SLAYER - GOD HATES US ALL - 25 ANOS
A TRILHA SONORA DO CAOS!
Por William Ribas
Acredito que nenhum álbum na história da música teve tanto reflexo com a realidade quanto God Hates Us All, do Slayer. Lançado há exatos 25 anos, o disco chegou às lojas em um dos períodos mais turbulentos e inesquecíveis da história recente: o 11 de setembro. As letras que já giravam entre violência, religião, guerra e ódio, ganharam um significado diferente diante dos ataques às Torres Gêmeas, em Nova York.
O caos tinha sua própria trilha sonora.
Os gritos de Araya em “Disciple”, especialmente, acabaram sendo associados inevitavelmente àquele momento. Não porque o Slayer tivesse antecipado o que aconteceria, mas porque algumas das imagens e ideias presentes no álbum passaram a dialogar de maneira involuntária com a realidade que se impôs naquele setembro de 2001.
O Slayer não estava tentando fazer um retrato do que aconteceria; estava, à sua maneira, explorando o lado mais sombrio e perturbador da humanidade.
A capa, com uma Bíblia cheia de pregos e o nome da banda em sangue, era provocadora dentro da proposta do grupo. Inclusive, o disco teve que ser recolhido das lojas e ganhar uma capa alternativa, apenas com cruzes invertidas.
Na faixa de abertura, Tom Araya dispara alguns versos que, ouvidos depois daquele 11 de setembro, inevitavelmente ganhariam outro peso...
“Homícidio — suicídio.
O ódio cura, você poderá tentar isso uma vez.
Aspirar pela paz com atos de guerra.
A beleza da morte nós adoramos.”
Já em outro momento, canta:
“Pessimista, terrorista, mirando o próximo alvo.
Caos global alimentando a histeria.
Corte a garganta, corte seu pulso.
Atire em você pelas costas, uma caça legal.
Abuso de drogas, autoabuso procurando o próximo drogado.
Soa como se o inferno estivesse se espalhando por todos os cantos.
Eu estou esperando pelo dia em que o mundo inteiro morra.”
E, obviamente, logo após cada estrofe, todos sabemos o refrão que, provavelmente, é o mais conhecido da carreira do Slayer: “God Hates Us All, God Hates Us All.”
Musicalmente, o álbum apresenta um Slayer em suas características mais brutais e pesadas. Diabolus in Musica havia sido achincalhado por todos: era um Slayer sendo “New Metal”, mas, à sua maneira, tentando se encaixar na tendência sem deixar de ser “os caras maus”.
Claro, após duas décadas e meia, eu, você, todos nós sabemos que o álbum não foi uma volta aos clássicos dos anos 80 e início dos 90. Mas podemos ouvir o disco e curtir músicas como “God Send Death”, “New Faith”, “Cast Down”, “Seven Faces”, “War Zone” e “Payback”. Os riffs malignos de Kerry King e Jeff Hanneman estão ali.
Eu destacaria quatro pilares de sustentação após todos esses anos: primeiro, a palavra “God” — para onde você olha, ela está lá, “Deus” por todo o álbum; segundo, Tom Araya mandando palavrões a torto e a direito; terceiro, a voz de Araya, que está alta na mixagem e, felizmente, não atrapalha em nada; e, por último, o groove, que talvez seja uma das características mais marcantes desse Slayer.
God Hates Us All não entrou na parada da Billboard. Teve indicação ao Grammy e ganhou clipe para “Bloodline”. Se minha memória não estiver errada, a música entrou na trilha sonora do filme Dracula 2000. Lembro bastante do clipe sendo exibido no Riff MTV, apresentado pela Penélope. A banda tocando e “sangue” caindo para todos os lados. Ao lado de “Disciple”, são figurinhas carimbadas do álbum e seguiram sendo tocadas após todos esses anos.
Após 25 anos, o álbum segue sendo impactante, infelizmente, muito mais pelo timing de seu lançamento do que por ser considerado um clássico na discografia da banda. Afinal, mesmo com seus bons momentos, ainda não era o Slayer que queríamos ouvir.

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