HAMMER KING
MAKE METAL ROYAL AGAIN
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional
Com dez anos de carreira (completados em 2025), o grupo alemão HAMMER KING, formado na cidade de Kaiserslautern, chega ao seu sétimo trabalho de estúdio, o que é uma marca bastante considerável nos dias de hoje. Para o lançamento de seu sétimo álbum MAKE METAL ROYAL AGAIN, o quarteto deixou a Napalm Records e ingressou no cast da gravadora alemã Reaper Entertainment. Como já citado, sete álbuns em dez anos é um nível muito alto de produtividade alcançado pela "nova" força do metal alemão. Lançado por aqui pela parceria entre a Shinigami Records e a gravadora alemã, o trabalho é uma boa opção aos fãs de um power metal intenso, pesado e com aquela pegada metal germânica que é marca registrada dos conterrâneos de Kai Hansen e cia.
O quarteto formado por Titan Fox V (vocal e guitarra), Gino Wilde (guitarra), Günt von Schratenau (baixo) e Count Shandorian (bateria) mostra que consegue unir de forma competente o metal tradicional e o melódico com classe e desenvoltura. A produção assinada por Charles Greywolf (Powerwolf) e Titan Fox V, e mixado/masterizado por Jacob Hansen (Amaranthe, Volbeat), soube valorizar as características dos alemães, fazendo com que o álbum apresente dez faixas poderosas e um cover como bônus. A magnífica arte criada por Péter Sallai (Powerwolf, Sabaton), inspirada na obra A Última Ceia, retrata os temas centrais do álbum: poder, identidade e lealdade.
"King for a Day" abre o trabalho com uma intro de bateria a lá "Painkiller" do... Bom, vocês sabem quem. Dona de uma melodia interessante, a intensidade da faixa é pesada, com um refrão típico do power metal: corais, melodia vocal e doses extras de riffs que grudam na cabeça. Por sua vez, a faixa título é aquela composição que todo álbum do estilo possui, pois as melodias, trocas de andamentos e "simplicidade" (no quesito de assimilação) nos remete àqueles refrãos criados pelo mestre Kai Hansen. "Schlaf Kaiser Schlaf", que traz a participação de Steffi Stuber (Mission in Black) me lembrou o Powerwolf, pelo andamento dos teclados e nos vocais do refrão. Por outro lado, as melodias mais características voltam em "Hammerschlacht", onde a dupla Schratenau e Shandorian (baixo e bateria, respectivamente) se encarregam de criar uma base pesada, para as linhas melódicas das guitarras. "For Crow and Kingdom" mantém o clima anterior, mostrando que se o Hammer King tivesse surgido no início dos anos 200, poderia ter sido uma banda grande dentro do estilo.
O metal tradicional e mais pesado dá as caras na ótima "Kneel Before the Throne", onde o vocalista Titan Fox V, atinge seu melhor momento no trabalho, pois sua voz se encaixa melhor nesse estilo, ainda que não comprometa na s outras faixas. E já que falamos de peso, temos em "Major Domus" o momento mais pesado do álbum. Cadenciada, com linhas de baixo mais incisivas, a faixa é o destaque do trabalho, com uma pegada mais metal e que poderia estar em algum dos primeiros álbuns do HammerFall (coincidência?). "Hoheitsgebiet", mantém o peso em alta, unindo momentos mais velozes com passagens mais melódicas e cadenciadas. "Hell Awaits the King" segue o estilo mais intenso, e curiosamente, a segunda parte do play num lado mais forte e pesado do quarteto. O encerramento vem com a épica "The Last Kingdom", com bons momentos principalmente nos backing vocal bem encaixados. Como bônus temos "Danger Zone", faixa clássica dos anos 80 de Kenny Loggins e que, apesar de não trazer nenhum inovação, ganhou mais peso e ficou bem interessante.
O HAMMER KING não reinventa a roda e eu, particularmente, vejo isso como um ponto positivo. Preservando suas influências e criando faixas numa linha tênue entre tradicional e o melódico, os alemães conseguem agradar os amantes de ambos os estilos. MAKE METAL ROYAL AGAIN não será um clássico do estilo, mas posso garantir que oferece bons momentos e manterá o grupo entre os bons nomes da "nova" safra.
Sergiomar Menezes


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