segunda-feira, 17 de março de 2025

DIRKSCHENEIDER - BALLS TO THE WALL RELOADED (2025)

 


DIRKSCHENEIDER
BALLS TO THE WALL RELOADED
Reigning Phoenix Music/ Valhall Music - Nacional

Em 2024, o lendário vocalista alemão ex-Accept anunciou que iria regravar o maior sucesso de sua antiga banda, o álbum Balls to the Wall. Muitos julgam desnecessária a regravação de um clássico e, de certa forma, podem ter razão. Algumas bandas optam por fazer esse remake como um EP, regravando poucas músicas ou, como no presente caso, um álbum inteiro.

Há diversos motivos para tal prática, como a atualização do som, pois muitas vezes as gravações originais possuem qualidade inferior devido à tecnologia da época, como ocorreu com Battle Hymns, do Manowar, relançado em 2010. Outra razão é a mudança de integrantes, levando a banda a desejar que seu clássico seja tocado de forma oficial pela nova formação, como em Let There Be Blood, a releitura do clássico do Exodus, Bonded by Blood. O Twisted Sister quis celebrar os 20 anos do seu maior sucesso comercial atualizando o som de Stay Hungry, que, segundo o próprio Dee Snider, nunca agradou à banda, pois foi suavizado pela gravadora. Assim, lançaram Still Hungry, com mais peso que o original. Poucos lembram, mas até o Kiss já realizou essa prática. Embora não tenha sido um álbum inteiro, regravaram uma coletânea de clássicos para a promoção de Sonic Boom (2009), resultando no esquecido Jigoku-Retsuden.

No caso em questão, não temos a regravação feita pela banda original, mas sim por um membro dela em sua carreira solo. Muitos questionam até que ponto essa prática é válida. Udo possui dois projetos: sua banda U.D.O., que lança músicas inéditas, e seu projeto de tributo ao Accept, o Dirkschneider, que dá nome a Balls to the Wall Reloaded. Aqui, temos dois membros originais do álbum: Udo e o baixista Peter Baltes. Completam a banda os demais integrantes do U.D.O.: os guitarristas Dee Dammers e Andrey Smirnov, além do baterista Sven Dirkschneider.

Mas qual seria o grande diferencial desse remake? A resposta está nos convidados. Sem dúvidas, suas participações fizeram a diferença no trabalho. Nomes como Michael Kiske, Dee Snider, Biff Byford e Doro, entre outros, elevaram o álbum além de uma simples regravação genérica. Os duetos ficaram bem executados, as vozes se encaixaram perfeitamente nas músicas escolhidas e Udo permitiu que os convidados tivessem participações relevantes sem tomar muito tempo, apesar de ser o "protagonista". O trabalho foi bem produzido, respeitando o legado desse clássico e mantendo a originalidade das composições. Para o fã de Accept, que já ouviu o original inúmeras vezes, a oportunidade de escutar essas músicas renovadas em outras vozes é excelente.

A primeira faixa é a música mais conhecida da banda, homônima ao álbum. Quem teve a honra de gravá-la foi o vocalista do Sabaton, Joakim Brodén. Seu vocal grave combinou perfeitamente com a música, considerando que ela contém muitos coros graves. Foi uma excelente performance. A segunda faixa, "London Leatherboys", traz a voz do Saxon, Biff Byford. Impressiona como sua voz se encaixou na música. Os versos mais agressivos são cantados em uníssono pela dupla, o que engrandeceu a canção. Em seguida, vem a excelente "Fight It Back', interpretada com Mille Petrozza, do Kreator. Sua voz agressiva combina com o estilo de Udo, tornando os versos ainda mais pesados. Destaque para o solo, muito bem reproduzido por Andrey Smirnov.

"Head Over Heels" é uma das favoritas dos fãs de Accept no álbum original, e essa versão é, sem dúvida, a melhor regravação do disco. Nils Molin, da banda Dynazty, um "novato" entre vários veteranos, entregou uma interpretação impecável com seu vocal agudo e melódico, contrastando totalmente com o de Udo. Ele inicia a música com um falsete perfeito e canta até o refrão, que ficou excelente em sua voz. No final, os dois cantam juntos, mas acredito que a voz de Nils poderia ter tido uma mixagem mais alta para ganhar mais destaque. Ótimo trabalho.

Em seguida, temos a belíssima "Losing More Than You’ve Ever Had", cantada com a lenda do Helloween, Michael Kiske. Assim como na música anterior, seu vocal contrasta totalmente com o de Udo, o que funciona bem, já que a faixa é mais melódica. Sua interpretação ficou muito boa, mas poderia ter um pouco mais de energia. O dueto entre as duas vozes distintas ficou agradável. "Love Child" conta com o vocal feminino de Ylva Eriksson. Como nas duas anteriores, os vocais diferentes se encaixaram muito bem. Acredito que ela poderia ter tido mais participação na faixa, pois sua voz é excelente.

Em "Turn Me On', Danko Jones, da banda homônima, traz um diferencial em relação aos outros convidados logo no início, usando sua voz durante o riff para fazer sons e frases rápidas, dando mais energia à introdução da música, num estilo bem "hype-up". No geral, sua interpretação ficou excelente, e ambos cantam o refrão juntos.

A acelerada "Losers and Winners" conta com a icônica voz de Dee Snider, do Twisted Sister. Logo no início, ambos revezam os versos em frases curtas, tornando o dueto bem dinâmico. Dee combinou bastante com a faixa, remetendo a alguns de seus trabalhos solo. A seguinte traz Tim “Ripper” Owens, ex-Judas Priest, com quem Udo já fez shows no Brasil em 2023, mostrando que a parceria deu certo. Ele regrava "Guardian of the Night", seguindo o mesmo padrão dos duetos anteriores, com revezamento de voz em frases curtas para dar dinamismo. Mais um bom trabalho.

O disco se encerra com a linda balada "Winter Dreams", na qual Udo canta com sua amiga Doro. Arrisco dizer que essa é a única faixa que está no mesmo nível da original, podendo até superá-la. A voz de Doro adiciona ainda mais suavidade à música, que já era bem leve. O refrão, cantado pelos dois, torna a faixa ainda mais sentimental. A música conta com um clipe um pouco piegas, mas bastante nostálgico, evidenciando a forte conexão entre os dois vocalistas. Um encerramento magnífico.

Balls to the Wall Reloaded é um presente para os fãs do Accept e, de certa forma, uma homenagem ao clássico. Porém, infelizmente, será pouco ouvido e repercutido devido à grande rejeição do público em relação a regravações de clássicos. Ainda assim, vale a pena dar uma chance ao trabalho de Udo.

Thiago Rodrigues




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