sexta-feira, 28 de março de 2025

LACUNA COIL - SLEEPLESS EMPIRE (2025)

 


LACUNA COIL
SLEEPLESS EMPIRE
Century Media - Importado

Três anos após a ideia pouco perspicaz de regravar o excelente "Comalies", lançado em 2002 com o título de "Comalies XX", os italianos do LACUNA COIL se redimem de forma considerável com SLEEPLESS EMPIRE, décimo álbum do grupo capitaneado pela bela Cristina Scabbia e por Andrea Ferro. Consagrada pela sua sonoridade gothic metal, a banda tem muito mais a oferecer, pois traz consigo elementos do metal mais moderno e alternativo, apresentando um som original, o que para muitos acaba sendo um fato negativo, enquanto para tantos outros, se torna um atrativo a mais. Marcado pelos duetos vocais de Cristina e, com suas guitarras distorcidas, baixos potentes, o álbum se destaca também pela parte instrumental, trazendo elementos eletrônicos.

Os já citados Cristina Scabia e Andrea Ferro, juntamente com Marco Coti Zelati (baixo/guitarra e teclados), Daniele Salomone (guitarra) e Richard Meiz (bateria) conseguiram manter sua sonoridade que vem estabelecida desde "Dark Adrenaline" (2012). A partir deste álbum, a banda assume um som mais cru e direto em comparação aos clássicos "Comalies" (2002) e "Karmacode" (2006). Por outro lado, Cristina, cada vez mais maravilhosa, alcança tons mais agudos na voz e, como prova da busca por um som mais "pesado", temos uma maior presença vocal de Andrea, que, aliás, nos últimos álbuns começou a usar mais vocais guturais. Dessa forma, temos um álbum mais pesado, em que a intensidade praticamente não diminui, com músicas cheias densas, sombrias e que moldam a atmosfera intensa do trabalho.

"The Siege" abre o álbum e é uma uma música pesada, que nos apresenta um clima denso e de desespero, na qual se destacam os duetos vocais de Andrea, que recorre aos guturais, e Cristina, que, como já mencionado, atinge tons mais agudos de sua voz. O baixista Marco também se destaca, com uma base sólida, acompanhado de Richard Meiz na bateria. "Oxygen" dá continuidade, começando com sons eletrônicos, guitarras e baixos crus que lembram o metal mais moderno, tendo os vocais guturais de Andrea e a voz "suave e forte" de Cristina ao fundo. Momentos mais melódicos de guitarra, vocais de Andrea e um momento mais relaxado caracterizado pelos vocais de Cristina fizeram com que ela fosse escolhida como faixa de divulgação. "Scarecrow" , outra música que começa com sons eletrônicos e a voz de Andrea, embora nesta música, Cristina ganhe maior destaque, transmitindo angústia e desespero. Uma pegada mais moderna, onde o baixo e as atmosferas geradas pelas guitarras se destacam novamente. Já "Gravity", começa de forma original, com corais em italiano, seguidos de uma fórmula semelhante à das músicas anteriores: vocais potentes de Andrea, atmosferas sombrias e modernas e um refrão contagiante, no qual a voz de Cristina assume o comando. "I Wish You Were Dead", é uma faixa mais suave que as anteriores, que começa com o refrão cantado por Cristina, com bases eletrônicas ao fundo.

Com participação especial de Randy Blythe (Lamb of God), a faixa "Hosting the Shadow", começa com uma melodia interpretada pela voz de Cristina e mais bases eletrônicas, com uma melodia que vem acompanhada pelas guitarras. A música depois se torna mais agressiva, provando que a proposta do grupo é inovar a cada composição. "In Nomine Patris" começa com teclados seguida por sons modernos de guitarra que mais uma vez criam uma atmosfera sombria. Cristina assume os vocais principais, alternando com os guturais de Andrea. A faixa título, por sua vez, possui um clima pesado, mas não empolga, ainda que carrega doses generosas de peso e densidade. De outra forma, "Sleep Paralysis" tem forte presença de elementos eletrônicos e um ritmo lento, trazendo alguns toques orientais, o que a torna uma música interessante e original. Destaque para a performance de Cristina. Contando com a participação de Ash Costello (New Years Day) e não acrescenta muito, enquanto o final com a intensa "Never Dawn", traz agressividade e por isso, Andrea acaba se destacando mais.

SLEEPLESS EMPIRE é um álbum que, do começo ao fim, mantém sua agressividade, tensão e densidade sombria. O LACUNA COIL sempre se caracterizou pela interação vocal entre Cristina e Andrea, e aqui encontramos uma maior participação do vocalista que investiu de vez nos vocais guturais. Embora seja um bom álbum, o trabalho dificilmente irá angariar novos fãs, mas com certeza, manterá a base atual firme e forte, pois traz consigo tudo aquilo que os admiradores de Cristina e cia apreciam nos trabalhos do grupo.

Sergiomar Menezes




Nenhum comentário:

Postar um comentário