HYPOCRISY
CATCH 22 - VERSÃO DUPLA
Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional
CATCH 22 - VERSÃO DUPLA
Shinigami Records/ Nuclear Blast - Nacional
Quando uma banda decide revisitar um álbum poucos anos após seu lançamento, geralmente é um sinal de que algo não saiu como esperado. Mas nem sempre isso significa um erro. No caso de “Catch 22”, lançado pelo Hypocrisy em 2002, o álbum dividiu opiniões por apresentar uma sonoridade inesperada — Leve demais para os padrões do death metal, mas ainda assim pesado para conquistar um novo público.
No aspecto artístico, o álbum reflete o momento em que Peter Tägtgren, Mikael Hedlund e Lars Szöke se encontravam, explorando influências diferentes e buscando expandir sua sonoridade. Muitos fãs e críticos sugeriram que a banda estava mirando o mainstream ao adotar uma abordagem mais acessível, com influências do nu-metal, que dominava a cena na época. O resultado foi um trabalho semelhante ao que aconteceu com “Endorama”, do Kreator — ou você ama ou odeia.
O experimentalismo se reflete no som, algumas faixas se entregam completamente a essa nova estética, com riffs repetitivos e vocais gritados, às vezes semi-limpos e “chorados”. "Don't Judge Me", "Destroyed" e "Turn the Page" são os melhores exemplos disso, trazendo um Hypocrisy irreconhecível para os padrões tradicionais. Por outro lado, o álbum também guarda resquícios de sua essência, como "On the Edge of Madness", "Uncontrolled" e "All Turns Black", que trazem um death metal sombrio com incursões góticas e uma atmosfera melancólica.
O choque entre essas duas abordagens faz com que “Catch 22” pareça uma coletânea de músicas vindas de momentos distintos da carreira da banda. Diante da recepção negativa, o Hypocrisy decidiu, em 2008, lançar uma nova versão do álbum, corrigindo os pontos mais criticados. Em “Catch 22 (V2.0.08)”, Tägtgren regravou os vocais, trazendo um gutural mais presente. O baixo de Mikael ganhou mais groove e presença, e as batidas de Lars Szöke soam com mais “punch”, deixando o álbum com algumas características do “velho” Hypocrisy —mas, que, no fim das contas, continua sendo um experimento ousado mostrando o quão longe estavam dispostos a ir.
“Catch 22 (V2.0.08)” chega ao Brasil via Shinigami Records, numa edição especial que reúne as duas versões do álbum em um pacote duplo. Assim, os fãs podem comparar e decidir por si mesmos qual delas representa melhor a identidade da banda naquele período.
William Ribas
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