segunda-feira, 24 de março de 2025

HEATHEN - BLEED THE WORLD LIVE (2025)

 


HEATHEN
BLEED THE WORLD LIVE
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Após mais de quatro décadas de estrada, Heathen finalmente lança seu primeiro álbum ao vivo, “Bleed the World: Live". Um registro intenso, que mostra toda energia da banda e do público, num disco que foi gravado durante o giro pelos Estados Unidos, em 2023.

Logo nos primeiros segundos da intro “This Rotting Sphere”, os gritos de “Heathen, Heathen, Heathen...” anunciam que temos em mãos um dos melhores álbuns ao vivo dos últimos tempos. A mixagem permite que cada detalhe dos instrumentos seja ouvido com clareza, sem perda de peso. Outro fator importante é a experiência ao vivo que o disco traz — A sinergia banda e fãs carregam uma atmosfera arrepiante que faz o ouvinte sentir-se parte do público.

Antes de fato entramos nas músicas vale o destacar a belíssima capa. O logotipo da banda perfurando a Terra ensanguentada, segurada por uma mão gigante. As cores mais escura trazendo densidade são de arrepiar e mostra uma mensagem crítica.

O setlist percorre parte da trajetória dos guerreiros da bay area, equilibrando faixas mais recentes, com clássicos reforçando a consistência da sonoridade do Heathen ao longo dos anos, mostrando que a identidade sempre se manteve intacta. Obviamente que ao olhar a quantidade de faixas e a duração do disco, a pergunta que fica é: Só isso? Pois é, um pecado cometido por eles.

“The Blight”, abre o caminho sem volta para uma agressividade gratuita e feliz, que demonstra a precisão da banda. Em seguida, “Empire of the Blind” mantém o peso e reforça o quão excelentes e impactantes as músicas mais recentes soam ao vivo.

“Dying Season”, de “The Evolution of Chaos” (2010), ganha uma nova vida, com guitarras afiadas e uma execução primorosa subindo a intensidade de maneira ímpar.“Set Me Free” chega para cantarmos juntos, com mais punch que a gravação original — a faixa nunca perde sua essência de diversão pura. Entre as músicas mais emotivas do Heathen, “Sun in My Hand” se destaca com sua melodia envolvente e levada mais cadenciada. A carga mais introspectiva da faixa, se contrasta com a agressividade predominante do disco dando um certo “respiro” antes que o caos volte a reinar.

Já “Goblin’s Blade”, faz o fã voltar ao início de tudo. Seu som mais ríspido teletransporta a gente para os anos 80 e abrindo o portal para clássicas das clássicas, “Hypnotized” —Um épico thrash que alterna entre passagens velozes e momentos mais arrastados. É impossível se manter imóvel aos riffs cavalares antes da entrada do primeiro estrofe.

No final das contas, literalmente somos hipnotizados por “Bleed the World: Live”. Um testemunho do legado do Heathen. Para os “old school”, é uma oportunidade de reviver o passado e para os novatos, uma introdução perfeita ao som explosivo da banda que carrega na bagagem álbuns brilhantes como “Breaking the Silence”, “Victims Of Deception” e “The Evolution of Chaos”.

William Ribas




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