quinta-feira, 24 de setembro de 2026

NERVOSA - 07/09/2026 - CARIOCA CLUB - SÃO PAULO/SP


 

NERVOSA
Abertura: Carro Bomba e Blades of Steel
07/09/2026
CARIOCA CLUB
SÃO PAULO/SP
Produção: TC7 Produções

Texto e fotos: Mauro Antunes

Feriado de segunda feira com um frio para cada um em São Paulo. Este redator não pôde passar o feriado em casa com a família, já que foi para o trabalho, não Home Office. Consegui escapar de lá por volta das 16hs, passei em casa, tomei banho, pus as armaduras e fui rumo ao Carioca Club. Com a promessa da abertura das portas as 18hs, fiz o que um bom headbanger normalmente faz: cheguei para o esquenta, degustei aquele Hot Dog com salsicha sabor vento, comprei uma Long Neck, e pronto: tudo certo para entrar na casa.

Entramos na casa por volta das 18:20hs e a constatação do pequeno público presente, soou a mim, extremamente decepcionante. Talvez, o excesso de shows de Heavy Metal, misturado com a falta de grana, que infelizmente, assola nosso país, possam ter contribuído para o pequeno público. Naquele momento, ficou a expectativa de que até o show da banda principal, a plateia pudesse aumentar.

Poucos minutos depois, o Blades Of Steel iniciou suas atividades. Para quem não os conhece, o som é aquele típico Power Metal, que alguns chamam pejorativamente de Metal Espadinha. Apesar de uma curta carreira, a banda já lançou seu primeiro trabalho (em 2025), auto intitulado. Inclusive, o mesmo estava disponível para venda na barraquinha de “Merchan” em uma caprichada embalagem. O setlist contou com 5 das 8 faixas do CD Standard, destaque para a pesadíssima abertura de “Ruler of the Waves”. Além dela, “Riders of the Night” é muito boa, inclusive a versão de estúdio conta com a participação de ninguém menos que Prika Amaral, a líder do Nervosa. Um Power Metal cheio de riffs pra ninguém botar defeito. Destaque individual fica a incrível presença de palco da vocalista Yara Haag. No momento em que empunhou uma espada lá no alto, imediatamente pensei que ela devia estar fazendo muita força, já que a mesma parecia enorme e pesada. Foram pouco mais de 30 minutos de uma apresentação que realmente faz valer a pena chegar cedo.

Após uma breve pausa, o Carro Bomba entrou em ação. Taí uma banda que admiro e que digo que dá gosto ser fã. Quase todos os clássicos estavam todos no set list: “Máquina”, “Queimando a Largada”, “Migalhas”, “Punhos de Aço”, entre outros. Apesar de, particularmente, não ser um grande fã de faixas em Português, a pegada, a presença de palco, a atitude dos caras realmente é diferenciada. O show de quase 50 minutos foi tão rápido que poderíamos aguentar mais uma hora, tranquilamente. Não é a toa que estão na estrada há tantos anos, há muito tempo não os via ao vivo. Outro ponto positivo foi o som, realmente impecável deu pra ouvir todos os instrumentos. O aquecimento perfeito para o principal show da noite.

Pontualmente as 21h, a Nervosa entrou em cena. Uma pena a ausência da baixista Hel Pyre. Impressionante o poder destrutivo de Prika Amaral, Helena Kotina, Emmelie Herwegh e Michaela Naydenova. “Impending Doom” é uma paulada que não deve nada às bandas Thrash Metal de marmanjos que temos por aí. É a prova definitiva que “Slave Machine” é o melhor trabalho já gravado pela banda.



A banda caprichou no setlist emendando hinos de todas as fases de sua carreira: “Masked Betrayer” que sempre é muita saudada nos shows, e que foi o primeiro hit da banda também marcou presença. Da década passada, ainda tivemos “Death!” e “Kill the Silence” deixando de lado pedradas como “Hostages” e “Intolerance Means War”, por exemplo.

O destaque maior ficou por conta das faixas dos 2 últimos trabalhos que ostentam quase todo o lineup que temos no momento (infelizmente, Emmelie não tocou em “Jailbreak”). Ficou muito claro que a presença de Helena Kotina na guitarra deu um peso, brutalidade e técnica no som da Nervosa. Ela foi o centro das atenções em faixas como “Ghost Notes”, “You Are Not a Hero”, “Jailbreak” e na insana faixa título do novo trabalho.



Ah, e teve também o inusitado cover do “Ozzy brasileiro” (nas palavras de Helena Kotina, Rita Lee), “Obrigado Não”. Como não conhecia a faixa original, não consegui curtir a faixa como as demais.

Uma pena que o show teve apenas uma hora de duração, sendo inegável que as meninas deixaram e entregaram tudo o que podiam. Prika parece ter nascido pra cantar agressivamente; olhando a carreira do Nervosa de trás para frente, fica difícil entender o porquê dela não ter percebido antes, a sensacional frontwoman que é. Emmelie tem uma presença de palco surreal, Michaela parece um motorzinho bem afiado e Helena é uma máquina de riffs; sua presença de palco chega a ser assustadora.

Assim que acabou o show, as meninas desceram à pista e atenderam todos os fãs que as abordaram, inclusive este redator teve a oportunidade de ter um rápido contato com todas elas. O profissionalismo tomou conta da banda, e cada vez mais, vemos o que as tornou tão grandes como são. Consigo imaginar a Nervosa na ativa por ainda muitos anos: o Metal agradece!




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