THE HALO EFFECT
MARCH OF THE UNHEARD
Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional
MARCH OF THE UNHEARD
Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional
Mais IN FLAMES que o próprio IN FLAMES. Foi essa a sensação que tive ao ouvir pela primeira vez o THE HALO EFFECT, após o lançamento de seu álbum de estreia, o excelente "Days of the Lost" (2022). Mas não tinha como não ser, não é mesmo? Afinal estamos falando de, praticamente, um "spin off" do quinteto sueco, uma vez que estamos falando de uma banda formada por ex-membros do In Flames, ou seja, nada mais justo e natural que o The Halo Effect (nome inspirado na música de mesmo nome do álbum "Clockwork Angels" do Rush), traga consigo toda a atmosfera e musicalidade do famoso "som de Gotemburgo". E mais uma vez, a Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast, presta um serviço de utilidade pública ao disponibilizar no mercado nacional essa verdadeira maravilha do estilo, intitulada MARCH OF THE UNHEARD!
Formada por Mikael Stanne (vocal, Dark Tranquility e primeiro vocalista do In Flames), Jesper Strömblad (guitarra, fundador do In Flames), Niclas Engelin (guitarra, In Flames), Peter Iwers (baixo, ex- In Flames) e Daniel Svensson (bateria, ex- In Flames), a banda possui experiência, talento e classe de sobra para desenvolver esse tipo de sonoridade. Não à toa, a primeira impressão que tive, e que, confesso, perdura até agora. E de forma alguma isso é ruim ou causa demérito ao grupo, pois Se a banda que originou o The Halo Effect seguiu por outros caminhos (ainda que mantendo suas características), o que temos nesse álbum e seu antecessor, é a síntese da sonoridade que criou um estilo. Guitarras pesadas e melódicas, baixo e bateria brutais e intensos , vocais agressivos e muita técnica envolvida em composições cheias de categoria.
O álbum abre "Conspire to Decieve", que inicia com um clima introspectivo, mas que emenda em guitarras melódicas e linhas bem estruturadas, com os vocais característicos de Stanne, um dos pioneiros do estilo. Mantendo a mesma fórmula de seu antecessor, o grupo mostra que sabe o que está fazendo. Assim como em "Detonate", lembrando os bons tempos de "Colony" (1999) e "Clayman" (2000) do... bom, vocês sabem quem. Com uma pegada típica e ótimas linhas de guitarra, a faixa é um dos grandes destaques do álbum. Já "Our Channel to the Darkness" abusa do peso nas guitarars e na perfeita sincronia de Iwers e Svensson na cozinha, o que, convenhamos, não é nenhuma novidade, não é mesmo? Passagens mais cadenciadas, contrastam com momentos mais suaves e melódicos, o que se repete em "Cruel Perception", mas de forma mais intensa e poderosa. "What We Become" é outro momento bem pesado, mas que exerce sobre o ouvinte uma energia diferente, pois acrescenta doses extras de vocais mais rasgados. Enquanto isso, "The Curse of Silence" é uma faixa instrumental, curta e introspectiva.
A faixa título, por sua vez, garante mais um dos grandes momentos do trabalho, trazendo toda a bagagem dos músicos enquanto compositores, pois carrega aquela atmosfera criada e desenvolvida no meio da década de 90. Momentos pesados e extremos sintetizam exatamente o que quero dizer. "Forever Astray", traz passagens com vocais limpos, algo que também se tornou marca registrada do grupo originário. "Between Directions" talvez seja a faixa que mais lembra o In Flames atual, talvez pela sonoridade mais moderna e atual, talvez pelas linhas vocais adotadas por Stanne. Ainda assim, é uma faixa que mantém viva a personalidade do quinteto. "A Ceath Become Us" continua a saga de aliar peso e melodia de forma concisa e intensa, enquanto "The Burning Point" alterna velocidade, cadencia, intensidade e linhas melódicas bem estruturada. O trabalho se encerra com "Coda", uma faixa instrumental, que acredito, possa ter influência de Led Zeppelin...
A versão nacional do álbum traz ainda três faixas bônus: "Patch of Fierce Resistance" (originalmente lançada como bônus da versão japonesa de "Days of the Lost"), "The Defiant One" e "Become Surrender", que transformam a aquisição do álbum ainda mais obrigatória.
MARCH OF THE UNHEARD é uma verdadeira aula de death metal melódico, Gothenburg Sound, ou seja lá como você queira chamar a sonoridade do THE HALO EFFECT. Músicos experientes, faixas inspiradas e muita adrenalina fazem deste álbum em verdadeiro achado para os fãs do estilo. Se você, assim como eu, tem saudades daquele bom e velho In Flames (que parece estar cada vez mais voltando às suas raízes), confira esse trabalho e confirme tudo que escrevi. Você não vai se arrepender!
Sergiomar Menezes
Nenhum comentário:
Postar um comentário