GOREFEST
FALSE & ERASE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
FALSE & ERASE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
Se a primeira parte da Ultimate Collection do Gorefest foi um mergulho na podridão primordial do death metal, a Parte II é o som da banda rastejando para fora da tumba e olhando para o horizonte. Este segundo volume, centrado nos álbuns False (1992) e Erase (1994), é um documento fascinante de uma banda em seu auge criativo e, ao mesmo tempo, no epicentro de uma transformação que dividiria sua base de fãs para sempre. É aqui que o Gorefest se tornou o Gorefest que muitos conhecem: mais técnico, mais groovy e perigosamente experimental. Esqueça a crueza absoluta de Mindloss. Esta coleção de dois discos captura um período de evolução meteórica.
False é a obra-prima, o momento em que a banda aperfeiçoou sua fórmula de death metal. Erase é o ponto de virada, o álbum que plantou as sementes do controverso, mas influente, "death 'n' roll". Juntos, eles contam a história de como a brutalidade pode se tornar mais inteligente e, eventualmente, dar lugar a algo totalmente diferente.Lançado apenas um ano após a estreia, False (1992) é um salto quântico em todos os sentidos. Com a entrada do baterista Ed Warby e do guitarrista Boudewijn Bonebakker, o Gorefest ganhou uma injeção de técnica e musicalidade. O resultado é um dos melhores álbuns de death metal da era de ouro europeia. A produção de Colin Richardson é cristalina para a época, permitindo que cada riff pesado e cada virada de bateria precisa de Warby atinjam com força máxima. O álbum é uma aula de death metal com groove. Músicas como "The Glorious Dead" e "Reality - When You Die" são pesadas e memoráveis, trocando a velocidade vertiginosa por um peso esmagador e uma estrutura mais cadenciada. As letras também evoluíram, abandonando o gore puro por críticas sociais e reflexões sobre a mortalidade. False não é apenas brutal; é inteligente, cativante e uma obra-prima que solidificou o lugar do Gorefest no topo da cena.
Se False foi a perfeição, Erase (1994) foi a rebelião. Com uma produção ainda mais limpa de Pete Coleman, o álbum chocou os puristas do death metal. Os tempos ficaram mais lentos, os riffs de guitarra começaram a soar mais como Black Sabbath do que como Morbid Angel, e a agressividade deu lugar a um balanço pesado e arrastado. Faixas como "Low" e "Fear" são inegavelmente pesadas, mas a abordagem era radicalmente diferente. Este foi o álbum que cunhou o termo "death 'n' roll". Para alguns, foi uma traição imperdoável. Para outros, uma evolução natural e corajosa. Independentemente do lado em que você esteja, é impossível negar a importância de Erase. Ele mostrou que o death metal poderia ser mais do que apenas velocidade e guturais, abrindo portas para uma nova forma de expressão dentro do metal extremo. Como na primeira parte, o material bônus aqui é ouro puro. O disco de False vem com demos que mostram as músicas em seu estado bruto e faixas ao vivo que capturam a energia da banda no palco. Já o disco de Erase é ainda mais revelador, incluindo uma versão inédita de "Autobahn" e uma incrível versão orquestral de "Goddess in Black", gravada com a Metropole Orchestra. Esses extras são a prova definitiva do espírito aventureiro que tomava conta da banda.
The Ultimate Collection Part II é talvez o volume mais importante para entender a jornada completa do Gorefest. Ele captura a banda no topo de seu jogo com False e no momento exato em que decidiram arriscar tudo com Erase. É um retrato de artistas se recusando a ficar parados, empurrando os limites de seu próprio gênero. Para os fãs de death metal clássico, False é audição obrigatória. Para os curiosos sobre as origens do death 'n' roll, Erase é o marco zero. Esta coletânea não é apenas uma coleção de álbuns; é o som da evolução em tempo de uma encruzilhada, e o barulho que ecoou dela mudou o metal para sempre.
Jay Frost


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