GRAVE DIGGER
BONE COLLECTOR
RPM/ROAR - Importado
BONE COLLECTOR
RPM/ROAR - Importado
A instituição do metal alemão chamada GRAVE DIGGER parece ser incansável. Completando 45 anos de carreira (se desconsiderarmos o hiato entre os anos de 1987 - 1991), o grupo chega ao seu 22º trabalho de estúdio e mostra que ainda tem o Heavy Metal correndo nas veias. Obviamente que não podemos (e nem devemos) esperar mudanças na sonoridade da banda, no seu estilo de composição ou seja lá o que for. A verdade é que BONE COLLECTOR é um álbum repleto de peso, pegada e envolta naquela atmosfera típica do quarteto: heavy metal com momentos mais épicos e sem nenhum tipo de acomodação ou incorporação de elementos estranhos à sua personalidade.
Chris Boltendahl (vocal), Tobias Kersting (guitarra), Jens Becker (baixo) e Markus Kniep (teclados, bateria), chegam mais uma vez revigorados, apresentando músicas fortes e de acordo com aquilo que sempre permeou a carreira da banda: guitarras intensas, baixo e bateria por vezes simples, por vezes mais estruturados, e os vocais mais do que característicos de Boltendahl, uma verdadeira marca registrada da banda. No entanto, temos mais uma modificação no line up, com a entrada de Tobias "Tobi" Kersting no lugar de Axel Ritt, que ficou 14 anos na banda. Mas isso não interferiu, acredito até, que injetou uma dose extra de vitalidade ao grupo, que parece ter renovado suas forças e nos apresenta um trabalho melhor e mais encorpado do que o já muito bom "Symbol of Eternity" de 2022.
A faixa título abre o álbum em grande estilo. Rápida, com riffs que beberam (e que também criaram) do metal germânico, a composição traz aquela pegada característica do Grave Digger, qual seja, ríspida, ao mesmo tempo imponente e bastante pesada. Um início bem escolhido, pois logo na sequência, "The Rich The Poor The Dying", traz a guitarra do estreante "Tobi" em perfeita carga de peso e intensidade. Outro momento bem rápido e calcado naquilo que o grupo faz como poucos: músicas diretas e mortais! "Kingdom of Skulls", por sua vez, começa com um clima soturno, dando destaque para a dupla Jens Becker/Markus Kniep (baixo e bateria, respectivamente), despejando peso ao longo dos quase 4min da composição. Já "The Devils Serenade" tem uma levada Hard/Heavy, que todo disco do Grave Digger possui. Os riffs mortais e típicos voltam com tudo em "Killing is my Pleasure", outro momento em que "Tobi" se destaca.
"Mirror of Hate" é uma faixa que, se antes falamos sobre o Hard/Heavy do grupo, aqui os contornos ganham maiores linhas, pois apesar dos momentos mais introspectivos da composição, o peso das guitarras e o andamento mais marcado acabam dando a direção. "Riders of Doom" é puro metal oitentista, ainda que adaptado ao momento atual. Peso e cadência, como o Judas Priest ensinou ao mundo a maneira certa de se fazer. Por outro lado, "Made of Madness" é um momento mais suave, melódico e até mesmo "bonito" dentro do trabalho... quer dizer, apenas em seu início! A porradaria come solta, com os vocais de Boltendahl, alternando alguns momentos mais "limpos", sendo um dos destaques do álbum! "Graveyard Kings" é outro momento Hard/Heavy, enquanto "Forever Evil & Buried Alive" resgata o peso e velocidade de forma bem eficaz. O encerramento vem com "Whispers of the Damned", uma espécie de balada, se é que podemos chamá-la assim...
BONE COLLECTOR não está entre os melhores álbuns do GRAVE DIGGER. No entanto, é digno de figuras entre aqueles que mantém viva a chama do metal germânico nos dias de hoje. Sendo fiel às suas raízes, o grupo mostra que continua relevante num cenário que parece ter esquecido de como o heavy metal deve soar. Com certeza, eles não esqueceram!
Sergiomar Menezes
Nenhum comentário:
Postar um comentário