BODY COUNT
MERCILESS
Shinigami Records/ Century Media - Nacional
MERCILESS
Shinigami Records/ Century Media - Nacional
BODY COUNT's IN THE HOUSE, MUTHAFUCKA! Sim, Ice T e sua trupe voltam com mais uma porrada direta na boca do estômago. Em MERCILESS, o grupo despeja mais algumas toneladas de ódio e raiva em forma de música, trazendo toda a fúria do metal/hardcore/rap/thrash e o que mais você imaginar dentro do cenário da música pesada. Sem medo do dizer o que pensa sobre a propaganda midiática e seus malefícios, do sistema político americano de dois partidos, muito mais polarizado do que aqui no Brasil e do pensamento que domina um grande quadrante da sociedade estadunidense, a banda, que já ultrapassou a barreira dos 35 anos de carreira, nos entrega 12 faixas, que chegam por aqui pela parceria Shinigami Records/Century Media.
Ice T (vocal). Ernie C (guitarra), Juan of the Dead (guitarra), Vincent Price (baixo), Sean E Sean (sampler), Will "lll Will" Dorsey (bateria) e Little Ice (vocais de apoio), mantiveram Will putney (Fit for an Autopsy) na produção e o resultado foi aquele que já era esperado: guitarras pesdas, baixo e bateria insanos e vocais que beiram o desespero em certos momentos. Tudo isso envolto em uma atmosfera incendiária, fazem de MERCILESS um sucessor à altura de "Carnivore" (2020). E para deixar o álbum ainda mais nervoso, George Corpsegrinder Fischer (Cannibal Corpse), Joe Bald (Fit for an Autopsy), Howard Jones (Killswitch Engage) e Max Cavalera (Soulfly, Cavalera Conspiracy, Go Ahead and Die, entre outros) fazem participações mais que especiais, provando que o Body Count é metal na veia!
"Interrogation Interlude", como o próprio nome entrega, é uma intro com um clima angustiante, nos preparando para a faixa título. E "Merciless", segue o clima angustiante de sua intro, pois as guitarras de Ernie C e Juan of the Dead soam desesperadas com riffs densos e pesados. Ice T por sua vez, usa sua experiência dosando passagens mais rap, com levadas mais próximas do Hardcore. A primeira participação especial surge em "The Purge", uma porrada hardcore/thrash que pra ficar ainda mais destruidora, traz uma das vozes mais marcantes do death metal: George "Corpsegrinder" Fischer. Mesmo sendo um arregaço, há espaço para um solo criativo por parte de Ernie C. Na sequência, Joe Bald (Fit for an Autopsy) participa de forma visceral, numa composição que as guitarras não tem vergonha de dizer que beberam muito da fonte King/Hannemann. Já em "Fuck What You Heard", resgata a face rap metal do grupo, sem abrir mão do peso absurdo nas guitarras. "Live Forever" traz a participação de Howard Jones (Killswitch Engage), o que nem precisaria ser dito, bastando apenas ouvir o refrão característico do cantado pelo vocalista. Mas a faixa é uma pérola do Hardcore/Thrash sem concessões.
"Do or Die", é outro momento que une o peso do metal ao rap, que norteou a carreira de Ice T nos primórdios. Sem dúvidas, uma das melhores faixas do álbum, expondo o posicionamento da banda (ou do próprio Ice T) sobre o uso de armas. Ficou curioso? escute e descubra? "Confortably Numb" é uma releitura do clássico do Pink Floyd, que conta com solos do próprio David Gilmour. E quando falo em releitura, entenda-se que não estou falando de um cover. Já "Lying Motherfucka" é outra porrada rap/metal direta e pesada, enquanto "Drug lords", traz a participação do mestre Max Cavalera, introduzindo a faixa com a famosa frase "Se ficar o bico pega, se correr o bicho come", que na sequência vira uma ode à agressividade e brutalidade, com Max e Ice T dividindo os vocais, num dos grandes momentos do álbum. "World War" traz um clima de "guerra" em seus arranjos e o encerramento do álbum vem com "Mic Contract", uma "homenagem" do vocalista ao estilo que o consagrou. Mas, obviamente, sem esquecer das guitarras pesadas ao extremo.
Quando Ice T decidiu montar o BODY COUNT em 1990, talvez não imaginasse que o grupo atingiria uma parcela considerável dos fãs de metal. E nós sabemos que fã de metal não tem a cabeça mais aberta do mundo, não é mesmo? No entanto, se você não está nem aí pra qualquer tipo de limitação mental, ouça MERCILESS no volume máximo e prepara--se para se incomodar com a vizinhança...
Sergiomar Menezes
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