GOREFEST
MINDLOSS & DEMOS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
MINDLOSS & DEMOS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
No panteão do metal extremo, há nomes que são sussurrados com reverência, e há aqueles que são rosnados como uma praga. O Gorefest se encaixa confortavelmente na segunda categoria. Para uma geração de fãs, eles são os reis do "death 'n' roll", o som que colocou um groove de rock de bar no coração pútrido do death metal. Mas antes do balanço, antes do polimento, havia apenas... podridão. E é exatamente isso que a nova coletânea The Ultimate Collection Part I: Mindloss & Demos nos oferece: uma cápsula do tempo enferrujada e coberta de sangue, direto de 1991. Lançada em pleno 2025, esta não é uma coleção de hits, mas sim um documento arqueológico.
O pacote duplo traz o álbum de estreia da banda, Mindloss, totalmente remasterizado, e um segundo disco abarrotado com as demos que deram origem a ele. Para quem conheceu o Gorefest em sua fase mais "acessível" com álbuns como Erase (1994) ou Soul Survivor (1996), esta coletânea é um choque de realidade brutal e uma aula de história indispensável.No final dos anos 80 e início dos 90, a Holanda era um verdadeiro vulcão de death metal. Enquanto bandas como Pestilence e Asphyx desenhavam o mapa do som local, o Gorefest chegava com um facão para rasgá-lo. Mindloss não é um álbum de técnica cirúrgica como os do Death, nem tem a complexidade de seus conterrâneos do Pestilence. A inspiração aqui é mais direta, mais visceral, bebendo da fonte de gigantes americanos como Autopsy e britânicos como Napalm Death. O som é cru, a produção é suja e a atmosfera é de puro horror carnal. As letras fogem do satanismo clichê da época para mergulhar no grotesco da mente e da carne humana. Títulos como "Putrid Stench of Human Remains" e "Confessions of a Serial Killer" não deixam espaço para interpretações. A música acompanha essa visão: riffs simples, mas pesadíssimos; uma seção rítmica que soa como uma marreta; e os vocais guturais de Jan-Chris de Koeijer, que parecem emergir de uma tumba recém-aberta. É um som deliciosamente monotônico e hipnótico em sua brutalidade.
O verdadeiro deleite para os fãs hardcore está no segundo disco. As demos "Tangled in Gore" e "Horrors in a Retarded Mind" são os projetos originais de onde as faixas de Mindloss foram construídas. Ouvir essas versões é como ver os rascunhos de um pintor famoso. A energia é ainda mais caótica, a produção é praticamente inexistente, e a sensação de perigo é palpável. A demo "Horrors in a Retarded Mind", em particular, é um chute no estômago, uma peça essencial para entender o desenvolvimento da banda. Sejamos claros: The Ultimate Collection Part I não é para os fracos de coração, nem para quem busca o som mais polido e técnico do metal. Esta é uma peça de história. É um mergulho profundo nas fundações de uma das bandas mais importantes do death metal europeu. É o som de quatro jovens holandeses descobrindo o quão pesados e nojentos eles poderiam ser.
Para os fãs de longa data, é uma chance de ter o material clássico em sua melhor forma, com o bônus das demos raras. Para os novatos que só conhecem a fase death 'n' roll, é uma lição essencial sobre as raízes da banda. E para qualquer fã de death metal old-school, é um lembrete glorioso de uma época em que o gênero era definido pela brutalidade, e não pela perfeição. É feio, é sujo, é maravilhoso. Um pedaço essencial da história do metal extremo.
Jay Frost

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