KINGCROWN
MOONFALL
Rockshots Records - Importado
MOONFALL
Rockshots Records - Importado
A banda francesa de heavy/power metal KINGCROWN está de volta ao mercado. Após o sucesso e a boa recepção do álbum "Nova Atlantis" (2024), o grupo chega com seu mais novo trabalho de estúdio, intitulado MOONFALL, via Rockshots Records. O disco aprofunda a direção conceitual da banda em torno de temas distópicos, evolução tecnológica e a fragilidade da existência humana. Fundada pelos irmãos Jo Amore (vocal) e David Amore (bateria), ambos ex-integrantes da lendária banda Nightmare, o grupo construiu uma trajetória consistente no cenário europeu com álbuns como "A Perfect World" (2019), "Wake Up Call' (2022) e o já citado "Nova Atlantis" (2024).
Formada pelos já citados Jo e David Amore, completam a banda Ced Legger e Bob Saliba (guitarras) e Seb Chabot (baixo). O trabalho de mixagem e masterização ficou a cargo de Simone Mularoni (do Domination Studio), e trouxe consigo uma sonoridade cristalina, peso adequado e alta definição em todo o espectro sonoro. E isso é essencial quando falamos de power metal, metal melódico, ou seja lá o nome que você queira dar pro estilo do grupo. A verdade é que a sonoridade do Kingcrown mescla de forma correta o metal tradicional e a melodia do power, sem exageros, criando um personalidade própria, ainda que traga em suas influências nomes como Iron Maiden, Helloween, Gamma Ray e até mesmo Symphony X.
O álbum abre com a faixa-título "Moonfall", onde podemos perceber a qualidade técnica dos músicos envolvidos. No que diz respeito a sonoridade, temos um power metal simples, bem executado com passagens mais intensas e melódicas, enquanto os vocais buscam sempre aquele momento alto, mas sem exageros. Uma boa faixa pra inicio de conversa. Um pouco mais cadenciada, "Nothing", remete ao Helloween, mas traz uma letra introspectiva, questionando o uso da inteligência artificial. Por sua vez, "We Are Kingcrown", é dona de um refrão autoexplicativo, que tenta afirmar a posição da banda dentro do cenário atual. Refrão grudento, diga-se. "A Thousand Years" é um power metal melódico clássico, onde os teclados guiam a base da composição, enquanto o bom vocalista Jo Amore foge dos agudos excessivamente limpos, garantindo uma identidade mais crua e direta ao som da banda. Por sua vez "Rise of the Machines", ainda que não fuja muito dos clichês típicos do estilo, mostra uma cozinha que transita com naturalidade entre o groove pesado e a velocidade galopante.
"All United" traz a energia típica do power metal, lembrando o melhor da vertente germânica e o peso refinado de nomes como Masterplan. E isso tudo acaba dando certo, principalmente para os apreciadores do estilo em questão. "Lost Horizon" e "Oblivion Resilience" se aproximam um pouco mais do peso, tendendo um pouco mais pro lado tradicional. Já "Back to the 80's" é uma ode à década de ouro do Heavy Metal, com uma letra que relembra como era essa época: "Back to the 80’s! Turn up the sound! Turn it up and shake the ground! Back to the 80’s! Back to the past! We’ll never die, we’ll never change!". O final vem com "Beyond the Stars", mais cadenciada e mais pesada.
MOONFALL é um álbum que vai agradar os fãs de carteirinha do heavy/power metal melódico tradicional. O KINGCROWN tem como principal virtude não reinventar a roda; em vez disso, ele tenta movimentá-la com composições afiadas, entregando um trabalhos coeso e bem gravado/produzido. Uma fórmula simples e verdadeira de como honrar o passado mantendo os dois pés firmes no presente.
Sergiomar Menezes


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