segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

EDGUY - ROCKET RIDE (2006/2025 - RELANÇAMENTO)

 


EDGUY
ROCKET RIDE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

ROCKET RIDE, lançado em 2006, é considerado um dos trabalhos mais polêmicos da trajetória do EDGUY. Até aquele momento, a banda liderada por Tobias Sammet era reconhecida como uma das forças mais respeitadas do power metal europeu, mas decidiu adicionar novos elementos à sua sonoridade, algo que já veio sendo incorporado desde "Hellfire Club" (2004). O álbum não é apenas uma sequência simples de seu antecessor pois atua como uma espécie de liberdade criativa, mesmo que isso tenha deixado parte de sua base de fãs mais radical um tanto quanto indignada. O trabalho traz uma abordagem deliberadamente "fora da caixa", apesar de ainda haver elementos marcantes de power metal — principalmente nas estruturas épicas e na presença constante de melodias grandiosas. No entanto, seu relançamento, que chega por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, volta sua atenção  para um hard rock melódico, com referências explícitas ao AOR, rock dos anos 80 e até abordagens quase pop.

O já citado Tobias Sammet, ao lado de seus sempre fiéis companheiros Jens Ludwig e Dirk Sauer (guitarras), Tobias "Eggi" Exxel (baixo) e Felix Bohnke (bateria) trazem um ábum que foi gravado, produzido, mixado e masterizado por Sascha Paeth, o que garante uma sonoridade cristalina e moderna. Tudo soa grande, polido e acessível, deixando claro que o trabalho, apesar de mostrar uma sequência e evolução (algo constante na carreira do quinteto alemão), ainda mantém algumas características que consolidaram a carreira da banda: melodias, refrãos fáceis de gravar e muita qualidade em suas composições. 

Um contraste significativo dentro do próprio álbum. Essa talvez seja uma frase que defina bem o que temos aqui, afinal músicas como "Sacrifice", "Return to the Tribe" e "The Asylum" mantém as características habituais do Edguy: estruturas extensas e épicas, refrãos e corais majestosos, uso expressivo da voz melódica de Sammet, ou seja, garantem a pegada característica do power metal europeu, em especial, o alemão. Em contrapartida, o álbum aposta muito em linhas mais básicas e claras, estruturas mais comerciais e uma postura mais descontraída e até mesmo, cômica, a começar pela capa. "Rocket Ride", "Superheroes", "Save Me" e, principalmente, "Trinidad" são exemplos mais que evidentes disso. Esta última, ao combinar rock com elementos tropicais e uma irreverência quase paródica, chega a beirar o caricatural. Para alguns, isso representa ousadia criativa. Para outros, descaracterização. Mas a "cereja do bolo", vem em "Fucking with Fire (Hair Force One)". Se em "Lavatory Love Machine", lançado no álbum anterior, o Edguy flertou com o Hard Rock anos 80, aqui a coisa ganhou uma maior proporção, juntando todos os elementos do estilo.

ROCKET RIDE não é um álbum que se mantém em uma zona de conforto. Pelo contrário. Ele não tenta agradar a todos — e por isso mesmo permanece relevante quase vinte anos depois. Não é o trabalho mais coeso do EDGUY, tampouco o mais pesado, mas talvez seja o mais honesto enquanto "personalidade": uma banda experiente, cansada de fórmulas, experimentando sem medo de errar. Para quem aceita essa proposta, o disco entrega momentos de grande bastante interessantes e divertidos, ainda que intercalados por escolhas que nem sempre agradam aqueles fãs mais puristas.

Sergiomar Menezes




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