DEATHGEIST
UNDERWORLD
Punishment 18/Thrash Or Death Records/ Mutilation Records - Nacional
UNDERWORLD
Punishment 18/Thrash Or Death Records/ Mutilation Records - Nacional
Enquanto o Thrash Metal é frequentemente acusado de estagnar em temas bélicos e violência gratuita, o Deathgeist estilhaça esse estigma com "Underworld". O álbum prova que o estilo pode ser um veículo sofisticado para o horror cósmico, a crítica social ácida e o drama existencial. Com uma química inegável — Adriano Perfetto (Voz e Guitarra), Victor Regep (Guitarra), Mauricio Bertoni (Baixo) e Fernando Oster (Bateria) — o quarteto entrega sua obra mais ambiciosa. Não se trata apenas de uma coleção de riffs velozes, mas de uma antologia de contos macabros onde o verdadeiro terror reside nas profundezas da doentia mente humana.
Dizem que a estrada e o estúdio forjam o caráter de uma banda. A prova está aqui. A abertura com a faixa-título, "Underworld", já estabelece que o Deathgeist não é refém de clichês ou preso em seu próprio passado. A banda transcende o thrash sorrateiro para entregar uma sonoridade abrangente, uma verdadeira aula de metal germânico. É a fusão titânica de dois mundos: imagine o peso melódico de lendas como Accept e Grave Digger colidindo com a agressividade cirúrgica de Kreator e Sodom. Este é o ataque do quarto álbum dos paulistas.
Adriano não apenas canta; ele encarna o caos. Sua interpretação injeta dramaticidade em cada verso: ora com linhas rasgadas, ora com sussurros lúgubres e momentos de voz limpa, transformando cada música em um ato teatral e hipnótico. Essa versatilidade brilha no contraste entre “Mind Games” e “Destination Dust”. Enquanto a primeira seduz com uma introdução melódica carregada de feeling oitentista, a segunda escolhe a violência pura: riffs nascidos para quebrar pescoços. “Destination Dust” é um convite irrecusável ao moshpit, uma tempestade sonora feita para arrancar cabeças.
Já "The Kraken’s Wrath" se consolida como um hino Heavy Metal. É aquela faixa desenhada para bater cabeça e erguer os punhos; seu refrão de assimilação instantânea promete incendiar os shows. A "falsa calmaria" de seu encerramento, com dedilhados e linhas de baixo marcantes, prepara o terreno para "U.F.O Inc". Aqui, em meio a um instrumental denso e carregado, a banda ataca a era da desinformação, expondo as farsas que pairam nos céus.
O álbum também reserva espaço para a melancolia sombria. "Last Memories" revela a face mais emotiva do disco, abordando a tragédia devastadora do esquecimento — onde a vida se torna um filme sem desfecho e o "eu" se perde em um labirinto interior. Em contrapartida, a banda retoma a fúria com "When Darkness Falls", evocando a escola de Tom Angelripper, e fecha a trinca final com a visceralidade crua de "Into the Darkwood" e "Skinwalkers".
"Underworld" é, sem dúvida, um marco de maturidade para o Deathgeist. A banda alcançou o equilíbrio perfeito entre a agressividade necessária ao gênero e narrativas visualmente ricas. É um disco para bater cabeça, sim, mas também para encarar os monstros que vivem debaixo da cama — e, pior, aqueles que habitam dentro de nós.
O ano começa destruidor com o Deathgeist.
William Ribas


Muito obrigado Willian. Sensacional
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