MARÇO MALDITO
BEWITCHED
DESASTER
SACRAMENTUM
OSSUARY
SACRAMENTUM
OSSUARY
20/03/2025
BAR OPINIÃO
PORTO ALEGRE/RS
PRODUÇÃO: ABLAZE PRODUCTIONS
Texto: Gustavo Jardim
Fotos: José Henrique Godoy
Fotos: José Henrique Godoy
Duas coisas no mês de Março deixavam os headbangers gaúchos entusiasmados e ansiosos: o fim do escaldante verão no Sul e o Março Maldito fest, evento que prometia uma celebração de altíssimo nível contando com as bandas Ossuary (URU/ BRA), Sacramentum (SUE), Desaster (ALE) e Bewitched (SUE ) no bar Opinião.
Pontualmente as 18h30, a veterana banda Ossuary nos traz seu grandioso death metal nos moldes da velha escola. "Rising Kingdom“ do clássico “Silence Means Gold“ abre o set de maneira mais direta possível, seguido de mais duas canções do seu EP de 1998, “We Await The Secret Conspiracy“, “Visions Through Darkness” e a poderosa “Celebrating the Cure“. A seguir uma homenagem á memória do guerreiro Rafael Lavandovski (Exterminate, Reborn in Flames). Sebastian Carsin empunha sua velha guitarra e o saúda, executando músicas inéditas da banda, maneira mais verdadeira possível de homenagem a um deathbanger. ”I Never Walk Alone”, “Ascending to Kether”, “Killed by Pride” são os destaques de uma apresentação emblemática, densa, caótica como os velhos moldes de Mortem, Morbid Angel, Incantation e Sarcófago nos brindam desde meados dos anos 80. A qualidade do som impecável e as execuções precisas de Diego Pereira (bateria), Luis Alves (baixo), Maurício Nespeca (vocal e guitarra) capitaneados por Sebastian Carsin (guitarra), nosso “Scott Burns” gaúcho, fizeram um dos melhores shows da noite…
Pouco mais de quinze minutos depois, o Sacramentum sobe ao palco pra nos trazer seu Black Metal melódico noventista. “Burning Lust” abre os trabalhos, seguida de canções do seu maior clássico “Far Away from the Sun“ (1996). ”Fog’s Kiss”, “Far Away…”, “When Night Surrounds Me” e um dos pontos altos da apresentação, “Blood Shall be Spilled”! Destaque para a performance carismática e insana do vocalista e compositor Nisse Karlen, com seus gestos hipnóticos no palco e riffs precisos de Anders Brolycke. “To the Sound of Storms” e “Awaken Chaos” do “The Coming of Chaos” (remixado em 2024 e produzido por Andy LaRocque, registra-se) fecham um set empolgante mas que, na minha opinião, deveria ter uma melhor produção de palco, o som pareceu meio embolado e baixo em alguns momentos, tirando um pouco o brilho do seu ritual.
Eram próximo das 20h30, quando adentram ao palco os demônios headbangers das terras germânicas para nos brindar com cerveja e sangue o melhor show da noite, na minha opinião. Desaster. Sem muita firula, “Satan Soldiers Syndicate” entra com pé na porta de maneira perfeita, seguida da clássica”Devil’s Sword”, dos velhos tempos de “A Touch of Medieval Darkness “, ganhando o público logo de cara. “Learn to Love the Void” com seus riffs empolgantes e remetendo ao metal tradicional é a próxima, mantendo o alto nível e, na sequência, “Sacrilege“ representa com sabedoria o EP “ Stormbringer”.
Os veteranos Sataniac (vocal), Infernal (guitarra), Odin (baixo) e Hont (bateria, substituindo com maestria o ex-batera Tormentor ) demonstram um carisma e simpatia impressionante, interagindo a cada minuto com o público e mantendo um clima familiar dentre os presentes, cada vez mais empolgados. E eis que anunciam uma inédita e poderosa “Towards Oblivion”, seguida de “Damnation and Bestias”. A sequência emocionante das clássicas e épicas “Teutonic Steel” e “Necropolis Kartago” fazem velhos ThrashBlackers se emocionarem, entoando seus refrãos a plenos pulmões, e “Hellbangers” volta a evocar o frenesi com sua levada rápida e mortal dentre o público ( Sataniac remeteu a uma mescla de Bruce Dickinson incorporado com o demônio da Tasmânia em seu set... heeheheheh)
O grand finale acontece com a canção que maior representa o Black Thrash Metal mundial, “Metalized Blood” , contando com a participação do grande guerreiro Márcio Jameson ( mentor da seminal Aplace Artigos de Rock e figura extremamente presente no underground brasileiro desde a muito tempo e nosso colega na Rebel Rock) vociferando ao lado dos mestres e junto com um público já ensandecido que abriam imensas rodas de pogo e batizavam seus patches com suor e cerveja! Magnífica performance encerrando com chave de ouro o grande ponto da noite.
Em um rápido intervalinho, era o momento de conferir e adquirir um merchandising das bandas, interagir com os maníacos presentes e molhar as palavras, claro que não poderiam faltar fotos e trocas de impressões com o pessoal do Desaster que, mega receptivos, esperavam junto a nós na plateia. Enquanto isso, os caras do Bewitched se preparavam para fechar a noite.
Rapidamente, Vargher (vocal/ guitarra), Wrathyr (baixo), Hellfire (guitarra) e Znoid (bateria ) com seus corpse paints estilo anos 80, já estavam prontos a vociferar o seu Heavy/Speed/Black metal. O Bewitched, formado na Suécia na metade dos anos 90 ,já manda ver em duas matadoras canções do “Pentagram Prayer” (1997), ”Blood on the Altar” e “Night of the Sinner”. Na sequência “Holy Whore”, “Hellcut” e ”Deathspell” do excelente “Diabolical Desecration“ ( 1996) praticamente emendadas e com certo som embolado (mais uma vez poderiam ter dado uma atenção no som, principalmente baixo e guitarra) começam a abrir as primeiras rodas de mosh e absorver o competente set recheado de velocidade e riffs cortantes
“Sabbath of Sin” é anunciada e recebida com empolgação, sendo um dos um dos destaques da apresentação, seguida de “Triumph of Evil”, e em sequência após a intro, “Fucked by Fire” remete aos tempos de “ Spiritual Warfare” de 2006.
A empolgação do público cresce com as certeiras “Worship the Fire”, “Hellcut Attack”, e “Hellblood”, seguidas de “Cremations of the Cross” fechando mais uma visita ao “Pentagram Prayer”. Se ainda restava algum pescoço ao público, com suas camisetas encharcadas de Venom, Cruel Force, Bathory, Motorhead entre outras lendas representadas, receberam o golpe fatal em “At the Gates of Hell” e “Hard as Steel”, fechando com maestria uma apresentação enérgica de Speed Metal único que a banda proporcionou. Volto a dizer, mereciam uma melhor produção no palco, digna de uma performance matadora.
Uma grande noite de festa e Metal verdadeiro, celebração e devoção ao antigo culto. Saldo positivo 666%!
Nenhum comentário:
Postar um comentário