Satanic Anarchy" traz aquele andamento mais cadenciado, cavalgado, que também vem sendo utilizado pelo grupo. No entanto, o refrão aqui pode causar repulsa nos fãs mais radicais, pois traz um pouco de melodia em excesso, lembra as bandas da Suécia que fazem uso dessa linha. Os riffs ríspidos dão início à faixa título, pesada, densa e cadenciada. E tome mais melodias no refrão, que deixam um pouco do impacto inicial para trás. Mas, o peso impera durante a execução da composição. "Tränenpalast", faixa composta por Mille inspirada em filmes de terror, em especial "Suspiria" de Dario Argento, traz os vocais guturais de Britta Grötz (Hiraes). Com destaque para a cozinha composta por Frédéric e Ventor, a faixa carrega a atmosfera propícia aos clássicos filmes de terror old school. Já em "Barbarian" temos a volta do pé no acelerador, com riffs rápidos, vocais típicos e uma pegada thrash anos 80. Obviamente que pegada não quer dizer um resgate, mas uma inspiração, tanto que o refrão nos traz o Kreator de hoje em dia de volta à execução da faixa.

"Blood of Our Blood" é outro petardo "tipicamente kreatoriano", com velocidade, intensidade, peso, vocais rasgados e um refrão de quebra o ritmo, sem que cause prejuízo a intensidade da faixa. Ventor novamente mostra que é um dos bateras mais injustiçados do Thrash, vez que nunca é citado entre os grandes nomes do gênero. Já "Combatants" é um daqueles hinos cadenciados, carregados de peso em cada palhetada, intenso e sem muita invencionice, tratando o metal do jeito que deve ser: cru, direto e enérgico! Mais peso e velocidade é o que temos em "Psychotic Imperator" e "Deathscream", são, digamos assim, "puro suco do thrash alemão". Enquanto a primeira traz um Kreator mais próximo das suas origens, a segunda tem elementos mais modernos e passagens que destacam os passos que o quarteto decidiu seguir de uns tempos pra cá. O encerramento vem com "Loyal to the Grave", um "quase" metal tradicional, incorporando as nuances atuais do Kreator, com uma pequena, mas muito pequena, semelhança com o que o grupo fez em "Endorama" (1999), odiado por muitos, cultuado por este que vos escreve.

KRUSHERS OF THE WORLD é um trabalho que mantém o KREATOR entre as principais bandas THARSH METAL do mundo. Se por um lado, o grupo incorporou de vez as melodias em muitos momentos, por outro, a agressividade e o peso, continuam caminhando lado a lado, mantendo uma sonoridade única. Um álbum que mostra que a relevância dos alemães nos dias de hoje, ainda é, e muito, significativa.

Sergiomar Menezes




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